O longa brasileiro Democracia em Vertigem, disponível desde 19 de junho no catálogo da plataforma de streaming Netflix, está entre os finalistas na categoria de Melhor Documentário do Oscar 2020. O filme concorre com American FactoryThe CaveHoneyland e For Sama.

O documentário da cineasta Petra Costa narra os eventos que transformaram o panorama político do Brasil desde o golpe contra a então presidenta Dilma Rousseff (PT), em 2016, culminando, em 2018, com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da República.

Petra imprime sua visão pessoal deste período à obra, combinando relatos do passado político e industrial de sua família e falas de lideranças antigas e atuais — entre elas, os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, que aparecem em cenas de bastidores.

O filme foi bem recepcionado em eventos em todo o mundo. Após sua estreia no Festival de Sundance (leia no site do festival, em inglês), nos Estados Unidos, o jornal The New York Times teceu elogios. “Um documentário absolutamente vital (…) Petra usa seu filme para explicar a história complicada do Brasil e avisar que mesmo uma democracia aparentemente estável e próspera pode cair no caos em instantes”, disse o crítico Noel Murray.

A revista Variety também havia posicionado o filme em uma lista de “10 documentaristas para assistir em 2019”. O portal norte-americano Indie Wire foi mais incisivo: “Uma visão assustadoramente pessoal sobre o início de uma ditadura de extrema-direita”.

À época de sua estreia na Netflix, o filme comoveu espectadores. “Fiquei muito emocionado. Chorei pouco, não como ela”, disse o músico Caetano Veloso, que assistiu em sua casa, ao lado da apresentadora e atriz Mônica Iozzi. “É difícil não chorar nada. Tem a perspectiva dela e a histórica, tem os pais dela. A série de coisas é muito nítida a feição dessa história”, completou Caetano.

O ex-deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) também falou em suas redes sociais sobre o documentário no período de sua estreia. “É impressionante como a Petra conseguiu traçar um elo entre nosso passado recente e nosso passado mais distante. E mostrar o que restou do passado distante de mais infeccioso, a ponto de infectar nossa democracia. Petra se implica na história, conta uma história que é dela e também nossa. Eu, envolvido nos fatos, ao vê-los de fora do país, me doeu muito”, disse.

Assista ao treiler do documetário, que está disponível na plataforma Netflix: 

[Via Rede Brasil Atual]

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O Sindipetro-NF vem alertando à categoria e à sociedade sobre o sucateamento da plataforma de Pampo na Bacia de Campos. Na manhã desta segunda, 13, o sindicato foi informado sobre a ocorrência de um vazamento de gás na plataforma. Os trabalhadores foram encaminhados ao Ponto de Encontro. Às 13h eles ainda estavam no local, sem informação de retorno ao trabalho, porque a extensão do vazamento não havia sido avaliada.

“Temos denunciado diversos problemas na unidade por conta da má gestão e falta de manutenção em Pampo, principalmente agora que Pampo foi vendida. Alertamos para o risco de um desastre de grandes proporções a qualquer momento” – alerta o diretor Rafael Crespo.

Na semana passada, denunciamos que a gestão da Petrobras estava ignorando as normas regulamentadoras, ao deixar 76 equipamentos de proteção respiratória (EPRs) vencidos a bordo, colocando em risco a vida dos seus trabalhadores. O edital da licitação foi publicado em  16 de dezembro, e a compra pode levar em média 90 dias para ser feita, fora o tempo que demorará para chegar esses equipamentos a bordo. Enquanto isso a plataforma fica sem a totalidade de seus EPRs.

No início de dezembro também denunciou a falta de comida e problemas de habitabilidade e segurança na plataforma. Casos de vazamento da tubulação do triturador de alimentos dentro da plataforma, pisos amarrados com arames, banheiros em péssimas condições e sanitários interditados. Também havia problemas com a limitação de espaço nos camarotes e condições dos boxes; vazamentos, tamponamentos e gambiarras para manter camarotes em uso.

O sindicato tem cobrado a solução imediata das pendências e solicita aos trabalhadores que continuem a enviar informações sobre as condições de segurança e habitabilidade. A diretoria do NF alerta para a situação crítica e lembra que já fez denúncias de Pampo junto à ANP, Marinha e Ministério Público do Trabalho.

Leia também:

> Plataformas de Pampo e Pargo: caos para quem sai e para quem fica

[Via Sindipetro-NF]

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Quem faz o alerta da chamada dessa matéria é o Técnico de Operação Pleno, bacharel em Engenharia Química e pós-graduado em Investimento e Mercado Financeiro, Felipe Homero Pontes, de 37 anos, 13 anos dedicados à Transpetro. Homero é candidato para o Conselho de Administração da empresa, cuja eleição começa neste dia 16 e vai até 26 de janeiro.

Nesta entrevista, ele fala de suas propostas para o CA, de sua visão de empresa e da luta que irá travar contra a privatização e vendas de ativo.

Confira, a seguir, as opiniões do candidato e não deixe de votar. 

Por que você decidiu se candidatar ao CA?

