2015, ano da Palestina?

Terça, 06 Janeiro 2015 12:56

 

Desde o assassinato de Yitzhak Rabin, em 1995, por um extremista de direita, Israel só caminhou para a direita, distanciando-se de qualquer solução política, negociada, para a questão palestina. Líderes e grupos de direita foram sendo sucedidos por outros líderes e grupos sempre mais à direita, em uma sucessão interminável de sectarismo e discriminação racista contra os palestinos.
 

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Por Emir Sader, cientista social e professor da UERJ

Paralelamente a sociedade israelense foi se tornando cada vez mais conservadora, contrapondo-se a qualquer negociação que permitisse aos palestinos ter seu Estado, da mesma forma que Israel tem o seu. O território palestino foi sendo cada vez mais ocupado militarmente pelas tropas israelenses, um território esquartejado pelos muros e pelos assentamentos, buscando Israel tornar inviável e insuportável viver na Palestina. As ofensivas cruéis e criminosas contra Gaza se tornaram uma pratica regular por parte do Exército e da Aviação israelenses.
   
Com o passar do tempo, duas votações esmagadoramente favoráveis nas Assembleias Gerais das Nações Unidas pelo Estado palestino, o reconhecimento desse Estado por um número cada vez maior de países, incluído o Parlamento Europeu, o mal estar que as reiteradas ofensivas de Israel sobre Jerusalem, sobre a Cisjordania, sobre Gaza, foram acentuando nos próprios Estados Unidos o processo de isolamento internacional de Israel. Ao mesmo tempo do reconhecimento internacional, a Palestina foi ocupando cada vez mais espaços institucionais, que passaram a reconhecê-la como Estado, da Unesco à Corte Penal Internacional.

  Mas falta ainda um elo para que seja reaberto o caminho definitivo de negociações políticas que levem ao cumprimento da decisão da ONU sobre o direito à existência do Estado palestino: um interlocutor interno em Israel, que parecia difícil de reaparecer. Até que a radicalização sectária do governo de Netanyahu, propondo que Israel se assuma definitivamente como Estado religioso, relegando formalmente os palestinos que aí vivem a cidadãos de segunda categoria, levou à ruptura do seu governo e à convocação de novas eleições gerais para março deste ano.

 O panorama eleitoral trouxe uma novidade. Depois de sair do governo, a líder do partido Hatnah, Tzipi Livni, se associou ao Partido Trabalhista, dirigido por Isaac Herzog, conquistando um surpreendente apoio para as eleições. Essa é a possibilidade de uma virada no quadro eleitoral e político e, ao mesmo tempo, na questão palestina, o elo que falta para que um verdadeiro processo de paz possa tornar realidade o Estado palestino. Uma vitória da coalizão de centro-esquerda seria esse elo que ainda falta, um interlocutor do lado de Israel.

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