Pai de trabalhador morto em acidente na Petrobrás declara seu apoio à greve

Segunda, 23 Março 2009 21:00
Em apoio à greve dos petroleiros, cujo um dos principais eixos é garantir condições seguras de trabalho nas...

Imprensa da FUP

Em apoio à greve dos petroleiros, cujo um dos principais eixos é garantir condições seguras de trabalho nas unidades da Petrobrás, a FUP recebeu o depoimento do pai de um mergulhador que perdeu a vida em um acidente de trabalho na empresa.

O depoimento narra em detalhes o acidente ocorrido e reforça ainda mais a importância da luta da categoria para garantir o direito a um ambiente de trabalho seguro.

Veja a seguir a íntegra do depoimento de Marcio Camargo Costa, pai do mergulhador Marcio Camargo Costa Filho, morto em acidente de trabalho, ocorrido em maio de 2007, na Bacia de Campos:

"Inicialmente, quero afirmar meu irrestrito apoio à grave geral. Meu filho, Márcio Camargo Costa Filho, mergulhador, foi vítima da irresponsabilidade e da insegurança, que há tempos vigora impunemente na Petrobrás.

Meu filho faleceu às 16 horas de 15 de maio de 2007, na Plataforma FPBR, na Bacia de Campos, em Macaé, quando trabalhava a 30 metros de profundidade. O inquérito presidido pela Marinha (418 páginas) concluiu o seguinte:

l) O compressor de ar parou de funcionar.

2) Restabelecido o equipamento, o tubo estourou.

3) O tubo sobressalente não foi e/ou não estava conectado

4)O botijão de oxigênio de reserva estava com a válvula emperrada

5) Não estava na àrea o mergulhador de sobreaviso.

Passados mais de 5 minutos, Márcio ainda tentou subir, falecendo, já na plataforma, por embolia pulmonar. Eu e minha família não recebemos nenhuma assistência (a mãe de Márcio está em contínuo tratamento por depressão profunda). Recorri aos grandes meios de comunicação desse País, sem receber nenhuma resposta: jamais publicaram uma linha sobre o caso.

Espero que este meu desabafo possa ser utilizado em benefício dos trabalhadores petroleiros, por melhores condições de trabalho e respeito profissional. Para finalizar, lembro que, quando garoto, apanhei da polícia por pixar muros com os dizeres "O Petróleo é Nosso!", quando se lutava pelo monopólio estatal e pela soberania do povo bresileiro sobre seus recursos naturais".

Márcio Camargo Costa

Publicado em Últimas Notícias

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