FUP entra com dissídio coletivo para que Petrobrás negocie efetivos

Quinta, 29 Junho 2017 20:33

Diante da recusa sistemática da gestão da Petrobrás em discutir com as organizações sindicais os efetivos de trabalhadores necessários para garantir a segurança nas unidades, a FUP e seus sindicatos ingressaram nesta quinta-feira, 29, com Dissídio Coletivo de Natureza Jurídica, cobrando que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) intervenha e faça valer o cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho pactuado com a empresa.

Os itens do ACT citados na Ação são a Cláusula 81, que trata de Excedente de Pessoal; a Cláusula 90, sobre Política de Admissão de Novos Empregados; a Cláusula 91, que garante o um Fórum para Discussão de Efetivos de Pessoal; a Cláusula 123, sobre Condições de Segurança e Saúde Ocupacional, e a Cláusula 132, que trata de Políticas de Saúde.

Desde a implantação da NR-20, em 2012, a FUP e seus sindicatos vêm cobrando a negociação de efetivos, em cumprimento à Norma e também às cláusulas do Acordo Coletivo. Mas a Petrobrás tem fugido de todos os debates. O Fórum de Efetivos que realizou serviu apenas para os gestores apresentarem o PIDV, um pacote que já chegou pronto para cortar custos e encolher em mais de 20% os quadros da companhia. Com a saída em massa de mais de 19 mil trabalhadores, os riscos de acidentes se multiplicaram. Imagine agora com os novos cortes nas áreas operacionais?

Estamos à beira de uma tragédia anunciada

A estratégia da Pedro Parente e sua turma é sucatear para privatizar, pouco se importando com a vida do trabalhador e a segurança das comunidades que estão no entorno das unidades da Petrobrás. Com um acidente após o outro, as refinarias estão à beira de uma tragédia anunciada de proporções catastróficas, como ocorreu nos anos 80 na Vila Socó, em Cubatão, e no início dos anos 2000, com os gigantescos acidentes ambientais e o afundamento da P-36. Além de descumprirem a legislação e o ACT, os gestores estão violando a Convenção 174 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Desde 2002, o Brasil é signatário da Convenção, que tem por objetivo garantir a segurança em instalações expostas a riscos de grandes acidentes industriais, envolvendo substâncias perigosas. As recomendações foram elaboradas pela OIT após a ocorrência em 1984 de duas tragédias decorrentes de medidas de gestão que precarizaram as condições de trabalho, causando milhares de vítimas. Uma delas foi o vazamento de instalações da Petrobrás em Cubatão, que incendiou Vila Socó, deixando centenas de mortos e mais de três mil desabrigados. O outro acidente foi em Bhopal, na Índia, onde um vazamento de gás altamente tóxico de uma multinacional matou cerca de 18 mil pessoas. Estamos novamente à beira de uma tragédia anunciada.

Greve começa à zero hora desta sexta

A única chance dos trabalhadores impedirem que acidentes como o de Vila Socó e Bhopal se repitam é através da luta organizada. Por isso, à zero hora desta sexta-feira, 30, os petroleiros irão parar em todo o país, fortalecendo a greve geral convocada pelas centrais sindicais e movimentos sociais para barrar as reformas que retiram direitos dos trabalhadores.

A categoria mais uma vez irá denunciar as mazelas do desmonte comandado por Pedro Parente e exigir que a gestão da Petrobrás suspenda as reduções de efetivos impostas nas refinarias, onde a greve será por tempo indeterminado, com avaliações diárias da FUP e dos sindicatos. [email protected] à luta! O que está em risco é a vida de cada um dos petroleiros e a segurança das comunidades vizinhas às unidades operacionais. Nenhum(a) trabalhador(a) a menos. Nenhum direito a menos. #SextaTemGreve

Acompanhe a cobertura da greve pelas mídias socias da FUP: @fupetroleiros (Facebook) @fupbrasil (Instagram)

FUP

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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