updated 1:02 PM BRT, Jun 26, 2017
Segunda-Feira, 26 de Junho de 2017

Desagravo de um petroleiro ao jornalista Sardemberg

  • Escrito por Cláudio da Costa Oliveira
  • Publicado em OPINIÃO
Por Cláudio da Costa Oliveira, economista aposentado da Petrobras e ex-diretor do Sindipetro-ES

O jornalista Carlos Alberto Sardenberg publicou artigo no último dia 28/04, no qual mostra total inconsequência e falta de conhecimento para falar sobre a Petrobras. Na sua tentativa de buscar justificativas, por interesses sombrios, para o atual plano de venda de ativos por que passa a empresa, busca denegrir o nome da companhia com informações descabidas e inverídicas.

Não sabemos quais são as fontes de informação do Sr. Sardenberg, mas certamente não vêm dos balanços publicados e nem dos fatos relatados no site da empresa. Na verdade, acreditamos que o Sr. Sardenberg não precisa de fonte de informação, pois ele cria a informação da maneira que bem entende, para alcançar seus objetivos sorrateiros. Sabemos muito bem que nossos artigos ficam muito longe de alcançar a audiência dos artigos deste cidadão, mas pelo menos queremos fazer nossa parte na defesa do nome da Petrobras e no esclarecimento da classe petroleira.

Sem a menor vergonha o referido jornalista afirma: “Quebraram a estatal. Vamos falar francamente: a Petrobras só não está em pedido de recuperação judicial porque é estatal. Todo mundo espera que em algum momento, o governo imprima dinheiro para capitalizar a empresa.” Parece que o referido jornalista finge desconhecer o fato de que a Petrobras tem apresentado lucro constante desde 1991, o que só foi interrompido agora em 2014 e 2015 devido a ajustes contábeis (impairments) altamente contestados, mas que na verdade são apenas registros econômicos que não afetam o caixa da empresa.

Que juiz vai conceder recuperação judicial para uma empresa que tem US$ 25 bilhões em caixa? O maior caixa de todas as petroleiras do mundo. Que juiz vai conceder recuperação judicial para um empresa que gasta US$ 20 bilhões por ano com investimentos? Que juiz vai conceder recuperação judicial para um empresa para a qual o Banco de Desenvolvimento da China abriu linha de credito de US$ bilhões, recebendo como garantia apenas a promessa de fornecimento futuro de petróleo? 

Se tem alguém esperando que o governo faça alguma capitalização para “salvar” a Petrobras, é bom avisar que tenham paciência, pois vão esperar muito. Em entrevista após a publicação do balanço de 2015, o presidente Bendine reconheceu: “O caixa da empresa cobre suas necessidades até o final de 2017”. Soma-se a isto o fato do fluxo de caixa projetado pela companhia para 2016 indicar que, somente neste exercício, a Petrobras vai gerar operacionalmente mais de US$ 22 bilhões de caixa.

O referido jornalista vai mais longe e sugere: “O presidente da companhia também deveria ser procurado no mercado. Inclusive no mercado internacional. Qual o problema de se colocar executivo chinês ou norueguês tomando conta da Petrobras?” Evidentemente, evitando sugerir diretamente a privatização da Petrobras, ao que tudo indica o jornalista quer ir por etapas.

O referido jornalista afirma ainda: “A companhia tem problemas em todos os lados, inclusive de excesso de pessoal e de pessoal mais bem remunerado que no mercado”. O jornalista esquece de dizer que este excesso de pessoal bem remunerado está extraindo petróleo no pré-sal num custo abaixo de US$ 10, o mais baixo entre todas as majors. Na verdade, como já falamos outras vezes, a Petrobras continua produtiva e lucrativa, apesar dos problemas de corrupção e políticos, a empresa, na essência, é a mesma.

No próximo dia 12 será divulgado o resultado do 1º trimestre de 2016. Sabemos que em 2016 ainda estão previstos pagamentos de “garantias judicais” referentes a problemas pretéritos, que nada têm a ver com a operação da empresa, no montante de US$ 5 bilhões. Esperamos que tais pagamentos não sejam feitos de uma só vez neste trimestre. Mas qualquer que seja a decisão, o balanço vai mostrar uma empresa economicamente sustentável com forte geração de caixa, o que incomoda alguns jornalistas.

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