Nesta terça-feria, 16, às 21h, será realizados um encontro inédito que reunirá em uma live a atual representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, Rosângela Buzanelli, e ex-conselheiros eleitos, como o atual coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, e o ex-coordenador da entidade, José Maria Rangel. Além deles, estarão presententes os ex-conselheiros Danilo Silva e Sílvio Sinedino. 

A conversa será em torno de temas que estão na agenda nacional dos trabalhadores e dos brasileiros, como política de preços dos combustíveis, venda das refinarias, prejuízos gerados pelas privatizações no Sistema Petrobrás. O desmonte da empresa está diretamente relacionado com a operação Lava Jato, que destruiu 4,4 milhões de empregos, acabou com a política de conteúdo nacional e aumentou a desindustrialização ao fazer o Brasil perder mais de R$ 172 bilhões em investimentos nos últimos anos. Isso equivale a 40 vezes os R$ 4,3 bilhões que a operação informou ter recuperado para os cofres públicos, segundo estudo realizado pelo Diiese/CUT, que será lançado nesta terça, às 14h. Essa temática também será pauta do debate.

O encontro dos conselheiros eleitos da Petrobrás será realizado ao vivo, no programa Debate Petroleiro, criado e produzido semanalmente pelo petroleiro e advogado Jailton Andrade, que também é dirigente do Sindipetro Bahia."Você vai entender de petróleo por que produz e saberá como as decisões de um grupo de 11 conselheiros da maior empresa brasileira afeta seu dia desde que quando você acorda. Daremos bons conselhos para o desenvolvimento do país e para um combustível acessível ao povo e à indústria nacional", avisa Jailton. O tema sugestivo da edição desta terça é “Um bom conselho”, pois destacará a importância do CA da Petrobrás, a sua composição atual, a luta dos representantes dos trabalhadores, os fatos históricos e curiosos em cada gestão, os prejuízos da privatização e do PPI (Preço de Paridade de Importação) e o aprofundamento da crise econômica no Brasil ocasionado pela operação lava jato, com base no estudo realizado pelo Dieese.

O programa tem uma hora e meia de duração, com transmissão às terças-feiras, 21h, no Facebook, YouTube e na Twich TV, nos links abaixo:

Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=bRUZWkpLRjI

Facebook: https://www.facebook.com/103119084729356/posts/322410056133590/

Assista por aqui: 

Publicado em Sistema Petrobrás

O Sindipetro-NF está cobrando da Petrobrás que junte provas aos autos de processo movido pela entidade pela cobrança das mensalidades da AMS em folha salarial. O sindicato obteve liminar que impede a cobrança por meio de boletos, como quer a empresa. A companhia afirmou nos autos que está cumprindo a decisão, mas não apresentou comprovações do cumprimento da decisão garantindo esse desconto nos contracheques da Petros.

Confira abaixo íntegra de nota do escritório Normando Rodrigues, que assessora o Departamento Jurídico do Sindipetro-NF: 

SINDIPETRO-NF ATRAVÉS DE SUA ASSESSORIA JURÍDICA IMPEDE A COBRANÇA DA AMS VIA BOLETO

O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), através de ação trabalhista movida pelos advogados do escritório Normando Rodrigues & Advogados Associados, logrou deferimento da tutela antecipada requerida no processo nº 0100340-21.2020.5.01.0026 movido em face da Petrobrás, para garantir a manutenção da forma de contribuição mensal (em folha) dos substituídos, para o custeio do programa multidisciplinar de saúde da Petrobrás, a AMS.

A Petrobrás havia determinado que a quitação dos benefícios fosse feita mediante boleto bancário enviado à residência dos beneficiários (aposentados, pensionistas e afastados por doença e por acidente do trabalho),  obrigando muitos beneficiários  a se dirigir até as agências bancárias para efetuar o pagamento, ao arrepio das recomendações da  Organização Mundial de Saúde, face aos riscos provocados pela a pandemia da COvid-19 e o risco de inadimplência que coloca em cheque o custeio do programa de saúde.

Mesmo sendo mantida liminar, agora tramitando na 2ª Vara do Trabalho (VT) de Macaé, a Petrobrás segue posicionamento contrário ao cumprimento integral da liminar. Diante disso, o jurídico do Sindipetro-NF  vem reiteradamente informando  e protocolou ao juízo de Macaé sobre o descumprimento da liminar do dia 27 de abril do corrente ano, juntando contra cheques  e demais documentos.

Tanto que em despacho  do juízo da 2ª VT de Macaé do dia 23 de setembro de 2020, o juiz Marco Antônio Mattos de Lemos reconheceu o direito das pensionistas assim como os aposentados e demais sindicalizados da ativa a serem alcançados pela liminar concedida no referido processo, determinando a regularização dos direitos de desconto nos respectivos contracheques da Petros de uma das pensionistas sindicalizadas.

Atendendo a reiteradas manifestações Sindipetro-NF diante da persistência do descumprimento da liminar por parte da empresa que interpreta ao seu bel prazer quanto ao alcance da mesma, a mesma informa que está cumprindo a mesma. Contudo a Petrobrás, não junta aos autos provas que comprovam com exatidão o cumprimento da decisão garantindo esse desconto nos contracheques da Petros.

