Em vez de discutir, cara a cara, com a FUP as propostas que defendem para os trabalhadores e a Petrobrás, o presidente Roberto Castello Branco e o gerente executivo de RH, Cláudio Costa, usam lives e videoconferências para atacar direitos da categoria e as organizações sindicais. Do que fogem os gestores? Por que não explicam, por exemplo, os motivos que fazem com que a empresa aplique a Medida Provisória 927 para postergar o recolhimento do FGTS e o pagamento da gratificação de férias, mas não aceite prorrogar o Acordo Coletivo de Trabalho, que também é previsto na MP?

A FUP e suas assessorias estarão ao vivo nesta quinta-feira (02), às 18h, conversando com os petroleiros e petroleiras sobre os desafios da campanha reivindicatória e as lutas contra a privatização do Sistema Petrobrás. A proposta da empresa de Acordo Coletivo, com prazo final de negociação em 31 de agosto, vai ser rebatida no “Encontro com a categoria”, com transmissão pelas redes da FUP e dos sindicatos. Se nos “Encontros com a diretoria”, Castello Branco e Cláudio Costa fugiram do debate com os trabalhadores, a live da FUP não deixará a categoria sem resposta. 

Passando a boiada

A gestão da Petrobrás vem reproduzindo a mesma tática do governo Bolsonaro: aproveita-se da pandemia da covid-19 para passar a boiada, acelerando a entrega do patrimônio da estatal e o desmonte dos direitos dos trabalhadores. Para se ter uma ideia, 49 ativos da empresa estão à venda neste momento, 17 deles anunciados no primeiro semestre de 2020, em meio ao avanço do coronavírus. Só a gestão Castello Branco é responsável por 88% de todas as ofertas em curso neste feirão, incluindo refinarias, dutos, terminais, campos de petróleo, termoelétricas, usinas de biodiesel, plataformas e muito mais.

Enquanto a pandemia se alastra pelas unidades que estão sendo operadas sem as devidas medidas de segurança, a diretoria da Petrobrás se nega a prorrogar o Acordo Coletivo, à despeito das sucessivas cobranças feitas pela FUP. Sem o menor respeito aos fóruns deliberativos da categoria, a empresa impõe uma agenda de negociação com data marcada para terminar e apresenta uma proposta rebaixada. Tudo isso em meio aos congressos regionais que estão discutindo a pauta de reivindicações que será deliberada pelo Congresso Nacional da FUP, na segunda quinzena de julho.

Aproveitando-se do isolamento social, que dificulta as mobilizações, Castello Branco acelera a privatização e mira no Acordo Coletivo, na tentativa de concretizar o desmonte que não conseguiu na campanha passada. Além de reajuste zero, redução e retirada de direitos, a empresa quer encolher ainda mais o efetivo de trabalhadores, com novos PDVs que farão o quadro retroceder ao nível dos anos 70, quando a holding tinha pouco mais de 30 mil concursados. Ou seja, menos da metade do que chegou a empregar em 2013. Nas subsidiárias, a tática é a mesma. Os gestores já fizeram isso na BR Distribuidora, antes da privatização, e semana passada, anunciaram o PDV da Transpetro, com a meta de desligar 557 petroleiros.

A pandemia também está sendo usada para alterar regimes e jornadas de trabalho, como já acontece desde abril, quando a Petrobrás implementou seu plano de resiliência sem qualquer debate com as entidades sindicais. Nas unidades operacionais, foram impostos turnos ininterruptos de 12 horas e no regime administrativo, o teletrabalho, que a empresa pretende prorrogar até o final de dezembro, com um regramento que está sendo discutido de forma unilateral, sem envolver os sindicatos. Esse é, inclusive, um dos principais pontos da proposta de Acordo Coletivo que serão deliberados durante o 18º CONFUP.

O engodo da crise

A despeito do lucro de R$ 40 bilhões registrado em 2019 e comemorado com estardalhaço pela gestão, a Petrobrás insiste em pegar carona na crise econômica para tentar convencer os trabalhadores a se sacrificarem. Uma das alegações é que os custos com pessoal são desproporcionais em relação às outras empresas do setor. A mesma ladainha que Castello Branco vem repetindo desde o ano passado, seguindo a tática dos disseminadores de fake news: uma mentira contada mil vezes é tida como verdade.

Para começo de conversa, a despesa com salários representa 9% do total de custo da empresa. Além disso, ao contrário do que ele afirma, o salário dos trabalhadores da Petrobrás foi o que mais caiu entre 2014 e 2019, comparando com outras empresas do setor. Levantamento feito pelo Dieese aponta que a remuneração média dos trabalhadores da BP, da Equinor, da Shell e da Total caiu 13% neste período, enquanto a dos trabalhadores da Petrobrás despencou 32%, mais do que o dobro. No caso da Equinor, a situação foi inversa: a remuneração média dos trabalhadores cresceu 10%.

“A Petrobrás, como todas as empresas do setor petróleo, é intensiva em capital e não em trabalho. Reduzir custo com pessoal tem um efeito pequeno sobre o volume dos gastos totais da empresa”, afirma o economista Cloviomar Cararine, técnico do Dieese que assessora a FUP.

O “choque dos preços do petróleo” é outra contradição no discurso de Castello Branco para justificar os cortes de direitos e redução salarial. Enquanto chora as pitangas para cobrar mais e mais resiliência dos trabalhadores, inverte o rumo da história para atrair investidores e acalmar o mercado. O argumento é que o pior da crise já passou e que a companhia está conseguindo navegar bem em mares revoltos.

A Petrobrás está sendo beneficiada pelo petróleo de alta qualidade do pré-sal, por ter um modelo de negócio integrado e um corpo técnico competente.  Por conta disso, a empresa está garantindo novos mercados, com o aumento das exportações, principalmente de óleo de bunker. Nos últimos meses, foram exportados em média 1 milhão de barris de óleo por dia, o que representa cerca de 40% de toda a produção da empresa.

Ao insistir em acabar com a integração da Petrobrás e em reduzir os quadros de trabalhadores, a gestão Castello Branco está não só apequenando a empresa, como caminhando a passos largos para a perda desta eficiência, comprometendo o futuro da estatal e sua memória técnica.

