FUP e sindicatos entregam gás a preço justo em Realengo, zona oeste do Rio

Além de ofertar 350 botijões de gás a 40 reais na comunidade do Batan, os petroleiros distribuíram máscaras para prevenção da Covid e mostraram o prejuízo ao consumidor da política de reajustes dos combustíveis da Petrobrás. De janeiro a abril, gás de cozinha subiu 22,8% nas refinarias, aponta o DIEESE

[Da comunicação da FUP | Dani Dacorso]

Na manhã desta sexta-feira (28/5), a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) e o Sindicato dos Petroleiros de Caxias (Sindipetro Caxias) realizaram mais uma ação da campanha “Combustíveis a Preço Justo”. Dessa vez, foram comercializados 350 botijões de gás de cozinha por 40 reais na comunidade do Batan, em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro (ver fotos abaixo). Houve ainda distribuição de máscaras para prevenção da Covid-19, além de higienização das mãos do público com alcool gel e manutenção de distanciamento social para garantir a segurança.

Além de dar um alívio ao bolso do consumidor – o botijão de gás costuma ser vendido por cerca de 80 reais na região –, a ação é uma estratégia dos petroleiros de dialogar com a população sobre como a política de preços dos reajustes dos combustíveis baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI), adotada pela Petrobrás desde outubro de 2016. Essa política impacta não apenas o valor dos derivados de petróleo, mas também os preços dos alimentos, transportes e demais itens, num efeito cascata com forte impacto sobre a inflação.

Segundo Cloviomar Cararine, economista da seção FUP do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o botijão de gás teve alta de 22,8% nos primeiros quatro meses deste ano nas refinarias da Petrobrás. A gasolina subiu 40% e o óleo diesel, 33,6%. “Estas altas são sentidas no bolso. No mesmo período, segundo o IPCA/IBGE (índice oficial de inflação do país), o gás de cozinha apresentou crescimento de 12,85%. Já a gasolina subiu 21,22% e o diesel 17,79%”, explica Cararine.

Presente na ação do Rio, o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar lembrou que os preços do botijão vêm disparando em vários lugares do país.

“De 2003 a 2013, o gás de cozinha custou entre 33 e 36 reais. A partir de 2016, assim que Michel Temer assumiu a presidência, mudou a política de preços dos combustíveis da Petrobrás. Foi quando os combustíveis e gás de cozinha começaram a subir sem controle, o que causou a greve dos caminhoneiros em 2018 que parou o país. Mas a gestão da Petrobrás continua insistindo em acompanhar o mercado internacional, mesmo usando petróleo brasileiro, em suas refinarias. Tem lugares no Brasil hoje que o gás custa até 125 reais.”

O diretor do Sindipetro-Caxias, Luciano Santos, fez um balanço das ações que o sindicato, em parceria com o Sindipetro-NF e a FUP, vêm promovendo no Rio de Janeiro.

“Já conseguimos colocar nas comunidades daqui da região mais de mil botijões a preço justo, desde fevereiro. É uma forma de ajudar a população durante este governo, que se preocupa mais com o lucro dos ricos do que com a sobrevivência dos pobres.”

DIFERENTES LUGARES, SUFOCO IGUAL

Durante as ações, que são realizadas pela FUP e seus sindicatos em diversos estados do país, petroleiros e petroleiras conversam com as pessoas que aproveitam a oferta de combustíveis a preço justo para conhecer um pouco de suas histórias. Em comum, todos falam de sua tremenda dificuldade em pagar pelos combustíveis, cujos preços não param de subir.

No caso do gás de cozinha, a situação é ainda mais dramática, já que se trata de um produto consumido pela maioria de brasileiros e brasileiras para preparar comida. Os relatos de pessoas que estão substituindo o produto por lenha por falta de dinheiro se multiplicam de norte a sul do país. E não seria diferente no Batan.

Verônica Lopes de Carvalho é “cria” do Batan, como ela mesma se define. Com 46 anos, está desempregada, mas comemora o fato de o marido ter conseguido trabalho recentemente. O casal, que tem um filho, vem sofrendo na hora de comprar o gás para cozinhar. “Por isso essa ação ajuda bastante”, diz ela.

Daniele Batista, 32, mora com o marido e a enteada há cinco anos na comunidade. Também desempregada, ela conta que o marido conseguiu trabalho na segunda-feira passada. “Graças a Deus ele conseguiu esse serviço, porque antes disso a gente estava passando necessidade. A situação está muito difícil, quem tem trabalho está sendo mandado embora. A gente passando necessidade, passando fome”.

SOBRE AS AÇÕES DA CAMPANHA “COMBUSTÍVEL A PREÇO JUSTO”

O objetivo principal da campanha é conscientizar a população sobre como a política de preços adotada pela Petrobrás desde outubro de 2016, baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI), afeta diretamente a vida de todos. A consequência do aumento dos combustíveis pode ser sentida em outros setores, como o de alimentos. E impacta diretamente toda a cadeia produtiva, pressionando a inflação. Os preços justos de gasolina, diesel e gás de cozinha que são ofertados nas ações foram definidos a partir de estudos elaborados por técnicos e economistas, levando em consideração os preços e custos da Petrobrás e a garantia de lucratividade de empresas produtoras, distribuidoras e revendedores. O que prova que o consumidor não precisa e não deve pagar essa conta.

A FUP alerta que, enquanto o Preço de Paridade de Importação (PPI) estiver no centro da política de reajustes da Petrobrás para os derivados do petróleo, os preços dos combustíveis vão subir com frequência para o consumidor final. A forma de cálculo adotada no governo Temer, em outubro de 2016, faz com que os preços do mercado interno acompanhem as cotações do petróleo no mercado internacional, as oscilações do dólar e as importações de derivados.

Este cenário deve piorar se a privatização das refinarias da Petrobrás se concretizar, aumentando o desemprego, além de fazer disparar os preços já elevados dos derivados de petróleo.

A campanha “Combustível a Preço Justo” foi realizada em fevereiro do ano passado em diversas cidades do país, durante a histórica greve dos petroleiros, que durou 20 dias – a maior desde 1995. Em 2021, A FUP e seus sindicatos já promoveram ações da campanha em 1º de fevereiro, em apoio à greve dos caminhoneiros, em março, em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e também em abril.