De forma unilateral, a gestão da Petrobrás informou aos aposentados e pensionistas do Sistema Petrobrás que não haverá mais desconto automático da AMS na folha do pagamento da Petros. Esses descontos, segundo nota da empresa (veja abaixo), passarão a ser cobrados através de boletos bancários. A Petrobrás informou que a decisão foi tomada por conta do fim do convênio do INSS com a Petros.

Esse é mais um grave ataque ao Acordo Coletivo de Trabalho. A Petrobrás sequer comunicou à FUP e aos seus sindicatos esta decisão arbitrária. Não respeitaram nem mesmo o fórum da Comissão de AMS, onde a questão poderia ter sido pautada e discutida com as representações sindicais, na busca por uma alternativa que não prejudicasse os aposentados e pensionistas, que correm o risco de não terem o limite de 13% da margem consignável respeitado pela empresa.

 

“Atualmente, somente aqueles que saíram do Convênio Petros-INSS pagam a AMS através de boleto. Essas cobranças via boleto não têm respeitado o limite de desconto mensal previsto no atual ACT mediado pelo TST, que é 13% da sua respectiva margem consignável líquida”, explica o diretor da FUP, Paulo César Martin.

“Nós não vamos aceitar isso. Vamos convocar os aposentados e pensionistas pra luta e vamos juntos defender o nosso Acordo Coletivo e a manutenção da margem consignada, que tem que ser respeitada, como está previsto no ACT”, afirma.

Petros informa que convênio foi estendido até junho

Em nota divulgada dia 18 de janeiro, a Petros informou que o INSS “estendeu até junho o pagamento do benefício de seus segurados pelo convênio” e que a fundação está “negociando com a Petrobras a manutenção do adiantamento até junho”.

“Por enquanto, o adiantamento está confirmado até fevereiro. Assim que a empresa anunciar à Petros sua decisão sobre o adiantamento da verba do INSS nos meses de março, abril, maio e junho, a Fundação comunicará os participantes”, informou a Petros, na nota divulgada em seu portal na internet.

[FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

A Petrobras colocou no ano passado a venda de sua participação em oito refinarias. Porém, a ideia de competição de mercado no setor de óleo e gás pode estar mais do longe do que se imagina. Estudo feito pela Leggio diz que a venda não é suficiente para gerar concorrência neste mercado.

O estudo diz que isso só acontecerá de fato, se houve ampliação da infraestrutura para movimentação de combustíveis em dutos, ferrovias e portos, pois só assim, os produtos produzidos pela refinarias conseguiria chegar às regiões consumidoras.

Petrobras, quando construiu as oito refinarias que hoje estão à venda, não as projetou para que competissem entre si, estando localizadas a quilômetros de distância umas das outras. Portanto, para que o produto seja distribuído pelo país, seria necessário também otimização na infraestrutura do país.

Pra se ter uma ideia, na Bahia, a capacidade de movimentação do terminal portuário de Aratu representa apenas 5% do volume de produção da então refinaria posta a venda, a RLAM, o que limita a competição com outro produto, de outra origem, neste mercado. No Rio Grande do Sul há o mesmo dilema. O Porto de Rio Grande está distante da refinaria Refap e não há terminais no litoral norte do estado ou sul de Santa Catarina.

Para solucionar questões como estas citadas, a alternativa para a competição seria a concorrência do combustível transportado de outras refinarias através de rodovias, porém limitada pelo custo.

O aumento do transporte de cabotagem, a ampliação da infraestruutura portuária e de internacionalização dos produtos via dutos e ferrovias são aspectos fundamentais de acordo com o estudo feito.

Ainda, outro ponto importante seria a ampliação do programa “BR do Mar”, que hoje foca no transporte de containers, com medidas específicas para reduzir os custos de cabotagem de granéis líquidos, sejam combustíveis ou químicos.

[Via  Click Petróleo e Gas]

Publicado em Sistema Petrobrás

Petroleiros e petroleiras do Paraná estão ocupando a Araucária Nitrogenados (ANSA), também conhecida como Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-PR), do sistema Petrobras, deste a manhã desta terça-feira (21) em protesto contra o fechamento da unidade, anunciado pela gestão da companhia.