Invasão de competência

Reajuste zero. Fim da dobradinha (pagamento do feriado trabalhado no turno). Redução das horas extras na troca de turno. Redução do pagamento da gratificação de férias. Fim do Adicional de Campo Terrestre. Aumento da contribuição dos trabalhadores para a AMS. Fim das liberações sindicais. Estas são algumas das propostas previstas no Acordo Coletivo apresentado pela Petrobrás.

Além de atacar direitos e de ameaçar a organização dos trabalhadores, a gestão quer disputar com os sindicatos a convocação de assembleias, usando a intranet para defender uma consulta online sobre a proposta de desmonte do ACT. “(...) estamos conseguindo exercer diversas atividades por meios digitais e essa pode ser mais uma em mais uma arbitrariedade. Assim, esperamos que todos os empregados tenham oportunidade de demonstrar sua vontade por meio das assembleias organizadas pelos sindicatos”. Essa é a resposta que o moderador da empresa está massificando, quando questionado sobre a imposição de uma negociação do ACT durante a pandemia.

Não compete à gestão da Petrobrás opinar sobre como o sindicato deve realizar assembleias. Isso é "invasão de competência", uma afronta à Convenção 98 da OIT, ratificada pelo Brasil, cujo Artigo 2º é bem claro no item 1: “As organizações de trabalhadores e de empregadores deverão gozar de proteção adequada contra quaisquer atos de ingerência de umas em outras, quer diretamente, quer por meio de seus agentes ou membros, em sua formação, funcionamento e administração”.

Castello X Bismarck

Como todo “pau mandado”, para usar uma expressão que Bolsonaro tem um certo apreço, Castello Branco gosta de reproduzir o estilo de liderança de seus gurus. Talvez por isso, o presidente da Petrobrás abuse de uma retórica “googleliana” para causar efeito em suas lives. Como não sustenta uma argumentação sólida, recorre a frases feitas, que utiliza em tom de ameaça para se proteger. Típico dos bolsonaristas.

Esta semana, ele escolheu um militar do Império Alemão para desqualificar a FUP, em mais um ataque pessoal e desrespeitoso à organização dos trabalhadores. Apelou para o chanceler de ferro, Otto Von Bismarck, na tentativa de jogar os trabalhadores contra os sindicatos, desqualificando as ações judiciais que questionam a imoralidade do PPP.

Se vivo fosse, como reagiria o conservador Bismarck diante da farra de bônus que alimenta a venda de ativos e a liquidação da Petrobrás? O que diria sobre os bilhões de verba pública que bancam o toma-lá-dá-cá da relação de Bolsonaro com o “centrão” para destruir conquistas e direitos dos brasileiros? Talvez caiba aqui parafrasear uma declaração famosa do alemão: "Se o povo soubesse como são feitas as leis e as salsichas, não engoliriam nem umas, nem outras".


Live da FUP nesta quinta, às 18h

Encontro com a Categoria - Em resposta ao "Encontro com a Diretoria", realizada pela Petrobrás, a FUP vai analisar proposta de ACT da gestão Castello Branco

Acompanhe e participe pelo canal do Youtube - https://youtu.be/p7i7MiD1XWs - e nas redes sociais da FUP e dos sindicatos

Convidados: Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP, Cibele Vieira, diretora da FUP, Normando Rodrigues, assessor jurídico da FUP, e Cloviomar Cararine, técnico do Dieese e assessor da FUP


 

 [FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

No Nordeste, o São João é coisa séria, faz parte da cultura e da vida de todo nordestino.  Mas por causa da pandemia da covid-19, a festa não pôde ser realizada em centenas de municípios da Bahia, Ceará, Alagoas, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Mas sempre se dá um jeito, o que não dá é ficar sem a sanfona, a zabumba, o triângulo e as histórias e tradições da festa de São João. Por isso, os petroleiros do Nordeste se organizaram para fazer o 1° São João Virtual Petroleiro.

O evento, que acontece nesse sábado (27), a partir das 17h, será transmitido ao vivo pelo facebook no canal Debate Petroleiro (@fb.me/DebatePetroleiro) e pelas fanpages dos Sindipetros do Rio Grande do Norte, Bahia, Alagoas/Sergipe, Pernambuco/Paraíba e Ceará/Piaui.

O arraiá vai contar com um DJ petroleiro, nosso colega DJ Jada, que fará um set de remixes de músicas juninas. Os coordenadores dos Sindipetros também vão participar da programação, falando sobre as expectativas do evento para a luta do Nordeste.

Vai ter também o “História Junina”, um quadro onde os petroleiros e petroleiras vão contar, através de vídeo gravado que será transmitido, uma história junina do seu estado.

Dentro da programação haverá ainda o “Debatinho”, uma live com crianças contando como é o São João na sua cidade, do que mais gostam de fazer ou  de comer na festa junina  –  ficar em volta da fogueira,  soltar fogos, assar um  milho ou comer  amendoim e canjica. Cada Sindipetro indicará uma criança para fazer esse relato.

A programação segue com o quadro Entrevistas, trazendo depoimentos, de personalidades nordestinas na área musical.

Mas em um “arraiá” dos bons não pode faltar Música.  E essa será uma das principais atrações. Teremos participações de músicos dos diversos estados do nordeste.

E como a festa junina é multicultural, teremos também poetas, [email protected], atrizes e etc.

Por fim, teremos o Mural Junino, espaço reservado para petroleiras e petroleiros de todo país. Quer aparecer no Mural Junino?  Basta enviar fotos e vídeos com o nome [email protected] petroleiro e o estado, de qualquer ano, para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. com cenário junino, fantasiadas ou apenas mostrando mesas de iguarias, licores, pratos, fogueiras, etc. Elas serão mostradas durante a programação.

O 1° São João Virtual Petroleiro será encerrado com duas atrações musicais ao vivo. Vai ser bom demais. Marque na sua agenda e programe o alarme do despertador para às 17h desse sábado (27).  Estamos esperando por você!

 

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Os sindicatos da FUP iniciam esta semana os congressos regionais para eleição de delegados e deliberações referentes ao 18º Congresso Nacional da FUP, que será realizado na segunda quinzena de julho. Devido à pandemia da covid-19, os congressos serão todos virtuais, com debates e deliberações online, feitos através de plataformas digitais.

