A Petrobrás finalmente respondeu ao Comunicado Sindical do Sindipetro Paraná e Santa Catarina sobre a pauta corporativa dos trabalhadores da Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul-PR. 

O ofício encaminhado pelo RH da empresa na quarta-feira (10) não responde nenhuma das demandas contida na pauta de reivindicações encaminhada pelo Sindicato. Em todos os três pontos, o que se percebe são argumentações evasivas. 

Sobre as incertezas da situação dos trabalhadores diante da possível venda da unidade, as quais requerem um planejamento específico para cada regime de trabalho (turno, HA e teletrabalho) em caso de transferência em massa, a direção da Petrobras se limitou a reafirmar que o Plano de Pessoal para as unidades em desinvestimento é balizado em quatro pilares: respeito às pessoas, garantia da continuidade operacional com segurança, carreira e mobilidade, e transparência na divulgação de todas as etapas. 

O ofício de resposta não apresenta nada de concreto. O Plano da Companhia oferece o mesmo cardápio de sempre: realocação interna, Programa de Desligamento Voluntário (PDV) e Procedimento de Desligamento por Acordo (PDA). Sem qualquer tipo de negociação com o Sindicato, a empresa tenta impor unilateralmente suas propostas. A categoria não vai aceitar isso. 

No documento, a empresa ainda distorce os fatos ao querer dar poder de negociação ao “Comitê de Gestão da Mudança para a Gestão de Portfólio” no processo do Plano de Pessoal, quando legalmente esse papel é exclusivo dos sindicatos. 

Com relações às condições de Segurança, Meio Ambiente e Saúde, as quais o Sindicato manifestou preocupação com o sucateamento dos equipamentos de combate às emergências, redução do efetivo de técnicos de segurança próprios e terceirização na Brigada, a Petrobrás manteve o discurso insosso e tecnocrático. A categoria espera a informação completa sobre os números de trabalhadores que serão contratados para repor as demissões efetuadas nos últimos anos, todos, obviamente, devidamente qualificados e treinados para a funções que vão exercer. 

Por fim, sobre a manutenção da rede credenciada da AMS em São Mateus do Sul em um cenário pós-privatização da SIX, a gestão respondeu que “será mantido o atendimento a todos”, mas não explica de que forma. 

A Direção do Sindipetro PR e SC considerou as respostas inconclusivas e enviou novo Comunicado Sindical à Gerência Geral da SIX no qual solicita participação dos gestores em reunião de negociação a ser realizada na próxima terça-feira (16). 

Cabe lembrar que a greve por tempo indeterminado na SIX pode ser deflagrada a qualquer momento se as negociações sobre a pauta corporativa não avançarem.

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

Publicado em SINDIPETRO-PR/SC

O Sindipetro-NF denunciou hoje a Petros e a Petrobrás, ao Ministério Público do Trabalho, por atentarem contra direitos fundamentais dos trabalhadores, aposentados e pensionistas. A fundação e a companhia resolveram impor a desistência de ações de forma “ampla, universal, e irrestrita”, como condição de adesão ao PP-3 (Plano Petros 3), o que é ilegal.

De acordo com o Departamento Jurídico do sindicato, a medida viola a Constituição e o Código Civil, ao ferir tanto o direito de ação quanto a obrigação de não discriminar. E ainda há a possibilidade de ocorrência do crime de fraude — que deverá ser apurada —, na medida em que não há nenhuma “negociação”, nenhuma “contrapartida”, mas ainda assim as empresas chamaram a renúncia às ações de “transação”.

Advogados proibidos de participar

O Jurídico do NF também esclarece que o estatuto da OAB (lei 8.906/94), em seu artigo 34, impede que o advogado atue na defesa de ilicitudes como a que Petros e Petrobrás defendem ao coagir os trabalhadores. Assim, os profissionais de direito que assessoram o Sindipetro-NF não poderão atuar na “renúncia” coagida, ou “falsa transação” de ações judiciais.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

Publicado em SINDIPETRO-NF

Os trabalhadores do Sistema Petrobrás completam neste sábado, 13, nove dias de greves regionais que denunciam a precarização das condições de trabalho, os riscos de acidentes e o avanço da pandemia nas instalações da empresa. Quatro estados seguem mobilizados desde o último dia 05, quando os petroleiros da Refinaria Landhulfo Alves (Rlam) retomaram a greve na Bahia. Desde então, as mobilizações vêm crescendo no Amazonas, no Espirito Santo e em São Paulo, com novas adesões previstas para os próximos dias em outros estados do país.

Na Bahia, a greve se intensifica, com a participação dos trabalhadores dos campos terrestres e do Terminal Madre de Deus, que também sofrem os impactos das privatizações. Neste sábado, o sindicato mobilizou mais uma turma do turno da Rlam, a primeira das oito refinarias colocadas à venda que teve a negociação concluída pela Petrobrás com o fundo árabe de investimenos, Mubalada.

