Petroleiros, bancários e centrais ocupam a Câmara e impedem votação do PL 4330

Foto Agência Câmara

FUP

Mais uma vez, os trabalhadores organizados pressionaram e conseguiram adiar a votação do Projeto de Lei 4330, de autoria do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), que estava previsto para entrar em pauta nesta quarta-feira, 10, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados Federais (CCJC). Em meio a um plenário lotado de trabalhadores e militantes sindicais,  o presidente da Comissão, deputado Décio Lima (PT-SC), anunciou nesta manhã que o projeto não entrará em pauta até o dia 13 de agosto, data da primeira reunião ordinária da CCJC, após o recesso parlamentar. Até lá, haverá novas reuniões com a comissão quadripartite, formada por representantes das centrais sindicais, governo, parlamentares e empresários, que já realizou três rodadas de negociação. Serão realizadas mais quatro reuniões do grupo e, se houver consenso, a proposta deverá ser apresentada no dia 05 de agosto.

Petroleiros com o presidente da CUT, Vagner Freitas, e a a secretária de Relações do Trabalho da CUT, Maria das Graças Costa

Delegações da FUP e mais de cem militantes da CUT, CTB e outras centrais sindicais estão desde terça-feira, 09, em Brasília, mobilizados contra o projeto, pois, caso fosse posto em votação, teria grande chance de ser aprovado e seguiria para o Senado para aprovação final. Enviaram representações a Brasília, os Sindipetros Unificado-SP, BA, PR/SC, RN e Duque de Caxias. Sob o pretexto de regulamentar a terceirização, o PL 4330 libera por completo essa forma de contratação, inclusive nas atividades fim e setor público, precarizando o emprego e os direitos dos trabalhadores no Brasil.

A FUP e seus sindicatos, assim como a Contraf/CUT (bancários) e outras entidades sindicais de categorias que são seriamente impactadas pela terceirização, ocuparam o Anexo IV da Câmara, onde percorreram ontem (09) os gabinetes dos deputados que integram a CCJC, pressionando por avanços na mesa quadripartite de negociação, onde as centrais sindicais estão buscando garantias para os trabalhadores terceirizados e respeito integral aos direitos trabalhistas. Na manhã desta quarta-feira, 10, dezenas de delegações de trabalhadores e militantes sindicais permaneceram de plantão na CCJC, pressionando para que o deputado Arthur Maia (PMDB/BA), relator do PL 4330, concordasse com a suspensão da votação do projeto.

Participar das mobilizações desta quinta, 11

A FUP e seus sindicatos estarão nas ruas nesta quinta-feira, 11, durante o Dia Nacional de Lutas chamado por todas as centrais sindicais e movimentos sociais. Derrotar o PL 4330 e frear os leilões de petróleo são as principais bandeiras dos petroleiros nestas mobilizações. O indicativo do Conselho Deliberativo da FUP é de que os sindicatos paralisem os trabalhadores em todas as bases e disponibilize ônibus para leva-los aos atos conjuntos que serão realizados em várias capitais e municípios do país.

CUT divulgará nomes de deputados que votarem contra a classe trabalhadora

Do Portal CUT

Cerca de 100 militantes da CUT visitaram os gabinetes de parlamentares que compõem a Comissão de Constituição Justiça e Cidadania da Câmara (CCJC) para deixar o recado: a Central divulgará em todos os estados os nomes daqueles que votarem a favor do Projeto de Lei 4.330. Ao término da terceira reunião da Mesa de Negociação Quadripartite sobre a terceirização, realizada esta terça-feira, 09, a secretária de Relações do Trabalho da CUT, Maria das Graças Costa, destacou que Arthur Maia foi convencido pelos trabalhadores de que o projeto não oferece segurança jurídica. Contudo, ainda há resistência dos empresários.

“Precisamos de uma legislação que dê segurança não só às empresas, mas também aos trabalhadores. Conseguimos avançar, há uma sinalização do relator da necessidade de continuar a negociação e discutir o conteúdo. Porém, a bancada dos empresários está bastante resistente e defende que o projeto seja aprovado amanhã, da forma como está, para discutir depois no Senado e na Câmara. Não concordamos com isso”, reforçou.

A CUT propôs que a votação fosse suspensa para que as negociações prossigam no mês de julho e, ao final do recesso parlamentar, em agosto, o PL voltasse a ser discutido na CCJC.

Presidente da CCJC assume compromisso

Ao final da tarde de ontem, a comissão de trabalhadores reuniu-se com o presidente da CCJC, o deputado federal Décio Lima (PT-SC), para discutir o PL. “Ele (Décio Lima) nos garantiu que, como presidente, já retirou o projeto de pauta, mas outro parlamentar pode apresentar um requerimento extra-pauta, ter 34 assinaturas, isso ser votado, aprovado e, assim, voltar para a pauta como prioridade”, alertou o secretário de Organização da Confederação do Ramo Financeiro (Contraf), Miguel Pereira.  Por isso a necessidade de ampliar a mobilização. Segundo o dirigente, Lima vota com o Partido dos Trabalhadores (PT), que fechou posição contrária ao PL.

De qual lado estão os deputados

Além do PT, lideranças do PSD, PSB e PDT assumiram compromisso com a comissão cutista de ir contra o projeto de lei da precarização. Vale saber se a prática seguirá o discurso. Presidente da Contraf, Carlos Cordeiro, ressaltou que a visita foi fundamental, inclusive para mostrar em detalhes o tamanho do prejuízo que a aprovação causaria.

“Conversamos com as assessorias para que nosso posicionamento pudesse chegar rapidamente a esses parlamentares, apontando que esse projeto, caso avance, irá precarizar as condições de trabalho. E percebemos que muitos conhecem apenas o que foi passado pelo Sandro Mabel e pelo Arthur Maia. Isso torna essa visita ainda mais importante”, explicou.

Terceirizados ganham menos e adoecem mais

De acordo com um estudo de 2011 da CUT e do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o trabalhador terceirizado fica 2,6 anos a menos no emprego, tem uma jornada de três horas a mais semanalmente e ganha 27% a menos. A cada 10 acidentes de trabalho, oito ocorrem entre terceirizados. 

Estima-se que o Brasil tenha 10 milhões de terceirizados, o equivalente a 31% dos 33,9 milhões de trabalhadores/as com carteira assinada no país.