Carta assinada por dirigentes de vários países manifesta solidariedade ao movimento sindical brasileiro e rejeita pressões externas, ataques à Justiça Eleitoral e tentativas de desrespeitar o resultado das urna
[Da comunicação da CUT]
Dirigentes sindicais de vários países manifestaram solidariedade ao movimento sindical brasileiro na defesa da democracia e da soberania nacional durante as eleições de 2026. Em carta, eles afirmam que somente o povo brasileiro pode decidir o futuro do país e rejeitam pressões externas sobre o processo eleitoral.
Os signatários expressam confiança nas instituições brasileiras e na segurança das eleições. Também condenam tentativas de desacreditar a Justiça Eleitoral ou de deslegitimar a decisão das urnas, além de ameaças, sanções econômicas e outras medidas usadas para influenciar o país.
Interferência já motivou missão aos Estados Unidos
O alerta não se limita ao que pode ocorrer depois da votação. Em julho, Antonio Lisboa, secretário de Relações Internacionais da CUT, integrou uma comitiva de organizações brasileiras que esteve em Washington e Nova York para denunciar ações de interferência já em curso e defender a soberania do Brasil. A missão reuniu representantes de 15 entidades em encontros com parlamentares, sindicalistas e organizações da sociedade civil.
“Fomos aos Estados Unidos no sentido de mobilizar a sociedade civil do país para acompanhar esse processo e também denunciar a intervenção do governo Trump no Brasil pelos seus mecanismos”, afirmou Lisboa ao relatar a missão.
Para o dirigente, a atenção internacional também será importante caso haja uma tentativa de contestar a lisura da eleição. “É de extrema importância que lideranças internacionais estejam atentas à condução do nosso processo eleitoral”, afirma. Segundo Lisboa, essa mobilização pode ajudar a cobrar ações para “garantir a vontade do povo brasileiro” diante de uma interferência não democrática.
Solidariedade de diferentes países
Entre os signatários da carta estão Luc Triangle, secretário-geral da Confederação Sindical Internacional (CSI); Rafael Freire, secretário-geral da Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA); Esther Lynch, secretária-geral da Confederação Europeia de Sindicatos (CES); e Daniel Bertossa, secretário-geral da Internacional de Serviços Públicos (ISP).
Também assinam o documento Hugo Yasky, da CTA-T argentina; Sophie Binet, da CGT francesa; Maurizio Landini, da CGIL italiana; e Luz Myriam Fique Cárdenas, da Unidapp colombiana, além de dirigentes de entidades de outras regiões do mundo.
Ao final, a carta convoca o movimento sindical internacional a ampliar a solidariedade ao Brasil. Para os dirigentes, respeitar o resultado das eleições significa garantir a soberania popular: a escolha feita nas urnas pertence ao povo brasileiro.
Leia a íntegra da carta
Dirigentes sindicais internacionais manifestam apoio à democracia e à soberania do Brasil
Nós, dirigentes sindicais de todo o mundo, expressamos nossa solidariedade ao movimento sindical brasileiro em sua mobilização em defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores, da soberania nacional e da integridade das instituições democráticas e do processo eleitoral do Brasil, no contexto das próximas eleições presidenciais, nas quais as organizações sindicais brasileiras manifestaram seu apoio à reeleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Historicamente, os sindicatos brasileiros desempenharam um papel fundamental na vida democrática do país e na defesa dos direitos dos trabalhadores. Sua mobilização atual ocorre em um contexto particularmente grave, marcado por pressões políticas e econômicas externas sobre o Brasil e por esforços coordenados de forças de extrema direita, em âmbito nacional e internacional, para enfraquecer as instituições democráticas e o processo eleitoral. Reafirmamos nosso compromisso com a defesa da democracia, da soberania popular, da vontade livremente expressa nas urnas e do direito do povo brasileiro de determinar seu próprio futuro, livre de pressões ou interferências externas.
Expressamos nossa confiança nas instituições democráticas e no sistema eleitoral do Brasil, reconhecendo sua legitimidade e sua capacidade de garantir eleições livres, justas, seguras e transparentes. Rejeitamos qualquer tentativa de desacreditar as instituições democráticas, enfraquecer o sistema de Justiça Eleitoral ou deslegitimar os resultados expressos nas urnas. Também rejeitamos ameaças, pressões, sanções econômicas e comerciais, medidas unilaterais e tentativas de ingerência por parte de governos estrangeiros e de forças políticas, econômicas e tecnológicas vinculadas à extrema direita internacional que busquem enfraquecer as instituições democráticas, influenciar processos eleitorais, desestabilizar governos democraticamente eleitos e subverter a vontade popular expressa por meio das eleições.
O que está em jogo no Brasil não diz respeito apenas ao povo brasileiro, mas também às forças democráticas, progressistas e sindicais mais amplas que, em escala
global, enfrentam o avanço da extrema direita, a erosão da democracia, as ameaças à soberania dos povos e os ataques aos direitos dos trabalhadores. É responsabilidade compartilhada do movimento sindical internacional defender as instituições democráticas, os direitos dos trabalhadores e o direito dos povos de fazer suas próprias escolhas democráticas, respeitando plenamente a soberania do povo brasileiro e seu direito exclusivo de determinar o resultado de suas eleições.
O atual governo brasileiro, liderado pelo Presidente Lula, tem contribuído para as lutas contra a fome, a pobreza e a desigualdade, bem como para a defesa da democracia, da justiça social, dos direitos humanos, da paz, da soberania e da autodeterminação dos povos. Em um momento marcado por guerras, tensões geopolíticas, emergência climática e crise das instituições internacionais, o Brasil tem um papel importante a desempenhar no fortalecimento do multilateralismo e no avanço de um sistema de governança global mais democrático, representativo e cooperativo.
Durante a presidência de Lula, o Brasil tem contribuído para recolocar a defesa do trabalho decente, da liberdade sindical, da negociação coletiva e do combate a todas as formas de discriminação no centro da agenda internacional, ao mesmo tempo em que tem contribuído para a defesa das forças democráticas diante do avanço da extrema direita. Enfrentar essa ofensiva autoritária exige combinar a defesa da democracia com a redistribuição de renda, a proteção social, o fortalecimento dos sindicatos, a proteção dos direitos dos trabalhadores diante das transformações tecnológicas e uma transição justa para uma economia sustentável e de baixo carbono.
É diante dessas ameaças à democracia e à soberania, juntamente com os demais desafios que definem o atual momento histórico, que convocamos o movimento sindical internacional a expressar sua solidariedade ao movimento sindical brasileiro em sua mobilização em defesa de eleições livres e da soberania popular.
Pela democracia, pela soberania e pelo trabalho decente.