No Espírito Santo, a greve tem mobilizado os petroleiros dos campos terrestres e das plataformas, com atrasos nos embarques feitos no aeroporto de Vitória. Nesta sexta, foi a vez dos petroleiros da Unidade de Tratamento de Gás de Caçimba (UTGC), em Linhares, se somarem ao movimento. No Sindipetro Unificado de São Paulo, a greve tem adesão dos trabalhadores das refinarias de Paulínia (Replan) e de Capuava (Recap) e também dos terminais da Transpetro. No Amazonas, os trabalhadores da Refinaria de Manaus (Reman), mesmo com chuva, participaram neste sábado dos atrasos feitos pelo Sindipetro nas trocas de turno.

Novas adesões começam a ser desenhadas também em outras bases da FUP que aprovaram a greve. Estão sendo feitos atrasos no turno na Regap, em Minas Gerais, na Refinaria Abreu e Lima e no Terminal Aquaviário de Suape, em Pernambuco. No Norte Fluminense, os trabalhadores aprovaram estado de greve. No Paraná, a greve foi aprovada na Usina de Xisto (SIX), onde os trabalhadores estão se organizando para intensificar as mobilizações.

Com pautas de reivindicações diversas, os sindicatos da FUP denunciam os impactos das privatizações nas relações de trabalho, em função das transferências compulsórias feitas pela gestão da Petrobrás, da redução drástica de efetivos e do sucateamento das unidades, principalmente as que estão sendo vendidas. O resultado desse desmonte é o risco diário de acidentes, sobrecarga de trabalho, assédio moral e descumprimento rotineiro do Acordo Coletivo de Trabalho.

Soma-se a isso o aumento de contaminação e mortes por Covid, em função de negligência dos gestores da empresa. Os sindicatos vêm denunciando surtos nas plataformas e nas refinarias e, mesmo assim, a Petrobrás insiste em manter o calendário de paradas de manutenção, que aumentará ainda mais os riscos de contaminação entre os trabalhadores. 

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[Imprensa da FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Trabalhadores da Refinaria Gabriel Passos (Regap) buscaram o Sindipetro/MG para relatar casos de COVID-19 dentro da unidade.

De acordo com as denúncias, um dos setores atingidos é o DH com oito casos confirmados. Outro setor sob atenção é o Coque, com sete casos.

Para o Sindicato, a situação é preocupante, uma vez que este cenário deve se agravar nos setores que estão em parada de manutenção, como o Coque.

Além disso, vale lembrar que os trabalhadores da parada e os da refinaria estão compartilhando o mesmo transporte, o que pode favorecer o contágio.

Para piorar a situação, há gerentes setoriais que não direcionam os trabalhadores com suspeita para avaliação médica, autorizando pessoas que podem estar com COVID-19 a trabalhar sem a devida triagem.

Parada de manutenção gerou surto na Bahia

Na RLAM já são 75 casos de COVID-19 confirmados entre os trabalhadores próprios. Sendo que oito estão hospitalizados e três em uma Unidade de Terapia Intensiva, intubados.

Os trabalhadores relatam que os casos de contaminação pelo vírus começaram a se multiplicar cerca de seis dias após a véspera da greve da categoria (17/02), quando o Gerente Geral da RLAM autorizou a entrada, sem nenhum tipo de controle sanitário, de trabalhadores próprios e terceirizados na unidade, colocando até três turmas de operadores nas CCLs, que dormiram em colchões no chão e em um ambiente fechado. 

Diante da gravidade a qual se chegou na unidade baiana, dirigentes sindicais de outras regiões estão preocupados com a falta de cuidado com que estão sendo conduzidas as paradas de manutenção.

Orientação

O Sindipetro/MG orienta ao trabalhador que, ao apresentar sintomas ou contato com algum caso suspeito ou confirmado, busque atendimento médico on-line e comunique o setor médico imediatamente. 

Caso haja alguma recusa abusiva por parte de algum gerente setorial de encaminhar o trabalhador para a realização do exame, entre em contato com o Sindicato por meio dos nossos canais.

[Da imprensa do Sindipetro MG]

Frente Parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná firmou pedido para que as atividades da fábrica sejam reestabelecidas. Além de salvar empregos, reabertura da fábrica, fechada por Bolsonaro há um ano, pode produzir milhares de cilindros de oxigênio para salvar vidas de vítimas da Covid-19

[Com informações da CUT e do Sindipetro-PR/SC]

Um grupo de deputados estaduais do Paraná protocolou na quarta-feira (10), um pedido na Assembleia Legislativa do estado para que sejam retomadas as atividades da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), pertencente à Petrobras, fechada em março de 2020 pelo governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL).

Além de preservar quase 400 empregos diretos e 600 indiretos, a reabertura da unidade representaria um importante instrumento para salvar vidas durante a pandemia do novo coronavírus, que já matou mais de 273 mil brasileiros de Covid-19, alguns deles morreram asfixiados por falta de oxigênio, como aconteceu em Manaus (AM) e em várias cidades do interior do país.

