O Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense) promoveu, na manhã de hoje, ato no Heliporto do Farol de São Thomé, em Campos dos Goytacazes, para marcar a passagem dos 20 anos da tragédia da P-36. No dia 15 de março de 2001, uma explosão na unidade provocou as mortes de 11 petroleiros. Dias depois, toda a estrutura da então maior plataforma do mundo afundou.

Durante os 40 minutos do ato, os diretores Tezeu Bezerra e Gustavo Morete conscientizaram os petroleiros e petroleiras, que embarcavam e desembarcavam no local, sobre a necessidade de priorizar a segurança no trabalho. Eles denunciaram que as mudanças recentes na Petrobrás, com venda de ativos e aumento da terceirização, elevam os riscos de acidentes e mortes.

“Esse acidente trágico é marcado pela política que estava posta no momento, de redução de investimentos na empresa, e que infelizmente hoje é retomada”, afirma Tezeu, advertindo ainda para o fato de que hoje mesmo a Bacia de Campos vive a apreensão de manter 22 plataformas com precariedade de pessoal marítimo, em razão de uma mudança de contrato que reduziu salários e benefícios.

Além do ato no Heliporto do Farol, o Sindipetro-NF também marca a data com a realização, hoje (15), às 19h, de transmissão ao vivo nas redes sociais da entidade com o tema “P-36: O que mudou?”, para debater com a categoria petroleira e com a sociedade as conquistas na área de segurança do trabalho nestas duas décadas, assim como os problemas ainda enfrentados pelos trabalhadores.

Os 20 anos da P-36 também serão lembrados por meio de edição especial do Podcast da Rádio NF (www.radionf.org.br), que será publicado nesta terça-feira (16), com entrevistas exclusivas com diretores sindicais atuais e da época da tragédia, familiares das vítimas e um sobrevivente. Com grande força de testemunho, os depoimentos impressionam pela constatação de que o acidente poderia ter sido evitado, assim como ainda há muitos sinais de que uma nova tragédia pode acontecer a qualquer momento na Bacia de Campos.

Relembre a tragédia

No início da madrugada de 15 de março de 2001, a P-36, que operava no campo de Roncador, na Bacia de Campos, sofreu duas explosões em uma de suas colunas num intervalo de 20 minutos. A segunda explosão causou a morte dos 11 trabalhadores que integravam a brigada de incêndio da unidade: Adilson Almeida de Oliveira, Charles Roberto Oscar, Emanoel Portela Lima, Ernesto de Azevedo Couto, Geraldo Magela Gonçalves, Josevaldo Dias de Souza, Laerson Antônio dos Santos, Luciano Cardoso Souza, Mário Sérgio Matheus, Sérgio dos Santos Souza e Sérgio dos Santos Barbosa.

“Quando cheguei lá, os caras estavam mortos. Foi terrível”, diz sobrevivente da P-36 em Podcast especial da Rádio NF nos 20 anos da tragédia

O Sindipetro-NF acaba de disponibilizar uma edição especial do Podcast da Rádio NF com depoimentos fortes sobre a tragédia da P-36. Em um deles, um dos sobreviventes, o petroleiro Wagner Valon, fala sobre o resgate do corpo de um dos colegas de trabalho e afirma que a plataforma apresentava problemas frequentes antes das explosões de 15 de março de 2001. O acidente na unidade causou as mortes de 11 trabalhadores que integravam a brigada de emergência.

“De repente a gente ouviu um barulho e a plataforma sacudiu e em seguida os alarmes tocaram. Houve um deslocamento de ar e pessoal começou a correr. Eu fui até onde aconteceu o acidente. Quando cheguei lá, os caras estavam mortos. Foi terrível”, conta Valon.

O podcast também traz depoimentos emocionantes de Marilena Sousa (viúva de Josevaldo Sousa, um dos trabalhadores mortos na P-36), Sérgio Borges (diretor do Sindipetro-NF), Maria das Graças Alcântara (assistente social Sindipetro-NF), Antônio Carlos Rangel (representante sindical na comissão de investigação do acidente), José Maria Rangel (ex-coordenador geral do Sindipetro-NF e da FUP) e Tezeu Bezerra (coordenador geral do Sindipetro-NF).

“Havia muita cumplicidade entre a gente, nós conversávamos sobre tudo e por isso eu sabia muitas coisas sobre a P-36. Antes do último embarque ele soltou que doía o couro cabeludo de tanta tensão. Josivaldo disse que a plataforma precisava parar a produção para fazer reparos, mas a P-36 era a menina dos olhos da Petrobrás, então isso não iria acontecer. A P-36 ainda não estava pronta para funcionar”, conta Marilena.

O Podcast da Rádio NF chega à sua 89ª edição com publicações semanais. Nesta semana o conteúdo especial marca a passagem dos 20 anos da tragédia da P-36. Todas as edições podem ser acompanhadas em www.radionf.org.br.