Com o tema “Democracia, Empregos e Revolução Digital”, o 18º CONFUP contará com a participação de 280 petroleiras e petroleiros eleitos nos congressos regionais, além de assessorias e convidados. O Congresso Nacional da FUP é o principal fórum de debates da categoria, onde são discutidos e aprovados encaminhamentos políticos, pautas de reivindicações e planos de luta.

O 18º CONFUP também irá eleger a nova diretoria da FUP para o período 2020-2023. As mesas temáticas e a programação completa serão divulgadas pela comissão organizadora nas próximas semanas.

Agenda dos congressos regionais:

> 24 a 27 de junho – Congresso do Sindipetro-MG

> 25 a 27 de junho – Congresso Conjunto dos Sindipetro Unificado de SP e Sindipetro-PE/PB

> 25 e 26 de junho – Congresso do Sindipetro-RN

> 26 e 27 de junho – Congresso do Sindipetro-ES

> 27 de junho – Congresso conjunto do Sindipetro-PR/SC e Sindiquímica-PR;

> 27 de junho – Congresso do Sindipetro-AM

> 27 de junho – Congresso do Sindipetro Duque de Caxias

> 29 de junho a 03 de julho – Congresso do Sindipetro-NF

> 03 e 04 de julho – Congresso do Sindipetro-CE/PI

> 04 de julho – Congresso do Sindipetro-BA

> 11 de julho – Congresso do Sindipetro-RS

[FUP]

Publicado em 18 CONFUP

Deyvid Bacelar é o novo coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros, a maior representação da categoria petroleira em âmbito nacional. A sucessão se dá pela necessidade de desincompatibilização de José Maria Rangel que será pré-candidato a uma vaga na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes. Deyvid assume a FUP num momento difícil. Os desafios de quem estará à frente do movimento sindical petroleiro se tornam gigantes diante da recente conjuntura brasileira, que sofre desde o golpe de 2016, o golpe que tornou nítidas as forças vis organizadas para combater os governos com projeto de desenvolvimento para o país e que possibilitaram avanços econômicos e culturais para a classe trabalhadora.

O coordenador geral da FUP enfrentará desafios a curto, médio e longo prazo. A curto prazo, Deyvid afirma que o desafio é lutar pela segurança e saúde dos trabalhadores e trabalhadoras que atuam no setor de petróleo e gás. “A luta imediata é pela vida e segurança dos empregos durante a pandemia. ” A médio prazo, o enfrentamento se dará por conta da profunda crise econômica, onde a taxa de desemprego deve praticamente dobrar chegando a quase 25 milhões de desempregados e desempregadas, índice divulgado pelo DIEESE e FGV.  E a longo prazo a luta continua, mas se torna mais pesada já que é preciso encarar um governo autoritário, neofascista e extremamente liberal com seus programas de privatização. A defesa do Sistema Petrobrás, da Soberania Nacional, da Democracia e do Emprego será cada vez mais necessária e esse será o grande desafio que a Federação e a categoria petroleira terão que enfrentar. É inclusive o tema que será discutido no Congresso Nacional da FUP que acontecerá em julho próximo.

Deyvid reitera que é fundamental ampliar e obter o apoio de outras categorias e da sociedade brasileira que ajudou na criação da Petrobras, e que por isso é uma empresa patrimônio do povo brasileiro. “A luta não é só nossa, precisamos de aliados contra a privatização. ” Já que mudanças bruscas no mundo do trabalho geraram uma nova forma de organização e atuação do movimento sindical petroleiro, brasileiro e mundial, é necessário encontrar caminhos e formas de combater as falsas ideias dominantes e assim se posicionar na trincheira de luta contra os reais interesses das classes dominantes. Deyvid conta com o apoio de toda a direção da FUP e dos diretores dos 13 sindicatos filiados à FUP, assim como das assessorias e funcionários da federação.

Sobre a trajetória de Deyvid Bacelar

Nascido na segunda maior cidade da Bahia – Feira de Santana – Deyvid Bacelar assume mais um desafio em sua vida pessoal e de militante do movimento sindical petroleiro. Juventude, experiência e compromisso com os legítimos interesses da categoria são seus melhores atributos e que ajudaram a conquistar a confiança dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil. Deyvid Bacelar é Técnico de Segurança na RLAM, onde ingressou por concurso na Petrobrás em 2006. Técnico em Segurança do Trabalho pelo CETEB. Graduado em Administração pela UEFS, com especializações em SMS no IFBA e em Gestão de Pessoas na UFBA, desde o início se destacou nas lutas sindicais e comunitárias.

Eleito Diretor de Assuntos Institucionais e Jurídicos da FUP (gestão 2017-2020) e Coordenador Geral do Sindipetro Bahia (gestão 2017 -2020), Deyvid representa a CUT/CNQ/FUP na Comissão Nacional Permanente do Benzeno (CNPBz), também foi representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás e durante o seu mandato em (2015-2016) fez diferença dentro do CA, dando voz e vez aos petroleiros e petroleiras de todo país.

Também foi eleito Coordenador Geral do Sindipetro Bahia (gestão 2014 -2017), Diretor de SMS do Sindipetro (gestão 2011-2014) e exerceu mandato de Diretor do Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia (gestão 2008-2011). Em Feira de Santana, foi Presidente da Associação de Moradores Morada das Árvores (gestões 2014-2015/2016-2017), onde emprestou sua experiência de forma voluntária nas ações comunitárias da entidade.

 

 

Publicado em Sistema Petrobrás

José Maria Rangel é um petroleiro que se tornou sindicalista por ter percebido que a luta é necessária, e que dela devia fazer parte. Sentado na sala de espera do aeroporto do Farol de São Tomé, prestes a embarcar para trabalhar por 14 dias na P-23, uma plataforma da Bacia de Campos, Zé Maria pediu a palavra durante a fala de um representante da categoria. Falou o que pensava acerca da pauta naquele dia e a partir daí não parou mais. Suas falas e ações seguintes tiveram sempre como base o bom caráter de homem íntegro, alma terna e coração justo, que aliados à sua incrível capacidade visionária, mudaram para melhor o rumo do movimento sindical petroleiro.

