CUT irá propor recomendações para a Comissão Nacional da Verdade

FUP

Em reunião recente, a Comissão ‘Memória, Verdade e Justiça’ da CUT avaliou positivamente as ações realizadas por todo o Brasil em repúdio aos 50 anos do golpe militar de 1964 e reafirmou a importância da continuidade dos trabalhos para ouvir depoimentos, aprofundar as pesquisas e denunciar os crimes cometidos contra a classe trabalhadora durante o regime militar.

Através do Grupo de Trabalho das centrais sindicais no âmbito da Comissão Nacional da Verdade (CNV), os dirigentes cutistas priorizarão quatro eixos centrais para construir, dar agilidade e precisão ao relatório final da Comissão: levantamento dos sindicatos que sofreram invasão e/ou intervenção e dirigentes sindicais que foram cassados, presos, torturados e assassinados durante o golpe; vinculação das empresas com a repressão; legislação antissocial e antitrabalhista; reparação moral e financeira.

O objetivo é influir no relatório final da Comissão para que algumas recomendações das centrais sindicais sejam incluídas no documento, como a punição aos agentes de Estado que torturaram, mataram e fizeram desaparecer corpos de militantes; a elaboração de uma lei que garanta o direito de greve no serviço público, autonomia e liberdade sindical; a ratificação da Convenção 158 da OIT contra a demissão imotivada; a retirada de logradouros públicos dos nomes de militares e agentes que apoiaram e participaram da ditadura militar; e, principalmente a revisão da Lei de Anistia, com a revogação do Artigo 1º e seu Parágrafo 1º que se refere aos crimes conexos e garante a autoanistia aos militares.

A Comissão da CUT ‘Memória, Verdade e Justiça’ está elaborando a construção de um seminário em conjunto com a CSA e AFL-CIO para levantar informações sobre como a Operação Condor atuou contra a classe trabalhadora.  A Operação Condor foi uma aliança político-militar entre a CIA/governo dos Estados Unidos com os setores de direita da América Latina para viabilizar e dar sustentação às ditaduras militares no continente. A Operação se arrastou até o final dos anos 80, numa das maiores ações repressivas da história do continente, que resultou em tortura, sequestros e execução dos líderes e militantes de esquerda nos países do Cone Sul. A estimativa é de que 50 mil ativistas foram assassinados, 30 mil desapareceram e 400 mil foram encarcerados pela Operação Condor no Brasil, Chile, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade será apresentado em dezembro de 2014. A CUT defende a criação de um comitê nacional de acompanhamento dos resultados.