Mulheres petroleiras impactam plenária com repertório sobre injustiças de gênero, racismo, fascismo, homofobia e dominação de classes

Seminário do Setor Privado finalizou o primeiro dia, 21, com mesa composta pelas mulheres petroleiras. Bárbara (Sindipetro NF), Patrícia (Sindipetro ES) e Elizabete (Sindipetro BA), impactaram a plateia ao falar com propriedade sobre a importância do respeito à diversidade e do combate à opressão no setor de petróleo e gás. Suas falas mostraram como as lutas contra injustiças de gênero estão necessariamente ligadas às lutas contra o racismo, o fascismo, a homofobia e a dominação de classes – e todas elas exigem uma transformação das estruturas profundas da sociedade capitalista.

Bárbara apresentou uma visão inicial ampla sobre gênero e seguiu com a trajetória de complexificação da noção de gênero ao explicar o significado da sigla LGBTQIAPN+. Destacou a história do movimento social na luta por direitos civis, protagonizado por mulheres, que sempre reivindicaram a igualdade política, jurídica e social entre homens e mulheres. Bárbara finalizou sua fala conclamando a todos os presentes, neste tom: “A única forma de avançarmos é rompendo o silêncio e crescendo nossa representatividade.”

Elizabete apresentou a potência política da autodefinição da mulher negra e seu alcance enquanto demanda de justiça social. Explicou como a sobreposição de identidades sociais minoritárias estão diretamente relacionadas aos sistemas e estruturas da dominação e da discriminação. Ou seja, diversas formas de opressões: de raça, classe, gênero, sexualidade e nação se inter-relacionam e chegam à mulher negra no grau mais elevado da perversidade. “ Não temos como avançar na busca por mais direitos se não ampliarmos nosso olhar para entendermos o racismo que violenta e exclui pessoas negras de diversos espaços no mercado de trabalho. ”

Atendendo a pedidos, Patricia contou a história da criação do Coletivo de Mulheres Petroleiras, que nasceu quando mulheres diretoras dos sindicatos filiados à FUP perceberam que não tinham mulheres na direção da federação, a partir daí se organizaram e reivindicaram essas vagas. “Hoje somos frutos dessa luta, estamos na direção executiva da FUP em quatro mulheres, dessas, duas são negras.” E ainda salientou, “já que estamos no Seminário do Setor Privado, é importante lembrar que, o Coletivo é de todas as mulheres petroleiras e não só de mulheres da Petrobrás.”