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Reportagem do Estadão relembra drama das famílias das vítimas do naufrágio da P-36


[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

Reportagem publicada pelo jornal Estado de São Paulo no domingo, 14, relembra o acidente que resultou há 20 anos no afundamento da maior plataforma submersível do mundo, a P-36, causando a morte de 11 petroleiros e traumas psicológicos nos outros 175 trabalhadores que estavam há bordo

Leia a íntegra da reportagem de Denise Luna e Fernanda Nunes:

Vinte anos após o naufrágio da plataforma de petróleo P-36 da Petrobras, no campo de Roncador, na bacia de Campos, as famílias que foram impactadas pela tragédia ainda sofrem com a lembrança do acidente que matou 11 trabalhadores, dos quais apenas dois tiveram os corpos encontrados. A plataforma afundou cinco dias depois de sofrer duas explosões, na madrugada do dia 15 de março de 2001, por um problema no fechamento de uma válvula, segundo relatório da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), causado por "não conformidades quanto a procedimentos operacionais, de manutenção e de projeto".

O trauma permanece até hoje, diz Walisson Antônio dos Santos, na época com 14 anos, que foi tirado da sala de aula sem saber o que estava acontecendo. “Só falaram para eu ir para casa”, conta entre lágrimas, apesar de duas décadas já terem passado. Hoje trabalhando com informática e morando em São Paulo, o filho de Laerson Antônio dos Santos, um dos nove corpos não encontrados, guarda um “santinho” feito pela mãe com a foto do pai. Na memória, Santos guarda os pés de moleque com guaraná que tomava de café da manhã com o pai em Aracaju, Sergipe, nos dias que passava com a família.

“Minha mãe entrou em depressão profunda, perdeu 30 quilos em menos de 15 dias, não conseguia comer, ficava no quarto, trancada, triste, sofrendo, e eu que tive um dia chegar para ela que eu precisava de alguém para poder me sustentar, e só então ela começou a se reerguer, mas até hoje ela sofre muito”, lamenta.

Ele lembra a agonia de aguardar notícias sobre o pai nos cinco dias que se seguiram à explosão. “Toda manhã a gente tinha esperança, mas toda noite a gente começava a chorar, porque paravam as buscas”, recorda. Na manhã do dia 20, acordou com a tia gritando “afundou, afundou”, e a família perdeu a esperança de rever o pai. Para ele, doeu muito a tentativa de salvar a plataforma no meio daquela tragédia, e se questionava se o petróleo valia mais do que a vida do seu pai.

“A gente recebeu indenização sim, demorou muito, mas recebeu. Eles (Petrobras) pagaram escola, faculdade e plano médico até os meus 23 anos. Eu fiz faculdade, me formei , mas eu não queria nada disso, eu queria que meu pai me visse formado”, afirma.

De acordo com a Petrobras, toda assistência foi prestada às famílias dos empregados, com o acompanhamento de assistentes sociais, pagamento de indenização às famílias, além do pagamento integral de mensalidades escolares dos filhos, despesas com tratamento psicoterápico para dependentes e para os empregados envolvidos diretamente no acidente. Além disso, manteve o plano de saúde para os pais dos empregados falecidos, entre outras ações de reparação.

Esposa de um colega de Laerson, Sergio Santos Sousa, ambos da brigada de incêndio da Petrobras, a viúva Helena Alves Santos Sousa, foi uma das únicas a enterrar o marido, e até hoje sofre, principalmente por causa do filho, hoje com 23 anos. “Ele esses dias mesmo me disse que estava esquecendo a fisionomia do pai. Ele embarcou no dia seguinte do aniversário de três anos dele”, relembra. Ela conta que estava ao telefone com Sérgio quando ele escutou um barulho e desligou para ver o que era. “Ele disse que ia ver e depois me ligava, amanheci no sofá esperando”, conta.

Todo dia 15 de março Helena vai ao evento promovido pela Federação Única dos Petroleiros (Fup) em Macaé, onde é realizado uma ato simbólico com a participação também de funcionários da ativa. Este ano o ato será online, por causa da pandemia. “Esse ato ajuda não só a nós, como a todos os funcionários na ativa a lutar por melhores condições de trabalho”, avalia.

Testemunha da explosão dos tanques, o então técnico de operação da P-36 Evanildo Souza e Silva conta que, até hoje, é assombrado pelas “imagens dantescas” do acidente. Por um acaso, sobreviveu. No momento em que explodiu o segundo tanque, ele estava na sala de operação, na parte superior da embarcação, para pegar um rádio e se comunicar com o pessoal em terra.

Silva fez parte do grupo de apenas 28 embarcados que permaneceu na plataforma em busca de sobreviventes. Ele deixou o local apenas quando a unidade começou a adernar, sem conseguir resgatar qualquer colega de trabalho. “A cena que a gente viu é chocante. Não dava para reconhecer nossos companheiros. Algumas viúvas me ligavam atrás de alguma informação e eu tinha que contar algo diferente. Amanhecia o dia e eu não dormia. Nunca mais fui a uma festa”, diz.

Por responder pela operação de um dos tanques que explodiu, o técnico foi apontado como um dos responsáveis pelo acidente em processo judicial. Foi absolvido por falta de provas, mas, segundo ele, ainda tenta na Justiça ser indenizado pelas perdas com a tragédia. Hoje, está aposentado e recebe remuneração do fundo de pensão da estatal, a Petros.

A viúva Luzineide Lima participou por 16 anos consecutivos dos atos da Fup do dia 15 de março. Todas as vezes em que assistia petroleiros chegando das plataformas revivia a dor da espera pelo marido. Neste ano, vai passar a data isolada, por conta da pandemia. “Vou rezar em casa, no meu cantinho”, informa ela.

Como ela, Alice Andrade, cunhada de uma das vítimas, diz que a irmã, Marilena Souza tem conseguido tocar a vida adiante por conta da religião. Elas foram juntas à Macaé (RJ) em busca de informações, acompanhadas de um pastor, no dia seguinte ao acidente. Deixaram a cidade dois dias depois. “Quando a plataforma afundou, a gente não estava mais lá. Foi uma forma de diminuir o sofrimento”, afirma.

[Do jornal O Estado de São Paulo | Imagem: Antônio Gaudério/Folhapress - 16/03/2001]

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Nesta segunda-feira, 15/03, completa 20 anos do trágico acidente com a P-36, quando 11 petroleiros foram mortos em decorrência da explosão de um tanque numa das colunas da plataforma. A unidade afundou dias após, levando para o fundo do mar os corpos de dez das vítimas. Além dos 11 trabalhadores que perderam a vida no acidente, outros 175 que estavam a bordo sofrem até hoje o trauma decorrente das explosões e afundamento da plataforma

[Da comunicação do Sindipetro NF]

Na semana em que a tragédia da plataforma P-36 completa 20 anos, o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), vai promover debates com a categoria petroleira e a sociedade sobre saúde e segurança no trabalho.

Nesta segunda (15/3), às 19h, no canal do Sindipetro-NF no YouTube, o sindicato realiza uma transmissão ao vivo para conversar com trabalhadores e trabalhadoras sobre esse grave desastre.

Também haverá nesta semana uma edição especial do podcast semanal da Rádio NF com entrevistas exclusivas feitas pelo Departamento de Comunicação do Sindipetro-NF sobre o caso P-36. Dirigentes sindicais, sobreviventes da tragédia e familiares reconstituem os dias do acidente e avaliam as condições de segurança dos trabalhadores.

O objetivo das ações é fazer um balanço das conquistas de petroleiras e petroleiras pela segurança no trabalho, assim como apontar as lições que as empresas petrolíferas, em especial a Petrobras, insistem em não aprender com a tragédia e com tantos outros acidentes que continuam sendo registrados nas operações de óleo e gás.

“Precisamos lembrar sempre do que aconteceu com a P-36, ainda mais neste momento, em que a tragédia completa 20 anos e estamos assistindo a um desmonte da Petrobrás, com reflexos negativos diretos na segurança de suas operações. A interdição de quatro plataformas da Trident Energy na Bacia de Campos, em dezembro passado, unidades de campos que a empresa adquiriu da Petrobrás, são prova de que o risco às vidas dos trabalhadores e ao meio ambiente não está na prioridade das empresas de óleo e gás. E isso não ocorre apenas em plataformas marítimas, mas também em refinarias, terminais e bases terrestres da Petrobrás”, explica o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

A FUP e demais sindicatos também relembrarão a trágica data, com atos, cards em redes sociais e textos. 

Duas explosões na P-36

No início da madrugada de 15 de março de 2001, a P-36, então a maior plataforma de produção do mundo, que operava no campo de Roncador, na Bacia de Campos, sofreu duas explosões em uma de suas colunas num intervalo de 20 minutos. A segunda explosão causou a morte dos 11 trabalhadores que integravam a brigada de incêndio da unidade. Apenas dois corpos foram recuperados.

Segundo relatório da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), após a segunda explosão,138 trabalhadores foram desembarcados, o que durou três horas e meia, permanecendo a bordo da unidade apenas a equipe de emergência. O time permaneceu na P-36 até às 6h30 para tentar mantê-la nivelada, mas, diante do insucesso na ação, foi desembarcada.

Houve várias tentativas de estabilizar a unidade, “particularmente a injeção de nitrogênio e ar comprimido nos compartimentos alagados para expulsão da água”, aponta o documento da agência reguladora, mas nenhuma delas teve sucesso. Após cinco dias de angústia, a P-36 foi a pique às 11h40 do dia 20 de março de 2001, levando consigo os corpos dos 11 trabalhadores mortos na tentativa de combater o incêndio na unidade. 

Deficiências de gestão operacional

A análise da agência reguladora constatou “sistema de comunicação e coordenação deficientes entre a equipe de resposta à emergência e o comando da plataforma”, além de “coordenação e treinamento deficientes de pessoal nas ações de controle de estabilidade em emergência”. Isso mostra o descaso da Petrobras para com os trabalhadores da unidade, que, à época, ainda acusaram a empresa de sobrecarga de trabalho e empregar terceirizados em excesso na plataforma.

Em suas conclusões, o relatório da agência apontou “deficiências no sistema de gestão operacional das atividades marítimas de petróleo e gás natural da Petrobras na condução das atividades específicas à plataforma P-36”. Ainda segundo o documento, “a ineficácia das medidas para conter o alagamento ou proceder ao desalagamento da coluna de popa boreste, após o rompimento do tanque de drenagem de emergência, demonstraram falhas no esquema operacional de controle de estabilidade de unidade flutuante, em condições de avaria”.

Entre as recomendações da comissão de investigação da ANP constava o aprimoramento do sistema de gestão operacional, com “revisão e aplicação do sistema de gestão de modo a assegurar estrita observância de procedimentos regulamentares, inclusive efetuando a revisão da definição de responsabilidades relativas à manutenção, operação e segurança”; a revisão de critérios de projeto; e o dimensionamento e capacitação de pessoal, de forma a “reavaliar o dimensionamento e a qualificação das equipes de operação e manutenção de unidades marítimas, bem como daquelas responsáveis pela resposta a emergências de grande risco”.

A tragédia da P-36, além de provocar a morte de 11 petroleiros, marcou para sempre a categoria petroleira e o mundo do petróleo como um dos maiores acidentes da indústria petrolífera na história.

 

Jamais esqueceremos

Adilson Almeida de Oliveira

Charles Roberto Oscar

Emanoel Portela Lima

Ernesto de Azevedo Couto

Geraldo Magela Gonçalves

Josevaldo Dias de Souza

Laerson Antônio dos Santos

Luciano Cardoso Souza

Mário Sérgio Matheus

Sérgio dos Santos Souza

Sérgio dos Santos Barbosa

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Há dez dias em greve, os trabalhadores do Sistema Petrobrás denunciam o avanço da contaminação de Covid-19 nas unidades da empresa. Neste domingo, uma semana após a morte do operador da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), Carlo Alberto, por complicações geradas pela doença, o Sindipetro Bahia tomou conhecimento de que mais um trabalhador da refinaria faleceu após ser infectado. Segundo informações preliminares obtidas pelo sindicato, a vítima tinha 52 anos e era técnico de operação, exercendo nos últimos anos a função de coordenador de turno. "Essas mortes são fruto da incompetência administrativa e gerencial da Petrobrás na Rlam, que não tem adotado as medidas necessárias para preservar a vida dos trabalhadores próprios e terceirizados, apesar de toda cobrança que vem sendo feita pela direção do sindicato", afirma Radiovaldo Costa, diretor Sindipetro Bahia, informando que a entidade irá processar o Gerente Geral da Rlam para que seja responsabilizado civil e criminalmente por expor a vida dos trabalhadores em risco.

A Rlam é uma das unidades do Sistema Petrobrás que vem sendo afetada pela negligência da direção da empresa no combate à pandemia. Nas últimas semanas, foram relatados surtos de Covid com mais de 80 trabalhadores contaminados na refinaria. Ainda assim, a gerência chegou a insistir em manter as paradas de manutenção que colocariam em risco mais de 2 mil trabalhadores aglomerados na unidade. Só após o início da greve, é que a a gestão da Petrobrás resolveu suspender o início das paradas na Rlam

Na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, o Sindipetro também denunciou a ocorrência de surtos de Covid entre os trabalhadores. "Um dos setores atingidos é o DH com oito casos confirmados. Outro setor sob atenção é o Coque, com sete casos. A situação é preocupante, uma vez que este cenário deve se agravar nos setores que estão em parada de manutenção, como o Coque. Além disso, vale lembrar que os trabalhadores da parada e os da refinaria estão compartilhando o mesmo transporte, o que pode favorecer o contágio. Para piorar a situação, há gerentes setoriais que não direcionam os trabalhadores com suspeita para avaliação médica, autorizando pessoas que podem estar com Covid-19 a trabalhar sem a devida triagem", alerta o Sindipetro-MG.

Apesar da gravidade do problema, a gestão da Regap se nega a atender as reivindicações dos trabalhadores, que aprovaram greve por tempo indeterminado e ameaçam parar as atividades se a Petrobrás não garantir o atendimento da pauta da categoria. “Cobramos respostas imediatas da empresa sobre outros temas importantes para a categoria, como a falta de efetivo, a redução do número mínimo e, principalmente, a falta de condições seguras para a realização da Parada de Manutenção no pior momento da pandemia no Brasil. Já são 15 casos confirmados na operação em 2 semanas, inclusive envolvendo pessoas que estiveram em um mesmo refeitório. Já temos casos de companheiros contaminados que não conseguiram se internar, por falta de leitos em BH. Não iremos aceitar que coloquem o lucro acima da vida da categoria”, afirma Alexandre Finamori, coordenador do Sindipetro-MG.

A segurança é um dos eixos da greve que mobiliza há dez dias os trabalhadores da Petrobrás na Bahia, no Amazonas, no Espírito Santo e em São Paulo. Em meio ao maior desmonte da história do Sistema Petrobrás, com diversas unidades já privatizadas e fechadas e outras tantas em processo de venda, os petroleiros enfrentam graves ataques no ambiente de trabalho, além da insegurança causada pela pandemia. Vários trabalhadores estão esgotados, física e psicologicamente. Sem diálogo com os sindicatos, as gerências submetem a categoria a jornadas exaustivas e a multifunções, seja no trabalho presencial ou remoto, paralelamente às transferências compulsórias e ao descumprimento do Acordo Coletivo. 

Assim como o governo Bolsonaro, a gestão Castello Branco vem negando recomendações, normas e protocolos de segurança dos órgãos de saúde e de fiscalização para prevenir de forma eficaz o avanço da pandemia da Covid-19 na Petrobras. Mais de 11% dos trabalhadores da Petrobrás já se contaminaram. Isso equivale ao dobro da média nacional. A cada semana, são mais de 400 trabalhadores infectados e uma média de 20 hospitalizados. Esses números, apesar de altos, são subnotificados, pois a Petrobrás insiste em não divulgar os dados dos trabalhadores terceirizados. Em meio às privatizações, a categoria petroleira ainda é obrigada a conviver com o pavor de ser contaminada pelos surtos semanais que estão ocorrendo nas plataformas, refinarias e terminais. Informações obtidas pela FUP revelam que mais de 60 trabalhadores próprios e terceirizados já perderam a vida em consequência da Covid.

“Continuamos em greve por segurança e condições decentes de trabalho. Não podemos aceitar que a gestão da Petrobrás continue negligenciando a vida dos trabalhadores e precarizando as condições de trabalho. Por isso, convocamos todos os petroleiros a se somarem a essa luta, pois juntos somos mais fortes”, afirma o presidente do Sindipetro AM, Marcus Ribeiro.

O principal jornal do Rio Grande do Sul, Zero Hora, publicou na quinta-feira, 11 de março, um artigo do diretor da FUP e presidente do Sindipetro-RS, Fernando Maia da Costa, sobre a política de preço dos combustíveis. Ele alerta sobre a necessidade do governo federal revogar a política de preço de importação (PPI) e a suspensão da venda das oito refinarias da Petrobrás, entre elas a Refap.

"Mais do que trocar peças do tabuleiro, Bolsonaro precisa acabar com a dependência do país em relação aos preços internacionais, suspendendo a PPI, cancelando a venda das refinarias e retomando a produção em toda sua capacidade. Esse é o dever de um governo de fato patriota", afirma o diretor da FUP.

Leia o artigo na íntegra: 

Por Fernando Maia da Costa, diretor da FUP e presidente do Sindipetro RS

Sucessivos aumentos de preço dos combustíveis e do gás de cozinha vêm revoltando os brasileiros. Com razão: o diesel e a gasolina já acumulam alta de, respectivamente, 41,5% e 54% em 2021. Isso num país assolado pela pandemia da covid-19.

Embora Bolsonaro tenha anunciado a troca na presidência da Petrobras, substituindo Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna, a simples dança das cadeiras não irá aliviar a situação do consumidor.

Nada mudará se Bolsonaro não revogar a chamada PPI – política de paridade de importação no preço de derivados. Essa, sim, é a grande vilã para a disparada no preço dos combustíveis, pois usar a cotação do barril de petróleo e do dólar como base para calcular o preço do seu produto tem provocado sucessivos aumentos nos postos de gasolina. Ganham as multinacionais, que vendem o seu derivado importado no mercado nacional, perdem os brasileiros.

Por isso, é um engano apostar em alterações na carga tributária como saída. Aliás, as promessas do governo nesse sentido são mera cortina de fumaça. Para se ter uma ideia, em nove meses, o diesel teve um aumento nos postos de R$ 0,56. Os impostos atribuídos foram responsáveis por R$ 0,06 desse valor.

Cabe lembrar um detalhe não menos relevante: o Brasil é produtor de petróleo e tem refinarias que atendem à quase totalidade de sua demanda interna. Ou seja, temos capacidade de explorar e refinar nosso petróleo, diminuindo as importações e reduzindo a dependência do país diante do mercado externo. 

Entretanto, o governo caminha no sentido oposto ao manter a produção do parque de refino nacional ociosa além de colocar à venda oito refinarias da estatal, uma delas a nossa Refap. Mais do que trocar peças do tabuleiro, Bolsonaro precisa acabar com a dependência do país em relação aos preços internacionais, suspendendo a PPI, cancelando a venda das refinarias e retomando a produção em toda sua capacidade. Esse é o dever de um governo de fato patriota. Com a palavra, Bolsonaro.

[Do Zero Hora]

 

Publicado em Sistema Petrobrás

A Petrobrás finalmente respondeu ao Comunicado Sindical do Sindipetro Paraná e Santa Catarina sobre a pauta corporativa dos trabalhadores da Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul-PR. 

O ofício encaminhado pelo RH da empresa na quarta-feira (10) não responde nenhuma das demandas contida na pauta de reivindicações encaminhada pelo Sindicato. Em todos os três pontos, o que se percebe são argumentações evasivas. 

