[Atualizado 03/04]
A luta dos trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Petrobrás alcançou uma importante vitória nesta terça-feira (2), com a conquista de um cronograma de discussão sobre as reivindicações da categoria petroleira e o adiamento da implementação das novas regras do teletrabalho. Em reunião com a FUP, a empresa anunciou a prorrogação do prazo para assinatura do termo de adesão ao teletrabalho, para dia 30/05, além da suspensão da obrigatoriedade de presença física de três dias mesmo para quem já assinou o termo.
A diretora da FUP, Cibele Vieira, enfatizou a necessidade de um calendário de reuniões para tratar de todas as pautas da categoria, não apenas do teletrabalho. Entre os principais pontos levantados estão a defesa de um regime de teletrabalho com regras negociadas coletivamente, a oposição à redução da remuneração variável, a recomposição do efetivo de pessoal, melhorias nas condições de segurança da Fábrica de Fertilizantes do Paraná (Fafen-PR) e uma solução definitiva para os Peds.
A greve de advertência realizada no dia 26 de fevereiro foi decisiva para a mudança de postura da Petrobrás. Até então, a empresa mantinha uma posição intransigente quanto ao teletrabalho, sem apresentar justificativas claras para a necessidade de presença física obrigatória por três dias na semana. Os diretores da FUP cobraram da gestão dados concretos que embasem essa decisão, já que, financeiramente, a Petrobrás não enfrenta dificuldades. Prova disso é o pagamento de 207% do lucro em dividendos, o que demonstra que a empresa está longe de um cenário de crise.
A decisão de prorrogar a implementação das novas regras do teletrabalho é vista como uma conquista significativa da categoria. Ainda que o ideal fosse a revogação definitiva das mudanças, o adiamento abre espaço para negociação e permite que as condições sejam discutidas de forma mais justa e transparente. Diante disso, a FUP orienta os trabalhadores e trabalhadoras a não assinarem o termo de adesão, garantindo que seus direitos sejam preservados durante as negociações, além de deixarem em branco a frequência do dia da greve.
A mudança nas regras do teletrabalho impacta diretamente a vida de muitos empregados da Petrobrás, que alteraram suas rotinas, mudaram de cidade ou reorganizaram suas famílias em função das políticas da própria empresa. Um exemplo foram os trabalhadores transferidos, que muitas vezes trabalham em outro estado, o que afeta a qualidade de vida e a produtividade.
A FUP também cobrou soluções para trabalhadores e trabalhadoras com filhos pequenos e chamou atenção para o calendário escolar que exige tempo de adaptação a novas mudanças. Outro ponto foi a limitação de apenas seis dias anuais para flexibilidade no trabalho e um olhar para os principais feriados nacionais. O sindicato destacou que outras empresas estatais, como o BNDES, já adotam uma política de 16 dias de flexibilidade.
Os diretores da FUP levantaram questões importantes que incluem a situação dos trabalhadores da Transpetro, que nos terminais, na prática, tiveram a revogação completa do teletrabalho, voltaram ao 100% presencial, enquanto na mesa os gestores falam o oposto e ainda colocam como avanço a determinação de que pessoas administrativas das unidades operacionais poderão realizar trabalho remoto conforme a atividade.
Também questionaram a lotação nos prédios administrativos já que na proposta atual exige que os três dias presenciais contemplem as segundas ou as sextas. A FUP solicitou ainda que a empresa ajuste a recente redução no valor do Vale Alimentação/Refeição de alguns empregados neste mês de abril e durante toda a negociação.
Durante a reunião, os diretores da FUP entregaram a pauta unitária para um novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários, reafirmando o compromisso com a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Petrobrás.
A mobilização da categoria petroleira segue sendo fundamental para garantir avanços nas negociações e impedir retrocessos nos direitos conquistados. A categoria continua atenta e organizada para seguir pressionando por condições mais justas e um diálogo transparente com a gestão da empresa garantindo a legitimidade da mesa de negociação.
Veja a íntegra do documento enviado pela Petrobrás nesta quinta (03/04):
Carta RH-RS 047-2025 - FUP - Postergação da assinatura do termo de adesão