Gestão da Petrobras oculta dados sobre Covid e se preocupa cada vez menos com protocolos de segurança

Na última reunião da FUP com o EOR, foi identificado que a empresa não informou ao Ministério das Minas e Energia 1.380 casos de trabalhadores infectados pela Covid-19 e 16 óbitos em consequência da doença

[Imprensa da FUP, com informações do Sindipetro NF]

Nesta semana, a Petrobrás alcançou um total de 8.394 trabalhadores próprios contaminados pela Covid-19, desde o início da pandemia, o que representa 20% dos efetivos da holding. Esse quantitativo é 0,3% maior do que o observado na semana anterior, segundo levantamento das subseções Dieese/FUP e Sindipetro-NF. O número de trabalhadores falecidos, no acumulado, permaneceu em 58 casos, mesmo número desde a semana de 06/10/2021.”Vale ainda destacar que muitos destes trabalhadores, apenar de “recuperados” da COVID-19, ainda apresentam algum tipo de sequelas desta contaminação”, alerta o boletim semanal de monitoramento, produzido pelo Dieese, com base em informações divulgadas pelo Ministério das Minas e Energia.

Os casos informados pela Petrobrás, no entanto, não contabilizam os óbitos de trabalhadores terceirizados, o que reduz, drasticamente e de forma artificial, os dados reais. Além disso, na última reunião da FUP com a gestão de Saúde e Segurança (SMS) da empresa e com representantes do grupo de monitoramento da pandemia da Covid-19 (EOR), foi identificado que 1.380 casos confirmados de trabalhadores infectados pela Covid-19 e 16 óbitos não foram informados ao MME.

Ou seja, os gestores da empresa vêm ocultando pelo menos 14% dos casos e omitindo informações importantes sobre a contaminação dos trabalhadores. Um dos motivos dessa omissão de informação é que a Petrobrás prioriza a produção ao invés da vida do trabalhador. Há diversas denúncias de trabalhadores, que embarcaram em plataformas com surto de Covid-19. Nas bases do Sindipetro-NF, por exemplo, a gestão informou apenas que foram confimados 1.777 casos de Covid-19 e 10 óbitos.

“Essa posicionamento da Petrobrás impede que os trabalhadores e os sindicatos possam ter noção de onde estão ocorrendo os surtos.  Além disso,  os trabalhadores embarcam e muitas vezes são surpreendidos com um surto já em curso na unidade que chegam. A empresa não informa, porque sabe que se os trabalhadores e sindicatos forem informados não aceitaram embarcar com alto risco de se contaminarem. Devemos priorizar sempre a vida do trabalhador”, declarou o diretor do Sindipetro NF, Alexandre Vieira.

Como se não bastasse a falta de divulgação dos dados, a empresa restringe o rastreio de contactantes a memória dos contaminados pela COVID,ou seja, se a pessoa positiva esquecer de algum contato o contactante não poderá se precaver.

Para o sindicato, a empresa deveria informar aos trabalhadores a sala ou local de trabalho do contaminado para que o contactante possa se prevenir.

“Se por exemplo fosse um caso de meningite ou outra doença contagiosa pelo contato com mucosas ou vias aéreas? Sabemos que todos do local seriam informados. Então porque com a COVID-19 que já vitimou 74 trabalhadores próprios e mais de 600 mil brasileiros é feito diferente? Para a COVID-19 é aceitável as mortes? E porque os órgãos de fiscalização nada fazem? Todas essas questões são respondidas quando lembramos que essa gestão da Petrobras é indicada por um Presidente da República que não se importa com as mortes, mente e não segue a ciência”, lamentou Alexandre.

É importante ainda ressaltar, que os trabalhadores não devem aceitar essas arbitrariedades da Petrobrás contra suas vidas; Da mesma forma que somente pela luta foi conquistada a libertação dos escravos, a derrota da Alemanha nazista, as leis de proteção ao trabalhador. Somente a luta pode evitar mais sofrimento aos trabalhadores e familiares.

Todos os trabalhadores podem e devem denunciar ao sindicato todas as medidas que coloquem suas vidas em risco. Os relatos podem ser enviados para [email protected] A identidade do denunciante é preservada.

