Além de quebrar a integração do Sistema Petrobrás e de reduzir a empresa a uma exportadora de óleo cru, a atual gestão tem outros dois objetivos claros, que vêm sendo perseguidos desde o início de 2019: acabar com o Acordo Coletivo de Trabalho e enfraquecer as representações sindicais da categoria petroleira. 

Conquistas históricas de décadas de lutas e de organização sindical estão sendo flagrantemente descumpridas pela diretoria da estatal, em uma afronta não só aos sindicatos que pactuaram cada uma das cláusulas, como ao próprio Tribunal Superior do Trabalho (TST), que chancelou o acordo, no processo de mediação realizado em novembro passado.

Na reunião desta quarta-feira, 13, da Comissão de Acompanhamento do Acordo Coletivo, realizada por videoconferência, a FUP e seus sindicatos tornaram a questionar a empresa sobre o sucessivo descumprimento de cláusulas do ACT e até mesmo de medidas provisórias editadas pelo governo durante a pandemia. A gestão, no entanto, continua insistindo na política do fato consumado. As reuniões que realiza com a FUP e os sindicatos são somente para comunicar decisões unilaterais, tomadas ao arrepio do Acordo Coletivo.

É o caso da redução dos salários dos trabalhadores, um ato flagrantemente ilegal; das transferências de trabalhadores de unidades hibernadas, que estão sendo realizadas pela gestão sem qualquer discussão com as entidades sindicais; dos ataques à AMS, um patrimônio da categoria que está sendo violado e agora corre o risco de ser desmontado ao ter a gestão privatizada, na contramão do que foi acordado com o TST na mediação do ACT; das horas extras na passagem de turnos, cujos critérios estão sendo descumpridos; e de tantas outras cláusulas que estão sendo atropeladas e ignoradas pela gestão da Petrobrás.

A FUP também cobrou uma resposta à proposta que foi apresentada à empresa no início do mês, de prorrogação do Acordo Coletivo até novembro. O RH informou que a reivindicação ainda está sendo analisada.

"A pandemia vai passar e nós vamos responder à altura à gestão da Petrobrás, pois não aceitaremos a entrega da nossa empresa, a retirada de nossos direitos e a fragilização do movimento sindical", afirma o coordenador da FUP. Veja abaixo:

 

 [FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás
Quinta, 14 Maio 2020 09:39

AMS: FUP desarquiva mediação no TST

Em despacho nesta quarta, 13 de maio, o vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Luiz Philippe, atendeu ao pedido da FUP e desarquivou a mediação do Acordo Coletivo de Trabalho assinado no Tribunal em 4 de novembro de 19.

No ACT, a Petrobrás se comprometeu a criar Grupo de Trabalho para inserir a representação dos trabalhadores na gestão da AMS.

Porém, em lugar disso, a Petrobrás resolveu criar uma estranha "fundação", com a qual pretende passar a gerir a AMS.

Agora a Petrobrás tem 5 dias para responder se irá à mediação.

Para uma gestão que anuncia que "acabou a mamata", é obrigatório ir ao TST, já que os jornais têm especulado a respeito da nova "fundação":

- A nova "fundação" vai onerar a AMS em 2 bilhões de reais?

- Amigos de Castello Branco e de Cláudio Costa ganharão cargos na "fundação"?

- Qual o conteúdo dos pareceres financeiros, administrativos e jurídicos, prévios à decisão de criação?

Como a Petrobrás não teme essas respostas, ela comparecerá ao TST, e discutirá a inovação pretendida na AMS.


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[Assessoria Jurídica da FUP]

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O desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia, Marcos Oliveira Gurgel, concedeu liminar em Mandado de Segurança requerida pela assessoria jurídica do Sindipetro-BA para determinar que a contribuição mensal da Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS) para os aposentados, pensionistas e incapacitados para o trabalho seja feita através de desconto em folha, em relação às parcelas a vencer.

O Sindipetro ajuizou inicialmente ação coletiva que foi distribuída para a 3ª Vara do Trabalho de Salvador, que indeferiu o pedido de liminar. A assessoria Jurídica reforçou os argumentos e pediu uma nova decisão, o Juiz manteve o indeferimento. Diante disso foi apresentado ao Tribunal um Mandado de Segurança contra a decisão do Juiz.

Na sua decisão o desembargador deu um prazo de 20 dias, para que a Petrobrás cumpra a liminar sob pena de multa diária (arts. 297 e 537, CPC/15), no valor de R$ 1.000,00 por dia e por cada substituído. Veja aqui a íntegra da decisão.