Sobre as incertezas da situação dos trabalhadores diante da possível venda da unidade, as quais requerem um planejamento específico para cada regime de trabalho (turno, HA e teletrabalho) em caso de transferência em massa, a direção da Petrobras se limitou a reafirmar que o Plano de Pessoal para as unidades em desinvestimento é balizado em quatro pilares: respeito às pessoas, garantia da continuidade operacional com segurança, carreira e mobilidade, e transparência na divulgação de todas as etapas. 

O ofício de resposta não apresenta nada de concreto. O Plano da Companhia oferece o mesmo cardápio de sempre: realocação interna, Programa de Desligamento Voluntário (PDV) e Procedimento de Desligamento por Acordo (PDA). Sem qualquer tipo de negociação com o Sindicato, a empresa tenta impor unilateralmente suas propostas. A categoria não vai aceitar isso. 

No documento, a empresa ainda distorce os fatos ao querer dar poder de negociação ao “Comitê de Gestão da Mudança para a Gestão de Portfólio” no processo do Plano de Pessoal, quando legalmente esse papel é exclusivo dos sindicatos. 

Com relações às condições de Segurança, Meio Ambiente e Saúde, as quais o Sindicato manifestou preocupação com o sucateamento dos equipamentos de combate às emergências, redução do efetivo de técnicos de segurança próprios e terceirização na Brigada, a Petrobrás manteve o discurso insosso e tecnocrático. A categoria espera a informação completa sobre os números de trabalhadores que serão contratados para repor as demissões efetuadas nos últimos anos, todos, obviamente, devidamente qualificados e treinados para a funções que vão exercer. 

Por fim, sobre a manutenção da rede credenciada da AMS em São Mateus do Sul em um cenário pós-privatização da SIX, a gestão respondeu que “será mantido o atendimento a todos”, mas não explica de que forma. 

A Direção do Sindipetro PR e SC considerou as respostas inconclusivas e enviou novo Comunicado Sindical à Gerência Geral da SIX no qual solicita participação dos gestores em reunião de negociação a ser realizada na próxima terça-feira (16). 

Cabe lembrar que a greve por tempo indeterminado na SIX pode ser deflagrada a qualquer momento se as negociações sobre a pauta corporativa não avançarem.

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

Publicado em SINDIPETRO-PR/SC

O Sindipetro-NF denunciou hoje a Petros e a Petrobrás, ao Ministério Público do Trabalho, por atentarem contra direitos fundamentais dos trabalhadores, aposentados e pensionistas. A fundação e a companhia resolveram impor a desistência de ações de forma “ampla, universal, e irrestrita”, como condição de adesão ao PP-3 (Plano Petros 3), o que é ilegal.

De acordo com o Departamento Jurídico do sindicato, a medida viola a Constituição e o Código Civil, ao ferir tanto o direito de ação quanto a obrigação de não discriminar. E ainda há a possibilidade de ocorrência do crime de fraude — que deverá ser apurada —, na medida em que não há nenhuma “negociação”, nenhuma “contrapartida”, mas ainda assim as empresas chamaram a renúncia às ações de “transação”.

Advogados proibidos de participar

O Jurídico do NF também esclarece que o estatuto da OAB (lei 8.906/94), em seu artigo 34, impede que o advogado atue na defesa de ilicitudes como a que Petros e Petrobrás defendem ao coagir os trabalhadores. Assim, os profissionais de direito que assessoram o Sindipetro-NF não poderão atuar na “renúncia” coagida, ou “falsa transação” de ações judiciais.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

Publicado em SINDIPETRO-NF

Os trabalhadores do Sistema Petrobrás completam neste sábado, 13, nove dias de greves regionais que denunciam a precarização das condições de trabalho, os riscos de acidentes e o avanço da pandemia nas instalações da empresa. Quatro estados seguem mobilizados desde o último dia 05, quando os petroleiros da Refinaria Landhulfo Alves (Rlam) retomaram a greve na Bahia. Desde então, as mobilizações vêm crescendo no Amazonas, no Espirito Santo e em São Paulo, com novas adesões previstas para os próximos dias em outros estados do país.

Na Bahia, a greve se intensifica, com a participação dos trabalhadores dos campos terrestres e do Terminal Madre de Deus, que também sofrem os impactos das privatizações. Neste sábado, o sindicato mobilizou mais uma turma do turno da Rlam, a primeira das oito refinarias colocadas à venda que teve a negociação concluída pela Petrobrás com o fundo árabe de investimenos, Mubalada.

No Espírito Santo, a greve tem mobilizado os petroleiros dos campos terrestres e das plataformas, com atrasos nos embarques feitos no aeroporto de Vitória. Nesta sexta, foi a vez dos petroleiros da Unidade de Tratamento de Gás de Caçimba (UTGC), em Linhares, se somarem ao movimento. No Sindipetro Unificado de São Paulo, a greve tem adesão dos trabalhadores das refinarias de Paulínia (Replan) e de Capuava (Recap) e também dos terminais da Transpetro. No Amazonas, os trabalhadores da Refinaria de Manaus (Reman), mesmo com chuva, participaram neste sábado dos atrasos feitos pelo Sindipetro nas trocas de turno.

