Conselheira eleita rebate venda de Marlim: "Não abriram a porteira, ela foi arrancada com a cerca junto"

Terça, 17 Novembro 2020 17:19

Rosângela Buzanelli, representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, criticou duramente a decisão da gestão Castello Branco de vender 50% do Polo de Marlim, na Bacia de Campos. Veja a íntegra de seu comunicado:

Complexo Marlim, definitivamente, não abriram a porteira, ela foi arrancada com a cerca junto

Dados resumidos dos campos em oferta

Novamente somos surpreendidos pela oferta de campos gigantes da Bacia de Campos, compreendidos, como a própria oferta destaca, como a maior acumulação pós-sal no Brasil, um dos ativos prioritários para a companhia, com VOIP (volume in place) acima de 20 Gbbl (bilhões de barris), prazo de concessão até 2052, localizados em águas profundas e ultra-profundas, com oportunidades no pós-sal e pré-sal. Definitivamente, não abriram a porteira, ela foi arrancada, com cerca e tudo.

Inexplicável a venda de 4 campos cuja produção atual soma 240 mil boe/dia com potencial de aumento significativo e reservatórios comprovados, e a testar em curto prazo, no pré-sal. E se pretende desfazer-se da metade de tudo isso. Em que essa decisão vai ajudar a companhia e o país?

Em que, estrategicamente, é bom para a Petrobrás concentrar suas atividades em alguns campos do pré-sal da Bacia de Santos, os mais rentáveis? Pode ser muito bom momentaneamente aos acionistas investidores, que lucrarão como em nenhum outro negócio, mas no curto prazo, pois matarão a galinha dos ovos de ouro.

Como uma gigante do petróleo pretende sobreviver gigante, concentrando suas atividades em plays geológica, logística e tecnologicamente similares, concentrando a produção em poucos campos e unidades? E se ocorrer um problema? O que torna uma empresa de petróleo gigante e resiliente, não é o lucro máximo no menor prazo, é a sua diversificação e verticalização. Os exemplos são múltiplos no planeta, não é preciso desenhar.

Como seria a Petrobrás se, ao longo de sua história, se concentrasse naquilo que domina? A resposta é simples: seria uma anã ou não existiria. Não existiria produção offshore. Seríamos um país dependente das importações de praticamente todo o petróleo e derivadosl que consumimos e as consequências disso, todos nós sabemos.

Anunciam a venda da metade de campos gigantes, com boa, lucrativa e crescente produção, acervos gigantescos de dados geológicos e geofísicos (poços, testemunhos, levantamentos 3D e 4D, etc.,) com todo seu conhecimento  agregado e mais, um atrativo que tem sido ressaltado em várias ofertas: não há obrigação de conteúdo local.

O conteúdo local foi criado para a geração de emprego e desenvolvimento tecnológico no Brasil. Isto posto, realmente a oferta é um excelente negócio: campos lucrativos, conhecimento gerado em décadas de pesquisa e investimentos e mais, sem obrigação de manter ou gerar emprego e tecnologia no Brasil.

Repito novamente a pergunta que fiz há não muito tempo para nova reflexão: a quem interessa mesmo esse negócio?


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