FUP pretende solicitar a atuação do Ministério Público do Trabalho

Halliburton é denunciada por prática antissindical e assédio após demissão de trabalhador na Bahia

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e o Sindipetro Bahia denunciaram mais um grave episódio envolvendo a multinacional Halliburton. Às vésperas de uma assembleia e de um ato em defesa da vida, da dignidade e das condições de trabalho, realizado na última quarta-feira (3/6), na unidade da empresa em Catu (BA), um trabalhador com mais de 20 anos de serviços prestados à companhia foi demitido de forma considerada arbitrária e sem justificativa.

Segundo relatos, a demissão ocorreu após o trabalhador ser submetido a constrangimentos diante dos colegas de trabalho. A situação reforça as denúncias já apresentadas pela FUP e seus sindicatos sobre práticas de assédio moral e perseguição a trabalhadores em diversas bases da empresa no país.

Para a Federação, a medida representa mais um indício de postura antissindical da Halliburton, especialmente pelo fato de o trabalhador ser filiado ao Sindipetro Bahia. A FUP destaca que, embora a filiação sindical não garanta estabilidade no emprego, os trabalhadores sindicalizados não podem ser alvo de discriminação ou perseguição.

Além do caso ocorrido em Catu, a FUP informa que tem recebido denúncias semelhantes em outras unidades da companhia, incluindo bases no Rio Grande do Norte e no Norte Fluminense. Os relatos apontam para situações de assédio moral, jornadas exaustivas e condições de trabalho que vêm gerando preocupação entre os trabalhadores e suas representações sindicais.

A Federação também questiona a atuação de gestores estrangeiros que assumiram posições de comando na empresa após o fechamento de operações da Halliburton no México. Entre os trabalhadores da Bahia, há preocupação de que a demissão esteja relacionada à substituição de empregados locais por pessoas ligadas à atual gestão.

Diante das denúncias, a FUP afirma que acompanhará o caso junto ao Sindipetro Bahia e não descarta a adoção de medidas judiciais para buscar a reversão da demissão e responsabilizar a empresa por eventuais práticas antissindicais e de assédio.

A FUP também pretende solicitar a atuação do Ministério Público do Trabalho para apurar as condições de saúde mental e organização do trabalho nas unidades da Halliburton. A preocupação ganha ainda mais relevância diante da implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que reforça a necessidade de identificação e prevenção dos riscos psicossociais nos ambientes de trabalho.

Entre as denúncias apresentadas pelos trabalhadores estão jornadas superiores a 24 horas ininterruptas, períodos de descanso realizados longe do domicílio e do convívio familiar e represálias contra aqueles que questionam as condições de trabalho.

Mobilização nacional

A mobilização realizada em Catu contou com a participação do diretor da FUP e coordenador da pasta do Setor Privado, Reinaldo Alves, além de diretores sindicais do Espírito Santo, Norte Fluminense e Bahia. “Estivemos na Bahia representando a FUP, ao lado dos companheiros dos sindicatos e dos dirigentes do setor privado. Seguiremos mobilizados e retornaremos quantas vezes forem necessárias caso a empresa não reveja suas decisões e a forma como vem tratando sua força de trabalho. Entendemos que os trabalhadores são a maior riqueza da companhia”, afirmou Reinaldo Alves. A FUP reafirma que continuará apoiando as ações do Sindipetro Bahia e dos demais sindicatos da categoria na defesa dos direitos, da saúde e da dignidade dos trabalhadores da Halliburton. “A luta continua e não vamos parar jamais”, concluiu.