Novas adesões começam a ser desenhadas também em outras bases da FUP que aprovaram a greve. Estão sendo feitos atrasos no turno na Regap, em Minas Gerais, na Refinaria Abreu e Lima e no Terminal Aquaviário de Suape, em Pernambuco. No Norte Fluminense, os trabalhadores aprovaram estado de greve. No Paraná, a greve foi aprovada na Usina de Xisto (SIX), onde os trabalhadores estão se organizando para intensificar as mobilizações.

Com pautas de reivindicações diversas, os sindicatos da FUP denunciam os impactos das privatizações nas relações de trabalho, em função das transferências compulsórias feitas pela gestão da Petrobrás, da redução drástica de efetivos e do sucateamento das unidades, principalmente as que estão sendo vendidas. O resultado desse desmonte é o risco diário de acidentes, sobrecarga de trabalho, assédio moral e descumprimento rotineiro do Acordo Coletivo de Trabalho.

Soma-se a isso o aumento de contaminação e mortes por Covid, em função de negligência dos gestores da empresa. Os sindicatos vêm denunciando surtos nas plataformas e nas refinarias e, mesmo assim, a Petrobrás insiste em manter o calendário de paradas de manutenção, que aumentará ainda mais os riscos de contaminação entre os trabalhadores. 

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[Imprensa da FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Trabalhadores da Refinaria Gabriel Passos (Regap) buscaram o Sindipetro/MG para relatar casos de COVID-19 dentro da unidade.

De acordo com as denúncias, um dos setores atingidos é o DH com oito casos confirmados. Outro setor sob atenção é o Coque, com sete casos.

Para o Sindicato, a situação é preocupante, uma vez que este cenário deve se agravar nos setores que estão em parada de manutenção, como o Coque.

Além disso, vale lembrar que os trabalhadores da parada e os da refinaria estão compartilhando o mesmo transporte, o que pode favorecer o contágio.

Para piorar a situação, há gerentes setoriais que não direcionam os trabalhadores com suspeita para avaliação médica, autorizando pessoas que podem estar com COVID-19 a trabalhar sem a devida triagem.

Parada de manutenção gerou surto na Bahia

Na RLAM já são 75 casos de COVID-19 confirmados entre os trabalhadores próprios. Sendo que oito estão hospitalizados e três em uma Unidade de Terapia Intensiva, intubados.

Os trabalhadores relatam que os casos de contaminação pelo vírus começaram a se multiplicar cerca de seis dias após a véspera da greve da categoria (17/02), quando o Gerente Geral da RLAM autorizou a entrada, sem nenhum tipo de controle sanitário, de trabalhadores próprios e terceirizados na unidade, colocando até três turmas de operadores nas CCLs, que dormiram em colchões no chão e em um ambiente fechado. 

Diante da gravidade a qual se chegou na unidade baiana, dirigentes sindicais de outras regiões estão preocupados com a falta de cuidado com que estão sendo conduzidas as paradas de manutenção.

Orientação

O Sindipetro/MG orienta ao trabalhador que, ao apresentar sintomas ou contato com algum caso suspeito ou confirmado, busque atendimento médico on-line e comunique o setor médico imediatamente. 

Caso haja alguma recusa abusiva por parte de algum gerente setorial de encaminhar o trabalhador para a realização do exame, entre em contato com o Sindicato por meio dos nossos canais.

[Da imprensa do Sindipetro MG]

Frente Parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná firmou pedido para que as atividades da fábrica sejam reestabelecidas. Além de salvar empregos, reabertura da fábrica, fechada por Bolsonaro há um ano, pode produzir milhares de cilindros de oxigênio para salvar vidas de vítimas da Covid-19

[Com informações da CUT e do Sindipetro-PR/SC]

Um grupo de deputados estaduais do Paraná protocolou na quarta-feira (10), um pedido na Assembleia Legislativa do estado para que sejam retomadas as atividades da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), pertencente à Petrobras, fechada em março de 2020 pelo governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL).

Além de preservar quase 400 empregos diretos e 600 indiretos, a reabertura da unidade representaria um importante instrumento para salvar vidas durante a pandemia do novo coronavírus, que já matou mais de 273 mil brasileiros de Covid-19, alguns deles morreram asfixiados por falta de oxigênio, como aconteceu em Manaus (AM) e em várias cidades do interior do país.

A Fafen-PR tem capacidade para produzir 30 mil metros cúbicos de oxigênio por hora, o que daria para encher 30 mil cilindros hospitalares de pequeno porte, com capacidade média de 20 inalações de 10 minutos cada. Isso ajudaria a garantir o suprimento ao sistema de saúde e evitar dramas como o vivido pelos manauaras.

