Em uma semana três vigilantes que prestam serviço na Transpetro de Madre de Deus, na Bahia, testaram positivo para o novo coronavírus (covid-19). Eles foram afastados do ambiente de trabalho, mas antes já haviam tido contato com diversos outros colegas.

Essa situação tem se repetido em várias unidades do Sistema Petrobrás, mas tem se mostrado mais grave com trabalhadores terceirizados, cujas empresas (a maior parte delas) não estão levando a sério a pandemia da covid-19 que, de acordo com o Ministério da Saúde, até a terça-feira (19), já havia matado 1.179 pessoas em 24 horas, com 271.628 casos confirmados.

Mas de acordo com os especialistas esses números devem ser maiores devido à subnotificação de casos no país. O mesmo vem acontecendo no Sistema Petrobrás, onde além da subnotificação dos casos, há a negligência.

O caso dos vigilantes da Transpetro contaminados pelo vírus é um exemplo disso. O transporte deles é feito em vans lotadas, sem nenhum cuidado ou prevenção. Como trabalham no Porto de Mirim muitos acabam tendo contato com os tripulantes dos navios que atracam no cais. É uma bola de neve. Para piorar a situação destes trabalhadores, a empresa os afasta, paga apenas uma irrisória parcela dos salários e, com total descuido e desumanidade, determina que busquem receber o restante junto aos programas do governo.

A situação é seríssima e exige intervenção não só da direção da Transpetro como da prefeitura de Madre de Deus. Um trabalhador contaminado passa o vírus para outros e para amigos e familiares. Os tripulantes dos navios não poderiam desembarcar sem serem testados, da mesma forma a Petrobrás deveria disponibilizar testes rápidos para todos os trabalhadores.

O Sindipetro Bahia está procurando as empresas terceirizadas que atuam no terminal e a direção da Transpetro para que providências imediatas sejam tomadas a fim de sanar esse problema e proteger os trabalhadores, lembrando, que a prevenção é a maior proteção no caso da covid- 19. Cobramos a implementação e ampliação de procedimentos simples como diminuição da lotação nos transportes, distância de 1 metro e meio entre as pessoas, uso de máscaras de qualidade, de álcool gel, sabonetes e toalhas descartáveis, além do teste rápido para a covid-19.

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[Via Sindipetro Bahia]

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Os prejuízos que a privatização da AMS podem causar aos petroleiros voltam a ser tema de mais uma live que a FUP realiza nesta quinta, às 10h. O bate-papo será conduzido pelo diretor da FUP, Paulo César Martin, com participação de José Rivaldo da Silva, secretário geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT), que explicará como foi o processo de implantação da associação privada POSTAL SAÚDE e os prejuízos causados aos trabalhadores dos Correios.

Também participam da live o economista Cloviomar Cararine, assessor da subseção Dieese da FUP, que irá detalhar os impactos econômicos que serão causados aos beneficiários da AMS, a partir da implantação da associação privada que passará a gerir o plano de saúde dos petroleiros.

O diretor do Sindipetro-NF, Rafael Crespo, é outro convidado da live e, junto com Paulo César, atualiza a categoria sobre a reunião com a Petrobrás na Comissão de AMS e a mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) solicitada pela FUP, em função do descumprimento por parte da empresa do acordo firmado com o tribunal.

Em vez de ampliar a participação dos trabalhadores na fiscalização e acompanhamento da gestão da AMS, como foi acordado com o TST, a gestão da Petrobras aprovou a criação de uma entidade privada para gerir o plano de saúde dos petroleiros, decisão tomada à revelia dos sindicatos, o que contraria o Acordo Coletivo de Trabalho.   

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[FUP]

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A Agencia Estado publicou no dia 19 de maio uma matéria onde informa que os casos de COVID-19 na Petrobrás chegam a 573, com 330 recuperados e 243 em quarentena, de um universo de 46.416 trabalhadores.

Na matéria, o Ministério das Minas e Energia e Agência Nacional de Petróleo comunicam que deixam de contar casos de trabalhadores de terceirizadas com COVID-19, colocando milhares de trabalhadores na invisibilidade em relação ao acompanhamento de sua saúde.