Ao acabar com o desconto em folha e obrigar idosos a pagarem o benefício através de boletos bancários, em plena pandemia da Covid-19, a gestão da Petrobrás age na contamão do que determinam as autoridades de saúde. Os aposentados e pensionistas são o grupo mais vulnerável, em caso de contaminação. Por isso, obriga-los a se deslocarem para agência bancárias ou casas lotéricas para pagar os boletos da AMS, mais do que irresponsabilidade, é covardia.

Além disso, desde que a mudança foi implementada pela gestão da Petrobras, os pensionistas vêm enfrentando uma série de dificuldades para ter acesso aos boletos e, quando conseguem, já estão com o prazo de vencimento em cima da hora. 

A FUP orientou todos os sindicatos a ingressarem com ações na Justiça, para reverter a mudança imposta pela direção da empresa e restabelecer o desconto em folha da AMS. Até esta quarta-feira, 13, além do Sindipetro-BA, os sindicatos do Norte Fluminense, Duque de Caxias e Unificado de São Paulo e Sindipetro-ES também conquistaram liminares neste sentido.

[FUP, com informações do Sindipetro-BA]

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Em resposta à denuncia do Sindipetro-CE/PI, de que 93% dos trabalhadores de duas plataformas marítimas do Ceará testaram positivo para covid-19, o procurador Ministério Público do Trabalho, Carlos Leonardo, determinou procedimento preparatório para inquérito civil.

Dada a gravidade das denúncias apresentadas, Leonardo despachou notícia de fato solicitando informações imediatas à Petrobras, bem como a notificação da Secretaria Estadual de Saúde, a Promotoria da SAÚDE, a Promotoria da Comarca de Paracuru e a Vigilância Sanitária.

“Notifique a empresa denunciada para se manifestar sobre os fatos denunciados, no prazo de 5 dias, devendo demonstrar, através dos documentos respectivos a regularização dos atributos tidos por violados, inclusive apresentando plano de contingência que elaborou para desenvolver sua atividade em suas unidades localizadas no Estado do Ceará, sob pena de vir a ser objeto de auditoria de Fiscalização do Trabalho e Previdenciária, e posteriormente com o ajuizamento de ação civil pública com pedido de dano moral coletivo”, determinou o procurador.

Leia aqui a íntegra do documento.

[Com informações do Sindipetro-CE/PI]

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A Petrobras divulga nesta quinta-feira (14) seu balanço dos resultados do primeiro trimestre deste ano. Apesar da crise da Covid-19, os números devem ser bastante positivos. Isso porque a pandemia – que provocou forte redução tanto do consumo interno de derivados como dos preços de petróleo em todo planeta – chegou de maneira mais intensa ao Brasil na segunda quinzena do mês de março, ou seja, ao final do período de análise.

Segundo estimativas do Instituto Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a expectativa é que a empresa registre um lucro líquido em torno dos R$ 4,6 bilhões, o que significaria uma expansão próxima de 8,7% em relação o primeiro trimestre do ano passado. Isso caso não sejam incluídas no balanço elevadas receitas ou despesas extraordinárias, como impairments. Uma eventual desvalorização dos ativos por conta da queda dos preços, por exemplo, pode ter impactos significativos no resultado.

O EBITDA ajustado, que é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, deve girar próximo dos R$ 29,3 bilhões, segundo o Ineep. Esse montante é 6,7% superior ao registrado no primeiro trimestre no ano anterior. 


Tabela:  Estimativas do INEEP do Balanço da Petrobras 

 

 

Esse provável resultado positivo é fruto (i) do aumento expressivo na produção de petróleo, que proporcionou a elevação das exportações; e (ii) da ampliação do fator de utilização das refinarias, expandindo a produção de derivados que foram destinados às exportações. 

A produção de petróleo aumentou de 1,97 milhões de barris por dia (bpd) para 2,32 milhões bpd entre os primeiros trimestres de 2019 e 2020, respectivamente. Crescimento de 17,7%, comparado ao mesmo período em 2019, que representou uma expansão de 31,4 milhões de barris. Esse resultado deveu-se aos ramp-up (crescimento da curva de produção) dos sete sistemas que entraram em produção nos campos de Búzios (P-74, P-75, P-76 e P-77), Lula (P-67 e P-69) e Berbigão/Sururu (P-68). 

Essa expansão da produção foi, primordialmente, destinada à exportação de petróleo cru, que cresceu 28,1 milhões de barris entre 1T19 e 1T20. Isso deverá gerar um aumento expressivo das receitas de exportação da ordem de 54%. Cabe destacar que o principal destino das exportações de petróleo foi a China. 

