Vazamento na linha de hidrogênio, seguido de incêndio e de falhas em sistemas de segurança, causou parada total da unidade, danos a equipamentos e risco elevado para trabalhadores
[Da comunicação da FUP, com informações do Sindipetro Caxias]
A FUP manifesta preocupação com a grave ocorrência no último dia 25, na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. Segundo informações do sindicato local, o episódio teve início com vazamento na linha de hidrogênio, seguido de incêndio, falhas em sistemas de segurança e parada total da unidade, gerando danos a equipamentos e risco elevado para trabalhadores e o entorno. Por sorte, ninguém ficou ferido.
Relatos preliminares apontam falhas em sistemas essenciais para situações de emergência, como válvulas de segurança e comunicação por rádio, além da necessidade de mobilização de efetivo muito acima do previsto, incluindo trabalhadores em treinamento. Também houve registro de explosão em equipamento, com projeção de estilhaços e emissão de fumaça, configurando um cenário de alto potencial para acidente industrial de grande magnitude.
“Esta explosão gerou um dano ambiental, patrimonial e emocional a pessoas no entorno por exposição à fumaça e risco elevado de propagação do vazamento e incêndio. Sem o ar de instrumento, válvulas importantes não assumiram sua condição de projeto, impedindo que as unidades convergissem para uma condição segura — algo básico em qualquer sistema industrial que lide com substâncias inflamáveis e de alto risco. O sistema de rádio parou de funcionar por vários momentos, ocorrendo falta de comunicação durante a emergência”, informou a direção do Sindipetro Caxias.
Para a FUP, o caso evidencia a urgência de ampliar investimentos em segurança operacional, manutenção e modernização das unidades, mas sobretudo na recomposição dos efetivos próprios. A gravidade do episódio só não resultou em consequências mais severas devido à atuação direta dos trabalhadores que, mesmo diante de falhas sistêmicas e condições adversas, conseguiram conter a emergência.
“Essa grave ocorrência na Reduc acende um alerta importante sobre a segurança nas operações do setor de óleo e gás. Mesmo sem vítimas, o episódio expôs falhas em sistemas essenciais e um cenário de alto risco, só não teve consequências mais graves graças à atuação rápida e comprometida dos trabalhadores. Precisamos retomar investimentos em manutenção, segurança operacional e recomposição de efetivo. A política de cortes e desmonte adotada nos últimos anos deixou marcas que ainda colocam vidas em risco”, afirma o coordenador-geral da FUP, Deyid Bacelar.
Segundo o Sindipetro Caxias, áreas da Reduc tiveram de receber “massivos reforços operacionais, chegando a ser solicitado o dobro do efetivo estabelecido pelo O&M, além de trabalhadores ainda em treinamento ou com pouca experiência, que tiveram de atuar. CTO, supervisores, OpMan e até técnicos trabalhando em outras gerências de apoio foram convocados para auxiliar na emergência, o que não seria possível caso a mesma se desse fora do horário administrativo”.
A FUP e o Sindipetro Caxias cobram apuração rigorosa do ocorrido e a adoção imediata de medidas, como recomposição do efetivo, revisão do modelo de dimensionamento de equipes e ampliação consistente dos investimentos em segurança e integridade das instalações.
A segurança não pode ser tratada como variável de ajuste e que é fundamental consolidar uma política permanente de investimentos e valorização das condições de trabalho, garantindo a proteção dos trabalhadores, das operações e do meio ambiente.