Agora  desde o início do mês, o processo se encontra com o magistrado  de primeira instância para prolatar sentença definitiva que irá substituir a liminar, diante da vitória da categoria quanto ao cumprimento da liminar havido, no mandado de segurança  nº0101476-34.2020.5.01.0000 impetrado pela Petrobrás, contra a decisão judicial que manteve o desconto em folha para todos os sindicalizados(as) da entidade Sindipetro-NF .

Cabe ressaltar mais uma vez que a presente liminar beneficia todos os trabalhadores, aposentados e pensionistas sindicalizados, independente de onde residam, uma vez que são todos substituídos processuais do Sindipetro-NF nos exatos termos da liminar abaixo transcrita:

(…) determinar a manutenção anterior da forma de contribuição mensal dos substituídos (aposentados, pensionistas e incapacitados para o trabalho) para o custeio do programa AMS (assistência multidisciplinar de saúde) – tal qual vinha ocorrendo até março de 2020. “( grifamos).

[Do Sindipetro NF]

Publicado em SINDIPETRO-NF

Já está disponível nas plataformas digitais o curta-documentário “Submundo: a conspiração da Lava Jato contra Lula”, que detalha os desvios cometidos pela equipe da operação com o intuito de construir uma visão deturpada do ex-presidente petista. A produção é do Comitê Suprapartidário Lula Livre.

O cenário tem como pano de fundo a atuação dos procuradores da Lava Jato e do então juiz Sérgio Moro. O filme traz, entre outras coisas, depoimentos contraditórios utilizados nas condenações de Lula e é conduzido por dois apresentadores, sendo eles o rapper e ator Thaíde e a atriz Raquel Ferreira, que participou de diferentes produções globais.

O Supremo Tribunal Federal (STF) também entra em cena na produção, com destaque para o voto do ministro Gilmar Mendes. O filme tem um total de 26 minutos de duração e pode ser assistido no site do Comitê Lula Livre, no link https://lulalivre.org.br/, na TVT e em plataformas de parceiros no Facebook e no Youtube. 

Assista agora: 

[Com informações do Comitê Lula Livre]

Publicado em Política

Valor mais alto pago por litro encontrado no Acre é superior à média nacional, de R$ 5,45 por litro. Especialista explica os motivos e reafirma que o governo poderia intervir para praticar preços justos a todos

[Da redação da CUT]

Como na época da hiperinflação no Brasil, na década de 1980, quando a inflação chegou a 80%, atualmente, os brasileiros vão dormir esperando um novo reajuste nos preços dos combustíveis no dia seguinte. Em alguns estados, como o Acre, o susto no dia seguinte é enorme. Tem cidades acreanas, como Marechal Taumaturgo, cidade próxima a fronteiro do Brasil com o Peru, onde o litro da gasolina está custando R$ 8,20.

O valor mais alto encontrado pelos dirigentes da CUT, que ajudaram a fazer uma pesquisa nacional informal, não consta nem da pesquisa semanal de preços de combustíveis da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

De acordo com a pesquisa da ANP, o maior preço encontrado no país, na última semana, foi em Cruzeiro do Sul, também no Acre, onde o litro do combustível foi vendido a R$ 6,70.

Esses preços são resultados dos aumentos periódicos determinados pela Petrobras. Só este ano, a petroleira já aumentou a gasolina seis vezes e o diesel, cinco. O último anúncio de reajuste dos combustíveis na segunda-feira (8). A cada 15 dias, em média, a Petrobras anuncia um novo aumento nos preços. Só este ano,  gasolina já acumulou um aumento de 54,3%. No mesmo período, o diesel subiu 41,5%.

 Mas, como não estamos em períodos de hiperinflação, apesar da carestia que vem aumentando, os brasileiros já sabem que os preços dos combustíveis estão abusivos e impactam nos preços de todos os outros produtos. O resultado é que o salário consegue comprar cada vez menos e até o básico os trabalhadores e as trabalhadoras estão sendo obrigados a cortar da lista de compras mensais.

A média de preços da gasolina em outras regiões do país é de R$ 5,45. Mas em algumas cidades como Juiz de Fora (MG), Formosa (GO), Alenquer (PA) e Bagé (RS), o preço já bate a marca dos R$ 6,00. É o caso também do Rio de Janeiro. Na capital do estado, o litro da gasolina chegou a custar R$ 6,19. Porém, em Barra Mansa, de acordo coma ANP, o litro foi vendido a R$ 6,49.

DUDA QUIROGA/CUTDuda Quiroga/CUT
Rio de Janeiro

 

EDMAR BATISTELLA/CUTEdmar Batistella/CUT
Rio Branco-AC

 

PLINIO PUGLIESEPlinio Pugliese
Aracaju-SE

Por que ainda mais caro em algumas regiões?

A explicação para o preço ainda mais alto nesses locais, de acordo com Valnisio Hoffman, Coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santos (Sindipetro-ES), está em dois fatores, um deles a tributação que varia de estado para estado. “Tem locais em que o ICMS é maior, pode chegar até 34% enquanto em outros, é de 25% e isso interfere no preço”, ele explica.

Outro motivo é a logística empregada para que o combustível chegue a essas localidades. “A distância encarece os custos e ainda vai depender o tipo de transporte utilizado, se é a balsa,  caminhão ou trem. Tudo entra no cálculo”.