Outra parte desse aumento da produção de petróleo (cerca de 4,8 milhões de barris) foi direcionada para a ampliação da carga fresca processada nas refinarias da Petrobras. O fator de utilização das refinarias de 75% no 1T19 para 79% no 1T20. Com isso, a produção de derivados cresceu 5,5% (de 1,7 milhões bpd no 1T19 para 1,83 milhões bpd no 1T20). 

Dada a queda nas vendas de derivados no mercado nacional (cerca de - 5,5%), a Petrobras direcionou o aumento da sua produção de derivados para o mercado externos. Segundo estimativas do Ineep, a receita de exportação de derivados deve crescer cerca de 100%, entre 1T19 e 1T20, em decorrência da expansão da quantidade exportadas (de 14,9 milhões de barris para 20,3 bilhões de barris) e dos preços estimados de exportação (de 264 reais por barril para 392 reais por barril). 

Esse expressivo desempenho na receita estimada das exportações de derivados está associado, principalmente, ao crescimento nas exportações de óleo bunker (combustível marítimo) e óleo combustível com baixo teor de enxofre com destino ao mercado asiático, principalmente em Cingapura, Hong Kong e China. De acordo com a companhia, esse aumento nas exportações está relacionado com a nova especificação mundial para combustíveis marítimos (IMO 2020), que reduziu o limite de teor de enxofre, criando uma vantagem competitiva para a Petrobras no mercado internacional. 

Segundo dados da Secex sistematizados pelo Ineep, as exportações de óleos combustíveis (diesel, bunker, fuel-oil etc.) cresceram mais de 140% entre 1T19 e o 1T20, saltando de 10,6 milhões de barris para 25,5 milhões de barris. Em valores, as exportações desses produtores aumentaram 168%, o que indica que o preço do barril do óleo combustível também cresceu. 

O bom desempenho no mercado externo (exportações de petróleo e derivados), portanto, poderá ajudar a compensar os efeitos negativos da crise no cenário brasileiro. É importante ressaltar que a produção do pré-sal, assim como de um amplo parque de refino com capacidade de produzir diferentes tipos de derivados permitem à empresa uma estratégia de vendas no exterior mais “flexível” atendendo diferentes tipos de mercados e diferentes tipos de demanda. 

O volume de vendas do diesel e da gasolina caiu em comparação ao primeiro trimestre 2019, respectivamente, 13% e 14%, mas o GLP teve um aumento de 3%, em função do maior consumo doméstico. 

Além do GLP, ocorreu também elevação no volume de vendas de nafta, que registrou uma expansão de 50% em relação ao 1T2019 motivado, por um lado, pelo crescimento da demanda pela Braskem nos dois primeiros meses do ano e, por outro, pelo maior uso do nafta ao invés do gás natural em alguns polos petroquímicos, como o polo Triunfo no Rio Grande do Sul. Segundo o Jornal do Comércio, “no ano passado, a nafta chegou a custar, em média, US$ 500 por tonelada – hoje, o preço está na faixa de US$ 120, com tendência de queda. (...) a rentabilidade das plantas à base nafta deverá se manter enquanto o preço do petróleo permanecer baixo, o que deve durar, pelo menos, até 2021”. 

No entanto, a expansão das vendas desses dois derivados não compensou a enorme queda das vendas da gasolina e diesel, que juntos representaram, no 4T19, cerca de 41% das receitas totais de vendas da Petrobras. 

Apesar dos resultados positivos operacionais e financeiros do balanço no primeiro trimestre de 2020, sobretudo na comparação com mesmo período do ano passado, cabe observar que há uma base de comparação deprimida (1T2019) no que diz respeito à produção de petróleo, em virtude de uma maior concentração de manutenções em plataformas no início de 2019. Quando se observam as comparações da produção e das vendas de petróleo e derivados entre 1T20 e 4T19, há sinais dos primeiros impactos da pandemia na estatal. Esses efeitos devem se aprofundar no segundo trimestre de 2020. 

Cabe ressaltar que parte desse bom resultado no trimestre, associado a expansão das exportações de derivados, está diretamente relacionada à produção das refinarias do Nordeste (RLAM e RNEST, principalmente) que só no primeiro trimestre produziram mais da metade dos óleos combustíveis da Petrobras. Isso evidencia o papel estratégico desses ativos. Atualmente, as refinarias da Bahia e de Pernambuco integram o plano de desinvestimentos da companhia e, se vendidas, podem vir a representar uma significativa perda receitas de vendas da Petrobras frente as novas demandas do mercado internacional, sobretudo no que diz respeito nova regulação IMO 2020. 