Homero – Eu vejo no trabalho do conselheiro a necessidade da defesa firme dos interesses da classe trabalhadora pois essa é uma cadeira muito importante, apesar de ser apenas uma [os trabalhadores só têm direito a um acento no Conselho de Administração], a contrapartida de poder se posicionar e apresentar projetos é de suma importância. Quando me vi com os pré-requisitos essenciais para poder assumir, eu disse: vou encarar essa. Outro motivo foi porque eu passei por algumas situações de emoção muito à flor da pele. 

De que tipo, por exemplo?

Homero – Eu vi dois companheiros morrerem afogados na minha frente, isso me sensibilizou muito, quero trabalhar para não deixar isso acontecer nunca mais ou conseguir minimizar ao máximo as ocorrências fatais, a política de SMS é uma prioridade, esse conjunto de ocorrências me incentivou a me candidatar do Conselho. 

O Sistema Petrobrás está em um momento muito delicado, com a Transpetro na mira direta da privatização. O que um conselheiro, apenas uma única voz, pode fazer?

Homero – A gente precisa utilizar o arcabouço de informações que tem dentro do Conselho para poder elaborar projetos, ideias. O CA é uma instância política, são cadeiras indicadas pela empresa e uma cadeira para os trabalhadores, então no voto a gente sempre vai perder, mas definitivamente quando se falar em política de SMS, privatização, em desintegração do Sistema Petrobrás não tem consenso. Eu acredito que um conselheiro alinhado com os interesses da força de trabalho tem como se antecipar a algumas atitudes e estratégias, obviamente respeitando os limites e o termo de confidencialidade que o conselheiro assina.

Paralelamente a isso, eu tenho compromissos firmados com assessorias de extrema qualidade, o Ineep, o Dieese e a Advocacia Garcez. Junto com o Paulo César, que é consultor dessa advocacia, elaborei um estudo técnico sobre a importância da Transpetro para a Petrobrás e para o Brasil. Estou disponibilizando esse estudo durante a campanha para consulta de toda a força de trabalho. 

Como você está divulgando esse estudo?

Homero – Eu vou a uma unidade, faço o debate e entrego uma cópia do estudo nos setores, para consulta coletiva e depois disponibilizo de forma eletrônica para todos os grupos, para os sindicatos, que por sua vez distribuem para as suas bases. O Paulo César escreveu um livro mostrando a importância do refino para a Petrobrás. Eu venho com outro trabalho, em dupla com ele, em que mostramos a importância da Transpetro para a Petrobrás e para o país. Esses dois trabalhos formam um manifesto em defesa da soberania do país. Essas são as principais linhas estratégicas que vou seguir. 

Você falou em alinhamento com a força de trabalho. Como pretende fazer essa ligação, se comunicar com os trabalhadores?

Homero – Primeiro, ter uma boa assessoria de imprensa; depois, minha ideia é criar um comitê permanente com lideranças regionais, não necessariamente sindicais, com competência técnica para me auxiliar e encaminhar as demandas regionais. Terceiro é a criação de um grupo formado por conselheiros de outras estatais para poder tratar de estratégias de âmbito geral, como, por exemplo, essa desproporcional correlação de forças dentro dos conselhos.

Deveria ser paritária?

Homero – Sim, nós temos apenas uma cadeira, para se fazer um debate técnico equilibrado, o número de conselheiros indicados pela empresa e pelo governo tem de ser igual à representação dos trabalhadores.

Outra linha que esse comitê de conselheiros vai poder pensar é na questão de pautas trabalhistas e previdenciárias; atualmente, o conselheiro eleito não participa dessas discussões sob o argumento de conflito de interesses. Por essa lógica, os demais conselheiros também não poderiam debater causas mercadológicas, pois conflita com os interesses privados de conselheiros vindos do mercado. Eu não que tirá-los desse debate, eu quero incluir os representantes dos trabalhadores nos debates trabalhista e previdenciário. Isso envolve mudanças na legislação. 

E como você pretende desenvolver, especificamente, articulações com o conselheiro da Petrobrás, que hoje é o Danilo Silva, mas poderá ser outro?

Homero – Quero usar o arcabouço técnico das assessorias, junto com a experiência do Danilo, ou do próximo conselheiro. Eu vou dialogar com todos sem distinção, respeito muito o Danilo, um cara com uma formação incrível, já participei de reuniões com ele, temos afinidade nas questões que envolvem a Petrobrás e a Transpetro, porque se existe uma bandeira que nos une que é a Petrobrás estatal e integrada. 

E como manter essa integração em vista das ameaças da atual conjuntura?

Homero – Nesse estudo técnico que elaborei mostro que privatizar a Petrobrás e a Transpetro é um processo ilegal, que fere a lei do petróleo (9478), que criou a Transpetro. Ora, se a empresa foi criada por força de lei, o governo só pode abrir mão do controle se o artigo 65 dessa lei for revogado. Isso se chama paralelismo formal.

