O Fórum Social Mundial Temático Bahia e os trabalhadores


O Fórum Social Mundial Temático Bahia (FSMT-BA) deixa para a Bahia, para o Brasil, para os movimentos sociais e para o mundo um saldo muito positivo. Foram três dias de intensos debates, com a participação de 10 mil inscritos e aproximadamente 20 mil pessoas circulando, entre cientistas políticos e pensadores de várias partes do mundo, atores sociais dos mais diversos campos. Reivindicações e propostas foram apresentadas em cerca de 200 atividades centrais e autogestionadas. Esse Fórum foi realizado de maneira desafiadora pelos movimentos sociais da Bahia. Caravanas vindas de todas as regiões do estado e do país, do campo e da cidade, jovens, mulheres e negros puderam debater com representantes da África, America Latina e Europa, além do governo brasileiro.

Para a CUT, o evento serviu ainda para aprofundar as discussões em torno de uma agenda de interesse da classe trabalhadora. Pudemos discutir sobre a importância da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários, sobre a ratificação das convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho, que tratam respectivamente da negociação no setor público e o fim das demissões imotivadas. Além disso, fortalecemos a necessidade urgente da agenda do trabalho decente, com o combate ao trabalho escravo e o combate às terceirizações. A defesa das reservas de petróleo e do pré-sal, a reforma agrária, o fortalecimento da agricultura familiar, a sustentabilidade e a segurança alimentar também foram amplamente debatidos.

A cobertura de imprensa foi realizada por 300 profissionais do Brasil e do mundo, devidamente credenciados para o Fórum, que participaram de inúmeras atividades. Eles foram responsáveis por dar visibilidade às discussões realizadas através de jornais, emissoras de TV e de rádio, internet, revistas e outros. Infelizmente, apesar do sucesso do FSMT-BA, setores isolados da mídia, capitaneados por veículos da grande imprensa, insistiram numa tentativa de desacreditar o Fórum e taxá-lo de “chapa-branca”. A falsa afirmação se dava sob o argumento do apoio recebido dos governos federal, estadual e municipal. O ataque não surtiu efeito, nem tirou o brilho do Fórum. Apoios governamentais para esses eventos sempre existiram, pois as entidades sozinhas não teriam como arcar com as despesas para um fórum mundial.

Com o término do FSMT-BA, o ano de 2010 se apresenta com muito trabalho para que os movimentos sociais efetivem e ampliem a sua luta por um mundo mais justo e igualitário. Uma agenda de luta para 2010 foi aprovada pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), em plenária realizada no último dia do evento, dia 31 de naheiro, bem como uma carta, que será encaminhada aos governantes, em defesa do desenvolvimento com valorização do trabalho, o combate à desigualdade e a efetiva superação da crise econômica mundial. O FSMT-BA cumpriu seu papel de ser uma ponte para 2011, em Dacar, e também de firmar a Bahia enquanto candidata a sediar o evento de 2013.

Um outro mundo é possível e ele se fortalece na Bahia!