Replan e Recap: Petroleiros mantêm greve no segundo dia e reforçam pressão nacional

Troca segura de equipes encerra ciclo de 36 horas de trabalho na Replan, enquanto a greve se mantém forte em todo o país e amplia a cobrança por negociação, direitos e respeito à categoria

[Por Vitor Peruch, da comunicação do Sindipetro Unificado]

O segundo dia da Greve Nacional dos Petroleiros, nesta terça-feira (16), está consolidando a paralisação em unidades estratégicas do Sistema Petrobrás e reforçando o caráter nacional, unitário e prolongado do movimento. Na Refinaria de Paulínia (Replan), a mobilização ganhou um marco simbólico e prático com a substituição dos trabalhadores que permaneceram 36 horas seguidas na unidade por exigência de segurança operacional. Com a troca concluída, a paralisação passou a ser total, reunindo trabalhadores da ativa, aposentados e representantes sindicais em torno da defesa de um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT)  justo e do fim dos descontos considerados abusivos nas aposentadorias.

Logo pela manhã, a categoria recepcionou os petroleiros que deixaram a unidade após mais de um dia ininterrupto de trabalho, em um processo conduzido sob forte tensão e responsabilidade, diante dos riscos inerentes à operação de uma refinaria. O grupo de contingência, formado majoritariamente por supervisores indicados pela gestão da Petrobrás, assumiu as atividades, enquanto os trabalhadores se somaram ao ato realizado na Portaria Sul, que contou com a presença do Grupo 4 e do HA, ampliando a adesão à greve na base de Campinas.

Greve segue firme na Replan

Presente no ato, o coordenador geral do Sindipetro Unificado, Steve Austin, destacou que a substituição dos trabalhadores era uma exigência de segurança, mas também um direito daqueles que decidiram aderir ao movimento. “Estamos no segundo dia de greve nacional e hoje aqui na Replan fizemos a troca do nosso grupo, de trabalhadores que estavam há 36 horas dentro da refinaria. Existe uma responsabilidade enorme envolvida, porque ninguém pode simplesmente sair de uma unidade desse porte sem garantir a segurança da operação. Por isso, muitas vezes, é uma luta conseguir retirar os trabalhadores que querem se incorporar à greve”, explicou.

Austin reforçou que, mesmo com a troca, a mobilização segue firme e sem recuos. “Os trabalhadores continuam parados, ninguém vai entrar. A adesão segue muito forte, tanto no túnel quanto no HA. A greve segue sólida aqui na Replan, assim como em outras unidades do país”, afirmou. Segundo ele, o sindicato mantém uma estrutura de apoio permanente para garantir organização, informação e unidade. “O sindicato é um ponto de referência. Tivemos um almoço coletivo com os trabalhadores, um espaço para fortalecer a luta, trocar informações e tomar decisões juntos. Temos barraca, café, estrutura para que ninguém fique isolado. A greve se constrói coletivamente, e é assim que a gente sai vitorioso”, disse.

O dirigente também fez um chamado à ampliação da participação da base e apontou sinais de que a mobilização começa a pressionar a empresa. “Convidamos todos que aderiram à greve a virem para a refinaria, se somarem aqui com a gente. Há uma perspectiva de sinalização da Petrobrás em relação aos pleitos da categoria. Se isso se confirmar, será fruto direto da mobilização. Vamos juntos conduzir essa greve e sair dela com vitória”, concluiu.

Mauá em luta 

Na Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá, o segundo dia de paralisação também manteve o ritmo forte, sem rendição de turno, reafirmando o papel histórico da unidade na organização da categoria. O diretor do Sindipetro Unificado, Pedro Augusto, destacou que a greve dialoga não apenas com a categoria petroleira, mas com a sociedade, ao reivindicar o reconhecimento do trabalho que sustenta os resultados bilionários da empresa. “Toda a riqueza dessa empresa, os milhões em lucro e dividendos pagos em poucos meses, vêm do suor e do esforço político de cada petroleiro e petroleira. Nada disso caiu do céu. Foi luta, foi organização, foi disputa”, afirmou.

O dirigente ressaltou que as conquistas recentes da Petrobrás, como a retomada de investimentos e a ampliação do quadro de trabalhadores via concursos públicos, também são resultado direto da mobilização da categoria. “Se hoje discutimos a renovação do acordo coletivo com direitos e garantias, é porque essa categoria foi às ruas, derrotou Bolsonaro e ajudou a eleger um governo que abriu espaço para reconstruir a empresa. E nós não vamos arredar o pé agora”, declarou.

Para Augusto, aceitar uma simples prorrogação do acordo anterior seria insuficiente e injusto diante da valorização da empresa nos últimos anos. “Já estaria errado apenas replicar o acordo atual para 2025 e 2026. A empresa cresceu, acumulou riqueza, incorporou conhecimento produzido pelos trabalhadores, e ainda não recuperamos tudo o que foi perdido desde o golpe de 2016. Há perdas a reparar e novos direitos a conquistar”, afirmou.

Pedro Augusto também chamou atenção para pautas estruturais que ganharam centralidade na greve, como diversidade, inclusão e condições de trabalho dignas para todos os segmentos do sistema. “Estamos falando de garantir que mulheres, população LGBT, trabalhadores negros e terceirizados se sintam pertencentes a esse espaço. Não é aceitável conviver com salários atrasados, contratos precários e punições aos trabalhadores enquanto empresas terceirizadas negociam aditivos milionários. Isso fere qualquer noção de justiça”, criticou.

Ao final, vinculou a força da greve atual aos desafios políticos dos próximos anos: “A mesma força que estamos demonstrando agora é a que pode fazer a direção da Petrobrás recuar, atender os chamados da categoria e apresentar um acordo coletivo de verdade, com avanços reais. Só reconhecendo o tamanho da nossa força é que essa categoria vai chegar de cabeça erguida em 2026”.

Além da Replan e da Recap, o segundo dia da greve manteve adesão expressiva em todo o país, com paralisações, cortes de rendição e atrasos em refinarias, plataformas, terminais, unidades da Transpetro, TBG, PBio e áreas administrativas. O quadro nacional confirma que a greve segue viva, articulada e em expansão, elevando a pressão sobre a gestão da Petrobrás para que retome o diálogo e apresente respostas concretas às reivindicações dos trabalhadores.