updated 12:13 AM CDT, Jun 22, 2018
Sexta-Feira, 22 de Junho de 2018

Petroleiros se mobilizam contra desmonte da Previdência e da Petrobrás

Parente reduz carga das refinarias e importadoras batem recordes

Nesta segunda, os petroleiros se somam a várias outras categorias e setores organizados da sociedade nas paralisações e atos contra o desmonte da Previdência e a retirada de direitos. A orientação da FUP é que os trabalhadores sigam também mobilizados ao longo da terça-feira, 20, quando a gestão golpista de Pedro Parente pretende paralisar a principal unidade de destilação da Rlam, a U-32. A medida abre caminho para a privatização da refinaria, que, assim como várias outras unidades da Petrobrás, está com a carga de produção muito abaixo de sua capacidade, em função da redução deliberada da participação da empresa no mercado nacional de derivados.

A U-32 produz óleo diesel, cujos estoques nacionais estão sendo substituídos pelos importados, fruto da política de precificação dos derivados que deixou o mercado brasileiro nas mãos da OPEP e vem fazendo a festa das empresas importadoras.  Na Bahia, o volume de óleo diesel importado representava apenas 4% do total consumido em 2016. Hoje, já responde por 22%. A Rlam, que em 2014 processava mais de 300.000 barris diários de petróleo, hoje refina cerca de 190.000, o que representa 51% da sua capacidade instalada.

Diesel já representa 40% de todos os derivados importados

As importações de derivados batem recordes jamais vistos, graças aos gestores da Petrobrás que, deliberadamente, abrem mão de receitas e cortam investimentos nas refinarias, com o objetivo de privatiza-las.  Segundo dados de novembro da ANP, 207 milhões de barris de derivados foram importados em 2017, o maior volume já registrado pela agência. A importação de óleo diesel, o principal combustível comercializado no país, cresceu 64% em relação ao ano anterior e já representa cerca de 40% de todos os derivados estrangeiros que chegam ao Brasil.

Além dos EUA, que lideram as importações, vários outros “players” internacionais estão ocupando o mercado nacional, às custas da nossa soberania. É o caso da Rússia e de países do sudeste asiático, como a Cingapura, Tailândia, Indonésia, Malásia, Filipinas, Brunei, Laos e Camboja (os chamados Asean), que, antes de 2017, não exportavam diesel para o Brasil e agora já são responsáveis por mais de 8% das importações do país.

“Em 2017, foram importados 82 milhões de barris de óleo diesel, frente a uma necessidade de 90 milhões de barris. Ou seja, as refinarias já estão utilizando os estoques para alimentar o mercado interno. Isso é fruto da política de subutilização da produção do parque nacional de refino. Nossas refinarias têm capacidade de atender muito mais ao mercado interno, já que sua produção está se transformando em estoque”, alerta o economista Rodrigo Leão, coordenador do Grupo de Estudos Estratégicos e Propostas para o Setor de Óleo e Gás da FUP (Geep).

Na contramão da soberania

A gestão Pedro Parente jogou no lixo todo o esforço da Petrobras de expandir o seu parque de refino e está tornando o país novamente dependente das importações. Em 2013, a nossa necessidade de importação de óleo diesel era de 15%. Atualmente, já beira os 26%. A própria ANP estima que o Brasil terá um déficit na importação de derivados de 1,1 milhão de barris por dia em 2030. A resistência da categoria petroleira é a única forma de preservarmos o que ainda resta do Sistema Petrobrás e garantirmos a soberania nacional e empregos para o povo brasileiro.

Só a luta nos garante! 

FUP

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