Os petroleiros ocupam o local de trabalho e se revezam em protesto silencioso e estratégico, acorrentados no portão de entrada e fazendo toda manutenção dos equipamentos, para impedir o esvaziamento da unidade e seu completo fechamento, afirma o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindiquimica-PR, Gerson Castellano.

“Todos os dias, cerca de 800 trabalhadores são orientados por nós a entrar na unidade durante o dia e outros 200 à noite para manter a fábrica pronta para voltar a operar a qualquer momento, quando conseguirmos reverter o processo de fechamento”, diz Castellano.

Segundo o dirigente, isso é importante porque a empresa quer drenar tudo – a amônia e o etanol -, para paralisar as atividades da fábrica o mais rápido possível. “Se drenar tudo, pode parar. Por isso, nossa estratégia e manter tudo funcionando. Por isso, a luta é dia e noite".

FUP/Sindquimica-PR

Angústia e medo do desemprego

O encerramento das atividades da Fafen-PR, localizada no município de Araucária (PR), provocaria o desemprego direto de mil trabalhadores. Outros 2 mil trabalhadores da cadeira produtiva seriam afetados indiretamente, perdendo também seus postos de trabalho.

“O pessoal está apreensivo, angustiado”, diz Castellano se referindo aos trabalhadores, os filhos e esposas que vão todos os dias para a porta da fábrica apoiar a luta contra o fechamento da Fafen-PR.

“Se perderem o emprego agora, acabou. Com o mercado do jeito que está, não tem onde conseguir colocação”, conclui.  

FUP e Sindiquimica-PR

Mas, ter a família por perto dá muita força para a luta, reconhece o dirigente que tem dezenas e dezenas de fotos com os petroleiros e sua família gravadas em seu celular.

FUP e Sindiquimica-PR

Algumas crianças, inclusive, pediram para ficar com as correntes em volta do corpo para mostrar que estão realmente preocupadas e unidas aos pais e seus companheiros na luta, outros gravaram videos emocionantes falando da preocupação com os empregos dos pais.

Este é o caso de Vitor, que gravou um vídeo dizendo que está triste porque não sabe como o pai vai pagar as contas. "A gente vai ter de sair de casa", diz o garoto afirmando que a família mora de aluguel. Para ele, a decisão da Petrobras é uma sacanagem. 

FUP marca greve contra fechamento

A FUP já aprovou, por unanimidade, indicativo de greve por tempo indeterminado, a partir do dia primeiro de fevereiro, em todo o Sistema Petrobrás, contra as demissões na Fafen-PR.

As assembleias para que os petroleiros e petroleiras se posicionem sobre o indicativo de greve serão realizadas e no dia 29, a FUP e seus sindicatos voltam a se reunir no Conselho Deliberativo para definir os próximos encaminhamentos. Até lá, a FUP e o Sindiquímica-PR darão sequência às ações políticas e legais, para garantir os direitos dos trabalhadores da Fafen-PR e impedir a demissão em massa.

Fafen não dá prejuízo, como disse Petrobras

Em comunicado, a Petrobras argumentou que a decisão de fechar a fábrica é uma estratégia para retirar segmentos “exteriores” ao núcleo de atuação da estatal, sobretudo a exploração de petróleo e gás natural no pré-sal. Além disso, alega que a Fafen-PR tem dado prejuízo.

Os petroleiros, no entanto, contestam essa versão. De acordo com eles, a direção mente ao afirmar que o resíduo asfáltico (RASF), principal matéria-prima da Fafen-PR, tem um custo alto. “O preço do produto acompanha o valor do mercado”, diz comunicado da categoria.

“A Petrobras está cobrando o preço do RASF baseado no preço do barril no golfo do México, mas temos que encarar que o preço nacional é bem inferior, extraído pela própria Petrobras. É uma estratégia contábil da estatal para inviabilizar o funcionamento da fábrica”, afirmou Castellano em entrevista à Fórum.

