Greve segue forte no segundo dia. Petrobrás tenta furar o movimento com equipes de contingências

Segunda, 02 Novembro 2015 13:21

[Foto: Davi Macedo]

No segundo dia da greve nacional dos petroleiros, houve um crescimento significativo na adesão dos trabalhadores às paralisações das suas atividades nas unidades do Sistema Petrobrás. Diante da força do movimento grevista, os trabalhadores também estão enfrentando atitudes intransigentes das equipes gerenciais da companhia, como atos antissindicais, por exemplo. Os sindicatos informaram à FUP que em diversas unidades, os trabalhadores que iniciaram a jornada ontem antes da deflagração da greve, estão numa espécie de cárcere privado. A Petrobrás também está tentando furar a greve através do envio de equipes de contingência completamente despreparadas para operar as unidades paralisadas.

A greve dos petroleiros prosseguirá por tempo indeterminado até que a gestão da Petrobrás resolva debater a Pauta pelo Brasil, onde contém as principais reivindicações da categoria em defesa de todos os direitos adquiridos pelos trabalhadores nos últimos anos, contra o PNG da companhia, que prevê cortes de até 15 bilhões de dólares até 2016, através da venda de ativos, incluindo a BR Distribuidora e Gaspetro. A greve dos petroleiros é pelo Brasil, pela Petrobrás em defesa da vida.

Segue o quadro nacional desta segunda-feira, 02/11:

AM – Na Reman, houve corte de rendição conforme o planejado pela FUP e sindicatos. A greve foi iniciada ontem às 15h na Reman e nos Terminais de Coari e Solimões. Hoje, às 7h, os trabalhadores também aderiram à paralisação das atividades. Os petroleiros que iniciaram o turno ontem, às 7h, antes da deflagração do movimento grevista, ainda se encontram nas unidades, no entanto, já estão se preparando para entregar a operação à equipe de contingência enviada pela Petrobrás. A assessoria jurídica do Sindipetro AM está tomando as providências cabíveis junto ao Ministério Público do Trabalho, já que a permanência dos trabalhadores na refinaria e nos terminais configuram cárcere privado e o envio de contingência os expõe a sérios riscos de acidentes.

BA – Hoje não houve a troca de tuno pela manhã na RLAM, através do convencimento dos diretores do sindicato. Em razão disso, a refinaria só tem uma turma e meia trabalhando e a gerência foi obrigada a procurar o sindicato para negociar o efetivo dessas unidades.

O coordenador geral do Sindipetro BA, Deyvid Bacelar, afirmou que esta negociação só poderá ser feita em conjunto à discussão sobre a cota de produção e, com o comando de greve, que está sob a responsabilidade do coordenador da FUP, José Maria Rangel.

CE – Na Lubnor, maior base do Ceará, houve corte de rendição hoje às 7h. Para a próxima troca do turno, às 15h, os trabalhadores decidiram que ninguém entrará na unidade. Em Paracuru, o gerente da unidade solicitou o controle das instalações, porém o pedido foi negado pela força de trabalho, que considerou irresponsável entregar a produção às equipes não habilitadas para isso. Caso a empresa não programe rendição programada, a permanência dos trabalhadores na unidade será configurada como cárcere privado e a justiça será acionada. Na Usina de Biodiesel de Quixadá, o jurídico do sindicato está fazendo a denúncia junto ao MPT sobre o excesso de jornada de três operadores e sobre o efetivo mínimo de brigada.

RN – A greve foi ampliada pelos trabalhadores das plataformas marítimas. Nas unidades do Pólo de Guamaré, como a RPCC, a refinaria do estado, assim como a unidade de Transferência da Transpetro, continuam com a rendição cortada pelos petroleiros.

PE – Os trabalhadores do Terminal da Transpetro em Suape e da Refinaria Abreu e Lima continuam cortando a rendição dos turnos, porém, a situação é semelhante a de outras bases em estados distintos. Nas unidades do terminal e da refinaria, a Petrobrás também insiste em manter trabalhadores em cárcere privado assim como em enviar equipes de contingência despreparadas para tocar a produção.

