América Latina lamenta a morte de Hugo Chávez

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Vermelho, com informações da Prensa Latina e da Agência Venezuelana de Notícias (AVN)

O falecimento do presidente da República Bolivariana da Venezuela e comandante da Revolução Bolivariana na América Latina Hugo Chávez foi motivo de grande comoção no continente e em todo o mundo; líderes de diversos países já se manifestaram em apoio aos ideais revolucionários de Chávez, que seguirão acesos.

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Chávez manteve relações amistosas com vários países na região e ao redor do mundo ao longo dos anos em que esteve à frente do governo venezuelano. A franqueza, vontade de integração e a capacidade para estabelecer diálogos construtivos não passaram sem reconhecimento, e lhe permitiram ganhar o respeito e admiração únicos. 

Assim que o falecimento de Chávez foi anunciado, não só muitos líderes ofereceram logo os seus pesares aos povos revolucionários mas, além disso, alguns presidentes vizinhos anunciaram uma viagem imediata à Venezuela. Entre eles estão a presidenta Cristina Kirchner da Argentina, o presidente Evo Morales da Bolívia e José Pepe Mujica, do Uruguai. Ainda assim, emitiram declarações emocionadas e de apoio aos ideais revolucionários.

Declarações de pesar e apoio

O presidente boliviano Evo Morales, visivelmente emocionado, disse: “meu irmão solidário, meu companheiro revolucionário, latino-americano que lutou pela Pátria Grande, como o fez Simón Bolívar, que deu toda a sua vida pela liberação do povo venezuelano”, e admitiu que a notícia, apesar de dolorosa, também deve servir para a reafirmação de apoio e de unidade entre os venezuelanos para a continuação do esforço revolucionário.

Evo Morales também pediu ao povo venezuelano que continue lutando contra a ameaça do império, que não cessa de desestabilizar e dividir aos povos latino-americanos que lutam por sua liberação, que “a melhor homenagem que se pode dar ao presidente Chávez é manter a unidade para manter a luta pela dignidade dos nossos povos.”

Já o presidente recentemente reeleito do Equador, Rafael Correa, através da chancelaria emitiu um comunicado segundo o qual se “solidariza ante esta irreparável perda que deixou de luto o povo venezuelano e toda a região.” Correa afirmou que seu país reitera os “sentimentos de especial amizade que o unem à Venezuela”, e que o legado de Chávez seguirá fortalecendo as relações entre ambos os países e a integração da América Latina.

O Equador também é membro da Aliança Bolivariana dos Povos da Nossa América (Alba), idealizada e liderada por Chávez, e de acordo com Correa, “um companheiro de caminho na construção do socialismo do século 21 que sente como própria esta perda.”

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou também nesta terça-feira (5) que “homens excepcionais e formidáveis como Hugo Chávez nunca morrem.” A declaração foi feita pela primeira-dama e porta-voz do governo sandinista, Rosario Murillo, que disse também que Chávez “soube levar todas as suas lutas, todas as suas batalhas com tanta valentia, dignidade, humor e alegria” que é difícil “pensar sequer que esteja morto, porque não está morto.”

Já em concentração na Praça da Revolução de Manágua, ante milhares de nicaraguenses, Ortega disse que “o comandante e presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Chávez Frías, veio a iluminar este povo irmão, levantando a espada de Bolívar na Venezuela, América Latina, Caribe e no mundo.”

A presidenta argentina Cristina Kirchner decretou três dias de luto pela perda de Chávez e anunciou a sua viagem imediata para a Venezuela, para assistir aos atos de despedida de quem foi um aliado da integração entre a Venezuela e a Argentina, e um amigo pessoal da sua família.

O vice-presidente argentino, Amado Boudou, disse haver “uma grande dor em toda a América” pelo falecimento de Chávez, e despediu-se: “Até sempre, Comandante: junto a Néstor [Kirchner, falecido presidente argentino] nos guiará à vitória dos povos!”

