Movimento dos Sem Terra se mobilizam para julgamento do Massacre de Felisburgo

Vermelho

Está agendado, para quarta-feira (21), o julgamento do mandante e executor do Massacre de Felisburgo, Adriano Chafik, no Tribunal do Júri do Fórum Lafaiete, em Belo Horizonte (MG).

Esta será a terceira tentativa de julgamento do réu confesso, já que nas outras duas vezes em que o julgamento tinha sido marcado, Chafik conseguiu adiá-lo. O primeiro julgamento foi adiado de janeiro para maio deste ano e, posteriormente, para esta data de agosto.

Chafik é acusado de executar e ser o mandante do Massacre de Felisburgo, como ficou conhecido o episódio ocorrido em 20 de novembro de 2004, em que cinco sem terra foram mortos e outros 12 ficaram feridos na cidade do Vale do Jequitinhonha (MG).

Segundo o deputado federal Nilmario Miranda (PT-MG), “é impressionante ver como a justiça funciona para uns, com celeridade, e para outros, os mais pobres, ela tarda e abre brechas para permitir que a dor se perpetue”.

No entanto, o deputado acredita que desta vez o julgamento de fato irá acontecer, “pois não há mais justificativa para a sociedade como um assassino confesso fica solto por 8 anos, pondo em risco a segurança da população”.

Mobilização em frente ao Fórum

“Indignou-nos principalmente o último adiamento, pois demonstra como a justiça é falha e tem suas brechas, permitindo ao advogado do assassino confesso alegar a ‘necessidade’ de ouvir 60 testemunhas na véspera do júri, depois de quase nove anos de impunidade”, disse Enio Bohnenberger, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Para os dias do julgamento, os sem terra prometem se mobilizar em frente ao Fórum até a condenação definitiva do fazendeiro. “E não vamos arredar o pé ou nos intimidar com qualquer manobra da defesa de Chafik. Viremos a Belo Horizonte quantas vezes sejam necessárias, e não descansaremos até que a Justiça seja feita”, observou Enio.

Para a semana do julgamento, está planejada a chegada de 20 ônibus do interior do estado de Minas Gerais, totalizando cerca de mil militantes do movimento.

Se for condenado, o latifundiário vai acumular mais uma derrota sobre o caso, já que no ano passado havia perdido ação em que reclamava a propriedade de 515 hectares da fazenda, palco do massacre. Segundo o STJ, as terras foram griladas pelo réu e devem ser destinadas à reforma agrária. Outros 1.200 hectares foram decretados de interesse social pelo presidente Lula em 2009.