Outra questão que abordo é sobre a lei 9491, que criou o Programa Nacional de Desestatização. A lei estabelece um rito jurídico para a privatização. Mas o artigo 3 da lei diz que está vedada a privatização do Banco do Brasil, da CEF, e das atividades do Sistema Petrobrás elencadas no artigo 177 da Constituição Federal, que são, entre outros, o refino e o transporte. Ou seja, a lei de desestatização proíbe a privatização do refino e da logística. A empresa cria métodos alternativos, que não estão claramente estabelecidos na lei, para privatizar de outra forma. Como conselheiro quero mostrar essa ilegalidade e usar do arsenal jurídico da assessoria para combater a privatização. 

O que aconteceria com uma Transpetro privatizada?

Homero – Veja, a Transpetro não tem ativo, no decorrer dos governos, a empresa não assumiu a propriedade dos ativos, ou seja, os dutos e os terminais não são da Transpetro, o que é da companhia é a força de trabalho, esse é o maior bem da empresa. Agora, vende-se o ativo, que não é da Transpetro, o dinheiro dessa venda ilegal vai para o caixa da Petrobrás, aí uma nova empresa privada passa a assumir a propriedade do ativo sendo operado pela Transpetro, e essa empresa pode chegar e falar… 

Bye, bye, Transpetro, seu preço está alto, não quero mais…

Homero – Exatamente. A Transpetro se torna uma empresa que vai participar de concessões, deixar de ser a promotora do desenvolvimento e passar a ser e empresa que vai competir com outras empresas para prestar um serviço. 

E, teoricamente, quem comprar a refinaria pode determinar em quais locais é lucrativo levar os dutos.

Homero – É isso mesmo. Nessa lógica dá para dizer que a Transpetro “salva” a Petrobrás. Hoje, o mercado de importação de combustíveis não está pior, ou seja a Petrobrás não perdeu uma parcela maior de mercado por causa da Transpetro, se o país tivesse um monte de terminais privados, a Petrobrás teria perdido muito mais do que já perdeu. Aí vem a diretoria da Transpetro e diz que se a Petrobrás quer diminuir de tamanho o problema é dela, nós vamos continuar crescendo. Mas crescendo como sem os ativos? 

O Sistema é integrado, não tem como privatizar o refino sem atingir a Transpetro.

Homero – Claro! Se a malha logística não está com a Transpetro, a empresa se torna refém. Só que os compradores também sabem que só ter o refino não é interessante, eles querem black Friday todo dia. Diante dessa política de desinvestimento, com um governo entreguista, não comprometido com a soberania, deixando o mercado financeiro e o de capitais precificar o país a Transpetro pode ser desintegrada. 

Nesse cenário crítico, um conselheiro pode tentar fazer esse diálogo com a sociedade e os trabalhadores.

Homero – Exato, principalmente com a sociedade. Temos o dever de demonstrar a importância do Sistema Petrobrás para o desenvolvimento do país, a necessidade da presença do estado em regiões remotas, a necessidade da soberania energética, da capacidade de geração de empregos que a Petrobrás possui. Não defender a Petrobrás e a Transpetro agora é comprometer o futuro desta e das próximas gerações.

[Entrevista concedida ao jornalista Norian Segatto]

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O Sindipetro Ceará/Piauí está em processo eleitoral para escolha da nova diretoria. A FUP manifesta apoio à Chapa 1 -  União, Trabalho e Luta – e repudia, veementemente, os ataques da Chapa 2, impugnada pela Comissão Eleitoral por descumprir o estatuto do sindicato.

Além de ter candidato não filiado ao Sindipetro-CE/PI, a Chapa 2 não cumpriu as exigências estatutárias, ao fazer o registro com documentação incompleta. Por unanimidade, a Comissão Eleitoral impugnou a candidatura, mas, para tumultuar o processo, a Chapa 2 está tentando desqualificar a eleição.

A FUP reafirma a legalidade do processo eleitoral e convoca os trabalhadores sindicalizados a votarem em massa na Chapa 1, que tem à frente o atual presidente do Sindipetro, José Jorge Oliveira, que tem sido fundamental nas lutas em defesa da categoria.

Os companheiros que integram a Chapa 1 têm sido importantíssimos nos enfrentamentos contra o desmonte e a privatização da Petrobrás, que resultaram na construção da Frente Parlamentar Cearense, ampliando a luta em defesa da empresa nacionalmente e também no âmbito estadual.

A atual gestão do Sindipetro-CE/PI também foi fundamental na luta contra o Plano de Equacionamento da Petros, o PED assassino, e na defesa dos direitos e dos empregos dos petroleiros. Temos certeza de que essas lutas se ampliarão com a reeleição dos companheiros.

Junto com a FUP, o Sindipetro-CE/PI ainda tentou construir uma chapa unitária para fortalecer a entidade nos enfrentamentos aos graves ataques do atual governo e dos entreguistas da Petrobrás, mas não foi esse o entendimento da oposição.

A direção da FUP defende incondicionalmente a escolha democrática dos representantes sindicais, respeita e entende a importância das oposições nesse processo, mas não pode compactuar com o descumprimento do estatuto do sindicato.