Se, por um lado, as exportações de derivados parecem ser uma alternativa oportuna para a Petrobras, no contexto da redução da demanda no mercado interno, a expansão da exportação de petróleo cru é marcada por incertezas estruturais, dado o atual cenário de crise e seus efeitos baixistas sobre o preço internacional do petróleo. Entre janeiro e março de 2020, por exemplo, enquanto preço do barril caiu significativamente, alguns derivados, como o próprio bunker, tiveram uma valorização nesse período. 

Os resultados do balanço da Petrobras devem sinalizar os primeiros efeitos dos impactos da pandemia, que tende a se aprofundar no segundo trimestre de 2020, principalmente se ocorrer uma queda global pelos produtos exportados pela Petrobras. Além disso, deve evidenciar a importância da Petrobras ter uma flexibilidade na gestão dos seus ativos, permitindo obter receitas relevantes atreladas as exportações de petróleo cru, bem como de derivados.

[Via INEEP]

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Um marinheiro de convés de barcaça da empresa Navemestra, que presta serviços ao Sistema Petrobrás no Terminal Aquaviário de Paranaguá (Tepar), testou positivo para Covid-19. 

Ele embarcou no dia 29 de abril. Em 03 de maio, após apresentar sintomas, foi encaminhado para investigação. O exame laboratorial (URT-PCR) foi coletado naquele mesmo dia. O resultado ficou pronto na última segunda-feira (11) e acusou positivo para a presença do novo coronavírus. O trabalhador se recuperou dos sintomas, está bem e em isolamento. 

O Sindipetro soube do caso através de denúncia anônima. Com o conteúdo da queixa em mãos, o Sindicato acionou a gerência local do Tepar, que afirmou desconhecer os fatos, mas respondeu com agilidade. De acordo com a gestão, a empresa terceirizada providenciou a desinfecção da embarcação e do píer, assim como a troca da tripulação. Os desembarcados foram submetidos a testes rápidos e todos acusaram negativo para a Covid-19. Trabalhadores de outras prestadoras de serviços que pudessem ter mantido contato com o infectado também realizaram testes rápidos. 

O Sindicato ainda reivindicou da gestão do Tepar a testagem dos empregados próprios, mas a resposta foi de que a princípio não haveria necessidade, pois nenhum esteve a bordo da barcaça naquele período. 

Por mais que as medidas adotadas pela terceirizada possam parecer satisfatórias, o que causa preocupação é o atraso na comunicação do caso. Foram oito dias desde o desembarque por suspeição de quadro contagioso até a confirmação da infecção do trabalhador. 

É inadmissível a omissão de informações por parte da terceirizada e a consequente exposição ao risco de muitos trabalhadores. 

Espera-se mais proatividade da gestão da Transpetro no Tepar em apurar os casos e divulgar um protocolo oficial de procedimentos, o que até o momento não ocorreu. 

O Sindipetro PR e SC está atento às situações que possam colocar em risco os trabalhadores e reafirma seu compromisso com o zelo à vida de todos. Cabe ainda reforçar algumas orientações aos trabalhadores que não podem ficar em isolamento domiciliar: usem os EPIs, evitem aglomerações e denunciem qualquer situação de risco ao Sindicato.

[Via Sindipetro-PR/SC]

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Com base em denúncias apresentadas pela FUP sobre uma série de irregularidades na mudança de gestão da Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS) dos trabalhadores do Sistema Petrobrás, o deputado federal Paulo Ramos (PDT/RJ) ingressou com representação junto ao Ministério Público Federal, cobrando investigação dos fatos. (Veja aqui a íntegra do docimento).

À revelia das entidades sindicais e descumprindo o Acordo Coletivo de Trabalho, a diretoria executiva da Petrobrás e o Conselho de Administração da empresa aprovaram uma alteração drástica na gestão do plano de saúde, que atende cerca de 246 mil petroleiros, aposentados e seus dependentes. A AMS deixará de ser gerida pelo RH, através do modelo de autogestão, e passará a ser administrada por uma entidade privada.

A direção da Petrobrás contratou uma consultoria, a Deloitte Touche Tohmatsu, para dar inicio à criação da entidade que será responsável pela gestão do plano. Só com essa consultoria, a estatal irá desembolsar R$ 600 milhões. Para a constituição do patrimônio da nova entidade, lá se vão mais R$ 2 bilhões. A gestão da empresa também contratou uma assessoria específica para coordenar a transição, ao custo de R$ 30 mil mensais.