A Fafen-PR tem capacidade para produzir 30 mil metros cúbicos de oxigênio por hora, o que daria para encher 30 mil cilindros hospitalares de pequeno porte, com capacidade média de 20 inalações de 10 minutos cada. Isso ajudaria a garantir o suprimento ao sistema de saúde e evitar dramas como o vivido pelos manauaras.

O petroleiro Roni Barbosa, secretário de Comunicação da CUT e dirigente do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro PR e SC), afirma que a reabertura da fábrica é uma urgência sanitária e em defesa da vida.

“Precisamos produzir oxigênio nessa fábrica para salvar vidas de muitos brasileiros e brasileiras que agonizam nas UTI’s dos hospitais”, diz o dirigente.

E basta boa vontade. Atualmente a fábrica está hibernada, com poucos trabalhadores na segurança e na manutenção. De acordo com informações do Sindipetro PR e SC, tecnicamente, como há uma planta de separação de ar na unidade, ela pode, com uma pequena conversão, produzir o oxigênio hospitalar.

“A Fafen-PR tem uma planta de separação de ar, que, com uma pequena modificação, poderia ser convertida para produzir oxigênio hospitalar, ajudando a salvar vidas nesse momento dramático da pandemia, que atinge novos picos em diversos estados do país”, afirma Gerson Castellano, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e um dos muitos funcionários demitidos, após o fechamento da unidade.

De acordo com o dirigente, se a fábrica estivesse em operação, com dois turnos diários de seis horas, poderia fornecer ao país 360 mil metros cúbicos de oxigênio por dia. Atualmente, o consumo diário de oxigênio só no Amazonas é de 76 mil m³.

“Infelizmente sabemos que a pandemia vai piorar e aumentar a capacidade de produção de oxigênio para fornecer aos hospitais será uma questão humanitária”, diz Castellano. 

Petrobras

Frente de luta pela reabertura

O pedido entregue ao chefe da Casa Civil, Guto Silva, é assinado pela frente parlamentar formada pelos deputados do PT, Arilson Chiorato, José Rodrigues Lemos, Luciana Rafagnin e Antonio Tadeu Veneri; além de Maurício Thadeu de Melo e Silva e Antônio Anibelli Netto, ambos do MDB.

Guto Silva auxiliará os trabalhadores representados pela FUP e parlamentares nas negociações com a Petrobrás. 

Deputados federais do PT também se mobilizaram

O Partido dos Trabalhadores protocolou uma manifestação no Supremo Tribunal Federal (STF) em 20 de janeiro deste ano, pedindo a reabertura da unidade e que a Presidência da República tomasse todas as providências para garantir o abastecimento de oxigênio aos hospitais de todo o país. 

Perda de empregos

Além de desprezar a capacidade e a importância da fábrica neste momento, o governo de Bolsonaro, ao encerrar as atividades da unidade, ainda deixou cerca de mil famílias desamparadas e sem perspectiva de recolocação no mercado de trabalho, em um momento de aprofundamento da crise social e econômica, no início da pandemia.

Até hoje, esses trabalhadores têm dificuldade de conseguir uma nova fonte de renda e se organizam para buscar uma solução. O fechamento da fábrica pegou a todos – trabalhadores, FUP e sindicatos - de surpresa, sem qualquer negociação, o que levou a categoria a realizar uma greve histórica, no ano passado, que durou 21 dias. 

À época, até mesmo as famílias de trabalhadores se mobilizaram, participando das manifestações diárias, realizadas pelos funcionários da fábrica. Eles chegaram a se acorrentar nos portões da fábrica em protesto contra o fechamento da unidade. 

História da fábrica

A “Ansa/Fafen-PR” operava desde 1982. Em 2013 foi adquirida pela Petrobrás em 2013. A unidade produzia diariamente 1.303 toneladas de amônia e 1.975 toneladas de ureia, de uso nas indústrias química e de fertilizantes, o que representava cerca de 30% da produção nacional.

Produzia ainda 450 mil litros por dia do Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32), um aditivo para veículos de grande porte que atua na redução de emissões atmosféricas e tinha capacidade para produzir de produzir 200 toneladas/dia de CO2, vendido para produtores de gases industriais; além de 75 toneladas/dia de carbono peletizado, vendido como combustível para caldeiras; e 6 toneladas/dia de enxofre, usado em aplicações diversas.

A alegação da Petrobras para o fechamento foi de que a fábrica dava prejuízos e a estatal definiu sair do mercado de fertilizantes. Com isso, o país aumentou ainda mais a dependência de importação de fertilizantes para a agroindústria.

Porém, conforme explica Roni Barbosa, a fábrica não era deficitária e prova disso é que outras duas unidades – em Sergipe e na Bahia – já estão sendo reativadas após terem sido arrendadas pela iniciativa privada.

“Foi mais uma série de mentiras, como é costume do governo, para sucatear as operações da Petrobras. As outras duas unidades foram arrendadas por R$ 70 milhões por ano, durante 10 anos e o lucro estimado – por ano – é de R$ 2 bilhões. Isso prova que as empresas não dão prejuízo”, diz Roni Barbosa.

