6 de julho CUT: presidente da Central cobrará no Pará presença da Polícia Federal na apuração dos crimes no campo

“Não podemos aceitar a criminalização dos movimentos sociais sem o combate efetivo da polícia federal", afirma o dirigente…





CUT

Escrito por: Luiz Carvalho

Em entrevista coletiva concedida na manhã desta terça-feira (5), na sede nacional da Central Única dos Trabalhadores, o presidente Artur Henrique explicou porque escolheu participar das manifestações no Pará amanhã, Dia 6 de Julho, data da Mobilização Nacional da CUT.

O dirigente destacou que, ao lado do coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, cobrará das autoridades do Estado agilidade e, principalmente, maior participação do governo federal na investigação dos crimes. “Não podemos aceitar a criminalização dos movimentos sociais sem o combate efetivo da polícia federal. É preciso também que, tanto os governos do Pará e do Maranhão, quanto o governo federal, tenham uma atitude mais ousada onde o conflito assume cada vez mais um palco de assassinatos sem a apuração dos culpados.”

Artur lembrou ainda a proposta da CUT de responsabilização de todo o conjunto da cadeia produtiva que utilize trabalho escravo.  Dessa forma, as empresas também seriam punidas caso contratem fornecedores que utilizem formas degradantes de trabalho como o trabalho escravo e infantil e onde se notifiquem crimes como o assassinato de líderes sindicais e ambientalistas.

Privatização aérea
Outro tema que despertou grande interesse por parte dos repórteres presentes foi a manifestação que aeroportuários, aeroviários e aeronautas promoverão neste 6 de julho, principalmente nos aeroportos de Viracopos (Campinas), Galeão (RJ), Brasília, Confins (MG), e Cumbica (Guarulhos). Estes aeroportos foram anunciados dentro do pacote de concessões definido pela presidenta Dilma Rousseff. “Tivemos uma conversa com o secretário da Aviação Civil, Wagner Bittencourt, que talvez sem muita informação, quis comparar o modelo de concessão do espaço aéreo com o que foi feito no setor elétrico. Não podemos esquecer que na década de 1990, quando alertávamos para o aumento de tarifas de energia e para a queda de qualidade dos serviços, não fomos ouvidos. Hoje, os mesmos empresários que defendiam a privatização são os mesmos que reclamam dos serviços da Eletropaulo, em São Paulo, por terem ficado, 30, 40 horas sem luz, e pelo alto preço da energia”, lembrou.

Artur ressaltou também que nenhum dos principais países do mundo abriu mão do controle aéreo e apontou a preocupação em impedir o retrocesso do acesso das classes mais pobres aos aeroportos. “Sem o controle do Estado e da Infraero, as pessoas de baixa renda ainda poderão andar de avião ou serão empurradas novamente para as rodoviárias? Onde ocorrerão os investimentos? Só em shopping centers ou em melhorias para a população? Não somos contra a participação do capital privado para melhorar o que já existe, mas contra abrir mão do controle do Estado e atrair as empresas privadas para o que já está pronto e foi construído com nossos impostos”, definiu. O governo pretende reservar apenas 49% das ações para a Infraero, apesar de pretender financiar a venda com dinheiro do BNDES.