Mas, de acordo com ele, os preços podem ainda ser impactados pela formação de carteis de postos de combustíveis. Há locais em que todos os postos pertencem a um mesmo dono e há locais onde eles se reúnem para combinar um preço mínimo para impor à sociedade.

Sem ter para onde correr, consumidor então é obrigado a pagar pelo preço pedido.

Os impactos para a população, em especial nessas regiões, são maiores porque além de o preço dos combustíveis estar acima da média nacional, a média salarial dos trabalhadores também é menor.

“Onde os preços dos combustíveis, geralmente, são mais caros, o PIB também é menor. São locais onde o há poucas atividades produtivas, por isso os salários são menores e no fim das contas, pagando mais caro pelos combustíveis e pelos outros produtos que ficam também mais caros, o custo de vida fica maior”, diz Valnísio.

A técnica do Dieese, Adriana Marcolino, explica que toda vez que aumenta o preço dos combustíveis, há impacto nos preços de outros produtos, principalmente os alimentos.

Alta nos combustíveis come parte da renda pessoas, reduz o poder aquisitivo e pressiona outros preços porque o transporte é item presente em toda a cadeira de produção. Tem impacto nos alimentos, nos remédios, vestuário, enfim, em tudo o que compõe o orçamento familiar
- Adriana Marcolino

Preço justo é possível

Para Valnisio Hoffmann, o mínimo que um governo voltado para o social faria nestes casos seria subsidiar o preço dos combustíveis para que fossem justos ou no mesmo patamar de outras regiões.

“A Petrobras tem uma função social por ser uma estatal. Mas infelizmente os acionistas só pensam em lucros e atitudes assim não são pensadas. Eles, atualmente, rasgam o estatuto e a função social da empresa”.

Hoffman diz ainda que um caminho para viabilizar o subsídio para regiões mais distantes dos centros produtores é a mudança na política de preços da Petrobras, que acompanha a variação do dólar e do mercado internacional.

“Não se justifica essa política”, ele diz. O dirigente explica que o custo de extração no Brasil é relativamente baixo se comparado a outros países. E que o Brasil pode aumentar a capacidade de refino se ampliar seu parque. “Se usarmos as refinarias de forma correta, não torná-las ociosas, não vendê-las, poderemos ser autossuficientes em refino e não depender de importação”, diz Valnisio Hoffmann.

Temos que parar o desmonte e a venda da Petrobras. Precisamos de investimentos e não de privatizações. Veja o que aconteceu com a Liquigás que foi privatizada com governo prometendo gás mais barato e o que aconteceu foi o contrário
- Valnisio Hoffmann

De acordo com dados da ANP, levantados pelo Dieese, a produção nacional de petróleo cresceu 18% nos últimos cinco anos (2016 a 2020) e chegou a 3,7 milhões de barris equivalentes por dia. Além disso, os custos de produção de petróleo e refinados no país tem caído em razão dos ganhos de eficiência da empresa.

Desgoverno

Para Edmar Batistella, presidente da CUT Acre, estado onde são praticados os maiores preços do país, além da urgente mudança na política de preços da Petrobras, para derrubar os preços dos combustíveis, tem que cair também o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL)

Para o dirigente, a população, que já está perdendo o direito ao transporte de carro, está perdendo também o direito de cozinhar e comer já que o gás de cozinha também aumentou e milhçoes de brasileiros estão com dificuldades para comprar comida.

Enquanto continuarmos com esse desgoverno, quem vai pagar, quem vai sofrer é a população, principalmente a mais carente que já não tem o que comer
- Edmar Batistella

Diminuir imposto não resolve

Para corroborar a urgência na revisão da política de preços da Petrobras, em nota técnica, o  Dieese, afirma que uma redução dos preços dos combustíveis por meio de diminuição de impostos implica, necessariamente, em renúncia fiscal e nas circunstâncias atuais, em que o país precisa aumentar a arrecadação para fortalecer o sistema público de saúde, essa solução compromete mais ainda a capacidade do Estado brasileiro.

“Cortes na Cide (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico), no PIS/Cofins ou no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) são medidas paliativas, se não houver mudança na política do setor de petróleo no Brasil que transforme, de forma mais estrutural, a formação dos preços. É um custo que novamente será pago pelo conjunto da população”, diz trecho da nota.

Política de preços da Petrobras

Logo após o golpe de 2016, o governo de Michel Temer (MDB), adotou a PPI (Preço de Paridade de Importação), política mantida por Bolsonaro, que faz com que os combustíveis sejam reajustados pela variação do mercado global, o que favorece apenas os acionistas da Petrobras, encarecendo os combustíveis e todos os produtos que dependem do transporte rodoviário.

Diferente dos tempos dos governos Lula e Dilma, quando a variação dos preços dos combustíveis seguia um cálculo baseado em vários fatores e que possibilitava um controle maior dos preços, a atual gestão da Petrobras insiste em manter a PPI, que é a política responsável pelos constantes reajustes nos preços.

A Petrobras, quando Sérgio Gabrielli presidiu a estatal, durante o governo Lula, considerava a organização do mercado, a distribuição, a demanda por importação e as particularidades do mercado interno, como oferta e procura, e concorrência entre distribuidoras. A variação cambial e o preço internacional também eram considerados, mas não eram determinantes.

Publicado em Sistema Petrobrás

Procedimento incluiria mais dois mil trabalhadores no parque industrial e invariavelmente causaria grandes aglomerações durante o momento mais crítico da crise sanitária.