Unificado de SP – Na Recap e na Replan, o segundo turno de trabalhadores que aderiu a greve foi ontem às 23h. Hoje pela manhã, houve novo corte, ou seja, a greve está com 100% de adesão nas refinarias. Nos terminais da Transpetro nos estados de São Paulo, a greve será deflagrada nesta terça-feira, 03/11.

NF – Na Bacia de Campos, o segundo dia da greve começou com um quadro atingido durante a madrugada, com a adesão de 35 plataformas. Destas, 22 estão completamente paradas, oito estão com poços restringidos (com reduções na produção que variam de 20% a 97%) e cinco foram passadas para as equipes de "pelegos" (contingência formada pela Petrobrás).

Estão no movimento de greve as plataformas PCE-1, PGP-1, PPM-1, PPG-1, PNA-2, PCH-1, PCH-2, PVM-1, PVM-2, PVM-3, P-07, P-08, P-09, P-12, P-15, P-18, P-25, P-26, P-20, P-31, P-32, P-33, P-37, P-40, P-48, P-50, P-51, P-52, P-53, P-54, P-56, P-61, P-62, P-63 e P-65. No Terminal de Cabiúnas (Tecab), em Macaé, o grupo A ocupou a base, seguindo o indicativo do Sindipetro-NF.

Duque de Caxias – Na Refinaria Duque de Caxias (REDUC), a greve continua forte, com corte de rendição na Reduc e na Termoelétrica Governador Leonel Brizola. Alguns trabalhadores que estão retidos na unidade deste ontem começam a enfrentar situação de insalubridade e fome. A Petrobrás continua impedindo a presença das direções sindicais dentro da refinaria e da UTE. No Terminal Campos Elíseos (Tecam), a greve começa às 0h desta terça-feira, 03.

Minas Gerais – O corte de rendição nas unidades operacionais de Minas Gerais começou ontem, às 23h, 30, na Refinaria Gabriel Passos (Regap) e na Termoelétrica Aureliano Chaves. Hoje, às 7h, os trabalhadores também aderiram à greve. Na unidade da Petrobrás Biocombustível Darcy Ribeiro, em Montes Claros, o sindicato debaterá com a categoria sobre a mobilização nacional e a participação dos trabalhadores no movimento.

ES – Em Vitória, a operação do Terminal Aquaviário está paralisada. Os trabalhadores aderiram à greve e não há contingência da empresa. No Terminal de Barra do Riacho, em Aracruz, foi suspenso o recebimento de gás da UTGC - Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas, em Linhares e, o navio, que está atracado no TABR não será operado. Já a P-58 está, que é a segunda maior produtira de petróleo do país (cerca de 120 mil barris ao dia), está com 50% da produção reduzida.  Segundo informações do sindicato, ao trabalhadores da plataforma estão impedidos de desembarcar. Hoje pela manhã, apenas os gestores e supervisores que compõem a equipe de contingência se encontram a bordo da unidade e querem assumir o comando da operação, sem liberar o desembarque dos trabalhadores que aderiram ao movimento de greve. O Sindipetro -ES está tomando todas a providências para resolver o impasse e buscará todas as medidas judiciais cabíveis, caso seja necessário. A vida dos trabalhadores está em risco, pois a equipe de contingência não tem condições técnicas para operar a plataforma.

PR – Na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen – PR), a greve começou às 23h de ontem e permanece firme até o momento. A produção da unidade está paralisada por não haver equipe de contingência da empresa.

Na Repar e na Usina do Xisto (SIX), houve corte de rendição ontem, às 23h30, no entanto, há uma equipe de contingência da Petrobrás tentando furar a greve. Nas unidades da Transpetro no Paraná e Santa Catarina (Tepar, Tejaí, Temirim, Teguaçu e Tefran), a greve será iniciada amanhã.

RS – No Rio de Grande do Sul, houve novo corte de rendição na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Terminal de Rio Grande e na Termoelétrica Sepé Tiaraju.

Erramos: Na Usina de Biocombustível Darcy Ribeiro, em Montes Claros, o movimento será deflagrado após conversa do Sindipetro MG com os trabalhadores da unidade, na quarta-feira, 04 e, nas unidades da Petrobrás no Rio Grande do Sul, houve corte de rendição ontem e hoje. A produção ainda não foi totalmente paralisada.

[Atualizado às 14h45]

Fonte: FUP

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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