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O Coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, afirma que “tal atitude desses dois órgãos acabam sendo um incentivo para que empresas do setor subnotifiquem ainda mais os casos de COVID-19 nas plataformas e unidades marítimas e coloquem no limbo, milhares de trabalhadores do setor privado que estão com a doença”.

O Sindipetro-NF tem denunciado sistematicamente essa subnotificação e o descaso da gestão com a vida dos trabalhadores. O sindicato encaminhou várias denúncias aos principais órgãos fiscalizadores como o Ministério Público do Trabalho, a Agência Nacional de Petróleo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Superintendência Regional do Trabalho e o Ibama. Em paralelo, a FUP também cobra diariamente que a Petrobras adote medidas eficazes de combate à pandemia em suas unidades.

O movimento sindical não tem acesso aos dados oficiais, mas a estimativa é de que mil trabalhadores tenham sido confirmados com coronavírus na indústria do petróleo brasileira. O Coletivo de Saúde da CUT-Rio, publicou em nota ontem, 19, que “enquanto não são tomadas providências, a Petrobras, que muitas vezes foi utilizada como indutora da economia nacional, continua ajudando a aprofundar a pandemia no Brasil”.

Coletivo de Saúde denuncia gestão da Petrobrás

O Coletivo de Saúde da CUT Rio emitiu uma nota onde denúncia o descaso da gestão bolsonarista da Petrobrás com as vidas dos seus trabalhadores em plena pandemia de COVID-19 e a subnotificação dos casos em suas plataformas. Uma atitude que coloca em risco toda a cadeia produtiva que está relacionada ao mundo do petróleo e as famílias desses trabalhadores.
 
Leia a nota na íntegra, abaixo:
 
Denúncia: gestão da Petrobras prolifera Covid-19 por todo o Brasil
 
Conhecida por ser uma das maiores e mais desejadas empresas do país, a Petrobras de hoje também pode ser considerada um dos principais vetores de proliferação do coronavírus por todo o Brasil. Um ambiente de trabalho favorável à permanência do vírus, alinhado com vários regimes de trabalho em confinamento, com trabalhadores de diversas regiões, somado ao descaso e à negligência de uma gestão bolsonarista, criou uma tempestade perfeita, termo que se refere a uma combinação de maus eventos que levam a uma catástrofe, não só para contaminar vários trabalhadores da indústria do petróleo, como também por espalhar o vírus por todo o país.
 
Plataformas de petróleo possuem plantas industriais que processam uma imensa quantidade de petróleo e de seus derivados. Geralmente, em razão das elevadas temperaturas e do risco ao lidar com materiais inflamáveis e gases explosivos, essas instalações possuem uma imensa área climatizada e controlada, onde os trabalhadores passam a maior parte do tempo. São ambientes como oficinas, salas de controle e escritórios. Além disso, ainda existem os locais de vivência como as salas de jogos, refeitórios, cinemas e os camarotes, onde os trabalhadores se alimentam, socializam, descansam e dorme. Todos esses ambientes possuem aparelhos de ar condicionado, cujas pesquisas chinesas recentes apontaram que contribuem para espalhar o vírus.
 
Um outro problema muito grave é o transporte desses trabalhadores. Muitos deles, moram em estados diferentes dos quais trabalham e têm que utilizar vários transportes públicos e coletivos para chegar até a empresa. Não bastasse essa peregrinação pelo país, para embarcar nas plataformas marítimas os trabalhadores eles têm que voar de helicópteros encostados uns aos outros em função do padrão de espaçamento das cadeias das aeronaves. Nessas condições, praticamente se respira o mesmo ar, independentemente da renovação de ar que o sistema ofereça.
 
Em meio a pandemia do coronavírus, a Petrobras que é a maior empresa exploradora de Petróleo do Brasil vem tomando atitudes muito aquém do que se esperava de uma companhia do seu porte. Demorou muito para iniciar a distribuição de máscaras alegando que no início da pandemia não havia recomendação para isso, mesmo os sindicatos dos trabalhadores solicitando essa ação em função das particularidades da atividade econômica. Somente em meados de abril a empresa iniciou o processo de distribuição de máscaras nos aeroportos, e ainda sim, está distribuindo uma máscara montável de um tecido parecido com o TNT, tecido não tecido, uma liga de fibras com um polímero. Além de apresentar péssima qualidade, segundo ranking do Ministério da Saúde, a máscara tem risco de ser contaminada durante a sua montagem.
 