Fazemos, portanto, um chamado aos petroleiros do Ceará para que fortaleçam a nossa organização sindical nesse momento em que enfrentamos o maior ataque já visto contra o Sistema Petrobrás e os direitos dos trabalhadores.  

Mais do que nunca, é fundamental que tenhamos sindicatos atuantes, classistas e comprometidos com a defesa da soberania, da democracia e das conquistas da classe trabalhadora.

Vote Chapa 1 - União, Trabalho e Luta.

Federação Única dos Petroleiros - FUP

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Um trabalhador da Petrobrás morreu e outros cinco terceirizados estão internados em consequência de um acidente ocorrido a bordo do navio holandês que está transportando a P-70, que foi construída na China e está a caminho do Brasil desde o início de dezembro. A direção da empresa não deu maiores detalhes sobre o ocorrido. Segundo informações preliminares, os trabalhadores teriam sido vítimas de uma intoxicação por etanol.

No comunicado divulgado à imprensa, os gestores da Petrobrás confirmaram o fato, lamentando a morte do trabalhador, mas priorizaram informar ao mercado que o acidente não causaria prejuízos à empresa e nem atrasaria o cronograma de instalação da P-70.

A FUP lamenta a morte do petroleiro e está buscando maiores informações. As outras cinco vítimas da suposta intoxicação foram internadas em um hospital da África da Sul, onde o navio atracou para que os trabalhadores pudessem ser socorridos.

Este foi o segundo acidente fatal envolvendo petroleiros brasileiros nesse início de ano. Na madrugada do dia 09, o mergulhador Graciano Elvyis Silva, de 41 anos, contratado pela Petrobrás, morreu a bordo de uma embarcação na Bacia de Campos, que prestava serviços para a plataforma P-33.

Segundo relatos obtidos pelo Sindipetro-NF, ele teria jantado por volta das 19h e fez um mergulho aproximadamente à meia-noite. Ao retornar, avisou que estava se sentindo mal e desmaiou. O mergulhador chegou a ser socorrido, inclusive com massagem cardíaca e desfibrilador, mas não resistiu. O sindicato participará da comissão de apuração do acidente.

P-70 deveria ter sido construída no Brasil

O acidente no transporte da P-70 é uma tragédia em diversos sentidos. Além de uma vida perdida e da saúde de vários trabalhadores comprometida, o fato traz à tona a dramática situação que vive o Brasil em função dos desmandos e irresponsabilidades da operação Lava Jato.  Empregos e renda que poderiam ser gerados no país foram exportados para a Ásia, onde passou a ser construída a maior parte das plataformas encomendadas pela Petrobrás e por outras operadoras do Pré-Sal.

A P-70 é o penúltimo dos seis FPSOs replicantes encomendados no Brasil, mas cujas obras foram transferidas para estaleiros do Japão, Tailândia e China. A construção da embarcação, já estava em andamento no Brasil, no Porto do Açu, no Norte Fluminense, quando foi desmobilizada em 2015, no rastro da destruição que a Lava Jato causou ao setor naval.  Junto com a P-67, que também estava sendo construída no local, a P-70 migrou para a cidade chinesa de Qingdao e as obras passaram a ser tocadas pelo estaleiro China Offshore Oil Engineering Corporation (COOEC).

A história da P-70, assim como a da P-67 e dos outros FPSOs encomendados para o Pré-Sal, é uma tragédia anunciada. A Lava Jato levou ao colapso vários setores da economia brasileira que integram a cadeia produtiva de óleo e gás. A indústria naval e a engenharia nacional foram as mais prejudicadas. Mais de 60 mil postos de trabalho diretos e milhares de indiretos foram destruídos, em função do fechamento de estaleiros e da redução drástica dos contratos da Petrobrás.

A Lava Jato impactou também os setores metalomecânico, a construção civil e a engenharia pesada, cujas perdas beiram R$ 140 bilhões e mais de 900 mil empregos perdidos, segundo o “Balanço Econômico da Lava Jato”, estudo publicado em agosto de 2019 pelo Jornal dos Economistas.

Os abusos da Lava Jato, já há muito tempo condenados por empresários e especialistas, foram também alvo de crítica recente por parte do presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Já o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, e a quadrilha bolsonarista que está destruindo a estatal, insistem em usar a corrupção como desculpa para acabar com o que ainda resta de empregos no país, amaldiçoando a política de conteúdo local e entregando as nossas riquezas às multinacionais.

[FUP]

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Em reunião nesta quarta-feira, 08, com a Gerência de Pessoas da Petrobrás, a FUP reafirmou o posicionamento unânime dos petroleiros nas assembleias a favor da manutenção das tabelas de turno de revezamento.  A Federação também tornou a cobrar um posicionamento da empresa sobre a PLR e questionou as gerências sobre a implantação da chamada “demanda reduzida” nas unidades operacionais e o assédio em relação às homologações de rescisões de trabalhadores que aderiram ao PIDV. 

