Cinco razões para lutar contra a privatização da Petrobrás

Terça, 06 Outubro 2015 17:29

Por Luiz Dalla Costa, integrante da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e mestrando do curso de pós-graduação de Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe, da Universidade Estadual paulista (UNESP).

Vivemos um momento de intenso ataque dos grandes capitais privados, nacional e internacional, e de seus aliados nas esferas política, judicial e midiática para atacar os trabalhadores e as riquezas da nação brasileira, em especial na área do Petróleo.

Defendemos que os erros, desvios e corrupção sejam investigados, julgados e principalmente corrigidos. Todavia, sabemos que é muito melhor para o Brasil manter o controle do petróleo nas mãos do Estado, do que qualquer privatização. Com a Petrobras sob controle estatal, os recursos provenientes da extração do pré-sal podem ser investidos na educação, saúde, empregos e direitos.

Por isso, listamos cinco razões para lutarmos contra a privatização da Petrobras:

1 - No Brasil há muito petróleo.

O último estudo, realizado por Cleveland Jones e Hernane Chaves, do Instituto Nacional de Óleo e Gás da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), aponta a existência de 176 bilhões de barris aproveitáveis no pré-sal. Pelo atual consumo do Brasil, teríamos petróleo para mais 150 anos. Isto representa aproximadamente 27 trilhões de reais e a Petrobras tem a melhor e mais eficiente tecnologia para a exploração desta riqueza.

2 - Retirar e industrializar o petróleo gera muito emprego.

Em 2013, a Petrobras movimentou mais de 400 bilhões de reais e gastou 263 bilhões de reais na compra de insumos. Com isso, movimentou uma grande cadeia produtiva como navios, sondas, helicópteros, alimentos, ferro e tantas outras mercadorias. A maioria delas foi produzida no Brasil, por empresas nacionais e com trabalhadores locais. Isto só é possível por que a Petrobras continua no domínio do Estado.

3- A produção de petróleo e seus derivados gera muito dinheiro que fica nos municípios, estados e nação.

No ano de 2013, a Petrobras repassou 106 bilhões de reais, arrecadados na forma de tributos, para as esferas federal, estaduais e municipais. O estado se São Paulo foi o estado que mais aumentou seu ganho, recebendo mais de 500 milhões de reais no ano apenas em royalties.

E com o pré-sal, criou-se um fundo social que, junto com os royalties, deverão ser aplicados principalmente na educação e saúde.

4. A Petrobras é uma das maiores e mais eficientes empresas do mundo.

A Petrobras é hoje uma das empresas mais eficientes do mundo e cresce, em média, 9% ao ano. Atua desde a retirada do petróleo até o posto de gasolina para distribuir o combustível, incluindo a operação de usinas térmicas que produzem energia elétrica.

Neste caso, quando a empresa tem dificuldade num setor, outra área serve como compensação, o que mantém o alto nível da estatal e possibilita investimentos em novas descobertas de petróleo e gás.

5 - Os trabalhadores do setor do petróleo são muito eficientes.

Atualmente, a Petrobras emprega cerca de 80 mil trabalhadores diretos e mais de 200 mil indiretos – terceirizados -, que atuam na cadeia do petróleo. São eles que produzem estas extraordinárias riquezas e milhares de produtos que são utilizados pela sociedade todos os dias.

Realizam um trabalho que garante a segurança nacional no abastecimento de combustível e são os herdeiros da luta de todo povo brasileiro que repetem desde a década de 50 que “o petróleo é nosso”.

Por estas razões precisamos lutar para garantir que o petróleo e a Petrobrás estejam nas mãos do estado brasileiro, com controle popular. Pela soberania nacional, precisamos evitar que esta riqueza se esvaia para os bolsos do capital privado.

Mídia

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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