De acordo com Gerson Castellano, a expectativa a partir de agora é de que a frente parlamentar possa fazer pressão sobre a Petrobras e o governo federal para que a unidade de Araucária volte a funcionar e, além de produzir o oxigênio “que será mais do que necessário nesse momento da pandemia”, também reduza a necessidade de importação de fertilizantes.

Leia também:

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O oitavo dia de greves que mobilizam petroleiros e petroleiras em quatro estados do país - Bahia, Amazonas, Espírito Santo e São Paulo (saiba mais abaixo) - foi marcado por novas ações solidárias realizadas pela FUP e seus sindicatos em protesto contra os preços abusivos dos combustíveis. Através de descontos que chegaram a mais de 50%, os Sindipetros de São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Norte Fluminense e Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, voltaram a distribuir 450 botijões de 13 Kg de gás de cozinha a R$ 40,00 cada um e mais de 2 mil litros de gasolina ao preço médio de R$ 3,50. 

Valores bem abaixo do que vem sendo praticado no mercado por conta dos reajustes abusivos dos derivados de petróleo, que seguem o Preço de Paridade de Importação (PPI). Em função dessa política, implementada pela gestão da Petrobrás em outubro de 2016, no governo Temer, e intensificada pelo governo Bolsonaro, os combustíveis são vendidos a preços internacionais e com custo de importação, apesar de produzidos nas refinarias brasileiras com petróleo nacional. Ou seja, cada vez que o preço do barril de petróleo, que é cotado em dólar, sobe lá fora, a Petrobrás reajusta os preços dos combustíveis aqui no Brasil. Com isso, só em 2021, a gasolina já aumentou 54%, e o diesel 41,5% nas refinarias. 

Além de conscientizar a população sobre a perversidade dessa política de preços, que a FUP e seus sindicatos denunciam há quase cinco anos, os petroleiros ouviram as histórias de vida de pessoas que foram adquirir gás de cozinha e gasolina a preços justos. Em comum, elas narram as dificuldades crescentes que vêm passando para adquirir esses produtos, por causa dos constantes reajustes promovidos pela gestão da companhia. 

Em Linhares, no Espírito Santo, onde foram distribuídos 100 botijões de gás, famílias ineiras se mobilizaram desde ontem para poder adquirir o combustível com preçlos acessíveis. Apesar da grande procura, a ação realizada pelo Sindipetro seguiu todas as normas de segurança para evitar aglomeração. 

Em São Paulo, o Sindipetro vendeu 2 mil litros de gasolina por R$ 3,50 o litro, priorizando as mulheres motoristas e entregadoras de aplicativos, um dos segmentos que mais sofre com a precarização do trabalho e os aumentos abusivos dos combustíveis.

No Rio Grande do Norte, foram sorteados mais de 100 vouchers com descontos de R$ 50,00 em uma ação de mídia do Sindipetro-RN para conscientizar a população sobre os riscos da privatização da Petrobrás, que está encerrando suas atividades na maioria das unidades que tem no estado. 

No Rio de Janeiro, os Sindipetros Caxias e NF ofertaram nesta manhã 350 botijões de gás de cozinha a R$ 40 na Vila Vintém, comunidade da Zona Oeste da cidade. Um público amplamente formado por mulheres foi à ação para adquirir o produto. Além dos botijões, foram distribuídas máscaras, essenciais para a redução do contágio por Covid-19. 

Uma das mulheres presentes foi Jeovana Madalena, de 42 anos, que trabalhava como empregada doméstica e ficou desempregada com a pandemia. Em sua casa moram ela, o marido, a filha e um neto. O esposo de Jeovana também está desempregado e vive de “bicos”. Por isso, adquirir o botijão de gás por um preço cerca de 50% menor que o cobrado em depósitos próximos à sua casa é de grande importância. “Por causa da pandemia, fiquei desempregada. Meu marido e minha filha também. A gente só consegue comer por causa do Bolsa Família, de 400 reais. Esse gás hoje vai deixar a gente comprar mais coisa no mercado, né?”, diz. 

A dura realidade do desemprego é quase uma constante nos depoimentos. Estão na mesma condição Adriana, 49 anos, integrante da escola de samba Unidos de Padre Miguel, da Vila Vintém; Lea Ferreira, 55, que vive de faxinas, mas está adoentada e sem poder trabalhar; e Marcos da Silva Neto, 45, cuja esposa também trabalha como empregada doméstica. São pessoas que precisam de qualquer oportunidade para garantir um mínimo para sua sobrevivência. 

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“Passo roupa, faço faxina, mas meu braço é operado. Às vezes alguém ajuda. Pra comprar o gás uma amiga me deu o dinheiro. E ganho cesta básica da minha igreja. Esse gás nesse valor nunca mais tivemos aqui. Minha prima mora do meu lado e também me ajuda, mas também tem as dificuldades dela. Ela sobrevive com 750 reais, que o neto dá pra ela”, narra Lea Ferreira. 

