Por mais e melhores empregos

Em carta aos trabalhadores do setor privado, FUP e sindicatos elencam 13 pontos para votar com consciência

Foto: Antonio Saturnino

Carta da Federação Única dos Petroleiros e de seus sindicatos para os trabalhadores e as trabalhadoras prestadores de serviço do Sistema Petrobrás e do setor privado da indústria de petróleo e gás do Brasil destaca 13 motivos para a categoria votar com consciência nestas eleições. Confira:

Companheiras e companheiros,

A categoria trabalhadora do petróleo e do gás conhece, na prática, os efeitos das decisões políticas sobre suas vidas. O golpe de 2016 levou Michel Temer à Presidência e abriu caminho para a Reforma Trabalhista e a perda de direitos conquistados nos acordos coletivos de trabalho.

Na sequência, no governo Jair Bolsonaro, veio a Reforma da Previdência, que também comprometeu o futuro da classe trabalhadora. No Sistema Petrobras, o plano de saúde e odontológico para trabalhadores prestadores de serviço e seus dependentes, conquistado no primeiro governo Lula, deixou de ser exigido a partir de 2018. Além disso, entre 2019 e 2022, contratos foram firmados sem cobertura para dependentes.

Diante de tantos retrocessos, a FUP e seus sindicatos mantiveram a resistência. A partir de 2023, com o terceiro mandato do presidente Lula, iniciou-se a recuperação. O número de trabalhadores prestadores de serviço da Petrobras subiu de 105 mil, no final de 2022, para 130 mil em 2026, um aumento de cerca de 24%.

Além disso, foram retomadas as negociações, com avanços para os prestadores de serviço: o plano de saúde e odontológico para trabalhadores e dependentes foi restabelecido e ampliado, assim como a garantia do piso salarial e de benefícios nos contratos assinados.

Como resultado, os acordos coletivos passaram a assegurar a reposição da inflação e, em diversos casos, ganho real. Vale destacar, também, que a Comissão de Prestação de Serviços foi reativada após oito anos.

No governo Lula, também foram retomados investimentos estratégicos para o país, capazes de gerar milhares de empregos no setor. Entre eles, destacam-se:

  • a ampliação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, com as obras do Trem 2;
  • os R$ 33 bilhões na Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e no Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro, com previsão de 38 mil empregos diretos e mais de 100 mil indiretos;
  • a reabertura da Fafen-PR, que voltou a produzir amônia e ureia após seis anos; a retomada das fábricas de fertilizantes da Bahia e de Sergipe e a autorização para o retorno da fábrica de Araucária (Ansa), no Paraná;
  • a revitalização do Canteiro de São Roque, em Maragogipe (BA), para navios, sondas e plataformas; a retomada dos investimentos da Petrobras Biocombustíveis (PBio);
  • e a volta da indústria naval, com novos navios e milhares de empregos diretos e indiretos nos estaleiros da Bahia, de Pernambuco e de Santa Catarina.

Ainda temos desafios, mas o contraste é evidente: de um lado, as perdas e a precarização dos governos Temer e Bolsonaro; de outro, as reconquistas e a negociação no governo Lula. Esse contraste mostra que direitos conquistados podem ser retirados novamente caso a direita retorne ao governo.

13 pontos para votar com consciência

Trabalhador e trabalhadora, antes de escolher, conheçam o que está em jogo. A decisão, porém, é de cada trabalhador e de cada trabalhadora: o voto é individual e deve ser dado conforme as próprias convicções e os próprios interesses.

As eleições também dizem respeito à nossa vida no trabalho.

Quem trabalha na indústria de petróleo e gás conhece a realidade: jornadas intensas, trabalho offshore, escalas diferenciadas, pressão por produtividade, riscos ocupacionais, terceirização, contratos, salários, benefícios e a luta permanente por melhores condições de trabalho.

Por essa razão, nós, trabalhadores e trabalhadoras do setor privado, precisamos olhar para as eleições também a partir daquilo que vivemos todos os dias.

Não basta analisar discursos. É preciso conhecer propostas, histórico e compromissos.

Os Sindipetros e a FUP têm uma agenda de luta construída a partir das necessidades da categoria. E queremos colocar esses temas no debate.

  1. DEMOCRACIA E LIBERDADE SINDICAL

Defender o direito dos trabalhadores de se organizar, participar, reivindicar e construir coletivamente suas pautas.

