O Sindipetro-RS, juntamente com o coordenador da FUP, Zé Maria Rangel, e os deputados federais Elvino Bohn Gass (PT) e Henrique Fontana (PT), os estaduais Pepe Vargas (PT), Fernando Marroni (PT), Luciana Genro (PSOL), Issur Koch (PP), Dirceu Franciscon (PP) os prefeitos de Canoas, Luiz Carlos Busato (PTB), de Rio Grande, Alexandre Lindenmeyer (PT), e de Imbé, Pierre Emerim (PT), o Vereador de Canoas, Cris Moraes (PV) e, ainda, representantes dos deputados Fábio Branco (MDB) e Elton Webber (PSB), estiveram em audiência com o governador Eduardo Leite nesta segunda-feira (2), no Palácio Piratini. O objetivo foi levar para o conhecimento do governador os números que compravam as enormes perdas que o Estado terá, caso se concretize a privatização da Refap e dos terminais da Petrobrás nas cidades de Canoas e Osório.

O dirigente do Sindipetro-RS, Dary Beck Filho, entregou para o governador um documento com estudos técnicos que detalham as perdas nas arrecadações que o estado e os municípios terão com a venda da refinaria. Dary destacou que o grande ativo da Refap é o mercado e o seu parque de tanques e, dependendo do cenário econômico, quem comprar a estatal poderá optar por trazer combustíveis do exterior e, assim, hibernar a Refap. Também foi falado sobre as consequências que isso vai trazer para o agronegócio e o transporte, dois ramos que representam 30% do orçamento do estado, e que será afetado diretamente com o aumento dos preços dos combustíveis, principalmente o diesel, caso a refinaria seja vendida.

O coordenador da FUP, Zé Maria Rangel, destacou que a própria Petrobrás, no teaser de venda, coloca que a Refap privatizada irá gerar um monopólio privado no mercado. Zé Maria lembrou que a direção da empresa está indo na contramão das grandes empresas internacionais que investem no produção de derivados que possuem maior valor agregado. 

Já o prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato, entregou ao governador um estudo, elaborado pelo município, sobre os impactos negativos da privatização. Segundo ele, a cidade de canoas deixará de arrecadar anualmente R$ 140 milhões: "será um desastre para o município de Canoas a privatização da Refap". Na sequência, os prefeitos de Imbé e Rio Grande defenderam a importância da Petrobrás estatal na geração de recursos para os municípios e para o estado.

O deputado estadual Pepe Vargas, que preside a Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Petrobrás, também entregou um documento em nome da Frente, destacando que a presença da Petrobrás no RS gera renda, empregos, tributos, estimulando a inovação tecnológica e contribuindo decisivamente para o desenvolvimento econômico e social.

O governador Eduardo Leite informou que formará um grupo de trabalho para analisar os documentos entregues pelos representantes. Leite se comprometeu, ainda, em chamar, até o final de setembro, uma nova audiência com o grupo para comunicar os resultados dos estudos do governo e, então, anunciar a posição do Estado.

[Via Sindipetro-RS]

Publicado em Sistema Petrobrás

A cúpula da Petrobrás anunciou, na manhã desta segunda-feira, 2, a decisão de prorrogar a validade do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT-2017/2019), por 30 dias, ou enquanto durar o processo de mediação da negociação promovido pelo Tribunal Superior do Trabalho – TST.

Na última quinta-feira, 29, quando ocorreu a primeira reunião no Tribunal, os representantes da Petrobrás, conforme Ata de Reunião, alegaram “dificuldade para prorrogar o ACT de forma integral, considerando as compreensões da empresa acerca da presente situação”.

Com a concordância da Petrobrás, as federações de trabalhadores (FUP e FNP) aceitaram prosseguir no procedimento de mediação, devendo o processo incluir as subsidiárias da controladora, assim como a Araucária Nitrogenados S. A.

O calendário de negociações mediado pelo TST prevê a realização de reuniões no dia 4/09, com a Petrobrás, no dia 5/09, com as Federações e Sindicatos, e uma reunião conjunta no dia 10/09.

Mediação

Sem ao menos aguardar a conclusão das consultas aos trabalhadores, que apreciavam a terceira contraproposta de ACT, apresentada em mesa de negociação, a Petrobrás solicitou a mediação do TST no processo, alegando “busca de condições de diálogo”.

Em algumas bases, como no caso do Rio Grande do Norte e do Norte-fluminense, o calendário de assembleias deliberativas estendeu-se até a última sexta-feira, 30, registrando uma acachapante rejeição à oferta da Direção da Petrobrás.