Entenda a luta dos petroleiros

No dia 14 de janeiro deste ano, a direção da ANSA/Fafen-PR se reuniu com representantes da FUP, da CUT e do Sindiquímica-PR e afirmou que o processo de demissão dos mil trabalhadores – 396 empregados diretamente pela companhia e 600 terceirizados - começaria em 30 dias e levaria até 90 dias para ser concluído.

Ainda de acordo com a FUP, a gestão da Petrobrás está negociando a venda da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) e da Usina do Xisto (SIX), ambas no polo de Araucária, no Paraná, onde fica a Fafen.

As duas unidades integram o pacote de oito refinarias, com suas redes de dutos e terminais, que a direção da estatal pretende privatizar.  

Impactos das demissões

Os impactos gerados pelas demissões, não se limitam as famílias dos  trabalhadores e trabalhadoras que ficarão desempregados. A população de Araucária também sentirá as consequências deste desrespeito aos trabalhadores, pois afeta a qualidade dos serviços públicos prestados a população, como saúde, educação, obras e segurança.

De acordo com o Sindiquímica, a folha dos trabalhadores diretos, é de aproximadamente R$ 10 milhões, deste total 50% ficam no município. A  Ansa/Fafen-PR garante arrecadação de R$ 200 mil mensais para Araucária.

[Via CUT | Texto: Marize Muniz]

Publicado em Sistema Petrobrás

Em mais um ataque aos trabalhadores da Araucária Nitrogenados, a gestão da Petrobrás volta a indignar a categoria petroleira ao divulgar na intranet uma série de mentiras para tentar justificar a decisão política de desativar a Fafen-PR e demitir arbitrariamente todos os trabalhadores, sem qualquer negociação prévia com o sindicato.

O ENGODO DO PREJUÍZO

A gestão da empresa fez uma escolha por encarecer a própria matéria prima para produzir os fertilizantes. Foi uma decisão política e não técnica. Vamos aos fatos:

1 - Para tentar justificar o fechamento da fábrica, a direção da Petrobrás mente quando afirma que o Resíduo Asfáltico (RASF), principal matéria-prima da Fafen-PR, tem um custo alto, pois o preço do produto acompanha o valor do mercado.

2 - O RASF que abastece a Fafen-PR é um refugo gerado pela Repar e, com a desativação da fábrica, passaria a ser utilizado na produção de Cimento Asfáltico de Petróleo (CAP), segundo informou a própria empresa. No entanto, o preço do CAP é inferior ao da ureia, o que contraria o argumento dos gestores de que o custo do RASF está em “tendência crescente” e o da ureia em “tendência decrescente”.

3 – A precificação que a Petrobrás faz do RASF é baseada no valor do petróleo bruto (WTI), produzido no Golfo do México, cujo preço é inferior ao do Brent.

4 – A Repar não terá o que fazer com todo o RASF que gera na produção de derivados.

5 - A hibernação da Fafen-PR é uma  decisão política. O objetivo dos gestores é encerrar as atividades da fábrica para zerar o passivo trabalhista e vender a unidade no futuro, contratando os trabalhadores em condições precárias e por salários muito abaixo do que é hoje praticado na empresa. Uma espécie de “dumping social”.

DEMISSÃO X TRANSFERÊNCIA

A gestão da Petrobrás mente ao tentar justificar a demissão sumária dos trabalhadores da Araucária Nitrogenados, alegando que não são concursados e que, portanto, não poderiam ser transferidos, nem aderir ao Mobiliza.

1 - Vários trabalhadores da Fafen-PR foram cedidos para outras unidades da Petrobrás ao longo dos últimos anos, assim como empregados da holding foram cedidos para a fábrica.

2 - A Araucária Nitrogenados é 100% da Petrobrás e seus trabalhadores não podem ser tratados como se fossem de uma empresa privada, sem qualquer vínculo com a estatal.

3 - Para quem não sabe (ou não lembra), até o início dos anos 90, a planta da Fafen-PR  integrava o Sistema Petrobrás como a subsidiária Ultrafértil, mas foi privatizada no governo Itamar Franco, passou pelo comando da Vale e, finalmente, retornou à estatal em 2013.

