Em nova manifestação ao Supremo Tribunal Federal, partido pede a reabertura da Fafen-PR, que poderia produzir oxigênio e está desativada desde janeiro de 2020. No pedido, o partido também questiona documentos da Advocacia-Geral da União entregues ao STF que contém informações contraditórias, não apresenta plano para controle da crise sanitária e não adota medidas para o abastecimento de oxigênio na capital amazonense

[Da Agência PT de Notícia]

PT protocolou uma nova manifestação no STF nesta quarta-feira (20), onde pede a reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná – Fafen-PR, que pertence à Petrobras e que poderia estar produzindo oxigênio para atender às necessidades do país, mas segue fechada desde janeiro de 2020. Nesta semana, mais pessoas morreram no interior do Amazonas do Pará por falta de oxigênio.

Na nova manifestação à ADPF 756,  o PT pede que o Supremo volte a intimar a Presidência da República para que informe as causas da falha no abastecimento de oxigênio em Manaus e que tome, de fato, todas as providências possíveis para garantir o abastecimento de oxigênio aos hospitais de todo o país, entre elas, a reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná – Fafen-PR.


> Leia também: Fechada há um ano pelo governo Bolsonaro, Fafen-PR poderia produzir 30 mil metros cúbicos de oxigênio por hora


O ministro do STF, Ricardo Lewandowski ordenou que a União apresentasse plano detalhado sobre as medidas a serem adotadas com relação à situação de Manaus. O ministro considerou as informações prestadas pela AGU e as notícias de colapso no sistema de saúde de diversos outros estados e municípios para cobrar medidas do governo federal.

Segundo os advogados do PT, conforme  apurado pelos documentos apresentados no processo pela Advocacia-Geral da União, houve claro descumprimento da decisão liminar por parte do Governo Federal. Além de apresentar informações contraditórias, o material enviado não apresenta plano estratégico e não adota as medidas necessárias e possíveis para o abastecimento de oxigênio na capital amazonense.

Para o PT, o governo Bolsonaro deveria estar oferecendo, pelo menos, 51,8 mil m³ de oxigênio à capital, diariamente, entretanto, entre os dias 12 e 19 de janeiro ofereceu, em média, apenas 11,5 mil m³. Na terça-feira à noite, chegaram quatro caminhões vindos da Venezuela com oxigênio doado pelo governo de Nicolás Maduro. Também chegaram em Manaus cilindros com oxigênio oferecidos pela Embaixada da China.

Veja a integra da ação

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Nesta quarta-feira (20), diretores do Departamento de Aposentados (Daesp) do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), com a participação de diretores da ativa, se reuniram em Campinas (SP) para discutir os descontos indevidos nos demonstrativos da Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS) que foram debitados nos contracheques trabalhadores da Petrobrás neste mês de janeiro.

Foram relatadas cobranças que variaram entre R$ 500 e R$ 6 mil referentes à coparticipação no Benefício Farmácia. Sem qualquer notificação, a Petrobrás descontou valores referentes a um período, não especificado, no qual o benefício ficou suspenso.

“Esses descontos ferem o artigo 5º da Constituição Federal que garante o direito à vida. Existe um companheiro que, com essas cobranças, vai receber menos de R$ 300,00 neste mês de janeiro, um valor menor do que o recebido por meio do auxílio emergencial”, relatou o diretor do Daesp e aposentado da Refinaria de Paulínia (Replan), Osvaldo Francelino Miguel.

A partir deste mês de janeiro, passa a valer a cláusula 34 do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), assinado no final de 2020, que aumenta a margem de descontos das aposentadorias pagas pela Fundação Petrobrás de Seguridade Social (Petros) de 13% para 30%. Além disso, a cláusula permite que essa margem consignável não seja aplicada justamente no caso do Benefício Farmácia.

“A nossa perspectiva era de auditar e negociar as dívidas anteriores ao acordo dentro da Comissão da AMS. Ao invés disso, a Petrobrás tem realizado esses descontos sem nenhuma comunicação e detalhamento à categoria”, afirma o diretor do Sindipetro-SP e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Arthur Bob Ragusa.

Diante desse cenário, o Sindipetro-SP decidiu entrar de forma unificada com ação coletiva com o objetivo de tentar suspender esses descontos nas folhas de pagamento. Além disso, a FUP já solicitou uma reunião emergencial com o setor de Recursos Humanos (RH) da empresa para prestar esclarecimentos.