Não bastasse a falta de EPI adequado, a empresa brasileira ainda falha em diversas ações. Segundo o Sindipetro-NF, os gestores demoraram para iniciar a medição de temperatura, demoraram para iniciar os testes de Covid-19, ainda não fazem a testagem em massa e, em casos suspeitos, aplicam o teste, mas apresentam falhas de controle. Em alguns casos, o trabalhador é liberado antes mesmo de saber do resultado do exame. Esse foi o caso de um empregado próprio que ao ser desembarcado e testado, por apresentar sintomas, ficou um dia em um hotel e foi liberado no dia seguinte, ainda sem o resultado do exame. Dessa forma, esse trabalhador poderia transmitir o vírus a todos que tivesse contato desde seus próprios colegas de trabalho até a sua residência, passando por terminais, hotéis, rodoviárias e aeroporto. Recentemente, a gestão da empresa decidiu fazer o teste rápido antes do embarque nos principais terminais de acesso às plataformas. Quando o trabalhador testa positivo, ele é orientado a buscar ajuda médica e voltar para a casa. Praticamente não existe controle, isolamento ou contato com os órgãos de saúde oficiais. Na maioria dos casos, principalmente para os terceirizados, a pessoa é apenas liberada para voltar para sua residência independentemente dos contatos que possam ter no trajeto com outras pessoas. Essa falha de controle expõe trabalhadores de todo brasil que se encontram nos principais pontos de embarque das plataformas offshore, aumentando a possibilidade de contaminação desses trabalhadores ao retornarem para suas casas, colocando em riscos as pessoas que tiverem contato e as suas próprias famílias. Dessa forma, a gestão bolsonarista da Petrobras transforma a empresa em um vetor que prolifera o vírus por todo o país.
 
Essa atitude tem feito com que os casos de coronavírus na indústria do petróleo aumentassem muito nos últimos dias. Recentemente, algumas plataformas de petróleo do Espírito Santo e do Rio de Janeiro tiveram surtos de contaminação e dezenas de trabalhadores testaram positivo para o covid-19. Tanto a Agência Nacional do Petróleo (ANP) quanto o Ministério de Minas e Energia publicaram notas relatando preocupação com o avanço dos números. Contudo, não há transparência sobre os números oficiais por parte das empresa. A Petrobras e as demais operadores não só se negam a divulgar os dados, como subnotificam os casos. Há relatos de sindicatos que relatam que alguns óbitos por Covid-19 não foram sequer registrados pelas empresas.
 
Os sindicatos denunciam a subnotificação e o descaso da gestão com a vida dos trabalhadores. Segundo o Sindipetro-NF, várias denúncias foram realizadas para os principais órgãos fiscalizadores como o Ministério Público do Trabalho, a ANP, a ANVISA, a Superintendência Regional do Trabalho e o Ibama. Além disso, a FUP, Federação Única dos Petroleiros, realiza cobranças diárias para que a Petrobras adote medidas eficazes. Apesar de não ter acesso aos dados oficiais, os representantes dos trabalhadores estimam que até o momento em torno de mil trabalhadores já foram confirmados com coronavírus na indústria do Petróleo brasileira. Enquanto não são tomadas providências, a Petrobras, que muitas vezes foi utilizada como indutora da economia nacional, continua ajudando a aprofundar a pandemia no Brasil.
 
E esse descaso atinge também outras categorias, como os portuários. O embarque e desembarque dos petroleiros no porto se transforma em nova rota de transmissão do vírus. Não há controle da gestão da Petrobras e muito menos de Docas. De forma irresponsável, Docas não tomou nenhuma medida de prevenção contra o coronavírus, agravando a possibilidade de contágio.
 
E não se trata só dos trabalhadores que estão sendo expostos e contaminados. Apesar da tentativa naturalização dos números por parte da sociedade, cada vida é importante, é parte de uma família que tem uma história que precisa ser respeitada. A negligência da gestão da Petrobras quebra qualquer estratégia de combate ao Covid-19. A empresa hoje concentra trabalhadores espalhados em todas as regiões do país, expondo-os durante todo o trajeto e depois, com sérias falhas de controle, retorna com esses mesmos trabalhadores para todo o Brasil, contribuindo para a proliferação do vírus em todo território nacional.
 