 

[Imprensa do Sindipetro PR/SC]

O Sindicato recebeu no último sábado (13) a resposta aos ofícios enviados à Repar que requisitaram o adiamento da parada de manutenção e inspeção de equipamentos de algumas unidades. 

A gestão da refinaria comunicou que, após a análise dos cenários interno e externo e os limites seguros para realização da intervenção, definiu pela postergação para 12 de abril. 

Na semana passada, além de cobrar a Repar, o Sindipetro PR e SC denunciou a situação para vários órgãos públicos, como o Ministério Público Estadual (MPPR), Ministério Público do Trabalho (MPT- PR), Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-PR), secretarias de saúde estadual e de Araucária. 

A parada de manutenção necessita de cerca de dois mil trabalhadores a mais na rotina da refinaria, o que causa aglomerações por todos os cantos do parque industrial. Portanto, adiar esse processo no ápice da pandemia do coronavírus é uma decisão prudente. 

O Sindicato continuará atento às condições sanitárias e às taxas de ocupação dos hospitais de Araucária e Região para verificar se a parada de manutenção poderá ser realizada na nova data apontada, visando a segurança de todos os trabalhadores. 

Denúncias

Qualquer situação de risco sanitário que a gestão da refinaria não tenha tomado providências deve ser comunicada imediatamente ao Sindicato, tais como aglomerações em oficinas, containers, refeitórios, transporte e alojamento, principalmente no período de serviços de pré-parada. As denúncias devem ser feitas através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou do telefone (41) 3332-4554. Se preferir, trate o assunto diretamente com os dirigentes sindicais nos locais de trabalho.

 

O Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense) promoveu, na manhã de hoje, ato no Heliporto do Farol de São Thomé, em Campos dos Goytacazes, para marcar a passagem dos 20 anos da tragédia da P-36. No dia 15 de março de 2001, uma explosão na unidade provocou as mortes de 11 petroleiros. Dias depois, toda a estrutura da então maior plataforma do mundo afundou.

Durante os 40 minutos do ato, os diretores Tezeu Bezerra e Gustavo Morete conscientizaram os petroleiros e petroleiras, que embarcavam e desembarcavam no local, sobre a necessidade de priorizar a segurança no trabalho. Eles denunciaram que as mudanças recentes na Petrobrás, com venda de ativos e aumento da terceirização, elevam os riscos de acidentes e mortes.

“Esse acidente trágico é marcado pela política que estava posta no momento, de redução de investimentos na empresa, e que infelizmente hoje é retomada”, afirma Tezeu, advertindo ainda para o fato de que hoje mesmo a Bacia de Campos vive a apreensão de manter 22 plataformas com precariedade de pessoal marítimo, em razão de uma mudança de contrato que reduziu salários e benefícios.

Além do ato no Heliporto do Farol, o Sindipetro-NF também marca a data com a realização, hoje (15), às 19h, de transmissão ao vivo nas redes sociais da entidade com o tema “P-36: O que mudou?”, para debater com a categoria petroleira e com a sociedade as conquistas na área de segurança do trabalho nestas duas décadas, assim como os problemas ainda enfrentados pelos trabalhadores.

Os 20 anos da P-36 também serão lembrados por meio de edição especial do Podcast da Rádio NF (www.radionf.org.br), que será publicado nesta terça-feira (16), com entrevistas exclusivas com diretores sindicais atuais e da época da tragédia, familiares das vítimas e um sobrevivente. Com grande força de testemunho, os depoimentos impressionam pela constatação de que o acidente poderia ter sido evitado, assim como ainda há muitos sinais de que uma nova tragédia pode acontecer a qualquer momento na Bacia de Campos.

Relembre a tragédia

No início da madrugada de 15 de março de 2001, a P-36, que operava no campo de Roncador, na Bacia de Campos, sofreu duas explosões em uma de suas colunas num intervalo de 20 minutos. A segunda explosão causou a morte dos 11 trabalhadores que integravam a brigada de incêndio da unidade: Adilson Almeida de Oliveira, Charles Roberto Oscar, Emanoel Portela Lima, Ernesto de Azevedo Couto, Geraldo Magela Gonçalves, Josevaldo Dias de Souza, Laerson Antônio dos Santos, Luciano Cardoso Souza, Mário Sérgio Matheus, Sérgio dos Santos Souza e Sérgio dos Santos Barbosa.

“Quando cheguei lá, os caras estavam mortos. Foi terrível”, diz sobrevivente da P-36 em Podcast especial da Rádio NF nos 20 anos da tragédia

O Sindipetro-NF acaba de disponibilizar uma edição especial do Podcast da Rádio NF com depoimentos fortes sobre a tragédia da P-36. Em um deles, um dos sobreviventes, o petroleiro Wagner Valon, fala sobre o resgate do corpo de um dos colegas de trabalho e afirma que a plataforma apresentava problemas frequentes antes das explosões de 15 de março de 2001. O acidente na unidade causou as mortes de 11 trabalhadores que integravam a brigada de emergência.

“De repente a gente ouviu um barulho e a plataforma sacudiu e em seguida os alarmes tocaram. Houve um deslocamento de ar e pessoal começou a correr. Eu fui até onde aconteceu o acidente. Quando cheguei lá, os caras estavam mortos. Foi terrível”, conta Valon.