Além da recusa à contraproposta, a categoria aprovou a continuidade das negociações nos pontos divergentes; a prorrogação dos efeitos do ACT vigente, enquanto a negociação estiver em curso; e a deflagração de greve, em caso de retirada de algum direito, durante o processo negocial.

Todavia, já em consequência da solicitação encaminhada pela Petrobrás, o TST convocou a reunião realizada na última quinta-feira, com a presença da empresa, na condição de requerente, e das representações sindicais dos trabalhadores (FUP e FNP).

Na ocasião, os representantes das federações reiteraram estranheza com o fato de a empresa ter procurado o Tribunal, pois não havia, como não há, da parte dos trabalhadores, qualquer indisposição para negociar.

Lembrando que, desde 2013, o ACT vem sendo renovado com recomposição da inflação acumulada no período, os representantes sindicais frisaram que a pauta reivindicatória da categoria foi apresentada à Petrobrás em 15/05.

Desde então, porém, ocorreram iniciativas da empresa que dificultaram a negociação, como as tentativas de mudança nas tabelas de turno, sem discussão com as entidades de trabalhadores; o tratamento dado à PLR; e a adoção de práticas antissindicais.

No TST, ante o apelo ao diálogo, sem menosprezar o Tribunal como uma via a ser considerada, mas entendendo que a mediação do órgão só deveria ocorrer após o esgotamento das negociações, as representações sindicais manifestaram-se em favor da prorrogação dos efeitos do atual ACT e da manutenção do processo de discussão em mesa de negociação, na própria empresa.

No entanto, segundo consta da Ata da Reunião Bilateral de Trabalho, a Petrobrás alega ter “a convicção de que foi exaurido o diálogo na mesa de negociação direta, tendo avançado em sua proposta, sem que os requeridos tenham mudado sua posição inicial”.

Diante do impasse, afirmando que “uma das principais preocupações da Vice-presidência (do TST) consiste na busca de condições de diálogo, o que tem como um dos elementos importantes a garantia dos instrumentos coletivos enquanto não se chega a um consenso”, o TST propôs que a Petrobrás prorrogasse os efeitos do ACT vigente e que desse continuidade à mediação no Tribunal, estipulando o prazo de 10h da segunda-feira, 2, para que respondesse se aceitaria ou não.

Hipocrisia

Na atual campanha reivindicatória de renovação do ACT, o comportamento da cúpula dirigente da Petrobrás tem causado crescente desconforto e revolta, mesmo entre trabalhadores ocupantes de cargos.

A gota d’água que fez transbordar a indignação com a hipocrisia foi o descarado assédio a que, recentemente, foram submetidos gerentes, supervisores, coordenadores e chefes. Um vergonhoso enquadramento, suavizado como “alinhamento estratégico”, que os coagiu a comparecer às assembleias para interceder em favor da indecorosa proposta da cúpula.

Visivelmente constrangidos, muitos dirigentes que jamais haviam pisado numa reunião de trabalhadores resolveram se expor. Outros, que já não participavam há anos, também deram o ar da graça. Alguns, que em outros tempos seriam chamados de “dedo-duro”, chegavam a saltitar entre colegas, apontando câmeras de celulares com a maior desfaçatez.

Apesar disso, no RN, como em todo o país, o resultado dessa tática foi uma contundente derrota. O movimento sindical jamais impediu a participação de ocupantes de cargos em instâncias de deliberação da categoria. O que se deseja é que qualquer participante o faça de livre e espontânea vontade, e que, democraticamente, seja capaz de acatar a vontade da maioria.

Com expressivas votações, numa das consultas mais representativas já realizadas, petroleiros e petroleiras de todo o Brasil decidiram rejeitar a contraproposta rebaixada da empresa. Um resultado avassalador, que também contribuiu para fragilizar as bases de sustentação interna da cúpula da empresa, provocando o surgimento de dissenções e fissuras.

[Via Sindipetro-RN]

Publicado em SINDIPETRO-RN

A Justiça do Trabalho de Macaé julgou procedente e condenou a Petrobrás ao pagamento de indenização no valor de R$ 1 milhão, a ser revertida ao Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT, por danos coletivos. A ação proposta pelo SINDIPETRO/NF, busca o reconhecimento da existência de exposição à hidrocarbonetos (benzeno e nafta) pelos trabalhadores da plataforma P-40.