Diante de uma realidade cada vez mais difícil, com uma crise econômica sem fim, a ausência do auxílio emergencial e a inflação em rota de crescimento, não foi difícil ouvir críticas ao presidente Jair Bolsonaro. E os últimos acontecimentos políticos do país fizeram surgir na lembrança de alguns dos participantes da ação um passado recente no qual a vida era melhor. 

“Moramos eu, minha esposa, minha enteada e um bebê que vai chegar, graças a Deus! Esse trabalho aqui (do preço justo) tem que ser reconhecido. O melhor presidente que a gente teve foi Lula! O que a gente tem hoje, eu agradeço a ele. Ele trouxe de volta para o país a área metalúrgica, que foi muito crucificada nos anos 80. Sei que é um homem íntegro, honesto, verdadeiro. Ele foi solto e vai ser absolvido, porque não tem nada contra ele. Esses que tão acusando ele é que não prestam. O que Bolsonaro tá fazendo com o povo brasileiro é uma vergonha! O Brasil vai dar mais uma chance para o Lula, porque ele merece e só ele que ajuda a gente”, disse Fábio de Souza, morador da Vila Vintém. 

Segundo Alessandro Trindade, diretor do Sindipetro-NF que esteve na equipe da ação do preço justo na Vila Vintém, a mobilização foi de suma importância para a população local, que já sofre bastante com a pobreza e a ausência do Estado na promoção do bem-estar econômico e social. Foi também mais uma oportunidade para conversar com as pessoas sobre a necessidade de combater a atual política de preços da Petrobrás e a privatização da companhia. 

“A categoria petroleira combate a política de preço de paridade importação para os combustíveis desde que ela foi implementada, em 2016, uma política que pesa no bolso de toda a população, e ainda mais no bolso dos mais pobres. Por isso procuramos promover essas ações onde as pessoas mais precisam. E também onde podemos conversar com elas sobre a importância de uma Petrobrás pública e cada vez mais forte”, explicou ele.

Greve dos petroleiros por segurança e empregos avança

Os trabalhadores do Sistema Petrobrás estão em greve desde o dia 05 de março, em movimentos regionais que denunciam a precarização das condições de trabalho, os riscos de acidentes e o avanço da pandemia nas instalações da empresa. Na Bahia, a greve teve início com os petroleiros da Refinaria Landhulfo Alves (Rlam) - a primeira das oito refinarias colocadas à venda que teve a negociação concluída pela Petrobrás com um fundo árabe de investimenos, o Mubalada - e vem avançando com a participação dos trabalhadores dos campos terrestres e do Terminal Madre de Deus, que também sofrem os impactos das privatizações. Nesta sexta (12), houve adesão dos petroleiros do polo de Miranga.

No Espírito Santo, a greve tem mobilizado os petroleiros dos campos terrestres e das plataformas, com atrasos nos embarques feitos no aeroporto de Vitória. Nesta sexta, foi a vez dos petroleiros da Unidade de Tratamento de Gás de Caçimba (UTGC), em Linhares, se somarem ao movimento. No Sindipetro Unificado de São Paulo, a greve vem mobilizando trabalhadores das refinarias de Paulínia (Replan) e de Capuava (Recap) e também os terminais da Transpetro. No Amazonas, os trabalhadores da Refinaria de Manaus (Reman) seguem participando dos atrasos feitos pelo Sindipetro nas trocas de turno.

Novas adesões começam a ser desenhadas também em outras bases da FUP que aprovaram a greve. Estão sendo feitos atrasos no turno na Regap, em Minas Gerais, na Refinaria Abreu e Lima e no Terminal Aquaviário de Suape, em Pernambuco. No Norte Fluminense, os trabalhadores aprovaram estado de greve. No Paraná, a greve foi aprovada na Usina de Xisto (SIX), onde os trabalhadores estão se organizando para intensificar as mobilizações.

Com pautas de reivindicações diversas, os sindicatos da FUP denunciam os impactos das privatizações nas relações de trabalho, em função das transferências compulsórias feitas pela gestão da Petrobrás, da redução drástica de efetivos e do sucateamento das unidades, principalmente as que estão sendo vendidas. O resultado desse desmonte é o risco diário de acidentes, sobrecarga de trabalho, assédio moral e descumprimento rotineiro do Acordo Coletivo de Trabalho.

Acompanhe o oitavo dia de greve dos petroleiros:

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[Imprensa da FUP | Foto: Daniela da Corso]

Publicado em Sistema Petrobrás

Com o objetivo de conscientizar a população sobre os danos causados pela política de preços da Petrobrás, FUP e seus sindicatos vendem gás de cozinha e combustíveis ao valor que deveriam ser comercializados

[Comunicado à imprensa]

Após sucesso das ações do Dia Nacional do Combustível a Preço Justo em todo o país, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos, junto à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), repetem a iniciativa em vários estados. A primeira atividade ocorreu no início de fevereiro, quando a gasolina e o gás de cozinha foram comercializados a preços bem abaixo do que a população paga. Já em março, além do gás de cozinha e da gasolina, o diesel também foi incluído na manifestação, que vem sendo realizada em várias partes do país. 

