Atos do 1º de Maio mobilizam o país pelo fim da escala 6×1. Confira os locais

Mobilizações organizadas pela centrais sindicais em todo o Brasil colocam a redução da jornada sem corte de salários no centro das pautas, enquanto o debate avança no Congresso e ganha força nas ruas

[Da redação da CUT]

1º de MaioDia do Trabalhador e da Trabalhadora, vai levar às ruas, em todo o Brasil, mobilizações organizadas pelas CUT estaduais e seus ramos, com uma reivindicação central: o fim da escala 6×1. A luta pela redução da jornada de trabalho, sem redução de salários, ganha protagonismo neste ano e expressa a urgência por mais qualidade de vida e condições dignas para quem vive do trabalho.

O PL 1838/2026 foi protocolado em regime de urgência após ser enviado ao Congresso Nacional pelo presidente Lula, em 14 de abril e precisa ser votado em até 45 dias a partir da data do envio.

Na Câmara, apesar de o tema ter ganhado impulso, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB) está priorizando a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O texto principal em discussão é a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) que reduz a jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Já a proposta da deputada Érica Hilton (PSOL) prevê a redução da jornada para quatro dias por semana – a escala 4×3. Como são duas propostas sobre o mesmo tema elas podem ser apensadas com a união de alguns pontos.

Entenda a diferença Projeto de Lei e PEC

Um Projeto de Lei em caráter de urgência constitucional precisa de 257 votos na Câmara e no Senado a maioria simples, desde que no dia da votação estejam presentes no plenário, no mínimo, 42 dos 81 senadores. Todo esse processo precisa ser feito em 45 dias, a partir da data que chega ao Congresso Nacional.

Uma PEC tem um trâmite mais lento e para ser aprovada precisa passar por , mais debates e obter mais votos no plenário do Congresso: 308 na Câmara e 49 no Senado para ser aprovada

Outras pautas do 1º de maio

Também estarão no centro das mobilizações no 1º de Maio outras pautas fundamentais, como o combate ao feminicídio e a todas as formas de violência; o enfrentamento à pejotização e à precarização; o fortalecimento da negociação coletiva; a garantia do direito de negociação para os servidores públicos; e a regulamentação do trabalho por aplicativos, assegurando direitos e proteção social.

As pautas foram debatidas na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) e da Marcha da Classe Trabalhadora, que reuniram milhares em Brasília no dia 15 de abril. A força dessa mobilização recente impulsiona o 1º de Maio, reforçando a unidade e a disposição de luta da classe trabalhadora em todo o país.

Confira os locais onde terão atos pelo Dia do Trabalhador e da Trabalhadora.

Origem do 1º de Maio

O 1º de Maio tem origem nas lutas operárias do fim do século XIX, em meio à expansão do capitalismo industrial. Naquele período, trabalhadores enfrentavam jornadas superiores a 14 horas diárias, sem descanso e sem direitos básicos. A principal reivindicação era a redução da jornada para oito horas.

Em 1886, essa luta ganhou força em Chicago, nos Estados Unidos, quando milhares de trabalhadores entraram em greve no dia 1º de maio. Dias depois, um protesto na Praça Haymarket terminou em repressão policial, com mortos e feridos. Lideranças operárias foram presas e condenadas, tornando-se símbolo internacional da luta trabalhista.

Em 1889, organizações internacionais instituíram o 1º de Maio como Dia Internacional dos Trabalhadores. A data passou a ser adotada em diversos países como momento de mobilização por direitos e melhores condições de vida.

A luta no Brasil

No Brasil, a organização dos trabalhadores ganhou força no início do século XX. Em 1917, São Paulo registrou uma greve geral que mobilizou cerca de 50 mil operários contra a carestia e as condições precárias de trabalho. A repressão foi violenta, mas consolidou a presença da classe trabalhadora na cena política nacional.

Ao longo das décadas, a mobilização garantiu conquistas importantes. O 1º de Maio foi reconhecido oficialmente em 1924. Posteriormente, direitos como o salário mínimo e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) passaram a estruturar a proteção social no país. Durante a ditadura militar, sindicatos foram perseguidos, mas mantiveram a resistência e a organização coletiva.

Greves do ABC e origem da CUT

A greve dos metalúrgicos de 1979, no ABC paulista, marcou a retomada do protagonismo da classe trabalhadora. Realizada durante a ditadura militar sob o comando do general João Batista Figueiredo, a paralisação reuniu cerca de 150 mil trabalhadores contra o arrocho salarial. A pauta incluía reajuste de 78,1%, piso salarial, estabilidade para gestantes e creches.

Liderado pelo então metalúrgico e hoje presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o movimento teve nas assembleias do estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, um marco da mobilização popular. Mesmo sob repressão e intervenção sindical, a greve fortaleceu o novo sindicalismo e abriu caminho para a criação da CUT, em 1983.

Mais de um século após as primeiras greves, o 1º de Maio mantém seu significado como dia de luta. Em 2026, ao ocupar as ruas, a CUT reforça que a ampliação de direitos depende da mobilização coletiva e da participação ativa dos trabalhadores na disputa por melhores condições de vida e trabalho.

Veja o vídeo produzido pela CUT: