Sindicalistas petroleiras lutam contra desigualdades nos espaços de poder

Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP no Congresso da CNQ | Foto: Marcelo Aguilar/FUP

[Da comunicação do Sindipetro MG]

A sub-representação de mulheres nos cargos máximos de decisão tanto no mundo do trabalho como na política é uma realidade. No movimento sindical não é diferente, principalmente em categorias majoritariamente masculinas como a petroleira, onde os desafios costumam ser maiores para elas.

O engajamento e a atuação política das mulheres normalmente são dificultados pela jornada dupla, diante das responsabilidades domésticas sem a devida divisão de tarefas. Também há uma cultura enraizada de que os espaços públicos estão reservados aos homens. Mesmo excluídas das esferas de poder ao longo da história, a atuação das mulheres sempre impulsionou avanços na sociedade, só que nem sempre esta história é contada. “A tarefa de combater o machismo não deve ser somente uma responsabilidade das mulheres, mas também dos homens e de toda a sociedade”, ressalta o coordenador-geral do Sindipetro/MG, Guilherme Alves. 

Nas direções de entidades sindicais, as mulheres exercem papel central na mobilização, organização e fortalecimento das lutas coletivas. Para marcar o mês da Mulher, o Sindipetro/MG ouviu algumas sindicalistas petroleiras sobre a importância da participação da mulher nas lutas sindicais e políticas e seus principais desafios.

Carmen Lúcia Rodrigues – Diretora do Sindipetro/MG

As mulheres em espaços de poder são importantes para mapear e defender as pautas das trabalhadoras. Só quem passa por situações de misoginia, assédio sexual e moral é capaz de entender com profundidade os obstáculos que impedem as mulheres de terem condições dignas de vida. Quando as mulheres ocupam espaços coletivos, toda a sociedade ganha, pois as discussões são mais diversas e os ambientes tornam-se mais cooperativos. Nossa presença também inspira o engajamento de outras mulheres. Somos mais da metade da população e temos muita força política quando organizadas e mobilizadas. 

Bárbara Bezerra – Dirigente do Sindipetro/NF e da FUP. Coordenadora do Coletivo de mulheres petroleiras da FUP

A participação das mulheres é fundamental na defesa dos direitos da classe trabalhadora. O sindicato precisa garantir o protagonismo das mulheres no movimento sindical. Sua atuação fortalece os Acordos Coletivos de Trabalho, amplia conquistas e ajuda a transformar estruturas marcadas pelo machismo, rompendo pactos históricos com o patriarcado. O principal desafio ainda é enfrentar a desigualdade de representação e de poder.

Patrícia de Jesus – Vice-coordenadora do Sindipetro/ES e dirigente da FUP

A participação feminina é importante para democratizar espaços de poder e garantir que pautas como igualdade salarial, combate ao assédio e direitos reprodutivos sejam prioridade. Mulheres trazem novas perspectivas que fortalecem a justiça social. Contudo, os desafios são imensos: a dupla jornada de trabalho, o machismo estrutural nas lideranças e a violência política dificultam a ocupação desses cargos. Queremos ocupar o lugar que nos é de direito na sociedade!

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