4 - A negociação feita pela Petrobrás previa a incorporação da fábrica, como comprovam os documentos da época.  A alegação da atual gestão de que os petroleiros da Fafen-PR  não são concursados é uma desculpa esfarrapada para justificar a decisão política de demitir sumariamente os trabalhadores.

DESCUMPRIMENTO DO ACT

A gestão da Petrobrás mente escancaradamente ao afirmar que a Araucária Nitrogenados comunicou o Sindiquímica-PR sobre a hibernação da fábrica, cumprindo “rigorosamente” o Acordo Coletivo. 

1 - O sindicato, assim como os trabalhadores da Fafen e de todo o Sistema Petrobrás, souberam da decisão da empresa pela imprensa. Foi também através de notícias publicadas pela mídia que a categoria foi informada sobre as demissões.  

2 - Somente após o fato já ser de conhecimento público, é que a gerência e o jurídico da fábrica enviaram documento ao Sindiquímica-PR, convidando para uma reunião com o objetivo de comunicar a hibernação da fábrica e a demissão dos trabalhadores no prazo de 30, 60 e 90 dias.  

3 - O sindicato ainda alertou a empresa sobre os riscos de hibernação da fábrica com os tanques repletos de produtos químicos, o que surpreendeu a gestão da Araucária, que sequer tinha conhecimento sobre a real situação da unidade.  Só então, a empresa se dispôs a discutir a segurança da unidade, chamando o sindicato para uma reunião no dia 16, cuja resposta da entidade foi que discutiria essa questão na audiência que já estava agendada com o MPT-PR no dia 20.

4 - Em momento algum, os gestores tentaram negociar a situação dos trabalhadores. Apenas comunicaram o fato já decidido e irrevogável, segundo eles mesmos afirmaram, da demissão de todos os empregados no prazo máximo de 90 dias.

[FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Os trabalhadores da Perbras do contrato de manutenção realizaram terça-feira (21) uma segunda paralisação, desta vez no campo de Araçás (BA). A ação responde à recusa da Perbras em incluir os dependentes dos trabalhadores no plano de saúde, e teve adesão total dos trabalhadores.

O Sindipetro Bahia vem negociando a medida há cerca de dois meses, mas a Perbras até o momento não permitiu a sua viabilização. O diretor do sindicato, Radiovaldo Costa, lembra que a obrigatoriedade das prestadoras de serviços de incluir os dependentes foi retirada em uma resolução da Petrobras de 2018, e defende que o item, uma reivindicação justa dos trabalhadores, volte a ser contratual e fazer parte dos editais.

“Essa questão vem prejudicando milhares de famílias em todo o país, e esperamos que a Perbras atenda o mais rápido possível essa reivindicação. Até lá iremos manter a mobilização”, afirma.

[Via Sindipetro-BA]

Publicado em Setor Privado
Quarta, 22 Janeiro 2020 15:15

Queda no preço do GLP é possível?

Por Henrique Jäger, pesquisador do Ineep

A Petrobras comunicou ao mercado aumento médio de 5% no preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), mais conhecido como gás de cozinha, no final de 2019. A alta ocorreu apesar de o governo brasileiro ter anunciado, em agosto, uma série de medidas visando flexibilizar o mercado do GLP com a expectativa de redução dos valores cobrados ao consumidor final.

Dentre as medidas elencadas, três se destacaram: (i) o fim da cobrança de preços diferenciados para o botijão de 13 litros – GLP P-13; (ii) o incentivo à entrada de novas empresas nos segmentos de produção/importação e distribuição; (iii) a privatização dos principais gasodutos do país.

No mesmo momento, a Petrobras divulgou o início do processo de privatização de metade de seu parque de refino; uma redução da ordem de 8% no preço cobrado na refinaria pelo GLP (importante destacar que o impacto dessa redução ao consumidor final ficou abaixo de 0,5%, em função do aumento da margem bruta cobrada pela distribuição) e, também, a correção de sua política de preços do GLP P-13, pondo fim à cobrança abusiva que a empresa implementou na gestão de Pedro Parente, que vinculou o preço do GLP no Brasil ao preço na Europa – bem superior ao praticado nos EUA, de onde se origina 80% de nossas importações de GLP. Essa política de preços gerou, para a Petrobras, um sobrelucro estimado pela ANP em R$ 1,6 bilhão, entre junho de 2017 e julho de 2019.