Sindicato forte depende de trabalhadores organizados e de liberdade para lutar por seus direitos.

  1. EMPREGO, TRABALHO DIGNO E DEFESA DA INDÚSTRIA NACIONAL

O desenvolvimento da indústria de petróleo e gás precisa gerar empregos de qualidade no país, com direitos, salários dignos e condições adequadas de trabalho.

Defender a indústria nacional é defender emprego e renda dentro do Brasil.

Queremos discutir políticas que valorizem quem trabalha e quem produz.

  1. VALORIZAÇÃO SALARIAL

Salário não é apenas número.

É alimentação, moradia, educação, transporte, saúde e qualidade de vida.

Defendemos políticas que preservem o poder de compra e valorizem o trabalho.

  1. FORTALECIMENTO DOS ACORDOS COLETIVOS

Os trabalhadores precisam ter instrumentos efetivos para negociar salários, benefícios, jornadas e condições de trabalho.

Acordo coletivo é conquista construída pela organização dos trabalhadores.

  1. PISOS SALARIAIS E PLANO DE CARREIRA

Experiência, qualificação e responsabilidade precisam ser reconhecidas.

Precisamos combater diferenças injustificadas, valorizar profissionais e construir oportunidades de crescimento dentro das empresas.

  1. ALIMENTAÇÃO E BENEFÍCIOS

Vale-alimentação, vale-refeição, alimentação fornecida pelas empresas e demais benefícios fazem parte da remuneração e da qualidade de vida do trabalhador.

Uma indústria que movimenta bilhões não pode tratar a alimentação de quem trabalha como uma questão secundária.

  1. ISONOMIA ENTRE TRABALHADORES

Trabalhadores que desempenham atividades semelhantes precisam ter seus direitos e condições de trabalho debatidos com seriedade.

A terceirização não pode significar trabalhador de primeira e trabalhador de segunda.

  1. SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO

Nenhuma meta de produção vale mais do que uma vida.

Saúde física e mental, prevenção de acidentes, equipamentos adequados, treinamento, condições seguras e respeito às normas precisam estar no centro das políticas para a indústria.

  1. FOLGA JUSTA PARA A INDÚSTRIA DE PETRÓLEO E GÁS

Quem trabalha em regimes especiais conhece o impacto que a jornada provoca na saúde, na família e na vida social.

Precisamos discutir escalas, períodos de embarque, descanso e recuperação do trabalhador, buscando uma folga compatível com a realidade e os riscos da atividade.

Trabalhar muito não pode significar viver pouco.

  1. PROTEÇÃO AOS TRABALHADORES TERCEIRIZADOS

Grande parte da indústria funciona graças ao trabalho de milhares de trabalhadores contratados por empresas prestadoras de serviço.

Esses trabalhadores precisam ser respeitados, valorizados e protegidos.

Quem trabalha na mesma atividade, dentro da mesma cadeia produtiva, merece dignidade, segurança e direitos.

  1. COMBATE À PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO

Não podemos aceitar que a redução de custos seja feita às custas dos trabalhadores.

É preciso acompanhar propostas que possam enfraquecer direitos, precarizar relações de trabalho ou transferir riscos excessivos para quem está na ponta da operação.

  1. RESPONSABILIDADE DAS EMPRESAS CONTRATANTES E DOS CONTRATOS

Os contratos da indústria de petróleo e gás movimentam recursos públicos e privados e envolvem milhares de trabalhadores.

Precisamos discutir transparência, fiscalização, cumprimento das obrigações trabalhistas e responsabilidade das empresas contratantes.

Contrato não pode ser sinônimo de precarização.

  1. ORGANIZAÇÃO E MOBILIZAÇÃO DOS TRABALHADORES

Nenhum direito foi conquistado sozinho.

Salário, jornada, benefícios, segurança e melhores condições de trabalho são resultado de organização, participação e mobilização.

Daí a necessidade de fortalecer a participação dos trabalhadores nas decisões que afetam suas próprias vidas.

Diante disso, a FUP e seus sindicatos conclamam os trabalhadores e trabalhadoras do setor privado e prestadores de serviço a votar de forma livre e com consciência em candidatos que defendem a categoria, tanto para as Assembleias Legislativas e a Câmara dos Deputados e o Senado quanto, principalmente, para a Presidência da República.

Nenhum direito a menos. Mais empregos, melhores salários e mais direitos.

Federação Única dos Petroleiros (FUP) e Sindicatos Filiados