Alvo de admiração unânime, tanto pelo seu comportamento quanto pela sua trajetória, sua história é marcada por grandes desafios. O ano de 1996 marca o início da jornada de Zé Maria como sindicalista ao integrar a diretoria eleita do Sindipetro Norte Fluminense, e em 2004 assume a coordenação geral do sindicato. Seguramente, foram sua garra e firmeza na Bacia de Campos ao conduzir as negociações e a luta, assim como toda a organização e mobilização, que o levaram a ser eleito representante da categoria no Conselho de Administração da Petrobras, em 2013. Uma missão que honrou e cumpriu de maneira integral todos os compromissos assumidos. Manteve seu firme posicionamento contra leilões de privatização e ergueu bem alto a bandeira das lutas contra a terceirização.

O segredo de suas vitórias e conquistas construídas passo a passo está na lealdade à tradição das lutas da categoria petroleira. Zé Maria se tornou o seu mais influente líder porque manteve a altivez das principais lutas travadas em defesa do patrimônio público e da soberania nacional. Foi o que fez na Federação Única dos Petroleiros, quando em 2014 foi escolhido para coordenar nacionalmente os 13 sindicatos filiados à FUP. Lutou pela manutenção dos direitos da categoria, esteve atento às renovações dos quadros nas eleições dos sindicatos e ainda abriu horizontes, ao mostrar que a luta constante pela democracia é também responsabilidade da categoria petroleira para com a sociedade.

Assim, conduziu a qualificação do debate em torno da defesa da Petrobras como empresa pública e de sua maior riqueza, o Pré-Sal. A luta pela manutenção da lei da Partilha levou meses de resistência em Brasília, uma briga para derrotar o PL 4567/16. Uma luta que os petroleiros iniciaram em 2015 e que foi marcada por uma série de atos e debates no Congresso Nacional, que foram de escrachos e manifestações no aeroporto e na Esplanada dos Ministérios a participações em audiências públicas e ocupações.

Em 2015, foi construída a pauta pelo Brasil, a greve nacional tornou especial a campanha reivindicatória, e foi Zé Maria quem mostrou o caminho da boa estrada, apoiado na força de seus representados. Como ele mesmo diz, “tivemos a sabedoria de gritar em alto e bom som que temos orgulho de ser petroleiros e petroleiras”. Foram momentos de muita luta, o jaleco laranja virou símbolo e objeto de desejo de todos os lutadores e lutadoras dos movimentos sociais que jamais abandonaram a FUP em suas batalhas; foi na Escola Nacional Florestan Fernandes, com a presença de Lula, que o uniforme de guerra foi lançado e é ele, que até hoje, impõe respeito aos que ainda tentam entregar as riquezas do povo brasileiro. 

Mais uma vez em Brasília, verdadeiras batalhas foram travadas, os petroleiros desafiaram o Executivo, o Legislativo e o Judiciário com pautas pesadas, mas sempre de cabeça erguida.  Apesar da resistência, em 2016 a Câmara dos Deputados Federais consolidou o golpe iniciado com o impeachment e tirou da Petrobras a exclusividade na operação do Pré-Sal e a garantia de participação mínima de 30% nos consórcios.

Em 2017, a visão e a coragem de Zé Maria deram início à criação do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, que ganhou o nome de José Eduardo Dutra e hoje é referência em quase todas as discussões acerca da geopolítica do petróleo. Outras grandes conquistas solidificadas na gestão de Zé Maria foram a ocupação de espaço na gestão da FUP pelas mulheres petroleiras, assim como o direito ao trabalho seguro, e a Federação tornou-se referência nos debates sobre segurança no trabalho.

Em 2018, Zé Maria provou a sua extrema dedicação ao aceitar uma candidatura na tentativa de ampliar sua representatividade para a categoria petroleira, para toda a classe trabalhadora e movimentos sociais. Zé Maria disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, a intenção era travar a luta contra as injustiças, as desigualdades e indiferenças por meio da defesa da soberania energética do país, em defesa das estatais a serviço do povo brasileiro.

Em 2019, é novamente a liderança de Zé Maria que se mostra importante para manter as conquistas do acordo coletivo dos petroleiros. Negociações duras num momento igualmente duro, em que se presencia um ataque contra a ideia de uma Petrobras para os brasileiros e um desmedido crescimento do projeto de destruição da empresa que, infelizmente, se acentuou agora, no início de 2020, apesar da histórica greve nacional de 20 dias da categoria petroleira, com a posterior hibernação da FAFEN PR, a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná, uma das poucas garantias de soberania alimentar para o Brasil.

Ainda há muito o que falar de José Maria Rangel, sempre com uma frase pronta a ganhar status de ditado ou a virar título de matéria jornalística, como alguns que gostam de citar: “Faça o bem sem olhar a quem” ou “Não deseje para os outros o que você não quer para você”; e outros que sempre arrancam sorrisos: “Antes só do que mal acompanhado”, “Calar é ouro; falar é prata”, “Não há pote de ouro no final do arco-íris” e ainda o seu predileto, "Se fosse fácil não era para nós", que deixam claro sua presença de espírito e empatia.

Seus pleonasmos são descobertos quando fala de seu maior ídolo, o presidente Lula, ou ainda quando repete grande frase de Papa Francisco: “Nenhum trabalhador sem direito, nenhum camponês sem terra, nenhuma família sem casa“. Mas é em uma passagem de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, que Zé Maria encontrou um jeito de traduzir a vida: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

Zé Maria segue para mais um desafio, será pré-candidato a uma vaga na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes e leva de seus companheiros de luta mensagens de agradecimento e boas novas:

"O Zé Maria representa uma forma diferente de ver e fazer sindicalismo. Primeiro, pela sua persistência e por ser um dirigente incansável. Segundo porque tem uma sensibilidade como poucos, alternando momentos de ternura e firmeza. Sua vontade em aprender, se aperfeiçoar sem perder a relação com o chão de fábrica, também é notável. Acho essa a lição mais importante que fica não só para os dirigentes que virão, como para todos que um dia trabalharam com ele: é preciso dialogar, encontrar caminhos, mas sem perder as raízes e as convicções. Desejo a você, Zé, toda sorte nas suas novas empreitadas."