A FUP também recebeu denúncias de outras cobranças indevidas, como o do código 8661, referente ao grande risco, cujos montantes ultrapassam o que foi acordado no ACT, em relação a implantação da tabela de custeio 60×40. Além disso, também foram enviadas denúncias de cobranças no que diz respeito à amortização de dívidas, que ultrapassam o limite de 30% dos salários.

[Da imprensa do Sindipetro Unificado-SP]

Após matéria divulgada pelo Sindipetro-SP, Ministério Público do Trabalho notificou a Refinaria de Paulínia por atuar com número de funcionários abaixo do estipulado seguro

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP | Foto: Divulgação/Ag.Petrobras]

Operando com o número mínimo de funcionários abaixo do indicado desde meados de 2017, a Refinaria de Paulínia (Replan) foi novamente notificada, agora por meio de um procedimento aberto pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), por conta de uma matéria divulgada pelo Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) –  que também foi intimado para apresentar informações sobre o assunto. 

No mesmo ano de surgimento das denúncias, o Sindicato entrou com ação contra a Petrobrás com o objetivo de impedir o funcionamento da Replan abaixo da quantidade de efetivo de trabalhadores indicada. Atualmente, esse processo está em fase de realização de laudos, fiscalizações periciais e esclarecimentos de questionamentos feitos por peritos, que, inclusive, já constataram que a empresa continua operando com uma quantidade de trabalhadores abaixo do estipulado para garantir a segurança. 

“Ainda não se chegou a uma conclusão definitiva sobre o processo porque outras diligências e verificações foram realizadas, por conta do tamanho da refinaria, o que demandou até a atuação de dois peritos [para a otimização do tempo]”, explicou João Faccioli, advogado trabalhista que assessora o Sindipetro-SP. 

Além disso, em momentos de vistoria e realização de perícia na refinaria, os advogados que assessoram o Sindicato costumam estar presentes. “Geralmente, quando os peritos vão até lá, conversam com os trabalhadores e acabam descobrindo novos detalhes e informações. Ao passar isso para a juíza, uma nova diligência é realizada, o que impacta na demora de conclusão do processo”, comentou Faccioli sobre a expectativa de encerramento da ação. 

Notificação do MPT e resposta da Petrobrás

Após a mais recente notificação do MPT à Replan, a equipe jurídica do Sindipetro-SP aguarda a decisão definitiva sobre o caso. “Agora estamos aguardando o posicionamento da juíza a respeito do procedimento do processo, se mais alguma vistoria será indicada a ser realizada ou se o processo seguirá seu curso”, concluiu Faccioli.

Neste tipo de processo, o MPT atua de uma forma auxiliar, para garantir tal fiscalização, visto os riscos que a operação numa refinaria do porte da Replan sem a quantidade mínima de funcionários pode trazer para a segurança dos trabalhadores e até mesmo para a comunidade no entorno da empresa.

Em resposta ao MPT, ainda no final de dezembro do último ano, a Petrobrás alegou que todas as informações e denúncias sobre o baixo número de efetivo na Replan, divulgadas pelo Sindipetro-SP, são “inverídicas”, mesmo com vistorias que comprovaram o contrário. 

 

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Nas últimas semanas o Sindipetro voltou a receber denúncias de aumento do número de trabalhadores diretos e terceirizados da Petrobrás na Bahia que foram infectados com o vírus do Covid-19. Os trabalhadores estão preocupados e se sentem inseguros, pois segundo eles não está havendo a devida preocupação com as regras de prevenção, principalmente nas empresas terceirizadas.

Na unidade de Candeias, segundo denúncia, há um supervisor afastado do trabalho devido à Covid-19, uma funcionária terceirizada que estaria na UTI de um hospital e outros trabalhadores contaminados.

Os trabalhadores denunciam que a Petrobrás está deixando de ser rigorosa nos testes e controle dos seus colaboradores. Fato esse que pode ser comprovado devido ao aumento do número de casos de Covid-19na estatal como demonstrou a FUP em recente matéria publicada em seu site. A Federação divulgou informações do grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), responsável pelas ações de gestão relativas à pandemia da Covid-19 nas unidades da empresa.

De acordo com essas informações “em apenas uma semana, o número de trabalhadores da Petrobrás que contraíram Covid-19 saltou de 4.048 para 4.250, um aumento de 5%. No dia 06 de janeiro, eram 525 casos ativos, dos quais 210 confirmados e 54 em triagem. No último dia 12, esses números subiram para 556 novos casos registrados, sendo que 226 confirmados e 73 em triagem. O número de trabalhadores infectados que estão hospitalizados também aumentou, passando de 20 para 24, sendo que a quantidade de petroleiros em UTIs saltou de oito para 13”.

O agravante é que o crescimento do número de casos é bem maior do que o apontado pela estatal, pois a Petrobrás não contabiliza os casos ativos de Covid entre os trabalhadores terceirizados. Reportagem da imprensa da FUP mostra que cerca de 10% dos efetivos próprios já foram contaminados e que na “última semana, pelo menos dois trabalhadores da Petrobrás perderam a vida em função da Covid: um em Manaus e outro no Paraná. A empresa continua omitindo dos sindicatos os números de óbitos, tanto de trabalhadores próprios, quanto de terceirizados”.

[Da imprensa do Sindipetro-BA]

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Os aposentados e pensionistas do Sistema Petrobrás foram surpreendidos neste mês de janeiro com uma série de descontos indevidos nos demonstrativos da AMS. A situação é grave e a FUP já solicitou uma reunião emergencial com o RH para que esclareça o que está acontecendo. Os descontos aparecem com as mais diversas rubricas. Leia mais aqui.

Para explicar o que está ocorrendo e o que pode ser feito para impedir esses descontos indevidos, o programa semanal da FUP, Seguridade e Cidadania, transmitido todas as quintas, pelo canal do Youtube e pelo Facebook, recebeu hoje Rafael Crespo, diretor do Sindipetro NF e da FUP e membro da Comissão da AMS.

Veja a íntegra: 

 O programa Seguridade e Cidadania vai ao ar toda quinta-feira, às 10 horas, com apresentação do diretor de Seguridade e Aposentados da FUP, Paulo Cesar Martin.

[Imprensa da FUP]

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Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) avalia que reajuste praticado pela Petrobrás é resultado da pressão dos importadores sobre a Petrobrás

[Da assessoria de comunicação do INEEP]

O reajuste no preço do litro da gasolina anunciado no dia 18 pela Petrobrás é resultado da pressão do mercado privado sobre a companhia e visa viabilizar sua privatização. A avaliação é do coordenador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Rodrigo Leão, que vê com preocupação uma possível retomada da volatilidade de preços no mercado interno, caso as pressões dos importadores evoluam.

A Petrobras reajustou o preço médio do litro da gasolina vendida nas refinarias em R$ 0,15, um aumento de 7,6%. O novo valor será de R$ 1,98 para as revendedoras e entrará em vigência a partir de hoje. O preço final aos motoristas dependerá de cada posto de combustíveis, que tem suas próprias margens de lucro, além do pagamento de impostos e custos com mão de obra.

“Essa é uma amostra do que acontecerá com o país caso a privatização avance: sem compromisso com a responsabilidade social, apenas com o lucro. Ou seja, com a privatização a tendência é que o preço dos derivados aumente ainda mais. O projeto de petróleo que o país está seguindo é o de submissão ao mercado internacional, sem o mínimo debate sobre os interesses externos”, afirmou Leão.

Em geral, a Petrobrás vem seguindo a paridade com o mercado internacional (PPI) e a política de preços que tem praticado nos últimos anos para os combustíveis, mas a periodicidade dos reajustes não tem a mesma frequência e são diferentes para cada um dos derivados. Os ajustes do diesel estão mais lentos que os da gasolina, por exemplo. “Com isso, há uma pressão dos importadores que sofrem com essa defasagem de reajustes e perdem competitividade no mercado nacional. Em resumo, está havendo uma disputa entre os importadores, que estão pressionando a Petrobrás, e do outro lado o consumidor, que acaba sendo atingido diretamente pela alta dos preços dos combustíveis e pagando a conta”, explicou o coordenador do Ineep.

Na última semana, a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) recorreu ao órgão de defesa da concorrência contra a Petrobras. A entidade protocolou ofício na sexta-feira (15) no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e na Agência Nacional do Petróleo (ANP) contra a estatal. O motivo da representação é que os importadores avaliam que a Petrobrás está vendendo diesel e gasolina às refinarias no Brasil com preços abaixo das cotações no mercado internacional, o que afeta a concorrência. No ofício, a Abicom pediu para que sejam feitas análise dos valores praticados pela petroleira.

Publicado em Sistema Petrobrás

Os aposentados e pensionistas do Sistema Petrobrás foram surpreendidos neste mês de janeiro com uma série de descontos indevidos nos demonstrativos da AMS. A situação é grave e a FUP já solicitou uma reunião emergencial com o RH para que esclareça o que está acontecendo. Os descontos aparecem com as mais diversas rubricas. É o caso do código 8661, referente ao grande risco, cujos descontos ultrapassam e muito o que foi acordado no ACT, em relação a implantação da tabela de custeio 60x40.

Outro caso de desconto verificado pela FUP diz respeito à coparticipação no Benefício Farmácia, cujos valores também são absurdos. A orientação é para que os petroleiros verifiquem no saldo devedor da AMS a existência de débitos referentes ao sistema anterior de desconto do benefício, que foi suspenso durante um tempo e pode estar sendo cobrado cumulativamente. Neste caso, a rubrica de coparticipação estará errada, já que essa modalidade é referente ao novo sistema de desconto do Benefício Farmácia. Por isso, é importante que os beneficiários verifiquem se há dívida em relação ao sistema atual do Benefício Farmácia, onde há a coparticipação, acompanhando os descontos feitos durante a compra de medicamentos, seja presencialmente ou através do sistema de delivery. Os contracheques que foram enviados à FUP revelam cobranças incompatíveis com os gastos dos aposentados e pensionistas, o que sinaliza erro por parte da Petrobrás.

Além destas situações referentes à AMS, outra cobrança indevida nos contracheques de janeiro verificados pela Secretaria de Seguridade e Aposentados da FUP diz respeito à amortização de dívidas. Mesmo com o aumento do limite de descontos, após a mudança da margem consignável de 13% para 30%, os valores cobrados são abusivos. Mais uma vez, a orientação é que os aposentados e pensionistas verifiquem cuidadosamente o saldo devedor dos empréstimos tomados.

A FUP está pressionando o RH da Petrobrás para que agende urgentemente a reunião para esclarecer essas cobranças (veja abaixo a íntegra do documento enviado à empresa). Lembramos que no mês de novembro, ocorreram vários erros nos demonstrativos de despesas e reembolsos da AMS enviados aos beneficiários em suas residências. Se houver a constatação de descumprimento do ACT, as entidades sindicais irão recorrer à justiça para suspender os descontos indevidos.

[Da imprensa da FUP]

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Enquanto os pacientes com Covid dos hospitais de Manaus estão morrendo sufocados pela falta de cilindros de oxigênio, em meio ao colapso do sistema de saúde, diante de mais um pico da pandemia no estado do Amazonas, a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobrás no Paraná poderia estar produzindo 30 mil metros cúbicos de oxigênio por hora. Isso daria para encher 30 mil cilindros hospitalar pequenos, com capacidade média de 20 inalações de 10 minutos.

A fábrica, no entanto, está fechada há um ano, com equipamentos se deteriorando, enquanto a população sofre as consequências da desindustrialização causada pelo governo Bolsonaro. “A Fafen-PR tem uma planta de separação de ar, que, com uma pequena modificação, poderia ser convertida para produzir oxigênio hospitalar, ajudando a salvar vidas nesse momento dramático da pandemia, que atinge novos picos em diversos estados do país”, informa o petroquímico, Gerson Castellano, um dos mil funcionários da fábrica de Araucária que foram demitidos, após o fechamento da unidade.

Ele explica que a separação de ar é um dos processos que ocorre para a produção da amônia, que é a matéria prima utilizada na fabricação da ureia, que era o principal insumo produzido pela Fábrica de Fertilizantes da Petrobrás. A planta que faz essa separação do ar tem capacidade de ser operada independentemente da produção da amônia e, com uma alteração simples, pode ser convertida para produzir 30 mil metros cúbicos de oxigênio hospitalar por hora. Se a planta estivesse sendo operada em dois turnos de 6 horas, só a Fafen-PR poderia fornecer ao governo 360 mil metros cúbicos de oxigênio por dia. Atualmente, o consumo diário de oxigênio no Amazonas é de 76 mil m³.

“Uma unidade como a nossa quando fecha, não significa apenas a perda de empregos e tributos. A sociedade perde tecnologia e condições de mudar o país. E nesse caso, perde também condições de salvar vidas. A desindustrialização vai muito além do desemprego em massa, ela causa prejuízos generalizados para a sociedade”, alerta Castellano, que é diretor da FUP e do Sindiquímica-PR.