Coletivo de saúde do trabalhador da CUT Rio de Janeiro

[Via Sindipetro-NF]

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Na mesma semana em que o preço das ações da Petrobras caiu na bolsa de valores de Nova York (EUA), após a divulgação de que mais de 800 petroleiros estavam infectados pelo novo coronavírus (Covid-19), a estatal alterou a forma de divulgação do número oficial de trabalhadores e trabalhadoras vítimas da doença em suas unidades e o número caiu pela metade entre os dias 5 e 11 de maio.

O que importa para a gestão é manter a imagem da empresa e garantir o lucro e o patrimônio de seus investidores, denuncia o Coordenador-Geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel. Prova disso, segundo o dirigente, é que a única preocupação da petroleira brasileira foi maquiar os dados e não tomar  medidas efetivas de segurança e prevenção à pandemia nas unidades.

A notícia do alto contingente de petroleiros infectados pelo vírus caiu como uma bomba na bolsa norte-americana e provocou a queda no preço das ações da Petrobrás. É o que mostra um estudo feito pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), divulgado no dia 7 de maio, dois dias após o Ministério de Minas e Energia ter publicado um boletim com 806 casos na Petrobras.

“A queda no preço das ações nos Estados Unidos foi seguida pelas notícias no Brasil de que a Petrobras contabilizava mais de 800 trabalhadores contaminados pelo Covid-19, enquanto outros de 1.600 casos eram investigados, o que motivou o Ministério Público do Trabalho (MPT) a abrir um processo de investigação judicial contra a companhia sob suspeita de negligência”, diz trecho do estudo

A FUP vê com desconfiança a forma como a estatal contabiliza os casos, dada a discrepância entre os boletins publicados desde a queda na Bolsa.

Os números de casos de Covid-19 publicados semanalmente no site do Ministério de Minas e Energia podem, na verdade, estar escondendo uma realidade muito mais dura sobre a proliferação do vírus nas plataformas e refinarias da estatal, diz a FUP. .

A maquiagem

No boletim publicado em 23 de abril, o Ministério de Minas Energia divulgou que seria 258 casos confirmados. No boletim posterior, publicado em 27 de abril, o número pulou para 510 casos. Em 5 de maio, saltou para 806. Já em 11 de maio, baixou para 474, pouco mais da metade de casos.

Isso mostra, segundo José Maria Rangel, que para manter o preço das ações, a Petrobras ‘maquiou’ os números, escondendo assim a proliferação de casos. Uma forma de alterar o número real foi incluir e, posteriormente, excluir os trabalhadores terceirizados.

“Nos dois primeiros boletins semanais divulgados não foram contabilizados os terceirizados. Eles incluíram no terceiro boletim e voltaram a deixar esses trabalhadores de fora no quarto boletim”, explica o dirigente.

BOLETIM DO MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA PUBLICADO EM 23/04Boletim do Ministério de Minas e energia publicado em 23/04 BOLETIM DO MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA PUBLICADO EM 27/04Boletim do Ministério de Minas e energia publicado em 27/04
BOLETIM DO MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA PUBLICADO EM 05/05Boletim do Ministério de Minas e energia publicado em 05/05 BOLETIM DO MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA PUBLICADO EM 11/05Boletim do Ministério de Minas e energia publicado em 11/05

 

Enquanto isso, as medidas de segurança reivindicadas pela FUP são ignoradas pela Petrobras. Os sindicatos ligados à federação vêm denunciando desde o início da pandemia a falta dessas medidas efetivas por parte da empresa.

Um exemplo é a falta de testagem constante dos trabalhadores e trabalhadoras das unidades para detectar casos de Covid-19. A Petrobras também não distribui máscaras de forma regular para uso dos petroleiros.

José Maria Rangel afirma que a conduta da gestão da estatal imita as atitudes do Presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de “letargia” em relação ao combate à pandemia, ou seja, de incapacidade reagir e lidar de forma eficaz com o problema.

Pandemia nas unidades

Na sexta-feira (15), 90 trabalhadores foram testados na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Paraná, mas a Petrobras não informou quantos deram positivo. “Os trabalhadores é que procuraram o sindicato para informar que seus resultados foram positivos”, completou Rangel.