Rodrigo Leão, pesquisador do INEEP

“O que mais admiro nestes anos todos de convívio com o Zé Maria é a sua lealdade aos seus ideais de justiça social e a sua responsabilidade com interesses da classe trabalhadora. ”

Breda, ex-coordenador do Sindipetro NF

“Com certeza Zé Maria combateu o bom combate e, como nos disse, ajudará na luta por um mundo melhor, mais justo e igualitário, em outras trincheiras; agora, a partir da cidade que traz em seu nome a força dos verdadeiros descobridores e donos do Brasil. Saiba que aprendemos muito contigo nesse período e isso vai nos ajudar a seguir em frente nessa luta, que é contínua. Pode contar conosco nesse novo projeto, Zé, que será de suma importância para as eleições de 2022 e para termos mandatos no Legislativo com os pés no chão que a classe trabalhadora pisa, para um dia termos hegemonia na sociedade”.

Deyvid Bacelar, Coordenador Geral da FUP

“Companheiro Zé Maria!

Foi um privilégio poder trabalhar ao teu lado, bem como ao de todos e todas, nesses seis anos. Uma jornada complicada, um caminho tortuoso e pedregoso, mas disposição de luta não faltou. Não importam as dificuldades, os tropeços, os equívocos, as dores, as mágoas ou as lágrimas. Foram seis anos intensos, em que o País viu crescer uma construção histórica, que não conseguiu encontrar o pedestal do "O petróleo é nosso!", mas demonstrou a força da união de uma categoria.

Desafiamos o Executivo, o Legislativo e o Judiciário com uma pauta pesada e, fundamentalmente, nacionalista! Que desnudou o perfil entreguista da maioria dos políticos brasileiros! Fizemos e faremos história pelos nossos atos, por nossa organização, principalmente por termos grandes lideranças que garantiram permanência no caminho certo da história. Segues um novo caminho, um novo desafio, não menos difícil e nem menos complexo. Então, muito sucesso e conte com a gente. Um abraço, do tamanho do Rio Grande!”

Maia, Sindipetro RS

“Nos meus seis anos de sindicalismo, três anos fazendo parte desta direção, muito me honra e me orgulha que tenha sido nesse mesmo período sob sua coordenação. Certamente uma liderança que ensina e inspira. Certamente ainda travaremos muitas batalhas juntos, como me disse um dia. Obrigado por tudo até aqui. Que o destino ainda lhe reserve grandes voos para o bem de nós e do povo. Grande abraço, meu amigo!”

Alex, Sindipetro PR

Para nós que assumimos tarefas sindicais, alguns já com tarefa na federação, foi um período de desafio enorme. Agradeço enormemente a paciência e carinho que o Zé recebeu essa nova geração. Sua liderança pelo exemplo se tornou um momento de formação política. Muitas vezes uma frase sábia com a tratativa carinhosa conosco que não tínhamos a mesma bagagem, nos dava uma base sólida e coragem para seguir a luta. Seguir em frente nesse contexto político só é possível por estarmos suportados por ombros como do companheiro José Maria.

Finamori, Sindipetro MG

“Satisfação e grande aprendizado ter te apoiado e participado da batalhas e lutas, a certeza que estávamos corretos nas derrotas e a alegria da conquista com as vitórias!

Um orgulho era ao procurá-lo à frente e não o achar, ao olhar ao lado e o ver. Tínhamos nossa liderança ao nosso lado, assim foi seu exemplo de liderança! Siga para uma nova jornada de lutas, amigo e companheiro Zé Maria!”

Urpia, Sindipetro BA

“Zé, meu camarada, você sempre será uma referência de luta para os petroleiros e petroleiras. Foi uma honra estar ao seu lado em tantas batalhas. Boa sorte em suas próximas empreitadas. Conte conosco, sempre!”

Paulo Neves, Sindipetro AM

“Caro Zé Maria, em seu relato de despedida você deixa um legado de luta, sabedoria e muita habilidade em vários momentos, testemunhados por nós, sindicalistas, e que muito me ajudou na minha formação. Um forte abraço, sucesso!”

Lourenzon, Sindipetro PB

“Zé, você esqueceu de dizer que foi eleito no Nordeste, mais especificamente em Natal, não poderia deixar de citar. Obrigada pelas parcerias, pelos ensinamentos, pelas lutas! Sucesso nas muitas batalhas que temos à frente! Viva a luta! Viva a militância!”

Fafa, Sindipetro RN

“Zé, foi muito bom lutar ao seu lado, você é um exemplo, um grande companheiro. Te desejo muita saúde e curta sua vida com toda intensidade. Seguiremos firmes!”

Anacelie, Sindipetro PR

“Zé Maria, nem tenho palavras suficientes para agradecer todas as vezes que sua luta e exemplo me ajudaram a ter esperança para continuar. Parabéns pelo legado que deixa. São poucas as pessoas que conseguem, em tão pouco tempo, um currículo com tantas vitórias e uma lista de amigos e admiradores como você conseguiu. Com certeza sua missão é algo grande, e você tem sido valente para seguir e enfrentar o caminho para seu destino. Que Deus te abençoe sempre nessa jornada.”

Priscila, Sindipetro ES

Zé Maria é uma pessoa extremamente leal, justa e de um coração imenso, que sempre se preocupou com o lado humano, que se emociona e cativa a todos e todas, faz política por opção e ideologia, e por isso consegue ser objetivo nas suas falas e ações.

Vivemos vitórias e derrotas, mas sem dúvida fizemos a boa luta e não nos arrependemos de nossas escolhas. Estamos juntos, meu amigo! Mais lutas teremos!

Castellano, Sindiquímica PR

Zé Maria, a luta tem sido tão árdua que às vezes esquecemos tudo o que fizemos. Seu breve relato nos faz lembrar dessas difíceis lutas, mas em especial das bravas decisões que, tenho certeza, se estamos resistindo, é porque essas decisões foram tomadas e colocadas em prática. Boa luta na sua nova frente, e seguimos juntos!

Mirian, Sindipetro RS

Companheiro e amigo Zé Maria, lutar ao seu lado e com sua coordenação sempre nos mostrou que estamos do lado certo, e uma forma de lhe dizer obrigado por todo seu companheirismo e amizade é ter a certeza de que onde você estiver os trabalhadores e trabalhadoras estarão representados, conte com este amigo sempre, e sucesso.