O petroleiro Roni Barbosa, secretário de Comunicação da CUT e dirigente do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro PR e SC), afirma que a reabertura da fábrica é uma urgência sanitária e em defesa da vida.

“Precisamos produzir oxigênio nessa fábrica para salvar vidas de muitos brasileiros e brasileiras que agonizam nas UTI’s dos hospitais”, diz o dirigente.

E basta boa vontade. Atualmente a fábrica está hibernada, com poucos trabalhadores na segurança e na manutenção. De acordo com informações do Sindipetro PR e SC, tecnicamente, como há uma planta de separação de ar na unidade, ela pode, com uma pequena conversão, produzir o oxigênio hospitalar.

“A Fafen-PR tem uma planta de separação de ar, que, com uma pequena modificação, poderia ser convertida para produzir oxigênio hospitalar, ajudando a salvar vidas nesse momento dramático da pandemia, que atinge novos picos em diversos estados do país”, afirma Gerson Castellano, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e um dos muitos funcionários demitidos, após o fechamento da unidade.

De acordo com o dirigente, se a fábrica estivesse em operação, com dois turnos diários de seis horas, poderia fornecer ao país 360 mil metros cúbicos de oxigênio por dia. Atualmente, o consumo diário de oxigênio só no Amazonas é de 76 mil m³.

“Infelizmente sabemos que a pandemia vai piorar e aumentar a capacidade de produção de oxigênio para fornecer aos hospitais será uma questão humanitária”, diz Castellano. 

Petrobras

Frente de luta pela reabertura

O pedido entregue ao chefe da Casa Civil, Guto Silva, é assinado pela frente parlamentar formada pelos deputados do PT, Arilson Chiorato, José Rodrigues Lemos, Luciana Rafagnin e Antonio Tadeu Veneri; além de Maurício Thadeu de Melo e Silva e Antônio Anibelli Netto, ambos do MDB.

Guto Silva auxiliará os trabalhadores representados pela FUP e parlamentares nas negociações com a Petrobrás. 

Deputados federais do PT também se mobilizaram

O Partido dos Trabalhadores protocolou uma manifestação no Supremo Tribunal Federal (STF) em 20 de janeiro deste ano, pedindo a reabertura da unidade e que a Presidência da República tomasse todas as providências para garantir o abastecimento de oxigênio aos hospitais de todo o país. 

Perda de empregos

Além de desprezar a capacidade e a importância da fábrica neste momento, o governo de Bolsonaro, ao encerrar as atividades da unidade, ainda deixou cerca de mil famílias desamparadas e sem perspectiva de recolocação no mercado de trabalho, em um momento de aprofundamento da crise social e econômica, no início da pandemia.

Até hoje, esses trabalhadores têm dificuldade de conseguir uma nova fonte de renda e se organizam para buscar uma solução. O fechamento da fábrica pegou a todos – trabalhadores, FUP e sindicatos - de surpresa, sem qualquer negociação, o que levou a categoria a realizar uma greve histórica, no ano passado, que durou 21 dias. 

À época, até mesmo as famílias de trabalhadores se mobilizaram, participando das manifestações diárias, realizadas pelos funcionários da fábrica. Eles chegaram a se acorrentar nos portões da fábrica em protesto contra o fechamento da unidade. 

História da fábrica

A “Ansa/Fafen-PR” operava desde 1982. Em 2013 foi adquirida pela Petrobrás em 2013. A unidade produzia diariamente 1.303 toneladas de amônia e 1.975 toneladas de ureia, de uso nas indústrias química e de fertilizantes, o que representava cerca de 30% da produção nacional.

Produzia ainda 450 mil litros por dia do Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32), um aditivo para veículos de grande porte que atua na redução de emissões atmosféricas e tinha capacidade para produzir de produzir 200 toneladas/dia de CO2, vendido para produtores de gases industriais; além de 75 toneladas/dia de carbono peletizado, vendido como combustível para caldeiras; e 6 toneladas/dia de enxofre, usado em aplicações diversas.

A alegação da Petrobras para o fechamento foi de que a fábrica dava prejuízos e a estatal definiu sair do mercado de fertilizantes. Com isso, o país aumentou ainda mais a dependência de importação de fertilizantes para a agroindústria.

Porém, conforme explica Roni Barbosa, a fábrica não era deficitária e prova disso é que outras duas unidades – em Sergipe e na Bahia – já estão sendo reativadas após terem sido arrendadas pela iniciativa privada.

“Foi mais uma série de mentiras, como é costume do governo, para sucatear as operações da Petrobras. As outras duas unidades foram arrendadas por R$ 70 milhões por ano, durante 10 anos e o lucro estimado – por ano – é de R$ 2 bilhões. Isso prova que as empresas não dão prejuízo”, diz Roni Barbosa.

De acordo com Gerson Castellano, a expectativa a partir de agora é de que a frente parlamentar possa fazer pressão sobre a Petrobras e o governo federal para que a unidade de Araucária volte a funcionar e, além de produzir o oxigênio “que será mais do que necessário nesse momento da pandemia”, também reduza a necessidade de importação de fertilizantes.

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.