Sindipetro NF denuncia descaso com segurança nas plataformas e orienta categoria sobre testes de Covid pré-embarque

Foto: Sindipetro NF

Desde o início da pandemia da Covid-19, o Sindipetro-NF tem atuado para pressionar a gestão da Petrobrás a utilizar procedimentos que conciliem prevenção correta com a segurança no trabalho. Recentemente, a entidade tem verificado vários casos de testagens em hotéis, durante a madrugada, que provocam exaustão do trabalhador durante toda a jornada de trabalho que o espera à bordo.

“A Petrobrás tem inúmeros procedimentos e conceitos de SMS, mas de que adianta padrões, Auditorias, reuniões e índices se estes não são capazes de impedir que os trabalhadores estejam acordados a 01:00 da madrugada, embarquem e trabalhem até as 19:00 em atividades com altas pressões, temperaturas, ricos de corte e quedas de grandes alturas?”, questiona o coordenador do Departamento de Saúde do sindicato, Alexandre Vieira.

Cartaz em hotel registra horários de testagem na madrugada

O sindicalista denuncia que mesmo com as diversas cobranças feitas pela entidade,  os procedimentos extenuantes continuam, sem que sugestões feitas pelo Sindipetro-NF sejam adotadas para resolver o problema.

As propostas do sindicato

A entidade já apresentou para a gestão da Petrobrás as seguintes propostas:

1 – Ter um posto de testagem no aeroporto.

Nada convence a entidade de que uma empresa do porte da Petrobrás não consegue montar um posto de testagem no Aeroporto do Farol de São Tomé. E já verificamos que as desculpas da Petrobrás são mentirosas. Tanto a Vigilância Sanitária de responsabilidade da Prefeitura, quanto a INFRA responsável pelo aeroporto, negam que hajam barreiras para essa implementação.

2 – Realizar a testagem por antígenos na noite do dia anterior.

Como o teste tem validade de 12 horas e, por exemplo, um voo às 6h da manhã tem como limite para decolagem as 10h. Este poderia ser realizado tranquilamente às 22h do dia anterior (não sendo o ideal, mas muito menos penoso do que os trabalhadores acordarem à 1h da manhã).

3 – Realizar a testagem por RT-PCR, que tem prazo de 48 horas de validade.

Neste caso, nem de estrutura a empresa necessitaria. Pois, por exemplo, para quem mora em Campos dos Goytacazes, facilmente a Petrobrás poderia criar convênios aos moldes dos exames periódicos e estes serem realizados nos laboratórios da cidade, que têm plenas condições de retornar os resultados no mesmo dia.

4 – Adequar jornada de quem não é de turno.

Estabelecer adequação na jornada dos trabalhadores que não são de turno, limitando a 12 horas após horário de apresentação para a testagem.

“Nenhuma dessas opções foram escolhidas pela empresa, colocando qualquer fala que ela profira sobre a segurança e saúde dos trabalhadores em total descrédito. Se o básico, que é o respeito à jornada de trabalho e o descanso dos trabalhadores, não existe, como acreditar em qualquer outra questão relacionada ao SMS?”, protesta Vieira

Orientações do sindicato

Neste cenário, o Sindipetro-NF orienta a categoria a tomar as seguintes medidas:

1 – Todos os trabalhadores que tenham chegado às 12 horas após a realização da testagem, devem seguir para a enfermaria e relatar os sintomas de cansaço. Os trabalhadores não podem colocar a sua integridade física em risco em nome do lucro para os patrões. Devendo estes serem de alguma forma intimados à responsabilização pelas condições de capacidade de trabalho afetadas pelo cansaço.

2 – Que seja feita a denúncia e registro dessa situação nas reuniões de Cipa.

3 – Que seja cobrado no ajuste do ponto, como horário de trabalho, desde a apresentação para a testagem. Pois se a empresa não liga para a segurança, talvez se importe para pagar hora extra. Lembrando que não há argumento que justifique o não descanso do trabalhador.

A entidade reforça que os trabalhadores não devem se sujeitar a arriscar suas vidas e as dos colegas. “Para a empresa somos números que ela facilmente troca. Mas dificilmente um trabalhador com sequelas de um acidente como uma amputação ou perda de visão irá conseguir um novo emprego na mesma área”, conclui Vieira.

O sindicato indica ainda que os petroleiros e petroleiras mantenham a diretoria informada sobre condições de saúde e habitabilidade em todas as unidades e bases, por meio de relatos para [email protected] A entidade garante o sigilo acerca da identidade do denunciante.

[Da imprensa do Sindipetro NF]