Unificado cobra esclarecimento sobre ligações suspeitas com a Dana Tecnologias

Segunda, 18 Junho 2018 18:23
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Há mais de seis meses, o petroleiro Rodrigo Cotrufo Cavalcanti, diretor do Unificado, aguarda por uma resposta da Petrobrás, referente a um pedido de esclarecimento feito na intranet, no canal de denúncias da companhia, sobre o possível envolvimento de trabalhadores da estatal com a Dana Tecnologias. A empresa firmou um contrato com a Petrobrás em março do ano passado, sem licitação, no valor de R$ 11,5 milhões, para a realização de pesquisa cultural com os petroleiros.

A contratação milionária e sem concorrência de uma empresa desconhecida como a Dana, que sequer tem um site na internet e apresenta um capital de apenas R$ 2 mil, levantou uma série de suspeitas e levou vários trabalhadores a questionarem a Petrobrás. O fato também virou notícia na imprensa e trouxe à tona conflitos de interesses na gestão de Pedro Parente, na época, presidente da Petrobrás.

Depois de ler as denúncias divulgadas em sites de jornalismo, Cotrufo, que é técnico de manutenção no Terminal da Transpetro de Guarulhos, decidiu levantar a ficha cadastral da Dana e fazer uma busca mais aprofundada na internet. Um fato chamou bastante a atenção do petroleiro. Ele verificou que a sócia da Dana tem os dois últimos sobrenomes iguais aos de um funcionário do setor de contratação da Petrobrás.  

Sem retorno

Para apurar a lisura do processo, o petroleiro enviou um e-mail para a Petrobrás no dia 6 de dezembro, anexou textos de reportagens, fotos, informações levantadas e pediu para que fosse verificado se um dos funcionários era parente da sócia da Dana ou se tinha algum tipo de envolvimento com a empresa contratada.
A Petrobrás não se manifestou. Na manhã do dia 1º de junho, o petroleiro voltou a cobrar um posicionamento da estatal. Poucas horas depois, a ouvidoria geral enviou a seguinte resposta ao trabalhador: “Informamos que sua denúncia encontra-se em fase final de apuração. Tão logo tenhamos a conclusão da mesma, daremos o pronto retorno”.

Sócios de Parente

Em meio ao silêncio da Petrobrás, surgem novas evidências de relações imorais envolvendo o ex-presidente Pedro Parente. No dia 28 de maio, o jornalista Filipe Coutinho, da revista eletrônica Crusoé, revelou que o proprietário da Dana virou sócio de Pedro Parente cinco meses depois de ser firmado o contrato com a Petrobrás.

Poucos dias antes, a mesma revista havia divulgado que Parente era sócio de José Berenguer, presidente do banco JP Morgan no Brasil, que em maio deste ano recebeu da Petrobrás, antecipadamente, o pagamento de cerca de R$ 2 bilhões de um financiamento, que venceria somente em 2022.

Sem licitação

Uma rápida busca pelo Google Maps mostra que a sede da Dana Tecnologias fica em uma casa, situada na Rua Laiana, 469, no Alto de Pinheiros, bairro classe média alta de São Paulo. A empresa não tem site, nenhuma página em redes sociais e sua ficha cadastral na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) aponta capital de apenas R$ 2 mil.
A Petrobrás justifica que contratou a Dana por ser a única empresa no Brasil a aplicar a metodologia “Walking the Talk”, uma espécie de técnica de RH, que consiste em ajustar discurso e prática. De acordo com notícia veiculada em dezembro passado no site O Cafezinho, com informações da gerência de comunicação da estatal, o contrato foi assinado em 27 de março de 2017, com duração de três anos, ou seja, até 2020, e prevê serviços de diagnóstico, treinamentos, relatórios executivos e planos de gestão, envolvendo toda a força de trabalho da Petrobrás e preparando a companhia para os atuais objetivos estratégicos.

“Tudo indica que é uma empresa de fachada e que tem muita gente se beneficiando desse contrato, que é um verdadeiro roubo. Como pode uma desconhecida cobrar mais de R$ 11 milhões para entrevistar algumas dezenas de trabalhadores, sendo que a pesquisa do Ibope, que é feita com mais de 2 mil pessoas, custa em torno de R$ 100 mil?”, questiona Cotrufo, enquanto aguarda pelo retorno da Petrobrás.

[Via Sindipetro Unificado-SP]

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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