O objetivo principal desta ação é conscientizar a população sobre como a política de preços adotada pela Petrobrás desde outubro de 2016 afeta diretamente a vida de todos. A consequência do aumento dos combustíveis pode ser sentida em outros setores, como a alta dos preços na alimentação. O economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), observou que “em momento de graves efeitos da pandemia e de elevadas taxas de desemprego, a inflação em alta penaliza ainda mais os trabalhadores. Os resultados apresentados pelo IPCA de fevereiro, divulgados nesta quinta-feira (11/03), pelo IBGE,  mostram os efeitos perversos sobre a população da política de preços praticada pela Petrobrás em suas refinarias, acompanhando a variação dos preços dos derivados no âmbito internacional. A gasolina e o óleo diesel, somente em fevereiro deste ano, sofreram três aumentos de preços nas refinarias, subindo 18,8% e 21,5%, respectivamente”. 

A FUP alerta que, enquanto o Preço de Paridade de Importação (PPI) estiver no centro da política de reajustes da Petrobrás para os derivados do petróleo, os preços dos combustíveis vão subir com frequência para o consumidor final. A forma de cálculo adotada no governo Temer, em outubro de 2016, faz com que os preços do mercado interno acompanhem as cotações do petróleo no mercado internacional, com as oscilações do dólar e com as importações de derivados. Este cenário deve piorar se a privatização das refinarias se concretizar, aumentando o desemprego, além de fazer disparar os preços já elevados dos derivados de petróleo. 

O coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, enfatiza que “estamos denunciando os impactos negativos, para a população, das privatizações de refinarias, terminais e sistemas logísticos que a atual gestão da Petrobrás está promovendo. A venda da RLAM e de outras refinarias criará monopólios regionais, e isso vai aumentar ainda mais os preços dos combustíveis. Isso porque os investidores que adquirirem esses ativos vão poder cobrar o preço que bem entenderem. Sem falar no risco de desabastecimento, se o dono da refinaria optar por exportar combustíveis em vez de vender no mercado brasileiro”. 

É fundamental que toda a população entenda como funciona esta paridade de preços e como a privatização da Petrobrás afetaria ainda mais a sua vida. E com o intuito de dialogar com o povo, explicando o PPI e a importância de defender a empresa, a FUP e seus sindicatos repetirão as ações de comercialização de combustíveis e gás de cozinha a preços justos. Segue calendário: 

AGENDA COMBUSTÍVEIS E GÁS A PREÇO JUSTO 

Sindipetro-RN – De 08 a 12/03, em Mossoró, está acontecendo uma campanha midiática (inserções em rádios, jornal impresso, outdoor e redes sociais) sobre o que pode ser feito para baixar os preços dos combustíveis. Em parceria com duas rádios locais, 93 FM e 95 FM, estão sorteando vouchers no valor de R$ 50,00; que podem ser utilizados no Posto Leste-Oeste (Av. Jerônimo Dix-Neuf Rosado, 106 – Centro de Mossoró).

Sindipetro-ES – Nesta sexta, 12/3, em Linhares, haverá a comercialização de 100 botijões de gás por R$ 40,00 cada, em frente ao IFES, campus Linhares, a partir das 8h.
Sindipetro Duque de Caxias e Norte Fluminense – Nesta sexta, 12/3, comercialização de 350 botijões de gás por R$ 40,00 cada, a partir das 10h, na Vila Vintém (IAPI – Rua Belisário 385), no Rio de Janeiro.

Sindipetro-SP – Nesta sexta, 12/3, a partir das 14h, no Auto Posto Cidade (Rua Frederico Alvarenga, 65 – centro de São Paulo). A ação será voltada às mulheres motoristas de aplicativos. 

PRÓXIMA SEMANA

Sindipetro-PR – No dia 15/3, em Curitiba, haverá comercialização de gasolina a preço justo para motoristas de aplicativos. Local ainda a confirmar.

Sindipetro-BA – Segunda-feira, 15/3, em Feira de Santana – serão 2500 litros, ao meio-dia, no Posto Modelo (centro da cidade). Terça-feira, 16/3, às 12h, em Salvador – local a confirmar (3 mil litros de gasolina).

Publicado em Sistema Petrobrás

Os trabalhadores do Sistema Petrobrás completam nesta quinta-feira, 11, uma semana de greves regionais que denunciam a precarização das condições de trabalho, os riscos de acidentes e o avanço da pandemia nas instalações da empresa. Quatro estados seguem mobilizados desde o último dia 05, quando os petroleiros da Refinaria Landhulfo Alves (Rlam) retomaram a greve na Bahia. Desde então, as mobilizações vêm crescendo no Amazonas, no Espirito Santo e em São Paulo, com novas adesões previstas para os próximos dias em outros estados do país.

Na Bahia, além da Rlam, o movimento tem contado com a participação dos trabalhadores dos campos terrestres e do Terminal Madre de Deus, que também sofrem os impactos das privatizações. Ontem, a greve foi estendida para os campos de Taquipe e hoje para a base de Santiago, em Catu. 

