Reunião tratou sobre desafios do setor de fertilizantes; FUP reforçou compromisso de luta com a retomada da produção na Petrobrás de forma segura, com unidades e trabalhadores próprios
[Da Comunicação da FUP]
Representantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) participaram, nesta terça-feira (22) da reunião do Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CONFERT) que tratou sobre os desafios do setor. A FUP reforçou o compromisso da categoria petroleira na luta pela retomada da produção de fertilizantes por parte da Petrobrás e destacou a necessidade de um plano de atualização tecnológica das unidades.
Um dos assuntos tratados foram os efeitos da Medida Provisória 1.304/2025, que representa um passo estratégico do governo federal para destravar o mercado de gás natural no Brasil, com o objetivo de torná-lo mais acessível e viabilizar o desenvolvimento da indústria nacional. A MP estabelece um novo modelo para a comercialização do gás pertencente à União, oriundo dos contratos de partilha de produção do pré-sal.
Essencialmente, ela permite que a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), empresa estatal que representa a União, possa vender esse gás diretamente no mercado. O gás natural é a principal matéria-prima para a produção de fertilizantes nitrogenados, como amônia e ureia, chegando a compor até 90% do custo final. Com a promessa de um gás mais barato e com fornecimento mais estável, a indústria nacional ganha fôlego para competir com os produtos importados, que atualmente dominam o mercado brasileiro. Essa redução de custos é fundamental para viabilizar a reativação de fábricas que hoje se encontram paralisadas, alinhando-se diretamente aos objetivos do Plano Nacional de Fertilizantes.
O diretor da FUP e do Sindipetro Unificado, Albérico Queiroz, que participou da reunião, afirma que “é preciso criar um setor à prova de governos” e explica o motivo: “vimos ao longo da história o setor ser negligenciado ou valorizado de forma marginal, mas mesmo assim, todas as iniciativas de melhoria foram feitas com as unidades em posse da Petrobrás. Não podemos permitir que a segurança alimentar do nosso povo fique à deriva na geopolítica mundial ou do interesse da iniciativa privada. Enquanto a deficiência de fertilizantes se traduz em dados econômicos na mesa da reunião, na periferia essa falta se expressa na inflação dos alimentos e na fome”.
No entendimento da FUP, os interesses nacionais devem ser priorizados, principalmente diante dos sucessivos fracassos da iniciativa privada na produção de nitrogenados. A Federação tem demonstrado preocupação com o modelo de Operação e Manutenção (O&M) adotado pela Petrobrás para o setor, pois a licitação não exige experiência específica nas unidades, desrespeitando requisitos para a operação segura da produção e desconsiderando inclusive os reflexos da decisão judicial do Ministério Público do Trabalho (MPT).
Essa decisão orientou a recontratação dos trabalhadores da FAFEN-PR (ANSA) justamente pelo grau de complexidade da planta. “Seguiremos na luta pela retomada da produção de forma segura e garantimos que não seremos omissos ao nosso papel tanto com os trabalhadores e trabalhadoras, quanto aos interesses nacionais que tocam a segurança alimentar e a soberania da nação brasileira”, afirma Queiroz.