O fechamento da Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR) foi anunciado pela diretoria da Petrobrás há exatamente um ano, surpreendendo os 1.000 trabalhadores da unidade, que foram sumariamente demitidos.  Não houve qualquer negociação com a FUP ou o Sindiquímica, o que levou a categoria petroleira a realizar uma greve histórica, em fevereiro do ano passado, que durou 21 dias.

Fechamento da Fafen aumentou dependência da importação de fertilizantes

O fechamento da fábrica aumentou ainda mais a dependência da agroindústria brasileira da importação de fertilizantes. A unidade garantia o abastecimento de cerca de 30% do mercado brasileiro de ureia e amônia. O encerramento da Fafen-PR também impactou fortemente os moradores da região de Curitiba e Araucária. Alguns trabalhadores tinham mais de 20 anos de casa e ainda não conseguiram se recolocar no mercado de trabalho um ano depois.

Operando desde 1982, a Ansa/Fafen-PR foi adquirida pela Petrobrás em 2013. Usando resíduo asfáltico (RASF), a unidade produzia diariamente 1.303 toneladas de amônia e 1.975 toneladas de ureia, de uso nas indústrias química e de fertilizantes. A planta também produzia 450 mil litros por dia do Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32), aditivo para veículos de grande porte que atua na redução de emissões atmosféricas. A planta ainda tinha capacidade de produzir 200 toneladas/dia de CO2, que é vendido para produtores de gases industriais; 75 toneladas/dia de carbono peletizado, vendido como combustível para caldeiras; e 6 toneladas/dia de enxofre, usado em aplicações diversas.

[Da imprensa da FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Em apenas uma semana, o número de trabalhadores da Petrobrás que contraíram Covid-19 saltou de 4.048 para 4.250, um aumento de 5%. No dia 06 de janeiro, eram 525 casos ativos, dos quais 210 confirmados e 54 em triagem. No último dia 12, esses números subiram para 556 novos casos registrados, sendo que 226 confirmados e 73 em triagem, segundo informações do grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), responsável pelas ações de gestão relativas à pandemia da Covid-19 nas unidades da empresa. O número de trabalhadores infectados que estão hospitalizados também aumentou, passando de 20 para 24, sendo que a quantidade de petroleiros em UTIs saltou de oito para 13.

Esses dados, mesmo subnotificados, já que a Petrobrás não contabiliza os casos ativos de Covid entre os trabalhadores terceirizados, refletem o avanço da pandemia nas unidades da empresa. Cerca de 10% dos efetivos próprios já foram contaminados, o que é bastante preocupante. Nesta última semana, pelo menos dois trabalhadores da Petrobrás perderam a vida em função da Covid: um em Manaus e outro no Paraná. A empresa continua omitindo dos sindicatos os números de óbitos, tanto de trabalhadores próprios, quanto de terceirizados.

Na reunião com o EOR, ocorrida na última quarta-feira, 13, a FUP tornou a cobrar transparência nas informações relativas às ações de combate à pandemia. Além da subnotificação dos casos de Covid entre os terceirizados, a Petrobrás também continua negando o acesso dos sindicatos à Normas Técnicas e protocolos que orientam os procedimentos relacionados à doença, como testagem, afastamento e monitoramento dos trabalhadores após diagnósticos positivos e ações de mitigação.

Nexo causal e registros de CATs

Outra situação absurda é a negativa sistemática da gestão em reconhecer o nexo causal da doença para os trabalhadores contaminados nos ambientes de trabalho. A despeito de vários estudos e orientações de entidades de saúde, como a Fiocruz, órgãos fiscalizadores, como o MPT, e até mesmo o STF, que defendem o nexo causal, a empresa continua alegando que a Covid não está relacionada ao ambiente de trabalho. Em função disso, não há emissão de CATs, nem a possibilidade dos trabalhadores serem periciados.

Na última reunião do EOR, a Petrobrás informou que, apesar desse entendimento da gestão, cada caso de trabalhador contaminado é analisado para verificar a possibilidade de estabelecimento de nexo causal. A FUP questionou a contradição da empresa, ressaltando que o ACT garante a participação do sindicato no acompanhamento das análises, o que não está sendo feito.