O podcast também traz depoimentos emocionantes de Marilena Sousa (viúva de Josevaldo Sousa, um dos trabalhadores mortos na P-36), Sérgio Borges (diretor do Sindipetro-NF), Maria das Graças Alcântara (assistente social Sindipetro-NF), Antônio Carlos Rangel (representante sindical na comissão de investigação do acidente), José Maria Rangel (ex-coordenador geral do Sindipetro-NF e da FUP) e Tezeu Bezerra (coordenador geral do Sindipetro-NF).

“Havia muita cumplicidade entre a gente, nós conversávamos sobre tudo e por isso eu sabia muitas coisas sobre a P-36. Antes do último embarque ele soltou que doía o couro cabeludo de tanta tensão. Josivaldo disse que a plataforma precisava parar a produção para fazer reparos, mas a P-36 era a menina dos olhos da Petrobrás, então isso não iria acontecer. A P-36 ainda não estava pronta para funcionar”, conta Marilena.

O Podcast da Rádio NF chega à sua 89ª edição com publicações semanais. Nesta semana o conteúdo especial marca a passagem dos 20 anos da tragédia da P-36. Todas as edições podem ser acompanhadas em www.radionf.org.br.


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Vinte anos após a tragédia da P-36, o que mudou? Participe da live do Sindipetro-NF

Reportagem do Estadão relembra drama das famílias das vítimas do naufrágio da P-36


[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

Reportagem publicada pelo jornal Estado de São Paulo no domingo, 14, relembra o acidente que resultou há 20 anos no afundamento da maior plataforma submersível do mundo, a P-36, causando a morte de 11 petroleiros e traumas psicológicos nos outros 175 trabalhadores que estavam há bordo

Leia a íntegra da reportagem de Denise Luna e Fernanda Nunes:

Vinte anos após o naufrágio da plataforma de petróleo P-36 da Petrobras, no campo de Roncador, na bacia de Campos, as famílias que foram impactadas pela tragédia ainda sofrem com a lembrança do acidente que matou 11 trabalhadores, dos quais apenas dois tiveram os corpos encontrados. A plataforma afundou cinco dias depois de sofrer duas explosões, na madrugada do dia 15 de março de 2001, por um problema no fechamento de uma válvula, segundo relatório da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), causado por "não conformidades quanto a procedimentos operacionais, de manutenção e de projeto".

O trauma permanece até hoje, diz Walisson Antônio dos Santos, na época com 14 anos, que foi tirado da sala de aula sem saber o que estava acontecendo. “Só falaram para eu ir para casa”, conta entre lágrimas, apesar de duas décadas já terem passado. Hoje trabalhando com informática e morando em São Paulo, o filho de Laerson Antônio dos Santos, um dos nove corpos não encontrados, guarda um “santinho” feito pela mãe com a foto do pai. Na memória, Santos guarda os pés de moleque com guaraná que tomava de café da manhã com o pai em Aracaju, Sergipe, nos dias que passava com a família.

“Minha mãe entrou em depressão profunda, perdeu 30 quilos em menos de 15 dias, não conseguia comer, ficava no quarto, trancada, triste, sofrendo, e eu que tive um dia chegar para ela que eu precisava de alguém para poder me sustentar, e só então ela começou a se reerguer, mas até hoje ela sofre muito”, lamenta.

Ele lembra a agonia de aguardar notícias sobre o pai nos cinco dias que se seguiram à explosão. “Toda manhã a gente tinha esperança, mas toda noite a gente começava a chorar, porque paravam as buscas”, recorda. Na manhã do dia 20, acordou com a tia gritando “afundou, afundou”, e a família perdeu a esperança de rever o pai. Para ele, doeu muito a tentativa de salvar a plataforma no meio daquela tragédia, e se questionava se o petróleo valia mais do que a vida do seu pai.

“A gente recebeu indenização sim, demorou muito, mas recebeu. Eles (Petrobras) pagaram escola, faculdade e plano médico até os meus 23 anos. Eu fiz faculdade, me formei , mas eu não queria nada disso, eu queria que meu pai me visse formado”, afirma.

De acordo com a Petrobras, toda assistência foi prestada às famílias dos empregados, com o acompanhamento de assistentes sociais, pagamento de indenização às famílias, além do pagamento integral de mensalidades escolares dos filhos, despesas com tratamento psicoterápico para dependentes e para os empregados envolvidos diretamente no acidente. Além disso, manteve o plano de saúde para os pais dos empregados falecidos, entre outras ações de reparação.

Esposa de um colega de Laerson, Sergio Santos Sousa, ambos da brigada de incêndio da Petrobras, a viúva Helena Alves Santos Sousa, foi uma das únicas a enterrar o marido, e até hoje sofre, principalmente por causa do filho, hoje com 23 anos. “Ele esses dias mesmo me disse que estava esquecendo a fisionomia do pai. Ele embarcou no dia seguinte do aniversário de três anos dele”, relembra. Ela conta que estava ao telefone com Sérgio quando ele escutou um barulho e desligou para ver o que era. “Ele disse que ia ver e depois me ligava, amanheci no sofá esperando”, conta.