A presidenta Dilma Roussef e o ex-presidente Lula no Brasil também lamentaram a morte de Chávez, a quem chamaram de um líder socialista e um “grande latino-americano.” Dilma estava comovida e pediu um minuto de silêncio durante um evento com trabalhadores rurais, em Brasília, pelo falecimento de Chávez, “um amigo do povo brasileiro.”

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ressaltou que para o seu país e para si próprio, em particular, “a perda do presidente Chávez tem um significado especial”, e enviou seus pêsames às filhas de Hugo Chávez, à sua mãe e aos seus irmãos. O presidente manifestou também o seu apoio ao vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e ao presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello.

Santos reconheceu ainda que os avanços “em um processo sólido de paz com progressos claros e concretos, avanços como nunca foram alcançados, com a guerrilha das Farc, é também graças à dedicação e compromisso sem limites do presidente Chávez e do governo da Venezuela.”

Os presidentes da República Dominicana (Danilo Medina), do Haiti, do México e da Guatemala também expressaram as suas condolências ao povo venezuelano pela morte de Chávez. Em comunicado, Danilo Medina qualificou Chávez como um “leal amigo” do seu país.

No Peru, o presidente Ollanta Humala expressou consternação através do Twitter, e escreveu: “Adeus, comandante e amigo Hugo Chávez,” também oferecendo seus pêsames à família de Chávez e a todo o povo venezuelano. E no Chile, o presidente Virgilio Piñera reconheceu o impulso dado por Chávez à criação da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e o comprometimento com a integração da América Latina.

O embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, recordou a figura do presidente Chávez como uim grande político para o seu país, para a América Latina e para o mundo. O diplomata classificou como uma “verdadeira tregédia” a notícia sobre o falecimento de Chávez, que “desempenhou um papel muito importante no desenvolvimento daqs relações entre a Venezuela e a Rússia,” concluiu.

No Irã foi declarado dia de luto nacional pela morte de Chávez, e o governo da Síria emitiu nota em que agradeceu o apoio de Chávez ao povo sírio. O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad chegou a indicar a possiblidade de uma viagem à Venezuela, para o funeral de Chávez.

Também o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, ofereceu condolências ao povo venezuelano em nome do povo palestino e agradeceu o apoio de Chávez à sua causa, já que o líder sempre defendeu com firmeza o direito dos palestinos à liberdade.

Comunicados internos e regionais

A Organização dos Estados Americanos (OEA), através do secretário geral José Miguel Insulza, expressou suas condolências ao governo e ao povo da Venezuela pelo “triste” falecimento do presidente Hugo Chávez.

Os governadores do estado venezuelano de Portuguesa, Wilmar Castro, e do estado de Bolívar, Francisco Rangel Gómez estiveram entre os primeiros a manifestar-se, e Rangel afirmou que Chávez deixou um “legado imensamente grande, que é a nossa liberdade.”

Também a juventude do Partido Socialista Unido da Venezuela manifestou seu “agradecimento eterno” ao presidente da República Hugo Chávez pelo pensamento e luta que deixou para o país. Em comunicado, a juventude sublinhou que o ideal de Chávez será “eterno entre os jovens e entre os povos do mundo.”

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) transmitiram um comunicado em que manifestaram solidariedade ao povo venezuelano, enquanto insistiram num respaldo decidido “à equipe do governo, ao vice-presidente Nicolás Maduro, que recebeu das mãos do próprio Chávez a fulgurante espada do Pai Libertador. A Venezuela foi e será bolivariana sempre.”

Nesta quarta-feira (6) já tinham chego à Venezuela, pela manhã, o presidente boliviano, Evo Morales, a presidenta argentina, Cristina Kirchner e o uruguaio Pepe Mujica.

O velório do líder bolivariano Hugo Chávez Frías será realizado nesta sexta-feira (8), às 10h no hall de entrada da Academia Militar da Venezuela, em Caracas, capital venezuelana.

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