Petroleiros embarcados se unem para denunciar insegurança e abusos das gerências na Bacia de Campos

Desta vez, a carta enviada ao Sindipetro NF foi dos trabalhadores de PVM-1, PVM-2 e PVM-3…





Sindipetro NF

Mais uma vez, petroleiros embarcados se unem para denunciar os desmandos gerenciais na Bacia de Campos, especialmente em relação à insegurança nas plataformas.

Desta vez são os trabalhadores das Vermelhos 1, 2 e 3, que enviaram carta ao Sindipetro-NF para expor a realidade das suas unidades e manifestar apoio aos petroleiros de PNA-1 e PNA-2, que passam, como tantas outras plataformas, por problemas semelhantes.

Eles denunciam graves pendências de segurança, além de carência de efetivo a bordo. É relatada até mesmo uma fraude em auditoria, com a convocação de brigadistas de outras unidades para compor o número mínimo.

O Sindipetro-NF estimula os petroleiros das demais plataformas da região a produzirem relatos sobre as condições de segurança na unidade. As denúncias são publicadas pela entidade, para que haja o devido registro público, e são protocoladas em órgãos fiscalizadores.

Confira a íntegra da carta dos trabalhadores das Vermelhos 1, 2 e 3:

Ao Sindipetro Norte Fluminense,

Bacia de Campos, 07 de Fevereiro de 2011.

Carta aos Petroleiros,

Nós, residentes das plataformas de vermelho 1, 2 e 3, estamos utilizando esta ferramenta democrática em apoio aos trabalhadores das plataformas de Namorado 1 e 2, pois já passamos pelos mesmos tipos de perseguições, assédios, ameaças e cortes absurdos em nossos direitos, entre outras atrocidades.

Coincidência ou não, o gerente que está tentando implantar essa política do terror no ativo de Namorado infelizmente conseguiu implantar aqui, nas plataformas do campo de Vermelho, o que infelizmente deixou seqüelas até hoje. Por meio desta, viemos mostrar as condições em que vivem os trabalhadores atualmente, herança do gerente que ficou conhecido aqui como “Pavesi mãos de tesoura”.

Deixamos claro que a grande maioria dos problemas são comuns para as três unidades, salvo algumas particularidades que serão destacadas no decorrer do texto.

Problemas comuns:

Baixo efetivo:

Com o terrorismo implantado, foram ceifadas algumas áreas como, por exemplo, os mecânicos, área totalmente terceirizada, sem nenhum mecânico Petrobras embarcado. A manutenção não pode cumprir o turno da noite porque o seu numero de profissionais é extremamente reduzido, sendo apenas três instrumentistas e dois eletricistas Petrobras por plataforma e um contratado para cada função, ficando um profissional de cada área Petrobras e um contratado por grupo, isso quando não há ninguém de férias ou afastado. A partir daí começam os absurdos impostos pela gerência como a rotina de deslocamento de profissionais de uma unidade para outra via cesta de transbordo e até mesmo o embarque de funcionários que nunca tinha sequer posto os pés na unidade a qual irá transbordar e ficará responsável por tudo sozinho e, muitas vezes, sem qualquer outro profissional capacitado para orientá-lo.

A gerência considera que as três plataformas de vermelho são idênticas, não respeitando, com isso, a exigência do padrão de possuir um mínimo de 6 meses na unidade para emitir PT, esquecendo que cada uma delas possuem muitas particularidades diferentes uma das outras.

Tal prática ocorria e ocorre atualmente se a gerência puder contar com um profissional disponível para ser transbordado, pois, se tivesse ou tiver que ser pagas horas extras para cobrir férias ou qualquer outro imprevisto, a plataforma ficaria e ficará descoberta, pois não eram e ainda não são pagas. Ademais, não era nenhuma novidade a ocorrência de não pagamento das HE depois de prometido e combinado por ambas as partes.

