Sistema Petrobrás

Categoria petroleira é surpreendida por proposta de PLR aquém dos resultados construídos

Conselho Deliberativo da FUP reúne-se na quarta, 19, para definir os próximos passos em relação às negociações do plano de cargos e da PLR do Sistema Petrobrás

[Da comunicação da FUP]

Após registrar um lucro recorde no segundo trimestre, com uma alta de 97% em relação ao mesmo período de 2025, a Petrobrás apresentou à FUP e aos seus sindicatos, nesta sexta-feira, 14, uma proposta de PLR bem abaixo das expectativas da categoria. Além de não acompanhar o crescimento dos resultados construídos pelos trabalhadores, a proposta congela por dois anos o piso da PLR, traz diferenciações de valores para parte das empresas do Sistema Petrobrás e deixa de fora os empregados da Ansa.

Ou seja, enquanto os acionistas privados se apropriam de uma fatia significativa dos lucros, aqueles que constroem a riqueza gerada pela estatal não são devidamente reconhecidos e nem valorizados. Na semana passada, a Petrobrás já havia apresentado uma proposta de plano de cargos muito aquém do que é reivindicado pela categoria e agora, na proposta da PLR, tentou retroceder ao acordo de 2024/2025, chegando a apresentar inicialmente os mesmos valores de piso, sem sequer aplicar o reajuste da inflação.

Somente após críticas e questionamentos da FUP, os representantes da empresa pediram um recesso e apresentaram um novo piso para 2026. No entanto, congelou o valor para 2027. No caso das subsidiárias, as apresentações feitas pela Transpetro e pela Termobahia apontaram o acompanhamento da proposta da holding, já a TBG e a PBio, apresentaram propostas com valores rebaixados e a Ansa alegou não ter resultados para uma proposta de remuneração variável.

Trabalhadores usufruem menos da riqueza gerada

Os números mostram que apesar de lucrar mais, a Petrobrás está distribuindo menos a riqueza gerada pelos trabalhadores, em meio a recordes de produção e de produtividade. De toda a riqueza gerada pela empresa (valor adicionado), hoje um terço vai para os acionistas e somente 9% ficam com os trabalhadores, segundo apresentação feita pela assessoria do Dieese.

Enquanto o faturamento do Sistema Petrobrás está numa curva crescente, a relação entre remunerações variáveis, lucro líquido e dividendos vem caindo. O estudo do Dieese apontou que as despesas com trabalhadores representam 5,6% do faturamento da estatal, sendo que 2,6% são destinados ao pagamento das remunerações fixas, incluindo o alto escalão, e 1% para remuneração variável.

O levantamento feito pela assessoria da FUP também jogou luz sobre as desigualdades de remuneração. A diferença entre os maiores e menores salários é de 22,6%, enquanto no PRD é de 12,4% e na PLR, de 4%. Ou seja, fica evidente que o aumento do piso da PLR contribui para reduzir a desigualdade remuneratória dentro do Sistema Petrobrás.

Se a empresa é integrada, lucro não pode ser segmentado

A coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, relembrou que o pleito central da categoria é negociar todas as formas de remunerações variáveis e que a referência é o acordo que foi pactuado entre 2014 e 2019, que considerava o resultado de todo o Sistema Petrobrás, com regras e indicadores transparentes e democráticos. Os dirigentes da FUP reforçaram que é a holding que determina as decisões políticas de planejamento e de operação das demais empresas do Sistema e, consequentemente, os resultados também. Por ser uma empresa integrada de energia, não tem sentido a divisão do lucro ser segmentada e os trabalhadores prejudicados.

“Vários dos problemas e limitações apresentados por algumas subsidiárias não fazem sentido para gente, pois não concordamos com essa política de segmentação. Estamos tratando da remuneração variável de todo o Sistema Petrobrás. Por isso defendemos a incorporação dos trabalhadores e melhor aproveitamento do que cada um de nós faz e pode contribuir para a empresa, o que passe, inclusive, por um concurso unificado para todo o Sistema, como defendemos no fórum que discute a Pauta Brasil Soberano”, afirmou Cibele.

Ela frisou que os lucros gerados pela estatal não podem ser às custas de desigualdades e de discriminações dentro do Sistema Petrobrás, nem tampouco da precarização da prestação de serviços. “Essa companhia não se sustenta a longo prazo sem exércitos, não são estudos técnicos que vão sustentar essa empresa no futuro”, destacou Cibele, referindo-se à necessidade de valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores, pois é esse coletivo que tem compromisso com a defesa do Sistema Petrobrás.

Teletrabalho

Outra pauta apresentada pela FUP na reunião foi o teletrabalho, cujo acordo é válido até abril de 2027. Foi solicitada uma reunião específica com a Petrobrás para tratar desse tema, de forma a garantir uma maior previsibilidade e segurança para os trabalhadores e trabalhadoras. A gestão da empresa afirmou em mesa que não tem mudança prevista em relação ao acordo vigente, nem para ampliar, nem para reduzir os dias de teletrabalho, e irá avaliar o agendamento de uma reunião específica com a FUP.

CD da FUP reúne-se na quarta

O Conselho Deliberativo da FUP vai se reunir na próxima quarta-feira, 19, para discutir tanto a proposta de plano de cargos, quanto a da PLR e definir os próximos encaminhamentos.