Em artigo publicado na CartaCapital, especialistas do Ineep avaliam que a descoberta de hidrocarbonetos na bacia da Foz do Amazonas reforça o potencial energético da Margem Equatorial Brasileira e sua importância para segurança energética nacional, além de evidenciar o know-how da Petrobrás na exploração de águas ultraprofundas
Por Mahatma Ramos dos Santos, Ticiana Alvares Oliveira e Francismar Ferreira, pesquisadores do Ineep
Anunciada pela Petrobras na última sexta-feira 14, a descoberta de hidrocarbonetos na bacia sedimentar da Foz do Amazonas reforça o potencial energético da Margem Equatorial Brasileira (MEB) e evidencia o know-how da Petrobras na exploração de águas ultraprofundas. Embora uma avaliação precisa quanto a sua viabilidade econômica e volume potencial ainda dependa de avanços exploratórios e nova licença ambiental, o esforço estatal empreendido até aqui é essencial para segurança energética nacional e fortalecimento da posição brasileira na disputa geopolítica internacional.
A descoberta ocorre em um contexto global fragmentado e conflitivo, no qual a segurança energética está no centro das disputas geopolíticas e os combustíveis fósseis seguem como insumos estratégicos para a oferta mundial de energia. No Brasil, o petróleo e o gás natural representam hoje cerca de 45% da oferta interna de energia e, apesar dos recentes recordes produtivos, há projeção de declínio na produção nacional na próxima década, o que desafia o País a ampliar suas atividades exploratórias no presente de forma a garantir a reposição de reservas no futuro.
Se o potencial da área for confirmado, a descoberta contribuirá tanto para enfrentar o processo de desnacionalização das reservas no País, visto que a Petrobras é operadora exclusiva do bloco FZA-M-59, quanto para incrementar a segurança energética. Contudo, o debate público e o planejamento estratégico estatal sobre o papel do setor de óleo e gás (O&G) e, em especial, da MEB no desenvolvimento nacional não devem esperar essa confirmação.