Em live recente para os trabalhadores, o presidente da Petrobrás, Castello Branco, afirmou que a mudança aprovada irá melhorar a gestão da AMS, o que não é verdade. "Se essa mudança se concretizar, estaremos diante de um grande escândalo financeiro e moral", afirma o diretor da FUP, Paulo César Martin, que respondeu, em vídeo, as falácias do presidente da empresa sobre o plano de saúde dos trabalhadores.

Ao afirmar que a mudança de gestão do plano trará uma redução de custo de R$ 6,2 bilhões nos próximos 10 anos, Castello Branco só confirma os alertas da FUP, de que haverá prejuízos para os beneficiários. Quem pagará a conta dessa suposta economia são os trabalhadores da ativa e os aposentados e pensionistas, que serão impactados financeiramente e também com a queda da qualidade do atendimento. 

A AMS é um patrimônio da categoria petroleira, que sempre lutou muito pela sua sustentabilidade, contribuindo através da co-participação e garantindo, assim, a qualidade e abrangência do plano. "É clara a intenção desta gestão de destruir a assistência médica da categoria. Não vamos abrir mão da AMS e nem entregá-la aos mercadores da saúde", afirma Paulo César.


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[FUP]

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"A hibernação significa muito mais que uma forma de gestão da Petrobras no contexto de queda do preço do petróleo e da pandemia. Ao contrário, a hibernação é a nova modalidade da política de descaso e entrega da Petrobras. Representa uma estratégia que se aproveita da dificuldade de se organizar as mobilizações de resistência para acelerar o desmonte da empresa", afirma o geógrafo Francismar Cunha, mestre e doutorando em Geografia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Em artigo publicado no Blog do professor Roberto Moraes, o geógrafo analisa detalhadamente a relação entre as decisões da gestão Castello Branco, de colocar plataformas e campos de petróleo em "hibernação", e o processo de desmonte e venda da Petrobrás. 

"Francismar faz uma leitura a partir da localização espacial (com mapas de quatro bacias produtoras de petróleo no Brasil) que identifica os ativos de produção colocados em "hibernação" (eufemismo similar ao que gostam de usar como "desinvestimentos") e os que estão sendo colocados à venda (desinvestimentos) pela estatal", afirma Roberto Moraes. "Todo bom pesquisador começa trabalhando com as informações e junto com os estudos teóricos e as pesquisas empíricas, passa à fase de formulação de hipóteses, para se tentar interpretar o fenômeno que está observando", ressalta. 

"Neste caminho, o pesquisador Francismar Cunha conseguiu com a espacialização destas decisões corporativas, localizar o nexo de negócios que expõe de forma clara, que a atual direção da Petrobras, enxerga e usa a pandemia, como "janela de oportunidades" para radicalizar, o processo de desmonte da companhia, cumprindo desejo dos seus maiores investidores, a quem na verdade, representam, exclusivamente", conclui o professor Roberto Moraes.

Confira o texto na íntegra:


A hibernação como nova política de descaso e entrega da Petrobras 

[Publicado originalmente no Blog do Roberto Moraes]

Nos últimos anos nota-se uma brusca mudança na diretriz da gestão da Petrobras e isso tem engendrado uma crescente privatização da empresa. Este processo incide por vários segmentos da petroleira, indo desde a produção até a distribuição. Nessa conjuntura, a empresa bem como seus trabalhadores próprios e terceirizados tem seus futuros marcados por incertezas. 

Várias subsidiárias da Petrobras já foram vendidas como é o caso da Transporte Associado de Gás (TAG), da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), da Liquigás, da BR distribuidora e etc. Do mesmo modo, vários campos de produção onshore e offshore também já foram vendidos. Para exemplificar, somente na Bacia Potiguar foram vendidos 34 campos terrestres para a Petrorecôncavo, na Bacia de Campos os campos de Enchova, Pampo, Vermelho, Pargo, Carapeba, etc. também já foram vendidos. Todas as vendas da Petrobras somavam 24 bilhões de reais, o que correspondia a 60% do lucro da empresa em 2019 segundo o economista Cláudio da Costa Oliveira. 

