A Federação Única dos Petroleiros (FUP) denuncia uma grave escalada de violência e intimidação contra os trabalhadores da construção e montagem que estão em greve na Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo. Em ato realizado na unidade, nesta segunda-feira 29/06, dirigentes sindicais denunciaram a presença ostensiva da Polícia Militar nas portarias da refinaria para impedir o diálogo entre o sindicato e os trabalhadores mobilizados.
A coordenadora-geral interina da FUP, Cibele Vieira, esteve na Portaria Sul da Replan para denunciar a situação e cobrar providências da Petrobrás diante dos episódios que vêm ocorrendo desde o início da paralisação. Segundo ela, a categoria enfrenta uma sequência de ações intimidatórias que colocam em risco a integridade física dos trabalhadores e atentam contra o direito constitucional de organização sindical.
Os relatos apontam que, na madrugada da última quarta-feira para quinta-feira, seguranças privados armados apareceram pela primeira vez no piquete montado em frente à refinaria. A presença dos vigilantes gerou revolta entre os trabalhadores, que realizaram na manhã seguinte um ato conjunto de repúdio reunindo empregados próprios e terceirizados.
A situação se agravou na madrugada de quinta para sexta-feira, quando o veículo utilizado pelo sindicato foi alvo de uma emboscada no trajeto até a refinaria. Segundo as denúncias, cerca de cinco veículos cercaram o carro dos dirigentes sindicais e provocaram uma colisão. Algumas vítimas das agressões seguem hospitalizadas em decorrência dos ferimentos sofridos.
Nesta segunda-feira, trabalhadores e dirigentes realizaram uma manifestação para denunciar a violência e as tentativas de intimidação que vêm marcando o movimento grevista. Durante a atividade, a presença massiva da Polícia Militar na unidade foi apontada como mais uma tentativa de impedir a atuação sindical e dificultar o contato dos representantes dos trabalhadores com a categoria.
“Depois de colocarem segurança privada armada para intimidar sindicalistas e trabalhadores e de uma madrugada marcada por agressões violentas, com companheiros ainda internados, um com risco de perder a visão, agora vemos um aparato policial sendo utilizado para impedir que o sindicato converse com os trabalhadores. Empresas com essas práticas têm que ser banidas do Sistema Petrobrás”, afirmou Cibele Vieira.
As denúncias partem principalmente dos trabalhadores terceirizados da construção e montagem da Replan, que acusam a atuação de grupos encapuzados contratados para ameaçar e atacar grevistas. Os trabalhadores também denunciam a circulação de seguranças armados nas portarias e até mesmo no interior da refinaria. As acusações apontam para a participação da empresa Quality nas ações de intimidação, denúncia que precisa ser rigorosamente apurada pelos órgãos competentes.
A greve foi deflagrada após a rejeição, pelos trabalhadores, da proposta apresentada pelas empresas contratadas, considerada insuficiente para atender às reivindicações da categoria. Os grevistas lutam por reajuste salarial, melhorias nos benefícios, aumento do vale-alimentação, do café da manhã, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e da cesta natalina.
Mesmo diante das ameaças, das represálias e de decisão judicial determinando a manutenção de parte das atividades, os trabalhadores mantêm a mobilização. A FUP reafirma solidariedade à luta dos terceirizados da Replan e cobra da Petrobrás uma posição firme diante das denúncias de violência, garantindo condições para o livre exercício da atividade sindical e a preservação da integridade física dos trabalhadores.
A Federação seguirá acompanhando o caso e exigindo a apuração dos fatos, a responsabilização dos envolvidos e o fim de qualquer prática de intimidação contra trabalhadores que exercem seu legítimo direito de organização e luta por melhores condições de trabalho.