No Sindipetro Unificado de São Paulo, a greve vem mobilizando trabalhadores das refinarias de Paulínia (Replan) e de Capuava (Recap) e também os terminais da Transpetro. No Espírito Santo, os petroleiros dos campos terrestres tem participado do movimento que tem mobilizado também os trabalhadores das plataformas, com atrasos nos embarques feitos no aeroporto de Vitória.  No Amazonas, os trabalhadores da Refinaria de Manaus (Reman) seguem participando dos atrasos feitos pelo Sindipetro nas trocas de turno.

Novas adesões começam a ser desenhadas também em outras bases da FUP que aprovaram a greve. Estão sendo feitos atrasos no turno na Regap, em Minas Gerais, na Refinaria Abreu e Lima e no Terminal Aquaviário de Suape, em Pernambuco. No Norte Fluminense, os trabalhadores aprovaram estado de greve e realizaram na quarta-feira, 10, seminário para discutir novas formas de mobilização. No Paraná, a greve foi aprovada na Usina de Xisto (SIX), onde os trabalhadores estão se organizando para intensificar as mobilizações.

Com pautas de reivindicações diversas, os sindicatos da FUP denunciam os impactos das privatizações nas relações de trabalho, em função das transferências compulsórias feitas pela gestão da Petrobrás, da redução drástica de efetivos e do sucateamento das unidades, principalmente as que estão sendo vendidas. O resultado desse desmonte é o risco diário de acidentes, sobrecarga de trabalho, assédio moral e descumprimento rotineiro do Acordo Coletivo de Trabalho.

Novas ações por preços justos para os combustíveis

Seguindo a orientação da FUP, os sindicatos realizam nesta sexta-feira, 12, nova ações solidárias de venda subsidiada da gasolina e do gás de cozinha no Espírito Santo, na Bahia e em São Paulo, mostrando para a sociedade que é possível comprar derivados de petróleo por preços justos. A apesar de produzidos nas refinarias brasileiras com petróleo nacional, os combustíveis são vendidos a preços internacionais e custo de importação. 

Uma conta que não fecha para os consumidores brasileiros, pois é baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI). política de reajuste dos derivados de petróleo que foi implantada em 2016 no governo Temer e mantida pelo governo Bolsonaro.

Cada vez que o preço do barril de petróleo, que é cotado em dólar, sobe lá fora, a Petrobrás reajusta os preços dos combustíveis aqui no Brasil. Com isso, só em 2021, a gasolina já aumentou 54%, e o diesel 41,5% nas refinarias. O resultado se reflete no aumento recorde da inflação em fevereiro, que teve como principal vilão os preços dos combustíveis (saiba mais aqui).

Veja as fotos do 7º dia de greve:

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[Imprensa da FUP | Foto: Sindipetro AM]

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A inflação medida pelo IBGE bateu recordes no mês de fevereiro e a alta dos preços dos combustíveis foi uma das principais causas. Em apenas nove dias, a gasolina e o diesel já foram reajustados três vezes. É urgente e necessário o fim do PPI, que tanto penaliza o trabalhador brasileiro

[Nota da FUP]

Para o coordenador geral da Federação Única dos Trabalhadores (FUP), Deyvid Bacelar, “a inflação de fevereiro é a prova mais recente do que estamos denunciando desde 2016. A política de Preço de Paridade de Importação usada pela Petrobrás para reajustar os combustíveis prejudica não apenas a parcela da população que tem veículo, mas toda a sociedade brasileira, já que os valores dos derivados são componentes importantes do cálculo da inflação e geram efeito cascata na cadeia produtiva.

Segundo Bacelar, “é urgente e necessário o fim dessa política, que muito penaliza o trabalhador brasileiro”. Em sua avaliação, a situação irá piorar ainda mais se a venda das refinarias da Petrobrás for adiante, “porque vai ser a instauração definitiva dessa política de preços que olha somente para o exterior para precificar combustíveis produzidos no Brasil, por refinarias brasileiras, da Petrobrás. Quem comprar esses ativos poderá cobrar o preço que quiser, e obviamente se guiará apenas pelos valores internacionais. O bolso do consumidor vai doer ainda mais”, ressaltou o coordenador geral da FUP.

Maior impacto veio do setor de Transportes

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro teve alta de 0,86%, bem acima do resultado de janeiro, de 0,25%. Essa foi a maior variação num mês de fevereiro desde 2016. Nos dois primeiros meses de 2021, o índice já variou 1,11% e, nos 12 meses terminados em fevereiro, 5,20%. 

Projeções feitas pelo economista Cloviomar Cararine, da subseção FUP do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), apontam que os resultados esperados para março também são ruins. Até o momento, em apenas nove dias (01/03 a 09/03), os preços da gasolina e do diesel já foram reajustados três vezes, subindo 14,9% e 10,7%, respectivamente.