Acácio, Sindipetro AM

 

Se Zé Maria tivesse revisado este texto, como fez com milhares nestes seis anos como coordenador geral da FUP, com certeza pediria para incluir mais este ditado: “A esperança é a última que morre.”

 

por Maria João Palma, jornalista da Federação Única dos Petroleiros

 

 

Publicado em Sistema Petrobrás

Na semana em que os números da covid-19 no Brasil atingem novos recordes, com 20 mil casos registrados em 24h e a marca de mil mortes no mesmo período, a direção da Petrobrás apela para a subnotificação na tentativa de encobrir o avanço da doença na empresa. Na mesma linha do governo Bolsonaro, a gestão Castello Branco trata a pandemia como se fosse uma “gripezinha” e, de forma deliberada, coloca em risco os trabalhadores e suas famílias para preservar o lucro dos acionistas.

A negligência e a morosidade em atender reivindicações básicas - como testagem em massa, desinfecção de ambientes, fornecimento de máscaras, redução de efetivos - fez a pandemia se alastrar sem controle. Assim como Bolsonaro, a direção da Petrobrás subestimou o coronavírus e ignorou as reivindicações da categoria, enquanto trabalhadores eram infectados em números cada vez maiores nas plataformas, refinarias, terminais e demais unidades da empresa.

“A falência do SMS da Petrobras é notória, a ponto dos trabalhadores que desembarcam das plataformas terem que recorrer a testes por conta própria, pagando do bolso, pois não confiam na gestão da empresa”, denunciou o coordenador da FUP, José Maria Rangel, na reunião da Comissão de SMS, no último dia 14.

E como reage a gestão de SMS da Petrobrás? Aposta na subnotificação para “conter” o avanço da covid-19. Maquia os números, invisibilizando os casos de contaminação entre os trabalhadores terceirizados, que são os mais afetados pela pandemia, por estarem em situações ainda mais vulneráveis do que a dos trabalhadores próprios.

Se a falta de transparência do SMS e a subnotificação já eram um problema grave que os petroleiros denunciavam, agora passaram ser uma política de gestão da Petrobrás.  Na reunião desta quarta-feira, 20, com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), que coordena as ações de prevenção e monitoramento da covid-19, a FUP e os sindicatos tornaram a cobrar informações detalhadas de trabalhadores contaminados, contactantes e óbitos, mas a empresa novamente negou.

O médico do trabalho e assessor do Sindipetro-NF, Ricardo Garcia, reiterou que o empregador tem a obrigação de notificar todos os casos de covid-19, pois trata-se de doença adquirida em ambiente de trabalho. “Quanto mais informações tivermos, mais chances teremos de evitar novos casos”, afirmou.

A Petrobrás, no entanto, segue na direção contrária, descumprindo normas de segurança, atropelando o Acordo Coletivo e desprezando até mesmo o Protocolo da Anvisa com recomendações de procedimentos que devem ser adotados pelas operadoras de petróleo durante a pandemia.

A gestão de SMS até hoje sequer reconheceu a covid-19 como doença do trabalho e a empresa continua sem emitir CATs. Além disso, age na ilegalidade ao manter as unidades sem representantes das CIPAs, enquanto as gerências desimplantam cipistas eleitos, em plena pandemia.

Nas reuniões do EOR e da Comissão de SMS, a FUP e seus sindicatos tornaram a alertar para os riscos de uma tragédia anunciada, pois o que a gestão vem fazendo é potencializar a insegurança e o avanço da pandemia.

Chega a ser um escárnio o indicador que a Petrobras passou a usar para reportar dados da covid-19: infecção ativa. Que critérios utiliza para classificar um trabalhador como um infectado ativo? Pelos números apresentados nesta quarta-feira, 243 petroleiros estão “ativamente” infectados. Na semana anterior, a empresa havia reportado 222 casos, apesar de no dia 05 de maio, o Ministério das Minas e Energia ter divulgado 806 trabalhadores infectados na estatal. Ou seja, praticamente quatro vezes mais o que a Petrobrás subnotificou.

O mundo real que os trabalhadores enfrentam no dia a dia é bem diferente daquele que aparece nos números maquiados pela empresa. A pandemia é uma realidade devastadora, que está consumindo vidas e empregos, e não a peça de “fake news” montada pela gestão negacionista de Castello Branco.

Fora Castello Branco

Desde a decretação do estado de calamidade pública no Brasil, por conta da pandemia, a FUP vem tentando dialogar de forma efetiva com a gestão da Petrobras, propondo ações para garantir a saúde e segurança, bem como empregos e direitos de todos os trabalhadores, próprios e terceirizados. A empresa não só ignorou a maioria das reivindicações, como se recusa sistematicamente a negociar com as entidades sindicais.

Reuniões como as do EOR e das comissões previstas no Acordo Coletivo de Trabalho têm sido meramente informativas, sem espaço para negociação, onde a empresa apenas comunica fatos consumados e decisões tomadas de forma unilateral.

Por isso, a FUP e os sindicatos têm recorrido à Justiça, ao Ministério Público e aos órgãos fiscalizadores para garantir os direitos dos trabalhadores e acesso às informações que a Petrobrás tem negado.

No último dia 18, o coordenador da FUP, José Maria Rangel, ingressou com Ação Popular na Justiça do Rio de Janeiro, onde pede a destituição de Roberto Castello Branco da Presidência da empresa por gestão temerária.

No dia 30 de abril, a FUP já havia protocolado representação no Ministério Público Federal, cobrando a abertura de investigação criminal para apurar responsabilidade penal e administrativa do presidente da Petrobrás e demais dirigentes da empresa, por negligenciarem ações de prevenção durante a pandemia, colocando em risco os trabalhadores.

No dia 04 de maio, a FUP também solicitou à Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) informações detalhadas sobre os casos de trabalhadores infectados pelo novo coronavírus e suspeitos de contaminação que foram notificados pelas empresas de petróleo.

Não se cale, denuncie!

A FUP e os sindicatos continuarão lutando para garantir a segurança, os direitos e os empregos durante e após a pandemia. É importante que os trabalhadores mantenham os sindicatos informados, através dos canais de denúncia criados pelas entidades.

