Arrochar o funcionalismo não é a saída







É com total repúdio que o Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União no Distrito Federal – Sindjus – recebe a notícia de que o governo irá suspender as nomeações e novos concursos públicos por tempo indeterminado. O funcionalismo público não pode pagar a conta de uma política macroeconômica equivocada que visa crescimento a partir de juros altos. Uma vez que o governo quer conter despesas ele deveria baixar os juros, que são as maiores despesas públicas existentes na atualidade. Baixar os juros é permitir uma série de investimentos e a redução das desigualdades sociais.

A insegurança da economia mundial também não é desculpa para estagnar o funcionalismo. A última crise mundial provou que precisamos de um Estado forte e combativo, capaz de prestar um serviço público de excelência. Não queremos e não podemos nos guiar pelo pensamento neoliberal. A manutenção de taxas elevadas de juros interessa apenas ao capital especulativo, pois encarece o crédito e comprime o mercado interno.

Como frisa a CUT, não podemos ceder à pressão de setores da mídia e do sistema financeiro, dos setores conservadores do empresariado e de parte da base que compõe o governo. Não podemos nos curvar à agenda derrotada nas eleições que defende que para combater a inflação, deve-se conter o consumo interno, reduzir o crédito, arrochar o funcionalismo e aumentar a taxa de juros.

O governo precisa pautar sua política econômica na expansão do mercado interno, na valorização do serviço público, no aumento real de salários, na valorização do salário mínimo, na oferta de crédito e no crescimento do consumo e da produção.

Por isso, o Sindjus conclama todos os servidores a permanecerem mobilizados. Conseguir um reajuste salarial a partir dessa postura não será uma tarefa fácil, mas também não se trata de uma missão impossível. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, informou que exceções serão analisadas caso a caso. Se a cúpula do Judiciário chamar para si a responsabilidade do nosso PCCR teremos uma grande chance de garantir o nosso reajuste.

Nós servidores precisaremos estar mais unidos e pressionar o Poder Judiciário para que costure um acordo com o governo. Afinal, os magistrados também aguardam a aprovação de um reajuste de quase 15% no Congresso Nacional. E se o pessoal do Executivo e do Legislativo conseguiu, também nesse cenário de contenção de despesas, aprovar reajustes que oscilaram de 60 a 150%, nós também podemos. Afinal, estamos em um Estado Democrático que tem como um de seus princípios a defesa da isonomia dentro do serviço público.

Além do mais, qual a razão de prejudicar a reestruturação do serviço público quando os indicadores de PIB, crescimento do emprego e da renda, volume de investimentos previstos, lucro dos bancos e das empresas, atestam a continuidade do ciclo de desenvolvimento brasileiro?