Dos nove grupos de produtos pesquisados, oito apresentaram alta nos preços. Como esperado, o maior impacto veio do setor de Transportes, contribuindo com 0,45 pontos percentuais (p.p.) no resultado de fevereiro. O preço da gasolina (que subiu 7,11%) impactou em 0,36 p.p. Isto significa que somente a alta da gasolina respondeu por 42% de toda a inflação deste mês. Além disso, o preço do etanol subiu 8,06%, o do óleo diesel, outros 5,4% e do gás veicular, 0,69%.

“Em momento de graves efeitos da pandemia e de elevadas taxas de desemprego, a inflação em alta penaliza ainda mais os trabalhadores. Os resultados apresentados aqui, pelo IPCA, mostram os efeitos perversos sobre a população da política de preços praticada pela Petrobrás em suas refinarias, acompanhando a variação dos preços dos derivados no âmbito internacional. A gasolina e o óleo diesel, somente em fevereiro deste ano, sofreram três aumentos de preços nas refinarias, subindo 18,8% e 21,5%, respectivamente”, observa Cararine, da FUP/DIEESE.

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Em primeiro pronunciamento depois que recuperou os direitos políticos, Lula destacou o sofrimento do povo brasileiro com a pandemia e a crise econômica. Ao falar sobre o desmonte da Petrobrás, ele sinalizou para a possibilidade de reverter o ciclo de desmonte dos últimos 5 anos. “Quem tiver comprando coisas da Petrobras tá correndo risco porque a gente pode mudar muita coisa”, alertou o ex-presidente

[Imprensa da FUP* | Foto: Ricardo Stuckert]

Em coletiva concedida nesta quarta-feira (10), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta sobre o falso “risco Lula” anunciado pela mídia corporativa ao condenar uma possível candidatura do petista em 2022. “Se o mercado quer ganhar dinheiro investindo em coisas produtivas, se o mercado quer ganhar vendo o povo ser consumidor, ele tem que gostar de mim.… Agora, se o mercado quer ver a entrega da soberania nacional, não votem em mim. Nós não vamos privatizar”, afirmou.

“Não tenham medo de mim. Eu sou radical porque quero ir à raiz dos problemas neste país. Porque quero ajudar a construir um mundo justo, mais humano, em que trabalhar e pedir aumento de salário não seja crime", disse Lula, no primeiro pronunciamento após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, ter anulado as condenações que lhe foram impostas no âmbito da Lava Jato.

A entrevista coletiva foi concedida na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo (SP), onde o ex-presidente viveu vários momentos emblemáticos de sua vida. Foi lá que ele começou sua trajetória sindical e política e foi lá também que saiu e voltou nos braços dos trabalhadores, após ter sido injustamente preso em abril de 2018 e libertado 580 dias depois.

Em seu discurso, Lula fez duras críticas às privatizações no Sistema Petrobrás e à política de preços dos combustíveis. “Quem tiver comprando coisas da Petrobras tá correndo risco porque a gente pode mudar muita coisa”, alertou o ex-presidente, condenando a privatização da BR Distribuidora e de vários outros ativos da empresa que foram vendidos a preço de banana pelos governos Temer e Bolsonaro. 

"Não é possível permitir que o preço do combustível brasileiro tenha que seguir o preço internacional se nós não somos importadores de petróleo. O Brasil é exportador. Nós produzimos a matéria prima aqui, nós tiramos do fundo do mar, nós conseguimos refinar aqui derivados de qualidade", afirmou o ex-presidente.

Pandemia: "Não temos governo"

Ao criticar o (des)governo Bolsonaro na condução da pandemia, o ex-presidente Lula relembrou que o Brasil teve várias oportunidades de imunizar a população. “Foram várias vacinas rejeitadas... ele rejeitou a Pfizer e inventou cloroquina”, lamentou. E alertou: “Não siga nenhuma recomendação imbecil do presidente e do ministro da Saúde”. O petista também disse que o Brasil vive um momento caótico. “Não temos governo neste país! Não cuida da economia, do emprego, da saúde, do meio ambiente”, destacou.

"Moro é o maior mentiroso da história do Brasil"

Lula também afirmou que vai continuar brigando juridicamente para que seja declarada a suspeição do ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro. O julgamento do caso, a cargo da Segunda Turma do STF, foi interrompido, após o ministro Kassio Nunes Marques pedir vistas do processo. Os ministros Gilmar Mendes e Lewandoswi votaram pela suspeição. Por sua vez, a ministra Cármem Lúcia deu indícios de que pode rever seu voto proferido na primeira sessão do julgamento, em 2018, desta vez se posicionando contra a conduta de Moro.

Lula chamou o ex-ministro de Jair Bolsonaro de “o maior mentiroso da história do Brasil”, e que ele era considerado “um herói, por aqueles que queriam me culpar”. “Deus de barro não dura muito tempo”, provocou. Tenho certeza que hoje ele deve estar sofrendo muito mais do que eu. Dallagnol deve estar sofrendo muito mais. Porque eles sabem que cometeram erros. E eu não cometi”, declarou.

 Veja a íntegra da entrevista coletiva:

[*Com informações da Carta Capital, da Rede Brasil Atual e da Revista Fórum]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.