De acordo com a advogada Isabela Celjar, integrante do escritório Normando Rodrigues e Advogados, a juíza da 2ª Vara do Trabalho “reconheceu a existência de risco ocupacional oriundo da exposição aos agentes químicos benzeno e nafta à todos os trabalhadores lotados em P-40, condenando a Petrobrás à reavaliação da exposição ocupacional e a estabelecer programas de conservação da saúde do trabalhador”.

O SINDIPETRO-NF não se furtará de representar os trabalhadores na busca de melhorias na saúde e segurança de todos os trabalhadores do norte fluminense.

Processo referência: 0001882-03.2013.5.01.0482

[Via Sindipetro-NF]

Publicado em SINDIPETRO-NF

Guilherme Estrella, geólogo e ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobrás entre os anos de 2003 e 2012, é considerado o “Pai do Pré-Sal”, rótulo que rejeita de pronto. Mas essa é a imagem que fica para quem decidiu seguir no que considera um “investimento de risco, mas não sorte” que resultou na maior descoberta de petróleo dos últimos 50 anos em todo o mundo. 

Estrella, que esteve recentemente em Curitiba para visitar o ex-presidente Lula, deu uma longa entrevista aos jornalistas do Sindipetro-PR e CUT-PR sobre o papel da empresa estatal ao assumir o risco dos investimentos para descobrir o Pré-Sal. Também revelou como a Shell abriu mão desta mesma descoberta por falta de conhecimento técnico e medo de investir no Brasil, analisou o papel da imprensa nas notícias relacionadas à descoberta e falou sobre a soberania nacional e o desenvolvimento industrial ligados à questão energética. 

Para o geólogo, que também foi gerente de Exploração da Petrobrás no Iraque, desde a descoberta de um enorme campo de petróleo em águas brasileiras, entre os anos de 1976 e 1978, o povo está sendo saqueado. “Estão entregando todo o esforço de construção de uma infraestrutura para servir um mercado que tem um potencial de crescimento gigantesco. Quem investiu na Petrobrás, os proprietários da Petrobrás somos nós, o povo brasileiro. Quer dizer que o cidadão brasileiro está sendo roubado. Está sendo saqueado nos seus direitos de proprietário da Petrobrás por um governo que quer esquartejar o sistema e vender as refinarias”, afirmou.

Confira a íntegra da entrevista: 

O que o pré-sal representa, ou poderia ter representado, para o Brasil?

Guilherme Estrella: É uma pergunta boa para início de conversa. Mas ela exige uma certa reflexão do que nos levou a descoberta do pré-sal. Isso é importante porque o Brasil sempre foi carente de combustíveis, como petróleo e gás natural.   

Nós atingimos a autossuficiência em 2006 com a descoberta do petróleo na Bacia de Campos, mas a perdemos logo. Somos a 9º economia do mundo e um país deste tamanho e com esta economia, se tiver uma boa distribuição de renda, tem potencial para consumir 3, 4 , 5 milhões de barris por dia, fácil. 

Com a ascensão do presidente Lula à Presidência da República, a Petrobrás retornou a ter liberdade de expansão na área de exploração e produção. Não ficamos restritos apenas à Bacia de Campos.  Foi assim que nós fizemos. Batemos na Bacia de Santos, ao sul da Bacia de Campos, uma área muito próxima.

Essa área do pré-sal estava aberta para exploração de empresas estrangeiras, mas elas não investiram. Porque a atividade de exploração é muito arriscada e então essas empresas não querem correr riscos. Já a Petrobrás expandiu as suas atividades para outras bacias correndo esse risco. A exploração é arriscada, mas não é uma loteria.

É preciso enfrentar esse risco não com a sorte, mas com competência. Para isso são necessários profissionais extremamente qualificados e comprometidos com a missão da empresa e foi isso que fizemos. Foram brasileiros, de uma empresa brasileira, com uma competência diferenciada. A Petrobrás está, seguramente, entre as mais competentes e não a mais competente e o Pré-Sal é produto disso. De uma decisão política do governo brasileiro associada à competência de um quadro de técnicos e administradores muito bem treinados que nos propiciaram correr esse risco de uma maneira responsável.

Guilherme, a Shell chegou perto de descobrir a Pré-Sal, não é isso?

Estrella: É verdade. A Shell tinha um bloco de concessão e é importante dizer porque a descoberta do Pré-Sal tirou esse risco.  O governo brasileiro, então, transformou o modelo de gestão do setor petrolífero, passando de concessão para partilha de produção. A diferença entre estes modelos é que, basicamente, no modelo de concessão o operador é proprietário do petróleo que ele descobre em áreas de alto risco para atrair o investidor. Já no regime de partilha de produção, como foi no começo do Pré-Sal, a propriedade do petróleo passa a ser da União e você ressarce o operador dos custos que ele teve dentro de um procedimento negociado.

