Seis anos após ser fechada pelo governo Bolsonaro, fábrica volta a produzir, graças à luta e à organização da categoria petroleira, que se mobilizou para trazer de volta os trabalhadores que haviam sido demitidos
[Da comunicação da FUP]
A FUP celebra a retomada, nesta quinta-feira (30/04), da produção de Ureia da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen PR), seis anos após o seu fechamento, em 2020. Desde então, a Federação atua pela reativação da planta, considerada estratégica para o setor de fertilizantes.
“É com muita emoção que comemoramos o início da produção da Fafen PR, maior símbolo de que a luta vale a pena. Mesmo que no imediato não conseguimos impedir o fechamento da fábrica, a resistência possibilitou a retomada”, festejou Cibele Vieira, coordenadora-geral em exercício da FUP.
A Fafen PR voltou a produzir amônia em 14 de abril de 2026, com capacidade aproximada de 1.300 toneladas por dia. Já a produção de ureia foi iniciada nesta quinta, com capacidade instalada de cerca de 2.000 toneladas diárias. Além desses produtos, a unidade também produz dióxido de carbono (CO₂) e metanol.
“A reabertura operacional ocorreu de forma gradual, com o início de recontratação de trabalhadores em julho de 2024. Desde então, a fábrica passou por extensos processos de manutenção, em função do longo período de paralisação”, explica o coordenador do Sindiquímica PR, Rodrigo Pexe Maia.
O líder petroquímico destaca o caráter estratégico da reativação da unidade para a soberania energética e alimentar, bem como a importância da mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras para que a fábrica voltasse a operar. Ele lembra que o reinício das atividades não é um fato isolado, mas resultado de um processo marcado por organização e persistência.
“Isso só foi possível com muita luta, muita força e muita esperança. Conseguimos trazer de volta a produção e também os trabalhadores”, afirmou, destacando a importância da FUP e de seus sindicatos na mobilização e negociação para retorno do investimento pela Petrobrás no setor de fertilizantes. Pexe também reforça que houve decisão política para reconstruir essa área estratégica, com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Considerada a maior fábrica de fertilizantes nitrogenados do sistema Petrobrás, a unidade chegou a responder por até 30% do mercado nacional de ureia. A retomada da Fafen PR marca ainda o retorno da terceira planta do segmento a operar no país, ao lado das unidades localizadas na Bahia e em Sergipe. A ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado no mundo e desempenha papel estratégico no aumento da produtividade agrícola e na ampliação da produção de alimentos.
“Com as três unidades e a futura entrada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (MS), a estimativa é de queda da dependência externa de fertilizantes do país para cerca de 65%, abaixo dos atuais 80 por cento”, sinaliza Alberico Santos Queiroz Filho, diretor da FUP e do Sindicato dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado).
O conjunto das fábricas de fertilizantes nitrogenados da Petrobrás em operação – Fafen-PR, Fafen-BA e Fafen-SE -produz ureia fertilizante, amônia, gás carbônico (CO₂), metanol, sulfato de amônio e ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo). O Brasil, um dos maiores produtores agrícolas do mundo, é grande consumidor de fertilizantes – insumo estratégico cujos preços internacionais dispararam em meio às guerras da Ucrânia/Rússia e do Oriente Médio.
Esse cenário evidencia a necessidade de fortalecer a produção nacional como eixo de segurança econômica. A volta da Fafen PR à operação recoloca o debate sobre o papel do Estado na indução do desenvolvimento industrial e na redução da dependência externa em áreas estratégicas o que sinaliza a reconstrução de uma política voltada à valorização da produção nacional e à proteção dos interesses do país.