Da ditadura à tentativa de golpe: a resistência petroleira segue viva
[Da comunicação do Sindipetro Caxias]
O golpe empresarial-militar de 1964 inaugurou um período de repressão, censura, perseguições, prisões e tortura no Brasil. A categoria petroleira esteve entre os alvos prioritários do regime, por sua organização sindical e pela defesa do monopólio estatal do petróleo. Em Duque de Caxias, trabalhadores da REDUC resistiram ao autoritarismo, enquanto o Sindipetro Caxias, fundado em 1962, sofreu intervenção política, com dirigentes e trabalhadores perseguidos, demitidos e presos.
Mesmo sob repressão, a resistência não cessou. Em julho de 1983, ainda durante a ditadura, os petroleiros desafiaram o regime ao paralisar atividades contra o arrocho salarial, as medidas de austeridade e as ameaças de demissões nas estatais. A greve, iniciada na REPLAN, em Paulínia, e seguida pela RLAM, na Bahia, enfrentou intervenções sindicais e demissões em massa. Em Duque de Caxias, a categoria participou da mobilização e da solidariedade ao movimento, reafirmando a força da organização coletiva diante do autoritarismo.
Décadas depois, a história voltou a emitir sinais de alerta. Durante o governo Bolsonaro, os ataques à Petrobras pública, aos direitos trabalhistas e às organizações sindicais foram acompanhados da exaltação da ditadura e de discursos autoritários.
Em 8 de janeiro de 2023, após a derrota eleitoral de Bolsonaro, a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes materializaram a tentativa de ruptura democrática. A mobilização golpista também gerou ameaças contra instalações estratégicas, exigindo atenção e vigilância dos trabalhadores.A memória da ditadura e das lutas petroleiras não é apenas lembrança: é instrumento de luta no presente.
O Sindipetro Caxias reafirma que defender a democracia, os direitos da classe trabalhadora e a Petrobras pública são partes da mesma batalha. Ditadura nunca mais! Golpe nunca mais! Sem anistia para quem atenta contra a democracia.