Tabela de turno 

Mesmo diante do resultado unânime das assembleias, que referendaram a proposta da FUP apresentada à Petrobrás para manutenção e pactuação das tabelas de turno de revezamento em um termo aditivo ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), a Gestão de Pessoas da Petrobrás insiste em implantar a tabela “3x2”, à revelia dos sindicatos e contrariando a vontade expressa dos trabalhadores.

A empresa informou que é “impossível” manter as tabelas que vinham sendo praticadas nas unidades. Além disso, os gestores afirmaram que continuarão com o cronograma de implantação da nova tabela e que qualquer negociação com os sindicatos em relação à “tabela C” (a mais votada na enquete feita pela empresa) só será feita após a “3x2” entrar em vigor. A empresa afirmou ainda que o mesmo vale para qualquer tabela que venha a ser apresentada pelos trabalhadores.

Como se não bastasse, a Gerência de Gestão ainda condicionou essa negociação a um acordo em que a FUP e os sindicatos se comprometem a não judicializar a nova tabela e abrem mão de todo o passivo trabalhista decorrente de ações que questionem as tabelas de turno praticadas pela Petrobrás. E mais: o tal acordo proposto pela Gerência de Gestão prevê que, mediante "decisão administrativa" - cujo teor, forma ou origem não foi esclarecido – a empresa pode voltar a aplicar a tabela “3x2”.

A FUP questionou duramente a truculência, intransigência e desrespeito da gestão da Petrobrás ao tratar uma questão que é tão relevante e delicada para os trabalhadores e alertou que, de norte a sul do país, a categoria está indignada com as mudanças impostas pelas gerências.

As representações sindicais afirmaram que essa atitude da empresa irá aumentar o passivo trabalhista e que o único acordo que garantiria o compromisso dos sindicatos de não contestar a Petrobrás na justiça seria a manutenção das tabelas atuais, como a FUP já havia sinalizado durante o processo de negociação, em novembro.  Mas a Gerência de Pessoas rompeu a negociação, impondo uma consulta sobre novas tabelas de turno à categoria, que não teve sequer respaldo dos trabalhadores.

A FUP e os sindicatos afirmaram que só negociarão uma nova tabela com a empresa, sem condicionamentos jurídicos e mediante a suspensão da implantação da tabela “3x2”.  

PLR 

A Petrobrás continua descumprindo as novas orientações para a PLR, contidas na Medida Provisória 905/2019. Segundo o Artigo 48 da MP, as regras para o pagamento da PLR podem ser definidas em até 90 dias antes da data estabelecida para a sua quitação. Isso altera todo o processo de negociação das PLRs 2019 e 2020, mas a gestão da Petrobrás continua se fazendo de desentendida.

Ao ser mais uma vez questionada pela FUP se cumprirá a MP 905 e se aceitará a mediação da negociação pelo TST, a Gerência de Pessoas mentiu novamente, alegando que precisa de autorização do governo federal para validar a MP e que seus efeitos sobre a PLR de estatais ainda não são claros. O acordo de PLR assinado pelo Serpro (uma empresa estatal federal), com a mediação do TST, foi feito com base na MP 905. A Petrobrás também se nega a responder sobre o pedido de mediação da negociação feito pela FUP e já aceito pelo TST. A empresa informou que só se posicionará ao final do recesso judiciário.

Homologação de rescisões fora dos sindicatos 

A FUP questionou a Petrobrás sobre a orientação que vários trabalhadores que aderiram ao PIDV estão recebendo para não homologar a rescisão nos sindicatos. Os representantes sindicais condenaram esse tipo de assédio, ressaltando que cabe ao trabalhador e não à empresa decidir onde fazer a homologação. Os gestores alegam desconhecer essas situações, informando que vão averiguar.

Demanda reduzida 

Com os efetivos operacionais ultra reduzidos, gestão da Petrobrás decidiu aplicar no dia primeiro de janeiro uma medida prevista pelos estudos de Organização e Método (O&M), implantado pela empresa em 2017, à revelia dos sindicatos. É a chamada “demanda reduzida”, mais uma manobra dos gestores para burlar o número mínimo de trabalhadores, evitar dobras de turno e, assim, diminuir pagamentos de horas extras.

Na Repar, por exemplo, sob o pretexto de estar com "demanda reduzida", o número de operadores no grupo de turno foi reduzido nos feriados de final de ano. Não há esclarecimentos suficientes sobre como e quando se aplica essa medida, que critérios são usados para definir que a demanda de serviços está reduzida, qual seria a forma de trabalhar, entre outros problemas que colocam em risco a segurança operacional. A FUP ressaltou que, além de aumentar a insegurança, a medida imposta pela Petrobrás, fere o ACT em sua cláusula 86, que trata de efetivos.

[FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Por José Maria Rangel, coordenador da FUP

Ao contrário das mentiras que despejou em seu pronunciamento à Nação na véspera de Natal, Bolsonaro termina 2019 com seu governo mergulhado em graves denúncias de corrupção e sua família sendo investigada por envolvimento com milicianos que participaram do assassinato da vereadora Marielle Franco. Na contramão do falso discurso moralista que o elegeu, denúncias de lavagem de dinheiro, caixa 2, funcionários fantasmas, improbidade administrativa e outros esquemas de corrupção revelam a verdadeira face do presidente.