Para a FUP, está claro que a negativa da gestão da Petrobrás em estabelecer o nexo causal tem motivações econômicas, como já havia alertado estudo publicado pela Fiocruz em outubro passado. “O reconhecimento da Covid-19 como doença do trabalho e a emissão da CAT implica elevar a TAR (Taxa de Acidentes Registráveis), um dos indicadores de desempenho das empresas do setor vinculado a dinâmica da concorrência internacional”, ressalta o parecer da entidade.

Testagem em massa

A FUP tornou a criticar a negligência da Petrobrás ao deixar vencer o contrato para testagem dos trabalhadores com o RT-PCR. Por conta disso, a categoria permanecerá até o dia 20 sem esse protocolo recomendado pelas entidades de saúde. No lugar do RT-PCR, está sendo aplicado o teste de antígeno, que não reproduz a certeza de resultado, que possa estabelecer laudos confiáveis, sobre a condição do trabalhador, frente à possível contaminação pela Covid. Além disso, a FUP questionou, mais uma vez, o intervalo de 90 dias estabelecido pela Petrobrás para retestagem dos trabalhadores que já se contaminaram.

Mesmo com os novos picos de casos no Amazonas e a identificação de uma nova cepa do vírus, a gestão da empresa está se negando a retestar os trabalhadores da Refinaria de Manaus e de várias outras unidades pelo país afora. Outra situação absurda é a insistência da empresa testar os trabalhadores depois da troca de turno e não antes, como cobra a FUP. Esse fatos foram duramente criticados pelas entidades sindicais, que voltaram a exigir a testagem e retestagem em massa dos trabalhadores, distribuição de máscaras padronizadas e campanhas sistemáticas de conscientização sobre a importância do distanciamento.

Suspensão dos cursos presenciais durante a pandemia

Apesar de alguns órgãos reguladores, como a Marinha, já terem postergado a validade de cursos regulamentares para áreas operacionais, as gerências da Petrobrás insistem em cobrar dos trabalhadores participação em treinamentos presenciais não essenciais, em pleno avanço da pandemia. A categoria está sendo exposta desnecessariamente a riscos de contaminação em turmas de treinamento que concentram diversos trabalhadores, próprios e terceirizados, sem acompanhamento e fiscalização. A FUP tornou a solicitar a suspensão destes cursos enquanto durante a pandemia.

[Imprensa da FUP]

O descaso da Petrobrás com os trabalhadores vem atingindo patamares cada vez mais alarmantes e contribuindo para aumentar o número de trabalhadores e trabalhadoras infectados pelo novo coronavírus.

Nesta semana, mais uma denúncia chegou ao Sindipetro-NF. Segundo o relato, quatro trabalhadores da Sala de Controle Remoto, da base de Imbetiba, foram contaminados. Outros dois, que atuam no mesmo ambiente apresentaram os sintomas, mas a Petrobrás não passou o resultado da testagem.

O mais agravante é que apesar de apresentarem os sintomas, os trabalhadores não estão sendo testados antes de ocuparem seus postos de trabalho e terem contato com os demais trabalhadores. Isso aumenta a chance de novos casos.

Mesmo quando a testagem é realizada, a mesma não pode ser considerada preventiva, tendo em vista, que as bases de terra, ainda estão realizando o teste rápido. O Ministério da Saúde aponta que os testes rápidos apresentam uma taxa de erro de 75% para resultados negativos, o que pode gerar insegurança e incerteza para interpretar um resultado negativo e determinar se o paciente em questão precisa ou não manter o isolamento social.

O Sindipetro-NF acompanha a teoria de especialistas, que o ideal seria  o exame PCR com a coleta por swap, o cotonete gigante, que traz a maior chance de um resultado correto. Mas, segundo os próprios trabalhadores, ninguém faz esse tipo de exame, nas bases de terra, mesmo a companhia tendo um grande número desse tipo de testagem para utilizar no setor offshore. Todos tiveram que buscar por conta própria o teste na rede credenciada. Assumindo um custo que deveria ser da empresa e não do trabalhador.

A diretoria continuará cobrando que seja realizada a testagem em massa de forma preventiva e lamenta o posicionamento intransigente da empresa, que não reconhece a necessidade de mudanças em seus protocolos, mesmo quando os números demonstram claramente a necessidade desta mudança.Uma prova disso, é que dos 299 casos confirmados na semana passada na Petrobras, somente 73 casos foram identificados pela triagem da empresa.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em SINDIPETRO-NF
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.