Protagonismo juvenil no movimento sindical


Samuel Rosa já cantava:

 

                     "Bola na trave não altera o placar,

 

                     Bola na área sem ninguém pra cabecear,

 

                     Bola na rede pra fazer o gol,

 

                     Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?"

 

E quem é que não sonhou em ser um jogador de futebol? E se sonhou, por que não se tornou um? Onde está o campo? Quem é que está com a bola? Quem vai apitar o jogo? Quem entrará em campo? Qual é o nosso time?

A sutileza do exemplo utilizado pode até amenizar o cenário que as juventudes encontram hoje em nosso país, porém não ocultada a disputa que existe entre aqueles que querem manter sua hegemonia nos espaços de decisão e os que querem ter vez e voz para apontar um novo projeto de sociedade para nosso país. Este foi o ponto central do segundo módulo do curso Desenvolvimento, políticas públicas e organização das juventudes da CUT, que ocorreu na Escola Sul, em Florianópolis/SC entre os dias 13 e 15 deste mês.

Durante este módulo discutimos a organização das juventudes na CUT, com participação direta da Secretária Nacional de Juventudes da CUT, Rosana Sousa de Deus, e com os Secretários Estaduais de Juventudes do Paraná e do Rio Grande do Sul. Este debate nos deu um panorama da realidade vivida pelos coletivos de juventude nos estados da região Sul, em comparação com outras realidades enfrentadas no Brasil. Organizar as juventudes para que exerçam um papel protagonista no desenvolvimento de Políticas Públicas para a Juventude, este foi o grande desafio levantado pelo encontro. Para isso, discutimos o planejamento das secretarias estaduais de juventudes da CUT-RS, CUT-SC e CUT-PR. Planejar é importante, contudo queremos sair do papel.

Mais proveitoso ainda, foi o debate sobre o surgimento das políticas públicas voltadas para a juventude em nosso país. No que diz respeito às juventudes o Brasil ainda engatinha. Data de 2004 a primeira política instituída pelo governo federal especificamente direcionada para os/as jovens brasileiros/as. Deste Papo-Cabeça surgiu o exemplo que elucida o início deste texto. O paralelo com o futebol ilustra bem a realidade destes jovens. Podemos dizer, hoje, que o campo existe. Os espaços de participação das juventudes estão instituídos, seja no Conselho Nacional de Juventude, ou nos conselhos estaduais, seja nas Secretarias da CUT, no FONAJUVE, nos movimentos sociais, sindical ou estudantil. Entretanto, criar espaços não é o problema, a questão é ocupar qualificadamente esses espaços e transformar o protagonismo juvenil de conceito em prática. Podemos dizer que a Política Nacional de Juventude do governo federal é a bola disputada pelas diversas forças que se opõem neste campo. O Estado tem servido de juiz neste jogo, ditando as regras, apitando faltas e distribuindo cartões. Muitas vezes essa postura do governo intimida a participação juvenil, ainda assim não podemos esquecer que nosso adversário não é o juiz. Outro problema que enfrentamos é o da escalação do nosso time. Não podemos viver a espera de craques, ou seja, jovens cuja liderança e postura revolucionária inspiram gerações. Por isso também não podemos viver no saudosismo dos feitos de tempos idos. Nosso tempo é o hoje, nossa hora é agora!

Devemos trabalhar como um time, cada um fazendo a sua parte. Não é possível sermos todos atacantes, nem tampouco podemos jogar com onze goleiros. Outro problema é que só pode haver um capitão ou capitã em nosso time. Ele/a não precisa ser o/a melhor jogador/a. Deve, contudo, ser aquele/a que unifica e garante a coesão do time. Em toda esta conversa sobre jovens, política e futebol,contamos com a inestimável presença da professora e companheira Luciléia Pereira.

Para encerrar esse módulo colocamos na roda outro tema que é fundamental às juventudes: a comunicação. Em tempos de Conferências Livres de Comunicação realizamos a nossa própria lá na Escola Sul. Nós, jovens, queremos falar e ser ouvidos, escrever e sermos lidos, twittar e sermos twittados. Temos na internet, livre e sem preconceitos, nossa maior ferramenta e a usamos, mas ainda precisamos abusar. Métodos ortodoxos não nos servem mais, ninguém receberá esse texto por fax. Exploramos espaços de potenciais inimagináveis, sejam eles de comunicação gestual, oral, analógica ou digital. E se nós incomodamos o sistema hoje, esperem até que aumentemos o volume.

Esta é a nossa juventude, multifacetada em suas mais diversas qualidades, entrando em campo para enfrentar preconceitos, combater estigmas e transformar a sociedade. Sim, nós temos um projeto, temos um objetivo e somos tão jovens. Saímos das arquibancadas para entrar em campo com toda a audácia que nos é necessária e convidamos as juventudes para que venham conosco. Quem não sonhou em ser um jogador de futebol? Os desafios estão postos e nosso time está escalado. E aí, vai encarar?