A “velha política” que dizia combater está no DNA de seu governo, como apontam os esquemas das “rachadinhas” e dos “laranjas” que beneficiaram o clã Bolsonaro e seus aliados políticos. Pelo menos, seis dos ministros que ele nomeou são acusados de atos de corrupção: três deles já foram denunciados, um condenado e dois estão sendo investigados.

Até quando seremos reféns de um presidente que destrói e envergonha a nossa Nação, eleito com fake news e que se sustenta à base de mentiras e enganações? Segundo levantamento da agência de checagem Aos Fatos, em 356 dias como presidente, Bolsonaro deu 572 declarações falsas ou distorcidas.

Será que os gestores da Petrobrás estão orgulhosos por servirem a um governo fake, cujo presidente se comporta como um moleque na tentativa de se esquivar da responsabilidade de suas ações vis e levianas?

Como estão reagindo os diretores e gerentes da Petrobrás que são agentes da privataria criminosa comandada por esse governo? Vão continuar se protegendo por trás do escudo do suposto combate à corrupção?

Cadê a indignação daqueles gestores que afirmaram que a Petrobrás foi vítima de uma “quadrilha organizada” agora que estão diante de um governo forjado por quadrilhas de milicianos?

Será que farão chacota dessa gente, como fizeram com os governos do PT?

Os diretores e gerentes da Petrobrás estariam neste silêncio constrangedor se os escândalos fossem em um governo de esquerda?

A história não perdoará a hipocrisia dos moralistas sem moral que estão condenando o nosso país a um retrocesso milenar.

Nós, petroleiros e petroleiras que construímos a Petrobrás com nosso trabalho e dedicação, não iremos nos calar diante dos horrores deste governo.

Nossa luta em 2020 será decisiva e ensurdecedora.

 

Publicado em Política

Em entrevista à Rede Brasil Atual, o coordenador da FUP, José Maria Rangel, fala sobre os desafios que os petroleiros enfrentarão em 2020, como o avanço das privatizações no Sistema Petrobrás, entrega do petróleo brasileiro através do desmonte do regime de partilha do pré-sal e de novas tentativas de retirada de direitos da categoria.

Leia a íntegra:

O coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, tem “as piores expectativas possíveis” sobre as políticas para a Petrobras em 2020. Ele destaca três temas para justificar sua avaliação. O primeiro é que a estatal tem plano de colocar cinco refinarias à venda: Landulpho Alves (RLAM), na Bahia; Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco; Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul; Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná; e Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais. O segundo, uma possível mudança nas regras atualmente em vigor para os leilões do pré-sal. O terceiro, o acordo coletivo da categoria no ano que vem.

A empresa justifica a venda das refinarias sob o argumento de que quer se concentrar no Sudeste do país. Na semana passada, o presidente da companhia, Roberto Castello Branco, explicou a investidores estrangeiros, em Nova York, que “a Petrobras vai ser uma companhia bem focada em exploração e produção de petróleo e gás natural em águas profundas, geograficamente concentrada no Sudeste brasileiro, em três estados: Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo”. Essa política não preocupa apenas a FUP e outras entidades que reúnem petroleiros, mas também governadores do Nordeste. Segundo o Dieese, com a venda dessas e outras refinarias serão demitidos 4.895 empregados. Mesmo que esses trabalhadores sejam recontratados, antes disso ficarão sem emprego.

Os campos do pré-sal também são tema de preocupação, diz Zé Maria Rangel. Não só por novos leilões, mas porque um novo projeto do senador José Serra (PSDB-SP) revoga o direito de preferência para a Petrobras nas licitações no regime de partilha de produção.

A avaliação do coordenador da FUP é a de que o fracasso (para o governo) do aguardado “megaleilão” realizado em novembro vai provocar um movimento de interessados na privatização e internacionalização dos ativos. “Acho, opinião minha, que eles não vão mais leiloar no sistema de partilha atual. Acredito que vão fazer um esforço para mudar a lei, aproveitando o projeto de Serra”, diz. “É uma avaliação que faço baseado no último leilão, que foi um fiasco.”

No leilão de novembro, a importante área de Búzios teve oferta única, do consórcio formado por Petrobras (90%) e as chinesas CNOOC Petroleum (5%) e CNODC Brasil (5%). O consórcio vai pagar R$ 68,194 bilhões. A área de Itapu, por R$ 1,766 bilhão, também foi arrematada pela estatal brasileira. No leilão, o governo arrecadou aproximadamente dois terços (R$ 70 bilhões) do que esperava (R$ 106,5 bilhões).

“O leilão foi positivo para a FUP, mas, para o modelo de pensamento entreguista que tem o governo, foi um desastre. Para a Petrobras foi um ótimo negócio. Mas a Petrobras só entrou e bancou porque senão o fracasso seria maior e o governo precisava de dinheiro para cobrir suas contas. Do contrário, a Petrobras também não entrava”, avalia Zé Maria.