A Shell detinha um bloco de concessão, ou seja, o petróleo que ela descobrisse era dela. Aí vem a diferença entre a Petrobrás e as outras companhias estrangeiras e privadas. A Shell não quis correr o risco, são poços muito caros. Despendemos, somente em um poço, US$240 milhões e a Shell não quis correr o risco financeiro para enfrentar o risco geológico.  Então é uma grande diferença com uma empresa que tem compromisso com o desenvolvimento nacional.

Um ponto importante que é da competência geocientífica das empresas: a Shell não avaliou, com a devida competência, o prêmio que ela teria se ela investisse mais US$ 100 milhões naquele poço. Por que não avaliou? Porque não teve competência.

Quando tiramos a sonda para sair da Bacia de Campos para ir até a Bacia de Santos, nós sabíamos que a grande geração de petróleo estava muito abaixo do sal. O Sal é uma camada impermeável, ou seja, o Petróleo é gerado lá embaixo, migra por caminhos permeáveis e chega embaixo do sal e lá fica. É um conhecimento que parece trivial de explicar, mas que tem uma base científica muito pesada, mas muito pesada mesmo. Isto apenas reflete a competência do quadro técnico da companhia que permitiu a empresa a dizer “vamos apostar, nós vamos correr o risco consciente que podemos bater em grandes reservas petrolíferas embaixo do sal” e isso a Shell não tinha.

Após a descoberta do Pré-Sal e durante um período subsequente, a chamada grande imprensa desacreditou do seu potencial. Como o Senhor encarou isso?

Estrella: Excelente pergunta. É que nossa mídia ela tem um posicionamento ideológico, ela não é nacionalista. Tem um articulista de “O Globo”, o (Carlos Alberto) Sadenberg, que escreveu um artigo dizendo o seguinte: “o pré-sal é uma grande mentira”, enganando o povo brasileiro. É uma posição ideológica e sem base científica nenhuma.

Eles tinham consciência que tínhamos batido em uma baita de uma riqueza brasileira. Isso para eles, sendo feito por uma empresa estatal, era uma ameaça. Não casava com a concepção de sociedade, país e mundo que eles têm que é contra empresas estatais. As Organizações Globo estão aí e todo mundo sabe a coloração ideológica da Globo. Essa foi a razão. Eles quiseram desacreditar junto à opinião pública de um fato que eles sabiam que se continuasse daquela forma, se não fosse “torpedeada” essa informação, ia dar no que deu. A descoberta da maior província petrolífera do planeta nos últimos 50 anos.

E como instrumento de Desenvolvimento para o Brasil? Como o Senhor vislumbrava o futuro do Pré-Sal?

Estrella: O Brasil nunca teve energia. Nós sempre fomos carentes neste setor. Nós tínhamos carvão mineral, o que temos não tem as qualidades energéticas que tem o carvão europeu e norte-americano, sem desmerecer o produto nacional. Mas, então, o Brasil sempre foi carente de energia. A grande matriz energética brasileira sempre foi a eletricidade, com a maior participação. Mas era insuficiente. Um país gigante e rico, mas sem energia.

Você não pode fazer um programa de desenvolvimento industrial sendo dependente de energia, pois com um apagão você para as fábricas. Então a Bacia de Campos nos proporcionou um instante de autossuficiência, em um país que estava iniciando seu processo de crescimento e logo essa autossuficiência foi perdida. Por isso eu digo que não a conquistamos, pelo nosso baixo desenvolvimento fomos atingidos por ela.

Para, efetivamente, o Brasil se apropriar e se desenvolver autonomamente, com soberania, a nossa grande potencialidade como País, era preciso uma reserva de Petróleo e Gás Natural de acordo com a nossa potencialidade e isso é muita energia.

Foi quando descobrimos o Pré-Sal que chegou com essa consciência da necessidade energética que nós já tínhamos. A consciência de que a Bacia de Campos não seria o suficiente para nos sustentar por um período longo de desenvolvimento. Então a expansão da atividade exploratória foi uma consequência imediata e apoiada por um governo que tinha essa postura nacionalista. Foi isso que aconteceu.