Negligência com protocolos de segurança

Desde o início da pandemia, o Sindipetro-NF questiona e luta por protocolos de pré-embarque mais seguros, mas infelizmente, a empresa anda na contramão e tem cada vez menos problema em agir contra seus trabalhadores. Nesta semana, o sindicato tomou ciência de mais uma série de medidas, que colocam em risco a vida do trabalhador, em meio a pandemia, que ainda não acabou.

Cansada de fingir a empresa agora dispensou o confinamento em hotéis no pré embarque para “cidades limítrofes”. Ou seja, o trabalhador deve se deslocar até o ponto de testagem, realizar o teste para Covid-19, retornar para sua residência, onde deve ficar em isolamento por dois dias e retornar ao hotel novamente. Todo esse trajeto fica por conta do trabalhador.

Sabemos que, muitos trabalhadores, devido as condições financeiras, terão que embarcar em transportes públicos, muitas vezes lotados e sem menor segurança sanitária, em pelo menos três viagens. O mais agravante é que a empresa ainda tem coragem de considerar como limítrofes percursos rodoviários como: Araruama x Cabo Frio, que são mais de 42 quilômetros de distância e Casimiro de Abreu e Casimiro, que são mais de 80 quilômetros, e possuem poucas opções de transporte direto.

A audácia da Petrobras não para em ainda exigir que os trabalhadores paguem do próprio bolso os três deslocamentos e utilizem uma pulseira desde a testagem no hotel e fiquem isolados em sua residência. Sem que isso gere nenhuma repercussão em sua frequência.

Para o Sindipetro-NF, esses protocolos além de ineficientes, são totalmente descabidos, pois além dos riscos de contaminação pela COVID-19, ainda geram riscos adicionas a vida do trabalhador. Com um número maior de viagens e com a exposição a insegurança pública, pois temos ônibus com horários de saída as 2 horas da madrugada.

O sindicato recomenda aos trabalhadores que não aumentem o risco para sua vida e família e exijam o cumprimento do item 2, que garante que caso o empregado julgue necessário cumprir o isolamento no hotel, poderá procurar o síndico que decidirá sobre a possibilidade de hospedagem até o embarque. Preferencialmente manifestar-se um dia antes.

Essa opção permitirá que o trabalhador reduza os deslocamentos e também não se exponha a horários de maior risco de sofrer de alguma violência urbana. Além de inequivocamente demonstrar a relação de trabalho.

Para todos os trabalhadores recomendamos ainda que guardem todos os protocolos e exigências da Petrobras, pois estes podem ser utilizados em futuras ações reparatórias na justiça.

Trabalhadores de base também são colocados em risco durante o retorno ao trabalho presencial

A Petrobras vem insistindo no retorno do trabalho presencial, mas logo na segunda semana da  onda 2, o sindipetro-NF já recebeu denúncias sobre problemas no fornecimento de EPI.

Segundo as informações obtidas, a empresa ficou uma semana sem disponibilizar máscaras de proteção aos funcionários por puro descaso com a logística de distribuição, já que, haviam em estoque mais de 80 mil máscaras PFF2.

Gestão inconsequente resulta em morte e contaminação de trabalhadores 

É lamentável dizer que muitas mortes e contaminações poderiam ser evitadas se não tivéssemos uma gestão inconsequente, que não ouve os sindicatos, desrespeita a ciência e as recomendações do Ministério Público e que ainda é acobertada por esse governo assassino.

Temos como exemplo claro, o caso de um trabalhador da P-40, que após ser contaminado e passar pelo período de isolamento embarcou sem passar por um médico do trabalho ou ser retestado no pré-embarque. Protocolo genocida criado pela empresa, que o SindipetroNF sempre alertou para seus riscos e foi veementemente contrário.

E esse mesmo trabalhador, após três dias de embarque precisou desembarcar de aeromédico, devidos suas condições de saúde. Após, o desembarque foi confirmado positivo para Covid-19, o mesmo ficou internado e após 30 dias, infelizmente, não resistiu e morreu devido as complicações da Covid-19.

O Sindicato reforça que tem trabalhado arduamente na luta em prol da saúde dos trabalhadores, mas precisamos da colaboração de todos se não desistirmos, mo futuro os governos ditatoriais perderão seu poder, os nomes e números escondidos serão revelados pelas investigações e os culpados vão receber sua pena.