O dirigente afirma que não há como saber o número exato de casos porque a estatal simplesmente não informa aos sindicatos. “A gente traça um panorama da pandemia na Petrobras de acordo com os dados publicados no site do Ministério e pelas denúncias feitas pelos próprios trabalhadores”, diz Rangel.

Rangel alerta ainda para a situação dos terceirizados que são ignorados pela gestão da estatal também quando o assunto é segurança. “Trabalhadores terceirizados são invisíveis para a Petrobras”, ele diz.

O dirigente explica que é grave não haver nenhuma “preocupação” maior também com esses trabalhadores, já que  eles fazem parte do dia-a-dia das atividades da Petrobras e estão em contato com outros trabalhadores.

“Eles podem tanto ser contaminados por falta de proteção como podem transmitir o coronavírus para outros trabalhadores, sem saber”, diz Rangel.

Atividades não foram paralisadas

Mesmo com todas as recomendações das autoridades sanitárias de isolamento social e o número de mortos crescendo diariamente no Brasil, a maior parte das unidades da Petrobras – plataformas e refinarias – continua funcionando e os trabalhadores tendo que ‘optar’ por continuar exercendo suas funções.

Os motivos, segundo o coordenador da FUP é que a Petrobras começou a afastar trabalhadores e reduzir suas remunerações. “Eles saem do turno, não são testados e se apresentam algum pequeno sintoma, acreditam que não estão infectados e continuam sua vida normalmente, inclusive voltando ao trabalho”, diz Rangel.

Ele explica que essas situações geram ainda a subnotificação de casos. “Podemos ter muito mais trabalhadores infectados e infectando outros trabalhadores, do que se pode imaginar”, ele completa.

Da mesma forma os terceirizados. Rangel denuncia que esses trabalhadores estão sendo obrigados a trabalhar e quem se recusar, a empresa demite.

Rangel ainda relata que há casos de mortes que não estão sendo informados nem investigados como possíveis vítimas de Covid-19, além de situações de pressão e assédio moral sobre os trabalhadores para que cumpram as determinações das gerências.

“Toda essa situação, nós avisamos que ia acontecer. Nós nos dispusemos a ajudar, a traçar planos para proteção e até reivindicamos atitudes da Petrobras, que não foram colocadas em prática. Hoje a empresa se limita a se reunir conosco apenas para notificar o que está sendo feito, sem chance de diálogo”, critica Rangel.

Refinarias

Segundo reportagem da Folha de SP, há relatos de casos de petroleiros com coronavírus em refinarias como a de Cubatão, no litoral de São Paulo, no Rio de Janeiro e em Manaus.

O Coordenador Geral da FUP, José Maria Rangel afirma que unidades continuam operando mesmo sem produzir. “A Petrobras obriga os trabalhadores a trabalharem. Algumas pararam, como as plataformas do Nordeste, mas porque a produção era pequena e a Petrobras aproveitou a crise para paralisar e dar andamento no processo de venda de unidades”, ele diz

Na Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro, há plataformas “hibernando”, estado em que a plataforma não produz, mas há turnos de trabalho. “Tem focos de coronavírus e as pessoas não precisam estar lá. Uma delas é a P-26. Tem trabalhador pagando teste do próprio bolso para se proteger”, denuncia Rangel.

Quando testes são feitos pela Petrobras, o procedimento acontece no embarque dos trabalhadores, ou seja, no início do turno. Quando saem das plataformas, nenhum teste é feito, o que pode significar o trabalhador se infectar na plataforma, voltar para casa e transmitir para outras pessoas, como sua família, por exemplo.

Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Paraná 

Ação sindical

A FUP está orientando os trabalhadores a utilizarem o “Direito de Recusa”, que é cláusula do acordo coletivo da categoria. Pelo item do acordo, se o trabalhador apresenta sintomas, deve se recusar a se recusa a trabalhar.

Outra orientação é que os petroleiros denunciem aos sindicatos as ações da estatal que representem negligência com a segurança, tais como a falta de testes e máscaras. A FUP também cobra ações de fiscalização mais “duras” de órgãos como o Ministério Público do Trabalho (MPT), Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Nós cobramos também que a Petrobras cumpra a deliberação do Supremo Tribunal Federal (STF) que diz que os casos de coronavírus são ocupacionais e que os trabalhadores sejam afastados. A Petrobras não faz e diz que espera a publicação do ácordão”, diz Rangel.