Nós ainda descobrimos o Pré-Sal em frente à região mais consumidora de energia no Brasil. Então chegou, naquele quebra-cabeça do desenvolvimento, uma peça importantíssima: a segurança energética para 50 anos e a possibilidade de fazer um projeto de nação desenvolvida e soberana. Esse sentimento nós já tínhamos.

Quando batemos no Pré-Sal, furamos o primeiro poço, o segundo e nossos mapeadores de ofício correlacionaram os resultados em uma grande área. Tudo levava a crer que há uma grande probabilidade de estarem em toda essa área, que é gigantesca. Ela vai de Cabo Frio até Laguna, abaixo de Florianópolis.       

Qual seu sentimento com relação à venda de reservas do Pré-Sal?

Estrella: Eu me sinto como um cidadão brasileiro, que tem uma riqueza gigantesca, indispensável para nossa soberania e nosso desenvolvimento econômico e social. Estamos entre os 10 países mais desiguais do mundo, temos uma dívida social enorme. Eu vejo dessa forma.

Outro dia eu estava em uma audiência pública na Câmara dos Deputados e uma das pessoas que estavam participando disse que a Petrobrás não podia ser operadora única do Pré-Sal “porque acreditamos que a competição é que produz o desenvolvimento tecnológico e da eficiência industrial”. Não houve o debate porque não tínhamos tempo, mas depois eu esclareci, porque primeiro, na parte do desenvolvimento tecnológico, a Petrobrás ganhou dois prêmios da OTC, que é considerado o Prêmio Nobel da indústria petrolífera internacional, como uma empresa monopolista. Então, a competição não é bem isso. A produção industrial de bens depende de conhecimento, empreendimento, investimento, essa coisa toda. Segundo, a área do Pré-Sal estava aberta, por que a Shell não descobriu? Por que não investiram?

Uma vez eu chamei essas empresas estrangeiras de petróleo no Brasil de corsários. São verdadeiros corsários. Os piratas eram livres atiradores, os corsários operavam com a produção de seus países. E essas empresas são representantes dos interesses dos países dos quais são originárias. Fazem parte de uma estratégia de seus países sedes, estratégias geopolíticas. Não estão aqui como uma simples empresa. São representantes da indústria, do conhecimento científico e da tecnologia das suas próprias sociedades. Então elas têm que obter lucro e remeter esse lucro para fora. O Pré-Sal veio dar isso.

A Petrobrás competiu e venceu a competição. Qual é a companhia no mundo que compete e vence a competição e você obriga essa companhia a se desfazer desse grande recurso que naturalmente, pela sua competência, encontrou e identificou, não é? Onde é que está a meritocracia?

A história dessas empresas no Brasil é serem corsários. Elas vêm na nossa esteira. A Petrobrás descobre, o sistema abre novos blocos, aí elas vêm para cima, mas não investem, não correm o risco. Quando se abre esses blocos, estão prejudicando e sepultando todo o esforço da Petrobrás para competir nesse mercado.

É muito parecido com o que querem fazer com o refino da Petrobrás. O País investiu, criou industrias regionais de refino de petróleo e agora o governo quer se desfazer por um preço irrisório. É um processo semelhante?

Estrella: Isso. Por que essas empresas estrangeiras não constroem uma refinaria? Venham construir uma refinaria e competir com a Petrobrás. Esse é o cerne do empreendedorismo, da competitividade. O mercado está aberto.

Na verdade este é um movimento que está dentro de um plano mais geral de esquartejamento da companhia e de privatização da Petrobrás. Estão entregando todo o esforço de construção de uma infraestrutura para servir um mercado que tem um potencial de crescimento gigantesco. Quem investiu na Petrobrás? Os proprietários da Petrobrás somos nós, o povo brasileiro. Quer dizer que o cidadão brasileiro está sendo roubado. Está sendo saqueado nos seus direitos de proprietário da Petrobrás por um governo que quer esquartejar o sistema e vender as refinarias. E estão vendendo a propriedade do povo brasileiro, que é o acionista majoritário da companhia, que investiu dinheiro nela e é produto do nosso trabalho.

E o povo vai pagar duas vezes. Primeiro pela construção das refinarias e depois para a empresa que porventura comprar, pois ela vai querer recuperar o investimento no preço dos derivados de petróleo...

Estrella: Exatamente. São investimentos que nós já fizemos. Quem comprar vai querer recuperar, praticando preços internacionais no mercado interno brasileiro.

Por exemplo, nós descobrimos o Pré-Sal, produzimos no Pré-Sal a menos de US$ 6 o barril e praticamos preços internacionais, porque se não fizer isso os estrangeiros não vão investir no Brasil.