Atualmente, pela lei de partilha, para vender campos de pré-sal a estatal tem preferência de comprar os blocos. O Conselho Nacional de Política Energética e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) definem os blocos a serem leiloados e oferecem à Petrobras, que tem 30 dias para manifestar em quais tem interesse. Naqueles pelos quais manifestar interesse, ela é obrigatoriamente operadora e tem 30%. “Nos blocos em que não manifestar interesse, é a regra do leilão, quem pagar leva. Isso tem sido motivo de polêmica com as multinacionais. Na visão delas, todos têm que ter os mesmos direitos.”

É isso que o projeto de Serra introduz na legislação. O PL 3.178/2019 prevê acabar com a preferência da Petrobras. Projeto do mesmo senador tucano modificou a lei da partilha original, segundo a qual era obrigatório que a Petrobras tivesse 30% e fosse operadora única em todos os blocos. A lei flexibilizou para que a estatal, sendo ofertados os blocos, tenha preferência (e não obrigação) de escolher em quais pode ser operadora e ter os 30%. “Tem uma diferença entre ser obrigada e ter a opção”, diz o dirigente.

Em 2020 haverá ainda outro “embate duro”, mais para o meio do ano, aponta Zé Maria. Será a negociação de acordo coletivo da categoria. “Mas o início do ano vai ser muito puxado, por conta das refinarias.”

Rio Grande do Norte

A governadora Fátima Bezerra recebeu do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo (Ineep) um estudo sobre os impactos da estratégia da Petrobras para a região Nordeste e o estado do Rio Grande do Norte. A FUP e O Sindipetro-RN apresentaram uma campanha para estimular a permanência da Petrobras no estado, intitulada “Pelo povo Potiguar a Petrobras fica no RN”.

Segundo o diretor-técnico do Ineep, William Nozaki, a estatal brasileira está abrindo mão de realizar cerca de R$ 4,2 bilhões em investimentos no estado. Essa política, diz, pode afetar mais de 100 mil postos de trabalho direta e indiretamente. “Em função dos desinvestimentos já realizados, há maior rotatividade no mercado de trabalho e os salários de quem atua em áreas de apoio e serviços da cadeia de petróleo têm sofrido redução, em média, de mais de 20%.”

A falta de investimentos provoca o declínio da produção. Consequentemente, a região e o estado arrecadam menos royalties do que poderiam. “O Rio Grande do Norte é autossuficiente em todos os derivados. Mas, com a abertura do mercado local, cria-se dependência de importações e o preço dos combustíveis aumenta”, avalia Nozaki.

[Via  Rede Brasil Atual]

Publicado em Sistema Petrobrás

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), palco de lutas histórias em defesa da democracia e da soberania nacional, sediou na noite de quinta-feira, 12, o lançamento de mais uma Frente de Luta em Defesa da Petrobrás. O fórum reúne organizações da sociedade civil, entidades sindicais, movimentos sociais e partidos políticos em uma frente articulada no estado do Rio de Janeiro para defender a soberania nacional na exploração, produção de derivados do petróleo, através da estatal brasileira. 

A célebre frase “país que entrega seu petróleo, entrega também sua soberania”, citada pelo presidente Getúlio Vargas na criação da Petrobrás, em 1953, abriu o manifesto de lançamento da Frente, que foi lido no plenário da ABI.

Os petroleiros estavam lá, junto com engenheiros, metalúrgicos, jornalistas, professores, advogados, estudantes, eletricitários, trabalhadores rurais, bancários e tantos outros atores políticos que lutam contra a privatização da Petrobrás e das demais estatais brasileiras, que estão sendo desmontadas pelo governo Bolsonaro.

Oo diretor da FUP, Deyvid Bacelar, rebateu afirmações recentes do presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, que tornou a levantar suspeitas de corrupção na companhia, na tentativa de justificar a maior privatização da história da indústria de petróleo. “Na verdade, o debate da corrupção é apenas para justificar a entrega, o desmonte, a venda das empresas estatais”, afirmou Deyvid.

“Bolsonaro e seu lacaio Roberto Castello Branco se dizem contra a estatização, mas ajudam estatais estrangeiras a comprarem ativos da Petrobrás aqui no Brasil. Eles se dizem contra a integração da Petrobrás, mas ajudam a Shell, a Total, a integrarem a sua cadeia comprando ativos do sistema Petrobrás aqui no Brasil. Se dizem contra o monopólio estatal do petróleo no País, mas criam um oligopólio nacional e monopólios regionais com empresas privadas, que se nós não lutarmos vão comprar refinarias no Rio Grande do Sul, no Paraná, na Bahia, em Pernambuco e em outros estados”, ressaltou o diretor da FUP.

Veja a íntegra da fala de Deyvid, ontem na ABI: 

[FUP | Foto: Luciana Fonseca (Sindipetro-NF)]

 

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Nesta quinta-feira, 12, os petroleiros participam do lançamento no Rio de Janeiro da Frente Estadual em Defesa da Petrobras, da Soberania Nacional e do Desenvolvimento, que será realizado às 18h, no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

O coordenador da FUP, José Maria Rangel, é um dos palestrantes do evento, que contará com a participação de entidades representativas da sociedade civil, parlamentares, autoridades, que, juntos, lançarão manifesto de criação da Frente.