Todo dia 15 de março Helena vai ao evento promovido pela Federação Única dos Petroleiros (Fup) em Macaé, onde é realizado uma ato simbólico com a participação também de funcionários da ativa. Este ano o ato será online, por causa da pandemia. “Esse ato ajuda não só a nós, como a todos os funcionários na ativa a lutar por melhores condições de trabalho”, avalia.

Testemunha da explosão dos tanques, o então técnico de operação da P-36 Evanildo Souza e Silva conta que, até hoje, é assombrado pelas “imagens dantescas” do acidente. Por um acaso, sobreviveu. No momento em que explodiu o segundo tanque, ele estava na sala de operação, na parte superior da embarcação, para pegar um rádio e se comunicar com o pessoal em terra.

Silva fez parte do grupo de apenas 28 embarcados que permaneceu na plataforma em busca de sobreviventes. Ele deixou o local apenas quando a unidade começou a adernar, sem conseguir resgatar qualquer colega de trabalho. “A cena que a gente viu é chocante. Não dava para reconhecer nossos companheiros. Algumas viúvas me ligavam atrás de alguma informação e eu tinha que contar algo diferente. Amanhecia o dia e eu não dormia. Nunca mais fui a uma festa”, diz.

Por responder pela operação de um dos tanques que explodiu, o técnico foi apontado como um dos responsáveis pelo acidente em processo judicial. Foi absolvido por falta de provas, mas, segundo ele, ainda tenta na Justiça ser indenizado pelas perdas com a tragédia. Hoje, está aposentado e recebe remuneração do fundo de pensão da estatal, a Petros.

A viúva Luzineide Lima participou por 16 anos consecutivos dos atos da Fup do dia 15 de março. Todas as vezes em que assistia petroleiros chegando das plataformas revivia a dor da espera pelo marido. Neste ano, vai passar a data isolada, por conta da pandemia. “Vou rezar em casa, no meu cantinho”, informa ela.

Como ela, Alice Andrade, cunhada de uma das vítimas, diz que a irmã, Marilena Souza tem conseguido tocar a vida adiante por conta da religião. Elas foram juntas à Macaé (RJ) em busca de informações, acompanhadas de um pastor, no dia seguinte ao acidente. Deixaram a cidade dois dias depois. “Quando a plataforma afundou, a gente não estava mais lá. Foi uma forma de diminuir o sofrimento”, afirma.

[Do jornal O Estado de São Paulo | Imagem: Antônio Gaudério/Folhapress - 16/03/2001]

Publicado em Sistema Petrobrás

Nesta segunda-feira, 15/03, completa 20 anos do trágico acidente com a P-36, quando 11 petroleiros foram mortos em decorrência da explosão de um tanque numa das colunas da plataforma. A unidade afundou dias após, levando para o fundo do mar os corpos de dez das vítimas. Além dos 11 trabalhadores que perderam a vida no acidente, outros 175 que estavam a bordo sofrem até hoje o trauma decorrente das explosões e afundamento da plataforma

[Da comunicação do Sindipetro NF]

Na semana em que a tragédia da plataforma P-36 completa 20 anos, o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), vai promover debates com a categoria petroleira e a sociedade sobre saúde e segurança no trabalho.

Nesta segunda (15/3), às 19h, no canal do Sindipetro-NF no YouTube, o sindicato realiza uma transmissão ao vivo para conversar com trabalhadores e trabalhadoras sobre esse grave desastre.

Também haverá nesta semana uma edição especial do podcast semanal da Rádio NF com entrevistas exclusivas feitas pelo Departamento de Comunicação do Sindipetro-NF sobre o caso P-36. Dirigentes sindicais, sobreviventes da tragédia e familiares reconstituem os dias do acidente e avaliam as condições de segurança dos trabalhadores.

O objetivo das ações é fazer um balanço das conquistas de petroleiras e petroleiras pela segurança no trabalho, assim como apontar as lições que as empresas petrolíferas, em especial a Petrobras, insistem em não aprender com a tragédia e com tantos outros acidentes que continuam sendo registrados nas operações de óleo e gás.

“Precisamos lembrar sempre do que aconteceu com a P-36, ainda mais neste momento, em que a tragédia completa 20 anos e estamos assistindo a um desmonte da Petrobrás, com reflexos negativos diretos na segurança de suas operações. A interdição de quatro plataformas da Trident Energy na Bacia de Campos, em dezembro passado, unidades de campos que a empresa adquiriu da Petrobrás, são prova de que o risco às vidas dos trabalhadores e ao meio ambiente não está na prioridade das empresas de óleo e gás. E isso não ocorre apenas em plataformas marítimas, mas também em refinarias, terminais e bases terrestres da Petrobrás”, explica o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

A FUP e demais sindicatos também relembrarão a trágica data, com atos, cards em redes sociais e textos. 

Duas explosões na P-36

No início da madrugada de 15 de março de 2001, a P-36, então a maior plataforma de produção do mundo, que operava no campo de Roncador, na Bacia de Campos, sofreu duas explosões em uma de suas colunas num intervalo de 20 minutos. A segunda explosão causou a morte dos 11 trabalhadores que integravam a brigada de incêndio da unidade. Apenas dois corpos foram recuperados.

Segundo relatório da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), após a segunda explosão,138 trabalhadores foram desembarcados, o que durou três horas e meia, permanecendo a bordo da unidade apenas a equipe de emergência. O time permaneceu na P-36 até às 6h30 para tentar mantê-la nivelada, mas, diante do insucesso na ação, foi desembarcada.

