Insegurança sem trégua, 28 anos após o acidente de Enchova

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FUP

Há 28 anos, no dia 16 de agosto de 1984, os trabalhadores da Petrobrás viveram o pior acidente de trabalho da história da categoria. Durante um incêndio na plataforma Enchova, na Bacia de Campos, 37 petroleiros morreram durante a queda de uma das baleeiras que retirava os trabalhadores da unidade. A embarcação, lotada com 50 petroleiros, teve um dos cabos enroscados na estrutura de suporte, o que provocou uma descida irregular e, em seguida, a queda no mar de uma altura de 30 metros. Entre os sobreviventes, 19 feridos ficaram permanentemente marcados pela memória do terror que viveram.

Já naquela época, o movimento sindical denunciava as péssimas condições de trabalho, chegando a apontar a política de metas de produção como uma das principais causas do acidente. Passados 28 anos, outros grandes acidentes continuaram acontecendo na Bacia de Campos, principal área de produção da Petrobrás: o afundamento da P-36, com morte de 11 trabalhadores, em 2001; e as sucessivas quedas de helicópteros, em função do caos aéreo que há 10 anos vem sendo denunciado pela FUP e pelo Sindipetro-NF.

Nos últimos cinco anos, foram registrados cerca de cinco mil acidentes na Bacia de Campos, segundo levantamento feito pelo sindicato com base nas CATs recebidas da Petrobrás, Transpetro e empresas privadas. O Sindipetro-NF constatou a ocorrência de 4.372 acidentes sem afastamento e 605 com afastamento entre janeiro de 2007 e julho de 2012. Somente no ano passado, houve uma média de quatro acidentes por dia na Bacia de Campos, tomando como referência as CATs. Sabemos que esse número é muito maior, pois as empresas descumprem a lei, subnotificando os acidentes.

Quase 30 anos após o acidente em Enchova, a Petrobrás continua cometendo os mesmos erros do passado e pouco aprendeu com a tragédia. Desde 1995, a FUP vem registrando mortes seguidas de trabalhadores em acidentes na empresa. São 315 vítimas desde então, das quais 255 eram terceirizados. No ano passado, 16 petroleiros morreram em acidentes, 14 deles de empresas contratadas pela Petrobrás. Este ano, já são quatro óbitos, todos com trabalhadores terceirizados. É o resultado da falta de prioridade com que a empresa lida com o SMS e, principalmente, da precarização gerada pela terceirização de diversas atividades operacionais e da maior parte da manutenção. Soma-se a isso, o vale tudo das gerências para baterem metas de produção, mesmo que tenham que colocar em risco a vida do trabalhador.