A decisão do STF sobre a Covid-19 ser caracterizada como doença ocupacional foi tomada no dia 29 de abril. A decisão considerou ilegal o artigo 29 da Medida Provisória (MP) 927/2020, que estabelecia que os casos de contaminação pelo novo coronavírus não seriam “considerados ocupacionais, exceto mediante comprovação do nexo causal”.

[Via CUT | Reportagem de Andre Accarini]

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Como o Sindipetro Paraná e Santa Catarina divulgou no último sábado (16), a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar/Petrobras), em Araucária, submeteu um grupo de aproximadamente 90 trabalhadores ao teste para o novo coronavírus e vários acusaram positivo. 

Os infectados foram colocados em isolamento domiciliar, mas a angustia dos familiares é grande e a empresa trata isso com descaso ao negar a testagem para as pessoas que vivem sob o mesmo teto dos positivados. 

Muitos petroleiros que ainda não foram testados buscam fazer o exame por conta própria, atitude mais que justificada pela inércia dos gestores da refinaria.

[Via Sindipetrp-PR/SC]

 
 
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A esposa de um trabalhador terceirizado da operação do Terminal Transpetro de São Francisco do Sul (Tefran), em Santa Catarina, fez o teste RT-PCR para verificar o contágio pelo novo coronavírus e o resultado foi positivo. 

O RT-PCR é considerado o “padrão-ouro” no diagnóstico da Covid-19, cuja confirmação é obtida através da detecção do RNA do SARS-CoV-2 na amostra analisada. 

A situação já seria bastante preocupante, mas é agravada pelo fato de o trabalhador em questão ter como principal função o assessoramento da operação e, por isso, mantém contato com todos os empregados dessa área e também circula por todos os ambientes do CCO (Centro de Controle Operacional). Além disso, durante a pandemia atuou na checagem da temperatura de todas as pessoas que acessavam o Terminal. 

Informações obtidas pelo Sindipetro PR e SC junto à gestão do Terminal dão conta que a Secretaria de Saúde do Município solicitou que a família toda do empregado permaneça em isolamento domiciliar por 14 dias. Nenhuma pessoa apresentou sintomas até o momento. 

A gestão do Tefran comunicou que requisitou reforço na higienização dos ambientes por onde o trabalhador circulava. Também solicitou que a empresa prestadora de serviços submeta o empregado ao teste. Se o resultado for positivo, segundo a administração do Tefran, os operadores e outros funcionários serão examinados.   

O Sindicato, por sua vez, entende que é necessária e urgente a testagem de todos os trabalhadores da operação do Tefran como forma de prevenção à contaminação e também para tranquilizar os empregados e suas famílias. 

O Sindipetro PR e SC mantém sua postura de vigilância na pandemia do novo coronavírus e atua no sentido de preservar a saúde de todos. Qualquer informação que envolva o tema nas bases do Sistema Petrobrás no Paraná e Santa Catarina pode ser encaminhada ao e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., pelo telefone (41) 3332-4554 ou ser tratada diretamente com os dirigentes sindicais. 

Informação é fundamental para as ações de prevenção!

[Via Sindipetro-PR/SC]

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O número de trabalhadores infectados pelo novo coronavírus no Terminal Transpetro de Paranaguá (Tepar) subiu para cinco. Todos são terceirizados e vinculados à empresa Navemestra, que faz a operação de barcaças no Tepar. 

Segundo informações repassadas pela gerência do Terminal ao Sindipetro PR e SC, nenhum dos contaminados apresentou sintomas graves e todos são mantidos em isolamento social, sendo que dois estão hospedados em hotel e outros três em suas residências. 

A partir da denúncia e das cobranças do Sindicato, todos os trabalhadores que possivelmente tiveram contato com o primeiro caso confirmado foram testados. Os resultados mostraram que a disseminação do vírus se restringiu à tripulação da barcaça.   