Houve várias tentativas de estabilizar a unidade, “particularmente a injeção de nitrogênio e ar comprimido nos compartimentos alagados para expulsão da água”, aponta o documento da agência reguladora, mas nenhuma delas teve sucesso. Após cinco dias de angústia, a P-36 foi a pique às 11h40 do dia 20 de março de 2001, levando consigo os corpos dos 11 trabalhadores mortos na tentativa de combater o incêndio na unidade. 

Deficiências de gestão operacional

A análise da agência reguladora constatou “sistema de comunicação e coordenação deficientes entre a equipe de resposta à emergência e o comando da plataforma”, além de “coordenação e treinamento deficientes de pessoal nas ações de controle de estabilidade em emergência”. Isso mostra o descaso da Petrobras para com os trabalhadores da unidade, que, à época, ainda acusaram a empresa de sobrecarga de trabalho e empregar terceirizados em excesso na plataforma.

Em suas conclusões, o relatório da agência apontou “deficiências no sistema de gestão operacional das atividades marítimas de petróleo e gás natural da Petrobras na condução das atividades específicas à plataforma P-36”. Ainda segundo o documento, “a ineficácia das medidas para conter o alagamento ou proceder ao desalagamento da coluna de popa boreste, após o rompimento do tanque de drenagem de emergência, demonstraram falhas no esquema operacional de controle de estabilidade de unidade flutuante, em condições de avaria”.

Entre as recomendações da comissão de investigação da ANP constava o aprimoramento do sistema de gestão operacional, com “revisão e aplicação do sistema de gestão de modo a assegurar estrita observância de procedimentos regulamentares, inclusive efetuando a revisão da definição de responsabilidades relativas à manutenção, operação e segurança”; a revisão de critérios de projeto; e o dimensionamento e capacitação de pessoal, de forma a “reavaliar o dimensionamento e a qualificação das equipes de operação e manutenção de unidades marítimas, bem como daquelas responsáveis pela resposta a emergências de grande risco”.

A tragédia da P-36, além de provocar a morte de 11 petroleiros, marcou para sempre a categoria petroleira e o mundo do petróleo como um dos maiores acidentes da indústria petrolífera na história.

 

Jamais esqueceremos

Adilson Almeida de Oliveira

Charles Roberto Oscar

Emanoel Portela Lima

Ernesto de Azevedo Couto

Geraldo Magela Gonçalves

Josevaldo Dias de Souza

Laerson Antônio dos Santos

Luciano Cardoso Souza

Mário Sérgio Matheus

Sérgio dos Santos Souza

Sérgio dos Santos Barbosa

Publicado em Sistema Petrobrás

Há dez dias em greve, os trabalhadores do Sistema Petrobrás denunciam o avanço da contaminação de Covid-19 nas unidades da empresa. Neste domingo, uma semana após a morte do operador da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), Carlo Alberto, por complicações geradas pela doença, o Sindipetro Bahia tomou conhecimento de que mais um trabalhador da refinaria faleceu após ser infectado. Segundo informações preliminares obtidas pelo sindicato, a vítima tinha 52 anos e era técnico de operação, exercendo nos últimos anos a função de coordenador de turno. "Essas mortes são fruto da incompetência administrativa e gerencial da Petrobrás na Rlam, que não tem adotado as medidas necessárias para preservar a vida dos trabalhadores próprios e terceirizados, apesar de toda cobrança que vem sendo feita pela direção do sindicato", afirma Radiovaldo Costa, diretor Sindipetro Bahia, informando que a entidade irá processar o Gerente Geral da Rlam para que seja responsabilizado civil e criminalmente por expor a vida dos trabalhadores em risco.

A Rlam é uma das unidades do Sistema Petrobrás que vem sendo afetada pela negligência da direção da empresa no combate à pandemia. Nas últimas semanas, foram relatados surtos de Covid com mais de 80 trabalhadores contaminados na refinaria. Ainda assim, a gerência chegou a insistir em manter as paradas de manutenção que colocariam em risco mais de 2 mil trabalhadores aglomerados na unidade. Só após o início da greve, é que a a gestão da Petrobrás resolveu suspender o início das paradas na Rlam

Na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, o Sindipetro também denunciou a ocorrência de surtos de Covid entre os trabalhadores. "Um dos setores atingidos é o DH com oito casos confirmados. Outro setor sob atenção é o Coque, com sete casos. A situação é preocupante, uma vez que este cenário deve se agravar nos setores que estão em parada de manutenção, como o Coque. Além disso, vale lembrar que os trabalhadores da parada e os da refinaria estão compartilhando o mesmo transporte, o que pode favorecer o contágio. Para piorar a situação, há gerentes setoriais que não direcionam os trabalhadores com suspeita para avaliação médica, autorizando pessoas que podem estar com Covid-19 a trabalhar sem a devida triagem", alerta o Sindipetro-MG.