Certa vez trabalhei no Iraque e fomos a uma feira, em Bagdá. Por lá tinham bananas e as compramos, porque por lá não víamos bananas. Pagamos US$ 10 por uma banana porque o Iraque não produz bananas. E nós aqui no Brasil vamos pagar para empresas estrangeiras pelo nosso petróleo US$ 60 o barril, que custa US$ 6 no Pré-Sal com a Petrobrás. Isso não tem cabimento, não é do interesse nacional.

O que a categoria petroleira pode fazer para evitar essa tragédia anunciada?

Estrella: Nós, petroleiros, sozinhos, dificilmente enfrentaremos essa parada com perspectiva de êxito. Nós temos que ter a sociedade ao nosso lado. Temos que convencer o cidadão brasileiro que ele é proprietário disso. Quando você entrega o Pré-Sal, quando você vende uma refinaria brasileira, nós estamos vendendo uma riqueza que pertence ao cidadão brasileiro.

Se esse patrimônio for vendido, o governo vai obrigar o cidadão a se adequar a condições internacionais sobre um bem que nós produzimos no Brasil. Temos que convencer também o empresário nacional, o capital brasileiro. O conteúdo nacional, que fazia parte do grande regime que regulava o Pré-Sal, contemplava o empresário brasileiro. A participação deles nesta luta é fundamental. Temos que unir a sociedade brasileira. Se nós, petroleiros, nos isolarmos, vai ser difícil convencermos a população que ela deve se mobilizar e lutar por isso.

O que o senhor acha desse acordo que foi feito nos EUA pela Lava Jato quando a Petrobrás foi transformada de vítima em vilã e com isso em vez de ser ressarcida foi obrigada a pagar os acionistas.

Estrella: Está no mesmo contexto. Muita gente acha que isso é teoria da conspiração, que não tem nada a ver isso aí, mas tem sim. A destruição da Petrobrás faz parte de um plano do grande capital internacional, principalmente ocidental, de impedir o desenvolvimento autônomo brasileiro.

Isso que você perguntou é produto de uma decisão do governo Fernando Henrique Cardoso, que abriu as ações da Petrobrás na bolsa de Nova York e se submeteu às leis dos EUA. Uma companhia estatal brasileira que tem boa parte do seu capital regida por leis que não são brasileiras. Então, essa coisa contra a Petrobrás e de desnacionalização da economia brasileira vem de longe e está encaixado nesse acordo que você citou.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse em certo momento que uma de suas missões era acabar com a memória de Vargas no Brasil. Ele não conseguiu, mas parece que agora esse projeto está em andamento. Todo aquele projeto de desenvolvimento local e projeto de nação que começou com Vargas está morrendo. O que o senhor pensa sobre isso?

Estrella: Já se falou que o Brasil é uma banca de experimentação do ultracapitalismo. As medidas que estão tomando no Brasil são mais extremadas, sob o ponto de vista capitalista, do que o próprio ambiente americano. Nos EUA, por exemplo, a hidroeletricidade, senão toda, mas em boa parte é estatal.

O Brasil está sendo um tubo de ensaio. Será a primeira experiência em um grande país da aplicação do ultracapitalismo. É uma coisa extremamente perigosa, porque atrás disso vem um poderio político e militar. Não estamos tratando com um adversário trivial, porque é um adversário que tem um poderio gigantesco.

[Via CUT/PR | Texto: Davi Macedo e Gibran Mendes]

Publicado em Petróleo

A cartilha produzida pelo Fórum de Defesa da Petrobrás como principal peça de divulgação da campanha pela manutenção da empresa como uma estatal já está disponível. 

O material traz de forma didática explicações sobre a cadeia de produção do petróleo, as operações da Petrobrás, o setor de combustíveis e informações da importância de lutar contra a privatização. 

A ideia é de que os apoiadores da campanha retirem seus exemplares e entreguem a amigos e familiares para dialogar sobre a soberania nacional no setor petróleo.

Os exemplares estão disponíveis gratuitamente na Sede do Sindipetro PR e SC (R. Lamenha Lins, 2064, Rebouças – Curitiba).

Você também pode acessar a cartilha neste link.

[Via Sindipetro-PR/SC]

Publicado em Sistema Petrobrás

Os petroleiros e petroleiras estão a caminho de Brasília para o lançamento nesta quarta-feira (4), da Frente Parlamentar e Popular em Defesa da Soberania Nacional. Esse será mais um importante fórum de luta, unificando trabalhadores, movimentos sociais, parlamentares e representantes da sociedade civil organizada, contra as privatizações do governo Bolsonaro.