A aposta do governo federal é que as medidas implantadas ampliarão a concorrência no setor, promovendo um choque de oferta que permitirá ao país sair da condição de importador – cerca de 30% do consumo aparente – para exportador de GLP. Segundo as projeções do governo, essa mudança implicará redução da ordem de 38% no preço cobrado pelo produtor, até 2024.

Mas de onde virá esse choque de oferta que possibilitará ao país transitar de importador para exportador de GLP?

As refinarias produzem, em média, 75% do GLP no Brasil, e os demais 25% são obtidos por meio do processamento do gás natural nas 14 Unidades de Processamento de Gás Natural (UPGNs) operando no país. Como não há perspectiva para a construção de novas refinarias – com exceção da entrada em operação do segundo trem da Abreu e Lima (RNEST) – e as refinarias vêm sendo operadas abaixo da capacidade instalada, há margem para crescimento de 18% da produção de GLP nas refinarias, com utilização de 100% da capacidade instalada. Mas isso dependerá do comportamento dos preços e dos interesses dos futuros donos das unidades que serão privatizadas, uma vez que as refinarias podem mudar o mix de produção. Ou seja, poderá ocorrer uma substituição da produção de GLP por outros derivados tais como nafta, gasolina, diesel e QAV.

Outra opção seria o crescimento da oferta por meio das UPGNs que processariam o gás natural retirado do pré-sal. Mas, assim como no refino, não há previsão de entrada em operação de novas UPGNs, à exceção da unidade construída no Comperj (RJ). Como, dentre as 14 UPGNs em funcionamento no Brasil, somente cinco dispõem de tecnologia que permite maior produção de GLP, o aumento da oferta do derivado nos volumes pretendidos pelo governo federal exigirá readequação tecnológica das plantas existentes. Todavia, esse tipo de investimento não está previsto no novo Plano de Negócios da Petrobras (2020-2024), e tampouco há proposta nesse sentido por parte do governo federal ou de qualquer empresa que atua na indústria do petróleo e gás natural no país.

Assim sendo, fica a questão: as UPGNs e as refinarias instaladas no Brasil têm capacidade para suportar esse choque de oferta? Segundo a ANP, a carga processada pelas UPGNs, em 2018, somou 65% da capacidade instalada. Supondo a utilização de 100% da capacidade das UPGNs mais a entrada em operação da UPGN do COMPERJ, pode-se estimar um crescimento da ordem de 55% na produção do GLP nessas unidades, que, somados ao potencial de crescimento de 18% na produção de GLP no refino, fica, no limite, próximo do importado atualmente, sem considerar o crescimento no consumo.

O conjunto de informações apresentado acima permite concluir que a meta anunciada pelo governo federal de o país se tornar autossuficiente em GLP até 2024 é de difícil alcance. Isso mesmo sem se considerar que, uma vez concretizada a privatização de metade do parque de refino do país, os novos donos devem manter as refinarias operando abaixo da capacidade instalada e priorizar a produção de produtos de maior valor agregado, como Nafta e QAV, em detrimento da produção de GLP, (como estratégia de otimização de resultado), e que o consumo desse derivado vem crescendo ano a ano, puxado pela demanda das indústrias e do comércio.

Desse modo, tudo indica que o país continuará importando GLP e, dada a atual política de preços adotada pela Petrobras atrelada ao mercado internacional, principalmente nos Estados Unidos, o valor do botijão continuará refém da volatidade financeira e cambial. Em outras palavras, o consumidor final continuará pagando caro para cozinhar seus alimentos.

[Artigo publicado originalmente pela revista Brasil Energia]

Publicado em Petróleo

Os petroleiros estão na luta e se a categoria não se unir, o que aconteceu na Fafen-PR irá acontecer com todas as unidades da Petrobrás. Diante desse cenário, na manhã desta terça-feira (21), começaram as assembleias em todas as bases do Sindipetro PR e SC. 