Apesar da gravidade do problema, a gestão da Regap se nega a atender as reivindicações dos trabalhadores, que aprovaram greve por tempo indeterminado e ameaçam parar as atividades se a Petrobrás não garantir o atendimento da pauta da categoria. “Cobramos respostas imediatas da empresa sobre outros temas importantes para a categoria, como a falta de efetivo, a redução do número mínimo e, principalmente, a falta de condições seguras para a realização da Parada de Manutenção no pior momento da pandemia no Brasil. Já são 15 casos confirmados na operação em 2 semanas, inclusive envolvendo pessoas que estiveram em um mesmo refeitório. Já temos casos de companheiros contaminados que não conseguiram se internar, por falta de leitos em BH. Não iremos aceitar que coloquem o lucro acima da vida da categoria”, afirma Alexandre Finamori, coordenador do Sindipetro-MG.

A segurança é um dos eixos da greve que mobiliza há dez dias os trabalhadores da Petrobrás na Bahia, no Amazonas, no Espírito Santo e em São Paulo. Em meio ao maior desmonte da história do Sistema Petrobrás, com diversas unidades já privatizadas e fechadas e outras tantas em processo de venda, os petroleiros enfrentam graves ataques no ambiente de trabalho, além da insegurança causada pela pandemia. Vários trabalhadores estão esgotados, física e psicologicamente. Sem diálogo com os sindicatos, as gerências submetem a categoria a jornadas exaustivas e a multifunções, seja no trabalho presencial ou remoto, paralelamente às transferências compulsórias e ao descumprimento do Acordo Coletivo. 

Assim como o governo Bolsonaro, a gestão Castello Branco vem negando recomendações, normas e protocolos de segurança dos órgãos de saúde e de fiscalização para prevenir de forma eficaz o avanço da pandemia da Covid-19 na Petrobras. Mais de 11% dos trabalhadores da Petrobrás já se contaminaram. Isso equivale ao dobro da média nacional. A cada semana, são mais de 400 trabalhadores infectados e uma média de 20 hospitalizados. Esses números, apesar de altos, são subnotificados, pois a Petrobrás insiste em não divulgar os dados dos trabalhadores terceirizados. Em meio às privatizações, a categoria petroleira ainda é obrigada a conviver com o pavor de ser contaminada pelos surtos semanais que estão ocorrendo nas plataformas, refinarias e terminais. Informações obtidas pela FUP revelam que mais de 60 trabalhadores próprios e terceirizados já perderam a vida em consequência da Covid.

“Continuamos em greve por segurança e condições decentes de trabalho. Não podemos aceitar que a gestão da Petrobrás continue negligenciando a vida dos trabalhadores e precarizando as condições de trabalho. Por isso, convocamos todos os petroleiros a se somarem a essa luta, pois juntos somos mais fortes”, afirma o presidente do Sindipetro AM, Marcus Ribeiro.

O principal jornal do Rio Grande do Sul, Zero Hora, publicou na quinta-feira, 11 de março, um artigo do diretor da FUP e presidente do Sindipetro-RS, Fernando Maia da Costa, sobre a política de preço dos combustíveis. Ele alerta sobre a necessidade do governo federal revogar a política de preço de importação (PPI) e a suspensão da venda das oito refinarias da Petrobrás, entre elas a Refap.

"Mais do que trocar peças do tabuleiro, Bolsonaro precisa acabar com a dependência do país em relação aos preços internacionais, suspendendo a PPI, cancelando a venda das refinarias e retomando a produção em toda sua capacidade. Esse é o dever de um governo de fato patriota", afirma o diretor da FUP.

Leia o artigo na íntegra: 

Por Fernando Maia da Costa, diretor da FUP e presidente do Sindipetro RS

Sucessivos aumentos de preço dos combustíveis e do gás de cozinha vêm revoltando os brasileiros. Com razão: o diesel e a gasolina já acumulam alta de, respectivamente, 41,5% e 54% em 2021. Isso num país assolado pela pandemia da covid-19.

Embora Bolsonaro tenha anunciado a troca na presidência da Petrobras, substituindo Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna, a simples dança das cadeiras não irá aliviar a situação do consumidor.

Nada mudará se Bolsonaro não revogar a chamada PPI – política de paridade de importação no preço de derivados. Essa, sim, é a grande vilã para a disparada no preço dos combustíveis, pois usar a cotação do barril de petróleo e do dólar como base para calcular o preço do seu produto tem provocado sucessivos aumentos nos postos de gasolina. Ganham as multinacionais, que vendem o seu derivado importado no mercado nacional, perdem os brasileiros.

Por isso, é um engano apostar em alterações na carga tributária como saída. Aliás, as promessas do governo nesse sentido são mera cortina de fumaça. Para se ter uma ideia, em nove meses, o diesel teve um aumento nos postos de R$ 0,56. Os impostos atribuídos foram responsáveis por R$ 0,06 desse valor.

Cabe lembrar um detalhe não menos relevante: o Brasil é produtor de petróleo e tem refinarias que atendem à quase totalidade de sua demanda interna. Ou seja, temos capacidade de explorar e refinar nosso petróleo, diminuindo as importações e reduzindo a dependência do país diante do mercado externo. 

Entretanto, o governo caminha no sentido oposto ao manter a produção do parque de refino nacional ociosa além de colocar à venda oito refinarias da estatal, uma delas a nossa Refap. Mais do que trocar peças do tabuleiro, Bolsonaro precisa acabar com a dependência do país em relação aos preços internacionais, suspendendo a PPI, cancelando a venda das refinarias e retomando a produção em toda sua capacidade. Esse é o dever de um governo de fato patriota. Com a palavra, Bolsonaro.

[Do Zero Hora]

 

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.