Com o reduzido numero de residentes, houve muitos acúmulos e desvios de funções como, por exemplo, o padeiro que acumulou função e também é o cozinheiro, além do fato do mesmo trabalhar sozinho o turno inteiro da noite. Temos apenas dois profissionais para cuidar da limpeza de todos os pisos do casario, dos banheiros coletivos no casario e nas áreas industriais, fato que compromete e muito a higiene de nossas unidades.

Não recebimento das horas oriundas das passagens de serviços:

Prática vista apenas nas Vermelhos (Herança de “Pavesi mãos de tesoura”), apesar de constar no ACT (Acordo Coletivo de Trabalho), desrespeitando descaradamente toda manutenção das 3 plataformas. Como se tal atitude não fosse absurda o suficiente, os trabalhadores que tentaram iniciar um diálogo sobre esse assunto foram perseguidos com transbordos frequentes de uma unidade para outra ou realocando o profissional da plataforma para terra sem ajuda de custo ou direito de questionamento (prática mais conhecida como castigo).

Na operação não é diferente. Três operadores, sendo dois no turno do dia e apenas um no turno da noite, é visto como um número mais que o suficiente pela gerência, sendo que esse profissional que permanece no turno da noite trabalha durante 12 horas sozinho o turno inteiro, isso porque no entendimento do Sr. Pavesi ele não estava sozinho, estava trabalhando em conjunto com o operador da sala de controle remoto. Obs: A sala de controle localiza-se em Macaé, a aproximadamente 150 km de distância.

Hoje, esse profissional, que zela pelo sono de todos durante a noite, conta com a presença de um técnico de química que permanece durante os 14 dias de sua escala a noite. Não temos mais um químico no turno do dia. Essa mudança ocorreu às pressas no momento em que um operador, que estava no turno da noite, teve um desmaio ocasionado por um infarto do miocárdio na sala de controle e ficou desacordado até que, por sorte, uma pessoa entrou na sala de controle e o encontrou. Graças a Deus esse profissional não chegou a falecer, mas diríamos que ele nasceu de novo.

Mesmo sendo questionado por vários operadores e por outros profissionais que realmente estavam preocupados com esse profissional e com a segurança das unidades, tal gerente se limitou a dizer que iria ficar assim e ponto final e, se tivesse alguém que não estivesse satisfeito que pedisse demissão ou prestasse novamente concurso e fosse para outra unidade. Quando indagado por alguns profissionais se ele, Pavesi, não se sentia mal causando tanto descontentamento nas unidades, a resposta veio de bate pronto: “não me importo em colecionar inimigos, me importo com resultados”.

Ausência de almoxarifados em PVM-1 e PVM-3:

Tal realidade impossibilita que, no caso de um profissional necessitar de macacão, botas ou capacetes, ou até mesmo ferramentas de trabalho, o mesmo poderá ter que esperar 1 dia ou mais para que um barco vá até PVM-2 buscar e retorne com o mesmo, isso se as condições do tempo ajudar.

O efetivo da Brigada de incêndio:

Completamente comprometido, visto que em sua grande maioria são os trabalhadores contratados. Não que os mesmos não sejam capazes, mas pelo fato de que um Brigadista deve conhecer sua unidade perfeitamente e a rotatividade desses profissionais afeta, de forma negativa, o aperfeiçoamento e o entrosamento entre os brigadistas. Destacamos também o fato de grande parte da Brigada de Incêndio não possuir ou não encontrar-se dentro da validade o curso de capacitação para Brigadista, sendo necessária a convocação de profissionais de outras unidades para completar o efetivo da Brigada em caso de auditoria, ato criminoso se tratando de segurança.

Acendimento automático do queimador:

As 3 vermelhos não possuem. Vermelho 2 acende com latinha de tinta pegando fogo, Vermelho 3 não acende nunca e o de vermelho 1 encontra-se completamente abandonado prestes a cair no mar.