Para além dos ativos vendidos, chama à atenção a verdadeira liquidação que a atual gestão da Petrobras vem fazendo conforme aponta sua página de “relações com investidores” (teasers). A empresa vem sendo ofertada ao mercado em fatias e nesse movimento já foi colocada à venda as suas participações em usinas eólicas, no segmento de bicombustíveis e até mesmo no refino onde nove refinarias foram oferecidas ao mercado. Soma-se a isso, a inserção de dezenas de campos e blocos colocados a venda nas diferentes bacias. Nas bacias Pará-Maranhão, Ceará, Potiguar, Tucano do Sul e Pelotas a Petrobras colocou todos os seus blocos exploratórios e campos a venda. Até o dia 07/05 na bacia do Solimões três campos haviam sido colocados a venda e um (Azulão) já foi vendido. Na Bacia Sergipe-Alagoas 19 campos e 19 blocos estavam a venda, na bacia do Espírito Santo 34 campos e 3 blocos estavam a venda, além disso, 3 campos já haviam sido vendidos para a Imetame. Na bacia do Reconcavo 38 campos e 8 blocos estavam a venda, em Camanu 1 campo, na bacia de Santos 4 campos e na bacia de Campos 24 estavam a venda, e desses, 7 haviam sidos vendidos juntamente com 1 bloco. Vale ressaltar ainda que a Petrobras também vendeu participações e percentual de participações em campos e blocos do pré-sal como o caso do campo Carcará (antigo BM-S-8) para a Equinor, a participação 35% no campo Lapa na bacia de Santos para a Total, dentre outros. 

Atualmente, a gestão da petroleira vem utilizando estratégias que poderão acelerar o processo de privatização e que tem diretamente efeitos econômicos e também sobre o trabalho. Uma delas consiste no programa de hibernação de plataformas. A Petrobras iniciou em abril o processo de hibernação de 62 plataformas em campos de águas rasas nas bacias de Campos, Sergipe, Potiguar e Ceará. De acordo com a Petrobras, as plataformas que serão hibernadas não têm viabilidade econômica para operar no contexto atual com os baixos preços do petróleo e a queda da demanda devido à pandemia de COVID-19. 

O mesmo argumento de que não há viabilidade econômica utilizada para a venda de campos maduros, se repete agora para hibernar plataformas. Contudo, produção de muitos campos que estão sendo vendidos pela Petrobras deve dobrar ou triplicar de acordo com a avaliação da ANP em função dos investimentos realizados nesses campos. Investimentos esses que a gestão da Petrobras, desde a era Temer, não vem fazendo. 

Em meio a isso, destaca-se o curioso fato de que as plataformas hibernadas das bacias de Sergipe, Ceará e Potiguar são exatamente aquelas que se localizam em campos que estão com anúncio de venda. O mesmo acontece com a maior parte das plataformas que estão em processo de hibernação na bacia de Campos. Os mapas a seguir demonstram esta constatação. Os mapas ampliam a evidência de que não se trata de uma coincidência e sim um estratégia em que a hibernação se tornou estratégia corporativa de negócios escusos e de privatização em larga escala de grande quantidade de ativos da Petrobras. 

O primeiro mapa (Mapa 1) sobre a Bacia de Campos localiza as plataformas hibernadas e os campos de petróleo colocados à venda. No Mapa 2, estão apontados os campos e blocos colocados à venda na Bacia Sergipe-Alagoas e no Mapa 3, os campos vendidos e com anúncio de venda nas bacias do Ceará e Potiguar. Assim, a Petrobras, reduz-se ao mínimo com a produção para se tornar uma empresa pequena (enxuta) e caminhando para se fixar apenas, e quase somente, no Pré-sal e Bacia de Santos, como deseja os investidores.
 

Mapa 1: Plataformas hibernadas e campos à venda na Bacia de Campos até 07/05/2020

 
Foto: Blog do Roberto Moraes

 Mapa 2: Campos e blocos com anúncio de venda pela Petrobras na Bacia de Sergipe-Alagoas

 

Foto: Blog do Roberto Moraes

 Mapa 3: Campos vendidos e com anúncio de venda nas bacia do Ceará e Potiguar

 

Foto: Blog do Roberto Moraes

Logo, a hibernação das plataformas nada mais é do que uma forma de acelerar e aprofundar o desmonte da Petrobras que vem sendo intensificado pela gestão Castello Branco. Aproveitam-se assim, do que chamam de “janela de oportunidades” gerada pelos efeitos da Covid-19. Afinal, em meio à pandemia, as mobilizações para resistir a essas medidas tendem a ser menores e mais difíceis.  

Os trabalhadores da petroleira dessas plataformas serão realocados para outros ativos sem garantia nenhuma de retorno, além disso, tem-se a política de desligamento voluntário da empresa que faz com que muitos deixem a companhia. Essas e outras medidas nada mais são do que formas de erodir a mobilização dos trabalhadores. 

