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Após mobilizações, Petrobrás anuncia reuniões para cumprir compromissos do fim da greve

Empresa se comprometeu a apresentar nas próximas semanas propostas para plano de cargos e PLR, deu devolutivas sobre os GTs da Transpetro e da APS, mas não se posicionou em relação ao fim dos PEDs. FUP exigiu que a presidenta da Petrobrás envie imediatamente pedido de mediação ao TCU da proposta para solução dos equacionamentos da Petros

[Da comunicação da FUP]

Em resposta às mobilizações que a categoria realizou entre os dias 22 e 26 de junho, cobrando da gestão da Petrobrás o cumprimento dos compromissos assumidos no final da greve de dezembro, a empresa anunciou que retomará as negociações com a FUP a partir do dia 30 de julho.

Em reunião com as direções sindicais nesta quinta-feira, 16, as gerências de RH da holding e das subsidiárias se comprometeram a apresentar até o próximo dia 30 uma proposta para o novo plano de cargos e salários e a iniciar a negociação da PLR na primeira quinzena de agosto. A FUP tornou a cobrar que as propostas sejam apresentadas para todas as empresas do Sistema Petrobrás.

O RH também informou que a holding apresentará em breve o relatório final do GT da APS, grupo de trabalho em que os representantes das entidades sindicais que integram o Fórum em Defesa dos Participantes e Assistidos da Petros estão discutindo com a empresa e a associação as mudanças necessárias no estatuto da entidade.

Quanto aos compromissos assumidos em relação ao fim dos PEDs, o RH da Petrobrás mais uma vez alegou que esse tema está sendo tratado no âmbito do Fórum. A FUP afirmou que a diretoria da Petrobrás está descumprindo o calendário que se comprometeu a cumprir, no encerramento da greve. Até hoje, a empresa não realizou os procedimentos necessários para iniciar a mediação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), comprometendo ainda mais o longo prazo regimental para resposta do órgão.

A FUP tornou a enfatizar que a solução desse problema é prioridade absoluta da categoria e exigiu que a presidenta da Petrobrás, Magda Chambriard, envie imediatamente carta ao TCU, solicitando mediação do órgão na negociação da proposta para resolver de uma vez por todas os equacionamentos dos déficits dos planos Petros (PPSP-R e PPSP-NR).

Transpetro

Em relação aos compromissos assumidos pela Transpetro, a empresa apresentou devolutivas sobre os Grupos de Trabalho criados para tratar do Adicional de Dutos e da reivindicação de isonomia para os trabalhadores do Terminal de Coari.  Ambos os GTs foram instalados em março. O que trata do Adicional de Dutos teve duas reuniões e a Transpetro informou que as reivindicações apresentadas pela FUP foram levadas às gerências envolvidas e estão sendo analisadas para avaliação dos próximos passos.

Já sobre o GT de Coari, foram realizadas três reuniões com as representações sindicais, além de reuniões internas para análise técnica. Como desdobramentos, foram realizadas visitas técnicas ao terminal nos dias 24 e 25 de junho e os pleitos debatidos estão sendo analisados internamente pela empresa.

Petrobrás apresenta mudanças no PRD

Durante a reunião, a Petrobrás também fez uma apresentação sobre o PRD, informando que as Métricas de Topo, baseadas em indicadores dos resultados coletivos da empresa, passaram a ter um peso menor no regramento do Prêmio, enquanto as Métricas Específicas, baseadas no desempenho individual, passaram a ter um peso maior. Com isso, o PRD da grande maioria dos empregados será baseado 60% no desempenho individual e 40% no desempenho organizacional. Já para os gerentes gerais e consultores Master, essa relação será de 50% e para a alta gestão (gerentes executivos e equivalentes), os indicadores coletivos terão peso de 55% e os individuais de 45%.

Além disso, a Petrobrás atrelou ainda mais o PRD aos resultados financeiros e aos dividendos pagos aos acionistas, indicadores que nada têm a ver com o desempenho dos trabalhadores. A FUP criticou duramente as novas regras do Prêmio, que intensificam o seu caráter subjetivo, se tornando cada vez mais uma ferramenta punitivista, que alimenta assédios, gerando impactos graves na saúde mental da categoria.

Cibele Vieira: “PRD tem teor cada vez mais ideológico”

São várias as denúncias que os sindicatos recebem de trabalhadores que tiveram suas notas de desempenho rebaixadas por arbitrariedades dos gestores. Um dos exemplos citados na reunião foi o de um trabalhador da Revap, que recebeu uma nota muito inferior ao seu histórico, após reclamar com o sindicato que seu supervisor estava dificultando sua liberação para participar de atividades da CIPA.

Nas negociações da PLR do Sistema, em que o PRD tem sido utilizado como complemento para que as subsidiárias possam seguir o mesmo acordo da holding, a FUP tem pressionado para reduzir as discrepâncias do Prêmio, chegando a interferir na relação piso e teto, mas ainda há uma grande disparidade na distribuição dessa remuneração variável.

A coordenadora-geral da FUP em exercício, Cibele Vieira, afirmou que a apresentação da Petrobrás reforça o teor cada vez mais ideológico do PRD. “Nos governos Temer e Bolsonaro, nós tivemos um embate forte com a direção da Petrobrás, que utilizou o pacote de ferramentas de gestão de pessoas para tentar quebrar o espírito de equipe, com o objetivo de destruir a empresa. De 2023 para cá, nós conseguimos pautar a importância da coletividade como um valor fundamental da empresa. Vemos, portanto, com muita preocupação e repudiamos esses retrocessos, pois o aumento das metas individuais e o atrelamento dos dividendos e dos resultados financeiros apresentados hoje não são ferramentas de gestão apartadas, elas fazem parte da cultura organizacional defendida pela atual gestão da Petrobrás”, declarou.

As lideranças sindicais reafirmaram que a pauta principal da categoria continua sendo uma PLR única e isonômica para todo o Sistema Petrobrás, tornando a enfatizar que toda forma de remuneração variável deve ser negociada coletivamente, com regras democráticas e justas para todos os trabalhadores e trabalhadoras. A FUP reforçou que a gestão de performance individual do PRD não faz sentido em um ambiente de trabalho que é iminentemente coletivo, onde um depende uns do outro e todos contribuem para os resultados do Sistema.

 

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