O presidente da CUT explica a importância da intensificação da luta pela redução da jornada de trabalho

Quinta, 07 Fevereiro 2008 22:00

Ao contrário da tragédia que os patrões vivem anunciando, a redução da jornada de trabalho, sem redução de salário, não compromete a competitividade da economia, diz o presidente da CUT, Artur Henrique, nesta entrevista concedida ao jornal Tribuna Metalúrgica, órgão oficial do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista

Na segunda-feira, 11, as centrais sindicais iniciaram, em São Paulo, o primeiro ato de rua da campanha pela redução da jornada semanal de 44 horas para 40 horas, sem redução do salário. A campanha pretende coletar pelo menos 1 milhão de assinaturas ao projeto de lei que será apresentado ao Congresso Nacional. O presidente da CUT, Artur Henrique, disse que haverá necessidade de uma grande luta por parte dos trabalhadores, já que a redução da jornada vai enfrentar forte oposição do empresariado.

Leia a íntegra da entrevista concedida ao jornal Tribuna Metalúrgica. 

Qual o impacto de uma jornada menor na folha de pagamento?

Estudo com base em números da Confederação Nacional da Indústria mostra que a redução da jornada em 4 horas elevaria os custos da mão-de-obra em apenas 1,99%. Esse custo seria absorvido pelas empresas em seis meses.

 As empresas alegam que perderão em competitividade...

Não é verdade. A redução da jornada não traz o menor risco para a competitividade de nossa economia. Mesmo porque a elite capitalista internacional diz que o salário baixo é um fator negativo na hora de medir a competitividade de uma economia.

 Os salários brasileiros são baixos?

O poder de compra do salário mínimo, em comparação aos 20 maiores parceiros comerciais do Brasil, só é mais alto que o da Rússia. Em todos os outros 19 países o poder de compra do mínimo é maior, incluindo Xangai, a região mais industrializada da China.

Só o salário mínimo?

O mesmo vale para os salários médios. O poder de compra do salário médio brasileiro só não perde para México e Sri Lanka. As empresas também dizem que reduzir direitos ajuda baixar o preço do produto. Essa é outra mentira. Na década passada, a reestruturação neoliberal reduziu custos e o preços não caíram. O que os capitalistas querem, de verdade, é aumentar as margens de lucro.

Quais as vantagens da redução da jornada?

Além de possibilitar a abertura de novas vagas, uma jornada menor poderá resultar em melhores condições de saúde e segurança no trabalho, principalmente se houver uma limitação ao abuso de horas extra e nova regulamentação do banco de horas.

 Por que 40 horas semanais?

Estudos mostram que existe espaço para reduzir a jornada além das 4 horas. Portanto, esta campanha é o nosso primeiro passo. A redução da jornada é um instrumento importante para repartir um pouco o resultado do crescimento econômico que nós, trabalhadores e trabalhadoras, estamos construindo nos últimos anos no Brasil. 

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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