Além disso, a hibernação implica ainda em outros prejuízos. Do ponto de vista do trabalho a hibernação tende a levar a demissão de trabalhadores terceirizados. Por outro lado, tem-se a consequência econômica onde juntamente com a queda da produção ocorrerá a queda da arrecadação de royalties, o aumento do desemprego em toda cadeia produtiva e também no setor hoteleiro, comércio e afins. O que trará uma dificuldade adicional para os municípios conforme nota do Sindipetro-NF. 

Vale ressaltar ainda que a hibernação se estende para além das plataformas, tem-se a hibernação de campos terrestres e também da fabrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados (ANSA). Essa ultima em especial, também colocada a venda. 

Em resumo, a hibernação significa muito mais que uma forma de gestão da Petrobras no contexto de queda do preço do petróleo e da pandemia. Ao contrário, a hibernação é a nova modalidade da política de descaso e entrega da Petrobras. Representa uma estratégia que se aproveita da dificuldade de se organizar as mobilizações de resistência para acelerar o desmonte da empresa.

[Via Blog do Roberto Moraes]

Publicado em Sistema Petrobrás

A paralisação das atividades dos campos terrestres de petróleo na Bahia – assim como em outros estados do Nordeste e Norte do Espírito Santo – pode provocar um impacto gigantesco na cadeia de produção de petróleo e consequentemente na economia de diversos municípios e estados. No caso da Bahia, além da demissão de cerca de 4 mil trabalhadores terceirizados e transferência de 900 empregados diretos da estatal para outros estados, a hibernação desses campos afeta uma grande cadeia de negócio e de produção da primeira e da segunda geração da indústria podendo provocar, entre outros danos, o desabastecimento do mercado nacional de parafinas. É como um efeito dominó, que só para quando todas as peças estiverem no chão, destruídas.

Entenda

A indústria do petróleo funciona em cadeia, mobilizando atividades diversas em vários setores da economia. A Bahia é um bom exemplo para entender como esse mercado funciona, pois foi nesse estado, na cidade do Salvador, que em 1939, jorrou o petróleo pela primeira vez no Brasil, na zona rural de Lobato. Em 1941 o óleo negro passou a ser comercializado, a partir da descoberta do poço Candeias 1. Descoberta essa que, em 1953, levou à oficialização do monopólio estatal sobre a atividade petrolífera e a criação da empresa “Petróleo Brasileiro S.A.”, mais conhecida como Petrobras. Até 1965, a Bahia foi o único estado nacional a produzir petróleo.

Foi no recôncavo baiano que a empresa deu inicio à sua exploração e produção do petróleo na chamada RPBA (Região de Produção de Petróleo da Bahia) hoje denominada UO-BA (Unidade Operacional da Bahia). Como é intrínseco à atividade, logo surgiu a necessidade de processar esse óleo e seus derivados. Assim, em 1948, foi criada a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), no município de São Francisco do Conde, próximo à cidade de Candeias, onde o promissor campo de petróleo atuava a todo vapor produzindo, no seu auge, cerca de 10 mil barris de petróleo por dia.

Um dos objetivos da construção da RLAM foi diminuir os custos da transferência do petróleo que era enviado para o Rio Grande do Sul para ser processado na refinaria Ypiranga (primeira do Brasil).

Mas a produção do óleo do recôncavo baiano trazia mais um desafio: o gás. Para dar vazão a esse derivado do petróleo foi criada a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados, a FAFEN (antiga Nitrofértil), localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, que no ano de 1993 foi incorporada à Petrobrás. A partir da Bahia, a produção de petróleo e gás em campos terrestres avançou Nordeste afora.

Tendo como ponto de partida a produção da UO-BA nasceu uma grande indústria ancorada na produção do petróleo e seus derivados explorados nos campos terrestres da Petrobrás.

Esse foi só o começo de uma grande história que levou à ampliação do Sistema Petrobràs, à criação do Polo Petroquímico de Camaçari – o mais integrado do hemisfério Sul – e à aceleração do desenvolvimento econômico da Bahia. 

Valor agregado

Mas a integração da cadeia produtiva de petróleo tem infinitas possibilidades de geração de atividades e de empregos. O petróleo produzido nos campos de terra tem um alto teor de parafínicos na sua composição, que é o petróleo que mais agrega valor na sua cadeia produtiva porque dá inicio a uma cadeia de lubrificantes, tipo de óleo – mais caro por causa das suas especificações – muito utilizado em diversas indústrias a exemplo da locomotiva. Além dos lubrificantes há o mercado de parafinas, produtos que estão presentes em vários tipos de indústrias a exemplo das de cosméticos.