O Sindipetro reforçou a cobrança por agilidade da gestão da Transpetro na investigação dos casos e também por transparência nas informações com os trabalhadores. Atendendo ao pleito do Sindicato, a gerência anunciou a realização de reunião por videoconferência com toda força de trabalho da empresa nos estados do Paraná e Santa Catarina nesta quinta-feira (21), às 10h. O objetivo é que sejam relatados os casos positivos, a forma e os resultados dos testes, bem como as medidas preventivas que estão sendo adotadas em cada unidade da Transpetro. O encontro também servirá para receber sugestões e responder questionamentos dos trabalhadores. 

O Sindicato reforça a necessidade de que todos sigam as recomendações de segurança e prevenção ao contágio pelo novo coronavírus. Também mantém sua postura de vigilância na pandemia e atua no sentido de preservar a saúde de todos. Qualquer informação que envolva o tema nas bases do Sistema Petrobrás no Paraná e Santa Catarina pode ser encaminhada ao e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., pelo telefone (41) 3332-4554 ou ser tratada diretamente com os dirigentes sindicais. 

Informação é fundamental para as ações de prevenção!

[Via Sindipetro-PR/SC]

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Empresas terceirizadas contratadas pelo Sistema Petrobras estão demitindo funcionários que pertencem ao grupo de risco de contaminação da covid-19. A denúncia está sendo feita em diversas bases da empresa. Ao invés de garantir que essas pessoas estejam em casa, cumprindo a quarentena de forma protegida, a gestão Castello Branco está assistindo passivamente às demissões em massa.

As empresas contratadas fazem o que bem entendem com seus trabalhadores, colocam em risco os que estão em atividade e demitem os que atuam em unidades que tiveram atividades reduzidas ou hibernadas e nada acontece, apesar das inúmeras denúncias e cobranças da FUP.

A postura das empresas é de total desrespeito a direitos constitucionais, como a dignidade da pessoa humana, valorização do trabalho, direito à saúde e direito ao meio ambiente do trabalho. Ferem também os direitos infraconstitucionais, como os que são garantidos pelo Código Civil, que aponta o abuso de direito, assim como a vedação à prática discriminatória, prevista na Lei 9.029/95. Além disso, há também o desrespeito ao Estatuto do Idoso, que veda esse tipo de dispensa.

As denúncias chegam de pelo menos três bases da companhia: Regap, Reduc e em plataformas da Bacia de Campos.

Em Minas Gerais, só na última sexta-feira, 15 de maio, uma empresa que atua dentro da Refinaria Gabriel Passos (REGAP) demitiu dez dos seus 80 funcionários. Todos os dez demitidos foram caracterizados como grupo de risco. Esta não foi a primeira denúncia a chegar ao Sindipetro MG, que já registra em torno de 15 casos, desde que a pandemia teve início.

Segundo o diretor Alexandre Finamori, o Sindipetro MG, mesmo não tendo a representação legal desses trabalhadores, já procurou o Ministério Público do Trabalho e denunciou a situação a parlamentares do estado.

Na Reduc, o Sindipetro Caxias denuncia a empresa Niplan Engenharia por ter demitido quatro trabalhadores do grupo de risco. O diretor do sindicato, Luciano Santos, lembra que neste momento de pandemia é fundamental haver solidariedade e chama atenção da gestão da Petrobras, pois a responsabilidade da companhia deve se estender aos trabalhadores terceirizados.

Vários relatos idênticos chegaram ao Sindipetro NF, que, apesar de não representar a totalidade da categoria de trabalhadores terceirizados, ainda assim, no dia 18 de março, protocolou pedido junto à Petrobras para que esses trabalhadores não fossem demitidos, mas não recebeu resposta. A empresa Elfe Engenharia já demitiu cerca de mil trabalhadores.

Para Tezeu Bezerra, coordenador geral do Sindipetro NF, os trabalhadores da Petrobras e de empresas terceirizadas pelo Sistema estão diante de uma gestão bolsonarista, que só dá importância aos números para beneficiar acionistas e atender ao mercado, mas afirma que a categoria não desistirá da luta pela garantia dos direitos adquiridos.

Numa tentativa de frear essas ações via Congresso Nacional, a FUP contatou o deputado Enio Verri, do PT do Paraná, que afirmou já haver projetos aprovados no congresso, mas que o presidente não implementa e que provavelmente os deve vetar. “Aguardamos a volta dos projetos para o congresso nacional e derrubaremos o veto da presidência”, completou.