Redigido pelo jornalista José Augusto Ribeiro, biógrafo de Getúlio Vargas e autor do livro “Saga da Petrobrás”, o manifesto tem como título a célebre frase “País que entrega seu petróleo, entrega também sua soberania”. A citação de Vargas  tornou-se lema da campanha “o petróleo é nosso”, que resultou na criação da Petrobrás, em 1953.

A Frente Estadual em Defesa da Petrobras conta com a participação de petroleiros, engenheiros e diversas entidades de classe e da sociedade civil organizada, como a ABI, OAB, CUT, CTB, entre várias outras organizações sociais. 

Confirme a sua presença e ajude a divulgar o evento.

Manifesto de lançamento da Frente Estadual (RJ) em Defesa da Soberania Nacional, do Desenvolvimento e da Petrobras

“País que entrega seu Petróleo, entrega tambem sua Soberania” (Getúlio Vargas)

O Governo Bolsonaro está entregando a Petrobrás e o Pré-Sal, acelerando a entrega de nossas refinarias de petróleo. Isso significa perder o controle sobre o preço de todos os derivados, do diesel, que transporta as mercadorias, ao gás de cozinha, que tantas famílias já não conseguem comprar.

Essa política de privatizações já atingiu a Embraer, e atingirá  a Eletrobrás, o BNDES, que financia nosso desenvolvimento industrial, a Caixa Econômica, que financia o pouco que temos de habitação popular, o Banco do Brasil, que é o sustentáculo do agronegócio, a Embrapa, nossa maior experiência de tecnologia e inovação agrícolas, e todo o setor do saneamento, transformando a água que bebemos em mercadoria controlada por estrangeiros.

Este Governo entreguista listou inicialmente dezessete empresas nacionais para privatização, e aposta na venda da Petrobrás com a falsa justificativa de combater o déficit fiscal. Por décadas, a Petrobras enfrentou desde o ceticismo de geólogos estrangeiros que, através da grande imprensa, viviam a apregoar que no Brasil não havia petróleo, até a oposição sistemática de forças políticas, que sempre se pronunciaram e se pronunciam abertamente a favor da entrega do negócio do petróleo ao capital estrangeiro, sob a alegação de que, aqui, não há capacidade técnica nem capital para desenvolvê-lo. A Petrobras venceu todos os obstáculos e firmou-se como uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.

Em 2006, fizemos a maior descoberta mundial de petróleo dos últimos 30 anos: o chamado Pré-Sal. A despeito da grande pressão para entregar o petróleo às multinacionais em regime de concessão, o Congresso Nacional em 2010 atribuiu à Petrobrás a exclusividade das operações no Pré-Sal, e assegurou à União parte do petróleo produzido em eventuais parcerias com multinacionais, a chamada lei da partilha.

A partir de 2015, a pressão entreguista aumentou, e a Petrobras vem sendo sistematicamente desmontada, através da venda de partes vitais das operações da empresa, como campos, oleodutos, gasodutos e terminais, da venda da sua distribuidora de combustíveis, a BR, da venda distribuidora de gás de botijão, a Liquigás, o que vai afetar perversamente as famílias mais pobres, e da venda, em andamento, de suas refinarias, que têm o poder de definir o preço que o consumidor final vai pagar pelo diesel, pela gasolina e demais derivados.

Mais ainda, retirou-se da Petrobrás o direito de ser a operadora exclusiva nos campos do Pré-Sal, entregou-se a uma multinacional o campo de Carcará, o melhor do Pré-Sal, extinguiu-se a política de apoio ao conteúdo local nas compras da Petrobrás, fragilizando cadeia produtiva de mais de 5000 empresas, nacionais e estrangeiras, responsáveis por 800.000 empregos especializados, e se concedeu absoluta isenção tributária por 20 anos às atividades nas áreas de petróleo e gás.

Agora, se acentua o processo de entrega às multinacionais das áreas descobertas pela empresa. Ao entregarmos assim nosso petróleo, não é só à nossa soberania que estamos renunciando. Estamos desistindo da retomada de nosso desenvolvimento, estamos aceitando essas taxas humilhantes de desemprego, estamos condenando à miséria milhões de brasileiros que começavam a sair dela, e oferecendo à juventude um futuro sem esperança e sem horizontes. Estamos, de fato, devolvendo o Brasil à condição de colônia.

Não há justiça social sem desenvolvimento, nem desenvolvimento sem soberania. O desmonte da Petrobrás e a privatização prevista das empresas nacionais como a Eletrobrás, Correios, Serpro, Dataprev, Casa da Moeda já foi longe demais.

Sem as empresas nacionais em setores estratégicos a soberania estará comprometida. Sem a Petrobras não teremos, nem soberania, nem desenvolvimento e, muito menos, justiça social.

[FUP, com informações do Senge/RJ e da ABI]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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