Os encontros tratam do indicativo de greve e servem para que os petroleiros e petroleiras se posicionem sobre a pauta. As assembleias acontecem entre 20 e 28 de janeiro. Após isso (29), a FUP e seus sindicatos, em seu Conselho Deliberativo, se reunirão para definir os próximos encaminhamentos. 

Para a direção do Sindipetro PR e SC, o momento é de mobilização. Principalmente porque a Petrobrás desrespeita deliberadamente o Acordo Coletivo de Trabalho, impõe tabelas de turno, mudança no cartão ponto e jornada reduzida sem qualquer discussão com o sindicato ou com os trabalhadores.

Outra questão, principalmente após o anúncio da demissão em massa dos trabalhadores da Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR), é que ninguém está garantido no seu posto de trabalho e agora é a hora da mobilização. “Após o caso na Fafen-PR, temos um motivo concreto para dar um basta. O recado tem que ser claro e forte”, explicou Mario Dal Zot, presidente do sindicato. 

O dirigente do Sindipetro PR e SC, Alexandro Guilherme Jorge, também enfatizou que “esse processo na Fafen-PR pode acontecer com todos os trabalhadores, seja na Repar, na Usina do Xisto – SIX ou na Transpetro, por isso precisamos retomar o patamar na mesa de negociação. Hoje, não há avanços, pois não se discute tecnicamente mais nada”. 

O Sindipetro PR e SC, assim como a FUP e outras entidades filiados, a partir do dia 29 de janeiro, definirão os próximos passos da luta, quando os resultados de todas as assembleias estiveram computados e divulgados. 

Caso a empresa não volte para a mesa de negociação, o indicativo é pela greve geral em todas as unidades da Petrobrás. “Eles estão apostando que não existe mobilização. Mas nós temos sentimento de classe, não só solidariedade, e cada um de nós está sendo demitido junto com os trabalhadores da Fafen-PR”, conclui Dal Zot. 

Fafen-PR – Depoimento 

Também nesta terça (21), os petroquímicos fecharam a entrada da Fafen-PR. Alguns trabalhadores permaneceram acorrentados na porta da unidade. O dirigente do Sindiquímica-PR, Paulo Antunes, saiu da mobilização para dar um depoimento aos petroleiros durante assembleia na Repar.

De acordo com o dirigente, a ação foi para impedir a hibernação da fábrica, já que para isso a empresa precisa de efetivo. Todos os trabalhadores estão firmes e não vão sair da porta da unidade. 

“Nossa situação é grave, aqui todos queríamos nossa estabilidade, criar nossos filhos e fazer a coisa correta, como trabalhador. Agora, nós vamos intensificar nossa resistência. É tudo ou nada”, explicou Antunes.

A Petrobrás anunciou a demissão em massa de aproximadamente mil trabalhadores com o fechamento da Fafen-PR. Caso essa ação se concretize, representa que o Brasil passará a importar cada vez mais fertilizantes nitrogenados; o que para a agricultura representa ainda mais dependência do insumo estrangeiro. 

Além disso, Araucária terá grande perda de arrecadação, impactando nos postos de trabalho dos servidores e no comércio local. Sem contar que o Brasil passará a ser dependente da importação de ARLA 32, reagente químico usado para reduzir a poluição ambiental produzida por veículos automotores pesados. 

Mesmo o Brasil sendo o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, o desmonte da Petrobrás tornará a economia dependente das importações e a soberania alimentar estará comprometida. 

Confira AQUI as próximas assembleias e participe!

[Via Sindipetro-PR/SC]

Publicado em SINDIPETRO-PR/SC

Petroquímicos e petroleiros do Paraná ocupam desde a manhã de terça-feira, 21/01, a entrada da Araucária Nitrogenados (ANSA) para impedir que os gestores coloquem a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-PR) em hibernação, o que significará a desativação da unidade e a demissão arbitrária de cerca de 1.000 trabalhadores.

