Dirigentes da Federação apresentaram propostas para uma transição energética justa, a partir da perspectiva dos trabalhadores, e defenderam uma Petrobrás estatal e integrada, comprometida com a soberania energética e alimentar
[Da comunicação da FUP | Fotos: Marcelo Aguilar]
Dirigentes da FUP e de seus sindicatos participam em Brasília do 1º Encontro Nacional para a Transformação dos Sistemas Agroalimentares, promovido pela Missão Josué de Castro, em parceria com a Fundação Banco do Brasil (FBB). O evento, que começou na segunda (01) e prossegue até amanhã (03), reúne cerca de 250 lideranças de movimentos sociais, pesquisadores, representantes governamentais e organizações da sociedade civil.
O objetivo é fortalecer a articulação política e social em torno da construção de sistemas agroalimentares mais justos, sustentáveis e democráticos, diante de desafios como a crise climática, a insegurança alimentar e os impactos dos atuais modelos de produção e distribuição de alimentos.

A FUP, o MAB (Atingidos por Barragens), o MPA (Pequenos Agricultores, o MTST (Trabalhadores Sem Teto), a CMP (Central de Movimentos Populares), a Unisol (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários) e diversas outras organizações integram a Missão Josué de Castro, uma articulação que atua na construção de soluções estruturantes para os desafios alimentares contemporâneos, inspirada no legado do intelectual brasileiro, que tornou-se referência mundial no combate à fome e às desigualdades sociais.

Nesses três dias de encontro, estão sendo debatidos temas relacionados à soberania alimentar, como geopolítica e justiça climática, agricultura familiar camponesa e agroecologia, abastecimento popular e o papel do Estado na garantia do direito à alimentação.
Transição energética e soberania alimentar
O papel da Petrobrás na defesa da soberania energética e alimentar, assim como a importância de uma transição energética justa, foram questões abordadas por dirigentes da FUP em suas participações nos debates. “A Petrobrás precisa atuar como empresa integrada, que volte a ter papel relevante no setor de distribuição e amplie sua participação no setor de fertilizantes. É essa Petrobrás que defendemos, comprometida com a soberania energética e alimentar, atuando do poço ao posto e da refinaria ao fogão. Assim iremos fortalecer a agricultura familiar, os pequenos agricultores e a economia solidária”, afirmou Patrícia de Jesus, diretora de Comunicação da Federação, que participou de um dos painéis do Encontro.

A coordenadora-geral em exercício da FUP, Cibele Vieira, reforçou que “o debate sobre o futuro do planeta tem que ser feito de uma forma a pensar a nossa organização como sociedade”. Durante participação na mesa que discutiu o “Papel das Reformas na Construção da Soberania Alimentar e Justiça Climática”, ela apresentou as propostas que a categoria petroleira defende para uma transição energética justa, a partir da perspectiva dos trabalhadores, tendo a Petrobrás como condutora.
Cibele também questionou o perfil cada vez mais individualista das pessoas, focadas no consumo de bens materiais e no descarte constante das coisas. “Essa forma de agir não é sustentável, em qualquer que seja a matriz energética”, destacou.

Ela enfatizou que para superar o atual modelo econômico excludente, que coloca em risco o futuro do planeta, as soluções precisam ser pensadas nos territórios, em cada região, e não a partir da concepção dos países hegemônicos.
“A humanidade vem consumindo cada vez mais energia e, historicamente, novas fontes vão sendo incorporadas às fontes já existentes de energia, como aconteceu com o carvão, e todas elas, inclusive as novas fontes que estão sendo utilizadas, vão trazer alguma forma de impacto. Por isso defendemos uma diversificação cada vez maior da matriz energética e políticas públicas de direcionamento do consumo”, afirmou a coordenadora da FUP.

O Encontro Nacional prossegue até quarta, 03, quando será anunciada a plataforma política da Missão Josué de Castro, com o lançamento oficial do site e das redes sociais dessa importante articulação nacional em defesa da soberania alimentar, com sistemas agroalimentares mais justos, sustentáveis e democráticos.