Só há duas refinarias da Petrobrás com capacidade para processar esse tipo de petróleo: a Refinaria de Duque de Caxias (REDUC) e a Refinaria Landulpho Alves (RLAM). Na REDUC, após processamento, 20% desse óleo vira parafínico e 80% lubrificante. Já na RLAM acontece o contrário, 80% do óleo processado se transforma em derivados parafínicos e 20% em lubrificantes.

Dentro da cadeia de petróleo esses são os derivados de maior valor agregado, mas perdem em escala porque sua produção é menor.

Portanto, vimos que a partir do petróleo tem-se uma gama de produtos que podem ser gerados e que alimentam indústrias da segunda geração como cosméticos (creme, batom), alimentação (proteção para frutas e queijos), revestimentos (vernizes). Enfim, uma cadeia que nasce a partir do processamento desse petróleo que é produzido no recôncavo baiano e na região do nordeste.

Na Bahia, esse tipo de petróleo, conhecido como petróleo baiano, é processado na unidade 9 (U-9) na RLAM. Atualmente a U- 9 processa 112000 m3 de petróleo baiano e nordestinos de terra (Sergipe terra e outros) na campanha de lubrificantes e parafinas e mais 96 000m3 de nordestinos na campanha de combustíveis. Além disso na campanha Baiano a U-9 produz carga para as Unidades 30 e 31, cujo principal produto é N-C10/C13, matéria prima para a empresa Deten, localizada no Polo de Camaçari, produzir insumos para as indústrias de detergentes e sabão em pó que com a pandemia teve seu consumo ampliado.

Logística

Há várias fábricas de velas localizadas próximas à RLAM, em diversos municípios no entorno da refinaria, no Centro Industrial de Aratu (CIA) e Polo de Camaçari. Elas consomem diariamente diversas toneladas de parafina processadas pela RLAM a partir do petróleo produzido na UO-BA através de seus vários campos terrestres.

Muitos empresários, como o da fábrica de velas Luz Divina, pertencente ao grupo Guanabara, proveniente de Curitiba, optaram por abrir as suas fábricas na Bahia para eliminar a figura do intermediário, comprando diretamente do produtor, a RLAM.

Mas essa proximidade não surtirá mais efeito. Além disso, a escassez da parafina na Bahia pode levar ao aumento do preço da vela e à crise no setor, gerando o fechamento de fábricas e o desemprego.

O diretor do Sindipetro Bahia, que também é funcionário da RLAM, Attila Barbosa, vê na movimentação da atual gestão da Petrobrás uma articulação orquestrada para quebrar a cadeia de petróleo no Nordeste e assim justificar a venda e fechamento de unidades da estatal. “A Petrobrás transformou em commodities o preço do gás produzido por ela mesma, inviabilizando economicamente as suas próprias fábricas de fertilizantes. Ao passar a cobrar de si mesma o gás a preço internacional a Petrobrás decretou o fechamento das Fafens Bahia, Sergipe e Araucária, saindo do negócio de fertilizantes”.

Com a FAFEN parada, no caso da Bahia, não há mais demanda de gás, o que acaba inviabilizando a produção de gás dos campos terrestres da UO-BA, tornando esses campos também inviáveis financeiramente.

Além de todo esse prejuízo, a paralisação das atividades dos campos terrestres da UO- BA (já há cinco sondas paralisadas no Campo de Dom João) pode afetar não somente a U-9 na RLAM, mas também outras unidades da refinaria como as unidades 11, 12, 13, 16, 18, 23 e 24, que de uma forma ou de outra fazem parte da cadeia de parafínicos e lubrificantes, alerta Attila, ressaltando que isso atingirá a força de trabalho e os resultados financeiros da refinaria. “Há uma integração no Sistema Petrobrás que é base e fortaleza de qualquer empresa petrolífera e ela está sendo quebrada para justificar a entrega e privatização dessa grande empresa, orgulho dos brasileiros”. 

[Via Sindipetro Bahia]

Publicado em Sistema Petrobrás

A partir desta quarta-feira, 13, as comissões de negociação permanente previstas no Acordo Coletivo de Trabalho do Sistema Petrobras voltam a se reunir, dessa vez virtualmente. O RH da Petrobrás aceitou a proposta de calendário encaminhada pela FUP no dia 04/05, mas ainda não se manifestou sobre a cobrança de prorrogação do ACT até novembro. 

Reuniões da comissões permanentes de negociação:

13/05 –Acompanhamento do ACT (15 horas)

14/05 – Comissão de SMS (15 horas)

15/05 – Comissão de AMS (14 horas)

15/05 – GT AMS (16 horas)

[FUP]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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