A Fafen-PR integra o Sistema Petrobras, cuja gestão anunciou o fechamento da planta e comunicou a demissão sumária dos trabalhadores, que souberam da notícia pela imprensa. Esse fato, além de demonstrar a crueldade dos gestores, contraria o Acordo Coletivo de Trabalho dos petroquímicos, cuja cláusula 26 assegura que "a companhia não promoverá despedida coletiva ou plúrima, motivada ou imotivada, nem rotatividade de pessoal (turnover), sem prévia discussão com o Sindicato". 

Desde o ano passado, quando Roberto Castello Branco assumiu o comando da Petrobrás, defendendo a privatização total da empresa, sua gestão vem promovendo o maior desmonte da história do setor petróleo no mundo. As outras duas fábricas de fertilizantes nitrogenados (Fafen-BA e Fafen-SE) foram hibernadas e seus trabalhadores estão sendo deligados, via PDVs, ou transferidos sumariamente para outras unidades.

Aos trabalhadores da Fafen-PR, que é também 100% controlada pela Petrobrás, não foi dada sequer essa chance. A gestão da fábrica informou que serão todos demitidos 30 dias após a hibernação da unidade, com prazo até 90 dias para serem desligados da empresa.

Na BR Distribuidora, que já foi privatizada, os trabalhadores também foram sumariamente demitidos e os que ficaram sofrem assédio e pressão para se desligarem da empresa, com redução de salários e de benefícios. 

O mesmo acontecerá com os petroleiros das oito refinarias, dutos e terminais que estão em processo acelerado de venda pela gestão Castello Branco.

Para barrar as demissões em massa e os ataques que a direção da Petrobrás vem fazendo contra o Acordo Coletivo de Trabalho, os petroleiros estão aprovando o indicativo da FUP de greve nacional por tempo indeterminado, a partir de primeiro de fevereiro. As assembleias prosseguem até o dia  28. 

Em vídeo na porta da Fafen-PR, o diretor da FUP, Gerson Castellano, um dos mil trabalhadores da fábrica que estão sendo demitidos, explica a importância da resistência da categoria: 

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[FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Sem negociação ou sequer comunicação prévia ao sindicato, a gestão da Araucária Nitrogenados anunciou o fechamento da unidade e a demissão sumária de mil trabalhadores. Arbitrária e cruel, a atitude da direção da Petrobrás é um chamado ao enfrentamento e acontece em meio a uma série de descumprimentos do Acordo Coletivo de Trabalho, que foi pactuado há menos de dois meses. 

A reação da categoria a esses ataques tem que ser contundente e imediata. “O que estão fazendo na Fafen-PR é um balão de ensaio para demissões em massa em todo o Sistema Petrobrás. Não há saída individual. Nossa resposta tem que ser na luta. É na resistência que iremos reverter as demissões e impedir que se alastrem para as demais unidades da empresa”, afirma o diretor da FUP, Deyvid Bacelar. 

Reunido no Paraná, o Conselho Deliberativo da FUP aprovou por unanimidade indicativo de greve por tempo indeterminado, a partir do dia primeiro de fevereiro, em todo o Sistema Petrobrás, contra as demissões na Fafen-PR e as imposições da gestão da empresa, que ataca deliberadamente os direitos dos trabalhadores, se negando a negociar questões previstas no ACT. 

As assembleias para que os petroleiros e petroleiras se posicionem sobre o indicativo de greve serão realizadas  entre os dias 20 e 28 de janeiro. No dia 29, a FUP e seus sindicatos voltam a se reunir no Conselho Deliberativo para definir os próximos encaminhamentos. 

Até lá, a FUP e o Sindiquímica-PR darão sequência às ações políticas e legais, para garantir os direitos dos trabalhadores da Fafen-PR e impedir a demissão em massa. 

O que os petroleiros reivindicam? 

> Cumprimento da cláusula 26 do Acordo Coletivo de Trabalho da Araucária Nitrogenados (FAFEN-PR):

"Cláusula 26 – Dispensa coletiva ou plúrima – “A Companhia não promoverá despedida coletiva ou plúrima, motivada ou imotivada, nem rotatividade de pessoal (turnover), sem prévia discussão com o Sindicato. Excetuam-se do previsto nesta cláusula os planos de demissão voluntária ou incentivada, bem como os processos de movimentação interna dos empregados."