Reforçamos a necessidade de que todos sigam as recomendações de segurança, protegendo suas vidas e as dos companheiros de trabalho e, consequentemente, as de suas famílias. Continuem atentos e vigilantes às ações da gestão da Petrobrás, denunciando as irregularidades para que as direções sindicais possam tomar as devidas providências.

Sigamos na luta, juntos, em defesa da vida, dos empregos e dos direitos de todos os trabalhadores do Sistema Petrobras.

[FUP]

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Os prejuízos que a privatização da AMS podem causar aos petroleiros voltam a ser tema de mais uma live que a FUP realiza nesta quinta, às 10h. O bate-papo será conduzido pelo diretor da FUP, Paulo César Martin, com participação de José Rivaldo da Silva, secretário geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT), que explicará como foi o processo de implantação da associação privada POSTAL SAÚDE e os prejuízos causados aos trabalhadores dos Correios.

Também participam da live o economista Cloviomar Cararine, assessor da subseção Dieese da FUP, que irá detalhar os impactos econômicos que serão causados aos beneficiários da AMS, a partir da implantação da associação privada que passará a gerir o plano de saúde dos petroleiros.

O diretor do Sindipetro-NF, Rafael Crespo, é outro convidado da live e, junto com Paulo César, atualiza a categoria sobre a reunião com a Petrobrás na Comissão de AMS e a mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) solicitada pela FUP, em função do descumprimento por parte da empresa do acordo firmado com o tribunal.

Em vez de ampliar a participação dos trabalhadores na fiscalização e acompanhamento da gestão da AMS, como foi acordado com o TST, a gestão da Petrobras aprovou a criação de uma entidade privada para gerir o plano de saúde dos petroleiros, decisão tomada à revelia dos sindicatos, o que contraria o Acordo Coletivo de Trabalho.   

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[FUP]

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Na mesma semana em que o preço das ações da Petrobras caiu na bolsa de valores de Nova York (EUA), após a divulgação de que mais de 800 petroleiros estavam infectados pelo novo coronavírus (Covid-19), a estatal alterou a forma de divulgação do número oficial de trabalhadores e trabalhadoras vítimas da doença em suas unidades e o número caiu pela metade entre os dias 5 e 11 de maio.

O que importa para a gestão é manter a imagem da empresa e garantir o lucro e o patrimônio de seus investidores, denuncia o Coordenador-Geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel. Prova disso, segundo o dirigente, é que a única preocupação da petroleira brasileira foi maquiar os dados e não tomar  medidas efetivas de segurança e prevenção à pandemia nas unidades.

A notícia do alto contingente de petroleiros infectados pelo vírus caiu como uma bomba na bolsa norte-americana e provocou a queda no preço das ações da Petrobrás. É o que mostra um estudo feito pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), divulgado no dia 7 de maio, dois dias após o Ministério de Minas e Energia ter publicado um boletim com 806 casos na Petrobras.

“A queda no preço das ações nos Estados Unidos foi seguida pelas notícias no Brasil de que a Petrobras contabilizava mais de 800 trabalhadores contaminados pelo Covid-19, enquanto outros de 1.600 casos eram investigados, o que motivou o Ministério Público do Trabalho (MPT) a abrir um processo de investigação judicial contra a companhia sob suspeita de negligência”, diz trecho do estudo

A FUP vê com desconfiança a forma como a estatal contabiliza os casos, dada a discrepância entre os boletins publicados desde a queda na Bolsa.

Os números de casos de Covid-19 publicados semanalmente no site do Ministério de Minas e Energia podem, na verdade, estar escondendo uma realidade muito mais dura sobre a proliferação do vírus nas plataformas e refinarias da estatal, diz a FUP. .

A maquiagem

No boletim publicado em 23 de abril, o Ministério de Minas Energia divulgou que seria 258 casos confirmados. No boletim posterior, publicado em 27 de abril, o número pulou para 510 casos. Em 5 de maio, saltou para 806. Já em 11 de maio, baixou para 474, pouco mais da metade de casos.

Isso mostra, segundo José Maria Rangel, que para manter o preço das ações, a Petrobras ‘maquiou’ os números, escondendo assim a proliferação de casos. Uma forma de alterar o número real foi incluir e, posteriormente, excluir os trabalhadores terceirizados.

“Nos dois primeiros boletins semanais divulgados não foram contabilizados os terceirizados. Eles incluíram no terceiro boletim e voltaram a deixar esses trabalhadores de fora no quarto boletim”, explica o dirigente.

BOLETIM DO MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA PUBLICADO EM 23/04Boletim do Ministério de Minas e energia publicado em 23/04 BOLETIM DO MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA PUBLICADO EM 27/04Boletim do Ministério de Minas e energia publicado em 27/04
BOLETIM DO MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA PUBLICADO EM 05/05Boletim do Ministério de Minas e energia publicado em 05/05 BOLETIM DO MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA PUBLICADO EM 11/05Boletim do Ministério de Minas e energia publicado em 11/05

 

Enquanto isso, as medidas de segurança reivindicadas pela FUP são ignoradas pela Petrobras. Os sindicatos ligados à federação vêm denunciando desde o início da pandemia a falta dessas medidas efetivas por parte da empresa.

Um exemplo é a falta de testagem constante dos trabalhadores e trabalhadoras das unidades para detectar casos de Covid-19. A Petrobras também não distribui máscaras de forma regular para uso dos petroleiros.

José Maria Rangel afirma que a conduta da gestão da estatal imita as atitudes do Presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de “letargia” em relação ao combate à pandemia, ou seja, de incapacidade reagir e lidar de forma eficaz com o problema.

Pandemia nas unidades

Na sexta-feira (15), 90 trabalhadores foram testados na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Paraná, mas a Petrobras não informou quantos deram positivo. “Os trabalhadores é que procuraram o sindicato para informar que seus resultados foram positivos”, completou Rangel.

O dirigente afirma que não há como saber o número exato de casos porque a estatal simplesmente não informa aos sindicatos. “A gente traça um panorama da pandemia na Petrobras de acordo com os dados publicados no site do Ministério e pelas denúncias feitas pelos próprios trabalhadores”, diz Rangel.

Rangel alerta ainda para a situação dos terceirizados que são ignorados pela gestão da estatal também quando o assunto é segurança. “Trabalhadores terceirizados são invisíveis para a Petrobras”, ele diz.

