Destinação da riqueza

Enquanto Petrobrás registra lucro recorde, trabalhadores e trabalhadoras seguem lutando por um plano de cargos justo

Os trabalhadores são penalizados com políticas de contenção de gastos, enquanto os dividendos exorbitantes pagos pela estatal brasileira enriquecem o setor privado, sobretudo os acionistas estrangeiros

[Da comunicação da FUP]

A Petrobrás apresentou no segundo trimestre de 2026 um dos melhores resultados da sua série histórica, ao registrar lucro líquido de R$ 52,4 bilhões. Os números revelam um crescimento de 61% em relação ao primeiro trimestre do ano e uma alta de 97% sobre o lucro alcançado no mesmo período de 2025. Ou seja, apesar das fortes críticas do mercado, a estatal brasileira segurou os preços dos combustíveis no mercado interno, aumentou a produção e as exportações, o que resultou em lucro recorde.

Além disso, a Petrobrás manteve a estratégia de aumento dos investimentos, que somaram US$ 5,3 bilhões no segundo trimestre, uma alta de 19,6% em comparação com o mesmo período de 2025. Com isso, a média de investimentos ao longo do atual governo Lula está em torno de US$ 4,2 bilhões por trimestre, praticamente o dobro do governo Bolsonaro (US$ 2,3 bilhões), quando a estatal passou pelo maior desmonte da sua história.

Para a FUP, os resultados da Petrobrás comprovam a importância da reconstrução e do fortalecimento da empresa, mas revelam que a estatal brasileira poderia ter feito muito mais na contenção dos preços internos dos derivados de petróleo, em meio a uma conjuntura de guerras. Além disso é fundamental uma maior valorização e reconhecimento dos trabalhadores da empresa, que efetivamente produzem essa riqueza.

A coordenadora-geral da FUP, Cibele Viera, destaca, inclusive, que não haveria necessidade de subsídios tributários por parte do governo, dada a alta rentabilidade do setor. “A guerra aumentou o lucro de todas as petrolíferas. As empresas aproveitam a conjuntura de insegurança para aumentar seus lucros. Não deveria ter ninguém lucrando com guerra, nem estatal nem privada. E a Petrobrás tem condições de usar seu sistema integrado para cumprir seu papel social e, mesmo assim, ser lucrativa”, afirma.

A Petrobrás, assim como todas as petrolíferas do mundo, teve ganhos extraordinários, em meio à guerra e à volatilidade dos preços do barril de petróleo, mas quem mais se apropria das riquezas geradas pela estatal brasileira seguem sendo os investidores estrangeiros, que representam 48% do capital acionário. Eles serão beneficiados com R$ 8,4 bilhões do total de R$ 17,4 bilhões de dividendos a serem distribuídos, enquanto a União (acionista controlador) ficará com R$ 6,3 bilhões.

Já os petroleiros e petroleiras, que produzem os resultados da empresa, continuam sendo penalizados com políticas de contenção de gastos que impactam as condições de trabalho e segurança, como os contratos de O&M nas unidades operacionais, desimplantes no offshore e a precarização dos contratos de prestação de serviço. É inadmissível que, ao mesmo tempo em que os acionistas privados são contemplados com dividendos altíssimos, os trabalhadores sigam lutando por um plano de cargos e salários digno para todo o Sistema Petrobrás, enquanto a gestão se nega a apresentar uma proposta decente para a categoria.

Soma-se a isso, a enrolação da direção da empresa em resolver os equacionamentos da Petros que tanto impactam os aposentados e pensionistas. O que dizer ainda dos prestadores de serviço, que são constantemente vítimas de calotes e precarização por conta da atual política de contratação da estatal, que ainda se baseia no menor preço, sem proteger, como deveria, os trabalhadores.

É cada vez mais urgente e necessário avançar no debate sobre para quem e para o quê deve servir a exploração dos recursos naturais. Apesar dos dividendos pagos pela Petrobrás terem retornado ao patamar de 30% do lucro líquido (no governo Bolsonaro, os acionistas chegaram a se apropriar de mais de 100% do lucro), o valor ainda é muito alto. Ou seja, o percentual dos dividendos voltou aos patamares pré-golpe, mas os lucros seguem sendo exorbitantes e enriquecendo o setor privado, sobretudo os fundos de investimentos estrangeiros.

Portanto, quem constrói os resultados da Petrobrás precisa ser valorizado, mas também incidir sobre para o quê e a quem serve o fruto do trabalho gerado, como reivindicam a FUP e seus sindicatos na Pauta Brasil Soberano.

Após a Petrobrás formalizar o balanço completo do segundo trimestre de 2026, divulgaremos uma análise detalhada e mais aprofundada sobre os resultados da empresa, com informações do Dieese e do Ineep.