A Frente será lançada durante ato e seminário, pela manhã, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, cujo tema, “O Brasil é nosso! Contra as privatizações em defesa do emprego e de nosso futuro”, já resume o objetivo do evento.  

Além da FUP e de seus sindicatos, participam do ato diversas outras entidades sindicais e movimentos populares que integram as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, deputados e senadores dos partidos de oposição ao governo.

A ex-presidenta Dilma Rousseff e o ex-ministro Fernando Haddad também confirmaram presença no ato, que contará ainda com a participação do ex-senador Roberto Requião, do ex-chanceler Celso Amorim e de outras personalidades que pautaram suas trajetórias políticas em defesa da soberania nacional.

O seminário debaterá questões relativas à defesa do patrimônio público, da produção científica e das riquezas naturais, tendo como foco o desenvolvimento econômico e a soberania nacional. Os processos em curso de desmonte do Sistema Petrobrás, dos bancos públicos, dos Correios, Eletrobras, Casa da Moeda e de outras estatais estão na ordem do dia, principalmente após o anúncio da lista de 17 empresas que o governo Bolsonaro pretende privatizar este ano.

Plenária da CUT organizará agenda de lutas

Na quinta-feira (05), a brigada petroleira continua em Brasília para a Plenária Sindical Nacional que a CUT realizará contra as privatizações.  O evento será ao longo do dia, no Sindicato dos Bancários. O objetivo é organizar ações articuladas entre os sindicatos filiados, representantes dos trabalhadores e trabalhadoras das empresas públicas que estão sendo desmontadas para serem privatizadas, em defesa das empresas e dos empregos. “Precisamos preparar a resistência sindical a essa tentativa de destruição do Brasil. É fundamental a construção de uma luta unitária nesse sentido”, explica o secretário geral da CUT, Sérgio Nobre.

[FUP, com informações da CUT]

Publicado em Movimentos Sociais

Começou esta semana a eleição para os conselhos Deliberativo e Fiscal da Petros. Todos os participantes e assistidos podem participar do pleito, que prossegue até o dia 16 de setembro. Serão eleitas duas duplas de representantes para o Conselho Deliberativo e uma dupla para o Conselho Fiscal.

Essa eleição é muito importante nessa atual conjuntura de ataques aos direitos dos participantes e assistidos da Petros. É fundamental que os petroleiros tenham na Petros representantes preparados para enfrentar a tentativa de desmonte do fundo de pensão, que acontece no rastro das privatizações no Sistema Petrobrás.

Por isso, as federações de petroleiros (FUP e FNP) e das associações de aposentados (FENASPE) somaram forças e construíram uma chapa unitária - Unidade em Defesa da Petros - para que possam garantir a representatividade da categoria nos Conselhos da Petros.

A FUP e seus sindicatos estão concentrando esforços para a eleição das duplas 52 (Conselho Deliberativo) e 42 (Conselho Fiscal), que integram a chapa unitária.

dupla 52 é composta por Norton Almeida (titular), do Sindipetro NF, e por André Araújo (suplente), do Sindipetro Bahia. Norton acumula experiência de quatro anos no Conselho Deliberativo, atuando como suplente, ao lado de Paulo César Martin.

dupla 42 é formada por Cláudio Oliveira (titular), do Espirito Santo, representante da FENASPE/AEPET, e por Agnelson Camillo (suplente), da FNP e Sindipetro Pará. Cláudio possui larga experiência administrativa acumulada na Petrobrás e atualmente produz estudos e artigos sobre a Petros.

Como votar:

Pela internet - acesse o portal da Petros (petros.com.br) e informe o número da matricula e da senha Petros.

Por aplicativo no celular - baixar o app da Petros (Google Play ou App Store). Após fazer o download do aplicativo, basta informar matrícula e senha da Petros uma única vez.

Por telefone – através de ligação gratuita para 0800 283 1676, informando matrícula e senha Petros. 

Acompanhe e compartilhe pelo facebook a campanha dos nossos candidatos.

Clique aqui para conhecer as propostas dos candidatos e entender como funcionam os Conselhos da Petros.

[FUP]

Publicado em APOSENTADOS

Em reunião com o RH da Petrobrás nesta terça (26/02) , onde a empresa apresentou seu projeto piloto de teletrabalho, a FUP pontuou uma série de questões que precisam ser levadas em consideração antes de qualquer ação da companhia nesse sentido. A Federação criticou o fato dos gestores já estarem implantando essa nova modalidade de trabalho, sem discussões ou negociações prévias com as entidades sindicais.