O dirigente explica que é grave não haver nenhuma “preocupação” maior também com esses trabalhadores, já que  eles fazem parte do dia-a-dia das atividades da Petrobras e estão em contato com outros trabalhadores.

“Eles podem tanto ser contaminados por falta de proteção como podem transmitir o coronavírus para outros trabalhadores, sem saber”, diz Rangel.

Atividades não foram paralisadas

Mesmo com todas as recomendações das autoridades sanitárias de isolamento social e o número de mortos crescendo diariamente no Brasil, a maior parte das unidades da Petrobras – plataformas e refinarias – continua funcionando e os trabalhadores tendo que ‘optar’ por continuar exercendo suas funções.

Os motivos, segundo o coordenador da FUP é que a Petrobras começou a afastar trabalhadores e reduzir suas remunerações. “Eles saem do turno, não são testados e se apresentam algum pequeno sintoma, acreditam que não estão infectados e continuam sua vida normalmente, inclusive voltando ao trabalho”, diz Rangel.

Ele explica que essas situações geram ainda a subnotificação de casos. “Podemos ter muito mais trabalhadores infectados e infectando outros trabalhadores, do que se pode imaginar”, ele completa.

Da mesma forma os terceirizados. Rangel denuncia que esses trabalhadores estão sendo obrigados a trabalhar e quem se recusar, a empresa demite.

Rangel ainda relata que há casos de mortes que não estão sendo informados nem investigados como possíveis vítimas de Covid-19, além de situações de pressão e assédio moral sobre os trabalhadores para que cumpram as determinações das gerências.

“Toda essa situação, nós avisamos que ia acontecer. Nós nos dispusemos a ajudar, a traçar planos para proteção e até reivindicamos atitudes da Petrobras, que não foram colocadas em prática. Hoje a empresa se limita a se reunir conosco apenas para notificar o que está sendo feito, sem chance de diálogo”, critica Rangel.

Refinarias

Segundo reportagem da Folha de SP, há relatos de casos de petroleiros com coronavírus em refinarias como a de Cubatão, no litoral de São Paulo, no Rio de Janeiro e em Manaus.

O Coordenador Geral da FUP, José Maria Rangel afirma que unidades continuam operando mesmo sem produzir. “A Petrobras obriga os trabalhadores a trabalharem. Algumas pararam, como as plataformas do Nordeste, mas porque a produção era pequena e a Petrobras aproveitou a crise para paralisar e dar andamento no processo de venda de unidades”, ele diz

Na Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro, há plataformas “hibernando”, estado em que a plataforma não produz, mas há turnos de trabalho. “Tem focos de coronavírus e as pessoas não precisam estar lá. Uma delas é a P-26. Tem trabalhador pagando teste do próprio bolso para se proteger”, denuncia Rangel.

Quando testes são feitos pela Petrobras, o procedimento acontece no embarque dos trabalhadores, ou seja, no início do turno. Quando saem das plataformas, nenhum teste é feito, o que pode significar o trabalhador se infectar na plataforma, voltar para casa e transmitir para outras pessoas, como sua família, por exemplo.

Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Paraná 

Ação sindical

A FUP está orientando os trabalhadores a utilizarem o “Direito de Recusa”, que é cláusula do acordo coletivo da categoria. Pelo item do acordo, se o trabalhador apresenta sintomas, deve se recusar a se recusa a trabalhar.

Outra orientação é que os petroleiros denunciem aos sindicatos as ações da estatal que representem negligência com a segurança, tais como a falta de testes e máscaras. A FUP também cobra ações de fiscalização mais “duras” de órgãos como o Ministério Público do Trabalho (MPT), Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Nós cobramos também que a Petrobras cumpra a deliberação do Supremo Tribunal Federal (STF) que diz que os casos de coronavírus são ocupacionais e que os trabalhadores sejam afastados. A Petrobras não faz e diz que espera a publicação do ácordão”, diz Rangel.

A decisão do STF sobre a Covid-19 ser caracterizada como doença ocupacional foi tomada no dia 29 de abril. A decisão considerou ilegal o artigo 29 da Medida Provisória (MP) 927/2020, que estabelecia que os casos de contaminação pelo novo coronavírus não seriam “considerados ocupacionais, exceto mediante comprovação do nexo causal”.

[Via CUT | Reportagem de Andre Accarini]

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Nesta segunda-feira, 18 de maio, a FUP distribuiu ação na qual pede a demissão de Castello Branco da presidência da Petrobrás.

A gestão do agora réu se caracterizou por uma série de medidas de renúncia ao mercado e a atividades industriais de uma empresa de petróleo integrada.

O resultado foi a fragilização da empresa de uma forma inédita em sua história, tornando a Petrobrás a mais afetada dentre as grandes empresas do ramo, quando veio a crise da pandemia de Covid-19, como demonstra o gráfico abaixo.

A gestão de "liquidação" da Petrobrás será agora analisada pelo Judiciário.

[Assessoria Jurídica da FUP]

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Após reivindicação da FUP e sindicatos, a Petrobrás decidiu que vai passar a arcar com os custos de hotel para os petroleiros e petroleiras, próprios e terceirizados, que desembarcarem das plataformas com suspeita de covid-19, até que saia o resultado do exame. Os trabalhadores que testarem positivo poderão cumprir a quarentena no hotel, caso prefiram.

O Sindipetro-NF foi informado da decisão neste final de semana e destaca que esta é uma vitória importante da categoria, após muita pressão sobre os gestores da empresa e denúncias aos órgãos fiscalizadores.

“A Petrobrás mudou o procedimento depois de muita briga nossa, muita denúncia na ANP [Agência Nacional do Petróloeo e Biocombustíveis]. Agora os trabalhadores próprios e terceiros terão direito a hotel. Quem estiver aguardando o resultado do teste pode ficar até sair o resultado. Quem for testado positivo vai poder cumprir a quarentena no hotel, caso queira”, afirma o coordenador geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra.

O coordenador destaca ainda que é importante que os trabalhadores divulguem essa informação, para que todos possam excercer esse direito.

Também é importante que continuem a enviar para a entidade relatos sobre o modo como a empresa está se comportando nessa pandemia, para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

[Com informações do Sindipetro-NF]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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