Corte de nossos direitos:

Em nossas unidades temos que anotar o número ao qual estamos ligando e a hora, para fazermos ligações particulares, sendo esta ligação descontada no contra cheque. Total desrespeito e invasão de privacidade com os profissionais. Como na grande maioria das unidades, tínhamos esse direito, mas nos foi arrancado pelo gerente citado acima. Quando questionamos o assunto a resposta sempre gira em torno do corte de custos e no aumento da produtividade, esquecendo que, além de pagarmos nossas ligações particulares, não possuímos o direito de desfrutar do aconchego dos nossos lares e matar saudade dos nosso familiares como os funcionários on-shore. Esquecem que vão todos os dias para suas casas e podem resolver seus problemas sem precisar ligar da empresa e, ainda, se for urgente, podem sair da empresa e ir para suas casas em questões de minutos, e nós?

Faltam computadores para os profissionais que, muitas vezes, precisam ficar aguardando que outro termine seu trabalho para que ele possa dar inicio ao seu (nessa hora o aumento da produtividade não é levado em consideração?), lembrando que essa redução de computadores é prática da “política Pavesi”.
A sala de controle, enquanto Pavesi era gerente, só possuía 1 computador e 1 impressora, acarretando uma quantidade imensa de homens parado aguardando a impressão de PT. Novamente pergunto: onde está a visão da produtividade? Acreditem se quiser, é verdade!

Onde deveria realmente ser o foco dos gestores, muitas vezes são deixadas de lado. Podemos citar as linhas do anel de incêndio completamente comprometidas, tendo sempre a mesma solução adotada que é o reparo provisório
(popularmente conhecido como “bacalhau”)e o mascaramento do problema; vários Spool`s contendo inúmeros bacalhaus ou possuindo espessuras abaixo do mínimo permitido pelas normas de segurança; as pinturas das rotas de fuga são vergonhosas; falta de investimento em equipamentos novos, tanto para a operação quanto para as oficinas de manutenção que contem bancadas velhas e ultrapassadas e ferramentas muitas vezes no mesmo estado; para se ter uma idéia de como é a situação, se faz questão de racionalizar até fita teflon, visto ser uma dificuldade para conseguir um rolinho para uso. Temos certeza que os problemas estão “mapeados”, pois, toda vez que sai uma denúncia, a solução aparece quase que instantaneamente, como o caso dos Spools em PVM-2 que, logo após estampar a capa do primeiro nascente de 2011, foram trocados cinco e estão em andamento a troca de mais três. Isso tudo com a promessa de que na parada de produção, tais spool`s provisórios serão todos trocados pelos definitivos. Cabe destacar que o caso dos Spools em PVM-2 vem sendo citado e cobrado a anos em varias atas de reuniões da CIPA, mas a resposta do Sr. Pavesi era sempre a mesma: “muito caro, contenção de custo”.

Vimos e discutimos muito a coluna do Dr. Normando Rodrigues sobre responsabilizar quem de fato é responsável pelos acidentes e tragédias em toda Petrobras e, com certeza, o foco são os gestores por seus descasos com a integridade física de seus subordinados e de suas unidades. Agora perguntamos: como podemos fazer isso? Não queremos que isso vá para o esquecimento e queremos ver realmente os verdadeiros responsáveis pelas mutilações, mortes e tragédias sendo responsabilizados e não mais trabalhadores sendo perseguidos e punidos por cumprirem as normas de segurança da empresa, queremos a garantia de que não irá ficar só no papel essa responsabilização pela insegurança, caso contrário, os gestores nunca irão realmente se comprometer com a segurança e continuarão apenas comprometidos com a redução de custo e aumento da produção a qualquer custo, mesmo que o preço seja a vida dos trabalhadores. Tudo que esta acontecendo e que já aconteceu tem nome e sobrenome e com certeza não será difícil encontrar.

Queremos também convidar a todos os Petroleiros que estão lendo essa carta para que unam-se em uma luta do que não é só do ativo de namorado ou das unidades do campo de vermelho, é uma luta da categoria, de todos os Petroleiros e, lembre-se sempre: tudo aquilo que você conquistar hoje, amanhã seu filho não precisará pagar por sua omissão.

Petroleiros de PVM-1, PVM-2 e PVM-3