 Que sejam aplicados para os trabalhadores da Araucária Nitrogenados os mesmos critérios de garantia de emprego e transferências implementados na hibernação da FAFEN-BA (acordo MPT-Petrobrás), sendo a empresa sucedida na relação de emprego pela controladora Petrobrás;

 > Respeito aos fóruns de negociações instituídos pelo ACT 2019:

 Suspensão das medidas unilaterais tomadas pela gestão da Petrobrás (tabelas de turno, HETT, banco de horas, PLR, transferências etc.) e aplicação do previsto no ACT, quanto aos debates e resoluções bilaterais.

[FUP | Foto: Paulo Neves]

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O Sindicato dos Petroquímicos do Estado do Paraná (Sindiquímica-PR) repudia com veemência a informação veiculada pela empresa Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR, subsidiária da Petrobrás) de que houve discussão prévia sobre a hibernação e demissão em massa dos trabalhadores da fábrica.

A entidade que defende os petroquímicos afirma que a direção da empresa mente, principalmente porque, ao fazer um resgate da maneira como se deu o processo de fechamento da unidade, não resta dúvidas quanto ao autoritarismo e à crueldade contra os trabalhadores.

A verdade é que a atual gestão da Petrobrás apenas apresentou o “pacote de benefícios" ao Sindiquímica-PR, de forma unilateral, sem qualquer discussão sobre o tema.

O sindicato enfatiza que a postura da Petrobrás não só fere todo e qualquer princípio ético na relação negocial entre entidade de classe e empresa, como também descumpre o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) de 2019, documento referendado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e que proíbe demissão em massa sem prévia discussão com a entidade sindical.

Diante disso, o sindicato organiza ato em defesa da Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR) nesta sexta-feira (17), às 6h30, em frente à unidade.

A resposta da categoria e da sociedade será dada lutando contra essa decisão arbitrária que atinge mais de mil trabalhadores (diretos e indiretos da unidade); além de impactar profundamente na economia da cidade de Araucária-PR.

Os impactos da venda da Fafen-PR

Inaugurada em 1982, a Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR) tem capacidade de produção diária de 1.975 toneladas de ureia, 1.303 toneladas de amônia e 450 metros cúbicos de ARLA 32. A planta produz ainda 200 toneladas por dia de CO2, além de 75 toneladas de carbono peletizado e seis toneladas de enxofre.

Com o fechamento da fábrica, o Brasil terá que importar 100% dos fertilizantes nitrogenados que consome. Além disso, o país ficará dependente da importação de ARLA 32, reagente químico usado para reduzir a poluição ambiental produzida por veículos automotores pesados movidos à diesel.

Como quarta maior consumidora de fertilizantes do mundo, a economia brasileira, com o desmonte promovido pela gestão da Petrobrás, ficará ainda mais dependente das importações, o que compromete a soberania alimentar.
Atualmente, o país já importa mais de 75% dos insumos nitrogenados, na direção contrária de outras grandes nações agrícolas, cujos mercados de fertilizantes estão em expansão.

Serão menos fertilizantes produzidos no Brasil, mais importação e, provavelmente, aumento nos preços dos produtos agrícolas.

Além disso, o município de Araucária-PR sofrerá uma redução de R$ 75 milhões anuais em arrecadação, comprometendo seriamente a oferta de serviços e atendimentos à população.

Outra mentira contada pela atual gestão da Petrobrás é que a Ansa/Fafen-PR dá prejuízo. É falsa essa alegação, já que quem faz o RASF (resíduo asfáltico utilizado para produzir Ureia e Amônia) é a Repar, refinaria da Petrobras localizada ao lado da subsidiária. Ou seja, quem produz e precifica é a própria empresa!

Portanto, foi ela quem criou uma falsa inviabilidade para justificar sua política de desmonte do setor de fertilizantes no Brasil, favorecendo, assim, as multinacionais e criando empregos em outros países.

[Via Sindiquímica-PR]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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