A Petrobrás informou que o projeto começou a ser implantado no ano passado primeiro no RH da sede, no Rio de Janeiro, e depois se expandiu para outras áreas da companhia. Hoje, já são 12 áreas do Edise que estão no teletrabalho.  Segundo a empresa, o projeto piloto também está sendo implantado na Transpetro e estudado em outras subsidiárias, como a PBio, podendo ser estendido também para unidades operacionais.

A FUP questionou se há termo de adesão para os trabalhadores com regras estabelecidas, como controle de jornada de trabalho, carga horária de trabalho, definição de escala, garantia de benefícios (auxílio creche, por exemplo), garantia de desimplantação e retorno ao trabalho regular, jornada sem trabalho nos finais de semana e feriados, descanso remunerado garantido, entre outras questões.

Os representantes da Petrobrás esclareceram que há uma cartilha e um termo de adesão que estabelecem as características do teletrabalho, informando que a escala é flexível, de no máximo três dias na semana, mas deve ser negociada na equipe com o gestor e que  não há redução de nenhum benefício ou direito.

A FUP ressaltou que no modelo de teletrabalho que está sendo apresentado pela Petrobrás, a negociação com o empregado é individualizada e exclui o sindicato, o que fragiliza o trabalhador.  Outra preocupação levantada pelos dirigentes sindicais é de que o teletrabalho se torne mais um instrumento de assédio usado pelas gerências para chantagear os trabalhadores, pois o que hoje é opcional pode ser obrigatório a qualquer instante.

Os representantes sindicais também destacaram a necessidade de se discutir as condições de SMS nos chamados homeoffice, como tipificação de acidente de trabalho e outras questões relacionadas à segurança, que precisam ser garantidas pelo empregador.

[FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Como a FUP já havia alertado em seu informe sobre a audiência realizada quinta-feira (29/08) no Tribunal Superior do Trabalho, a gestão da Petrobrás usou de má fé ao pedir a mediação do TST e rejeitar diante do ministro a prorrogação do ACT. 

Não bastasse esse papelão, a Gerência de Gestão de Pessoas ainda distorceu a proposta feita pelo tribunal, mentindo deslavadamente para os trabalhadores.

Fake news típica de uma gestão bolsonariana.

Leia, compare e tire suas conclusões:

TST – notícia publicada em seu site

“O vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Renato de Lacerda Paiva, propôs, nesta quinta-feira (28), a prorrogação do Acordo Coletivo de trabalho (ACT) vigente da Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras) por mais 30 dias a partir de 1º/9, condicionada à continuidade da mediação e ao comparecimento dos sindicatos e da empresa às reuniões unilaterais e bilaterais a serem realizadas em setembro”.

Petrobrás – informe publicado na intranet

“TST propõe mediação com prorrogação do ACT até 27/09, desde que não haja greve”

“A vice-presidência do TST encaminhou proposta de mediação até o dia 27/09/2019 no sentido de que os sindicatos se comprometam a não fazer greve e comparecer às reuniões agendadas e a Petrobrás a prorrogar o ACT enquanto durar a mediação.”

“Nesse cenário, a companhia iniciará o processo gradual de transição das práticas vigentes no ACT 2017-2019 para o previsto na legislação”. 

FUP – informe publicado em seu site

“Apesar da mediação ter sido pedida pela Petrobrás, os gestores não aceitaram a proposta das federações de prorrogar o Acordo Coletivo e manter o processo de discussão em mesa de negociação, na própria empresa”.

“Diante da intransigência da Petrobrás, o ministro do TST também propôs que a empresa prorrogue o ACT e dê continuidade à mediação no Tribunal. A Petrobras tem até às 10h de segunda-feira (02/09) para responder se aceita ou não a proposta”.

[FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás
Segunda, 02 Setembro 2019 12:04

Negociação continua

Em resposta à proposta promovida pelo TST de prorrogar o ACT e continuar a negociação, a Federação Única dos Petroleiros - FUP e seus sindicatos filiados, aceitaram prosseguir no procedimento de mediação.

Deverão ser incluídas na mediação as subsidiárias da controladora Petrobrás, assim como a Araucária Nitrogenados S. A..

De acordo com o calendário abaixo:

Dia 4/9 reunião TST e Petrobrás
Dia 5/9 reunião TST, Federações e sindicatos
Dia 10/9 reunião conjunta

Publicado em Sistema Petrobrás
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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