Enquanto pessoas do grupo de risco de empresas contratadas estão sendo demitidas, Castello Branco se esquiva de responsabilidade, o que caracteriza mais um atentado contra os trabalhadores, contra as orientações da OMS e das entidades sindicais.

Ao contrário das fake news que dissemina, sua gestão esá, sim, demitindo em massa.

[FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

É grave a situação dos trabalhadores terceirizados que atuam em diversas unidades da Petrobrás, pois não está havendo fiscalização das gerências da estatal em relação à adoção dos procedimentos para a prevenção contra o novo coronavírus.

Além desses trabalhadores ficarem expostos, a negligência de muitas empresas terceiras e da Petrobrás, cria uma bola de neve de contaminação no ambiente de trabalho, atingindo a todos.

Um exemplo disso é o que está acontecendo nas plataformas do campo de Manati, localizado na Bacia de Camamu, na costa do município de Cairu, na Bahia. Nessas plataformas, muitos trabalhadores terceirizados estão entregues à própria sorte, pois há empresas que não estão distribuindo sequer as máscaras de proteção que são de uso obrigatório. A Petrobrás só distribui máscaras para os trabalhadores próprios.

Uma das vigilantes que faz a revista no hangar apresentou sintomas da covid e foi afastada. Mas já tinha circulado em diversos ambientes, tendo contato com outros trabalhadores. Outro problema detectado é a Campanha de Mergulho com apoio de embarcação. Na PMNT-1, há cinco trabalhadores acompanhando a campanha durante 24h.

Eles estão instalados em dois camarotes (sem janelas), cada um com quatro camas. O primeiro camarote é dos trabalhadores próprios da Petrobrás, que está ocupado por duas pessoas.

O segundo camarote é dos trabalhadores das empresas terceirizadas, onde dormem três pessoas. Cada camarote tem um banheiro. Quem está fazendo a higienização desses banheiros? Ela está sendo feita de forma correta ?

Além disso, não é possível dormir com a porta aberta devido ao barulho da produção da plataforma, que também não tem sequer área apropriada para higienizar as máscaras. 

Testes

Nenhuma dessas pessoas fez o teste rápido da Covid -19 antes de serem confinadas em um local pequeno e sem ventilação.

O mínimo que a Petrobrás deveria fazer para evitar uma tragédia, que já está anunciada, é disponibilizar os testes rápidos da covid- 19, não só para os trabalhadores próprios, mas também para os terceirizados. Só assim poderia combater as chamadas contaminações cruzadas.

É muito fácil para a chefia ficar em casa em Home Office informando que não tem teste para fazer, enquanto pais de família estão se expondo para não parar a produção. Produção essa que já está sendo colocada a venda. Se não tem testes rápidos, providencie. Mande trazer do Rio de Janeiro, pois são vidas que estão sendo colocadas em risco.

Será que as gerências da Petrobrás não estão aprendendo com a contaminação de muitos dos seus trabalhadores? Estão esperando que alguém morra para tomar as providências?

Os trabalhadores e o Sindipetro têm muitas indagações e cobranças que têm feito a atual gestão da Petrobrás. Queremos saber, por exemplo, se a equipe de saúde realizou um embarque para fazer uma inspeção sanitária antes dessa campanha? E ainda se foi verificada a possibilidade de montar um local adequado para higienização, na plataforma. Enquanto isso, os trabalhadores aguardam a entrega de máscaras suficientes e de qualidade para todos e a realização dos testes.

O Sindipetro está procurando, novamente, a gerência da UO-BA para tratar sobre o assunto e também informar à Cipa o que está se passando no campo de Manati.

[Via Sindipetro Bahia]

Publicado em SINDIPETRO-BA

Nesta segunda-feira, 18 de maio, a FUP distribuiu ação na qual pede a demissão de Castello Branco da presidência da Petrobrás.

A gestão do agora réu se caracterizou por uma série de medidas de renúncia ao mercado e a atividades industriais de uma empresa de petróleo integrada.

O resultado foi a fragilização da empresa de uma forma inédita em sua história, tornando a Petrobrás a mais afetada dentre as grandes empresas do ramo, quando veio a crise da pandemia de Covid-19, como demonstra o gráfico abaixo.

A gestão de "liquidação" da Petrobrás será agora analisada pelo Judiciário.

[Assessoria Jurídica da FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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