“Nossa maior responsabilidade é honrar o legado de luta dessa entidade”, afirma coordenador eleito do Sindipetro Unificado

Steve Austin coordenará o Sindipetro Unificado pelos próximos três anos (Foto: Marcelo Aguilar)

Eleição renovou o apoio à chapa única e elegeu Steve Austin como coordenador geral do Sindipetro Unificado por três anos; em entrevista Austin analisa desafios do período

[Por Marcelo Aguilar, da comunicação do Sindipetro Unificado]

Terminou neste sábado (4), após um amplo esforço para possibilitar a maior participação possível de trabalhadores, o processo eleitoral do Sindipetro Unificado. A Chapa 1 (única) foi eleita com 98,72% dos 1002 votos coletados entre os trabalhadores da ativa. Já o Departamento de Aposentados (DAESP) foi eleito com 100% dos 207 votos coletados. Com isso, apesar da renovação de alguns nomes, a atual diretoria recebeu o aval da base para continuar o trabalho que já vem realizando nos próximos três anos (2026-2029).

Quem coordenará a entidade no período será Steve Austin, técnico de operação da Replan que está na Petrobrás desde 2003. Austin, que começou sua militância no movimento estudantil e no Partido dos Trabalhadores (PT), entrou para o Sindipetro Unificado em 2006, em um momento de recomposição da direção, e desde então tem papel ativo no dia a dia do sindicato. Coordenador da regional de Campinas liberado para suas atividades desde 2023, passa a conduzir a entidade e nesta entrevista analisa os desafios para o período.

O que representa para você, como sindicalista, passar a coordenar o Sindipetro Unificado?

Claro que a nível pessoal é uma honra passar a coordenar o sindicato. Mas como sindicalista ocupar esse espaço representa o desafio de manter o legado de luta dessa entidade, que mobiliza e representa os trabalhadores legalmente. Representa honrar um sindicato que foi construído nas lutas pela democracia e na etapa da construção de entidades como a CUT, o MST, período no qual os petroleiros foram protagonistas, como também foram na década de 90, quando lideraram a luta contra as privatizações. No governo Lula fomos protagonistas na construção de um modelo para a descoberta do pré-sal, porque sempre defendemos que a Petrobrás tem que ter um quadro próprio, técnico e especializado para desenvolver indústria não só para os petroleiros e petroleiras mas para toda sociedade brasileira. Então, cuidar e preservar esse legado é a maior responsabilidade que um coordenador pode e precisa ter a frente dessa categoria tão politizada e mobilizada que anseia por direitos e conquistas. Nossa guia é sempre manter a coerência política e o compromisso com a classe trabalhadora.

Quais são os principais desafios para a categoria petroleira no período que se inicia?

Nós temos desafios em diversas esferas. Nos problemas locais do trabalhador, como a exposição ocupacional, tanto ao Benzeno, ao ruído e demais agentes, como a cadeiras de trabalho na Casa de Controle Integrado (CCI), como o transporte, que seja confortável, que atenda com bons horários. A gente tem que avançar nas pautas corporativas como o Plano de cargos e na massa salarial da categoria petroleira. Na questão dos aposentados temos a questão da Petros que precisa de uma solução definitiva. A diretoria da Petrobrás precisa entender que os petroleiros aposentados construíram essa empresa, dedicaram sua vida, e muitos dos déficits que estão nas suas costas hoje foram gerados pelos próprios gestores da Petrobrás. Magda e sua diretoria têm que abraçar essa proposta que foi construída junto com os sindicatos, as associações, a Petrobrás e o governo, para resolver de fato e definitivamente essa questão.

Particularmente no Unificado, quais você acha que são os principais desafios da diretoria para essa nova gestão?

A nível interno, temos como principais desafios a reestruturação de serviços essenciais para os filiados como o jurídico, como a secretaria de saúde, como a própria comunicação, trazer mais produtos e serviços para o petroleiro receber as informações do sindicato, precisamos que nossa agenda sempre chegue nas bases e que elas tenham todas as informações necessárias para a luta. Melhorar a estrutura do sindicato de modo geral é um compromisso que estamos assumindo.

Você assume numa conjuntura difícil, com a ascensão da extrema direita em todo o continente, e ameaças permanentes à soberania do Brasil. Qual é o papel dos sindicatos nesse contexto e na eleição presidencial que ocorre em outubro?

A nível nacional, nós temos como prioridade absoluta da classe trabalhadora reeleger Lula. Temos que derrotar o fascismo, que está articulado internacionalmente, sendo o Trump seu grande líder. Ele já disse que vai interferir nas eleições e nós como entidade e categoria temos que dar resposta tanto nas urnas ruas quanto nas redes sociais. Cada dia a conjuntura está mais difícil, aquele mundo com mecanismos internacionais de controle não existe mais, as guerras são feitas da cabeça de uma pessoa, atacando pvoos, cometendo genocídio como na Palestina, como aconteceu na Venezuela, com uma violencia profunda na soberania do país, assim como em Cuba com apagão energético e um bloqueio terrorista. No Brasil não é diferente, a todo momento tentam nos atacar, tanto na questão do PIX, como no que diz a respeito das tecnologias e minerais críticos, petróleo. Temos que defender a nossa soberania, tanto energética quanto no fortalecimento da democracia. A reeleição de Lula seria uma reafirmação de que a democracia funciona e nesse momento é fundamental para derrotar o fascismo. Os petroleiros já aprovaram em assembleia,e agora vamos levar para o XX CONFUP para reafirmar que os petroleiros e petroleiras de todo o brasil vão trabalhar para a reeleição do presidente Lula.